| Uma vasta programação vai marcar o centenário de Jorge Amado neste ano de 2012. O ápice será o Festival Amar Amado, que acontece em Ilhéus, de 04 a 12 de agosto, e conta com atividades nas áreas do teatro, música, dança, literatura, cinema, gastronomia, artes plásticas e visuais. Entre as principais atrações estão a Feira Literária de Ilhéus e os shows de Caetano Veloso, Moraes Moreira, Família Caymmi e Margareth Menezes. Confira em: http://festivalamaramado.com.br |
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
FEIRA DO LIVRO DE ILHÉUS: PROGRAMAÇÃO TERREIRO DE POESIA...
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segunda-feira, 30 de julho de 2012
E SEMPRE EM MEU OLHAR O MESMO ROSTO...
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| A tela do artistas plástico
Gabriel Ferreira, feita exclusivamente para o meu soneto "E sempre em
emu olhar o mesmo rosto...", pertencente ao meu livro "A pele de Esaú" e
sua respectiva capa: http:// |
E SEMPRE EM MEU OLHAR O MESMO ROSTO...
(por Silvério Duque)
E sempre, em meu olhar, o mesmo rosto,
a mesma noite, o mesmo labirinto.
O anjo que eu vi cair, já recomposto,
evola-se na luz – Eu não o pressinto...?
Avistei-o, através deste sol-posto,
sob o livor da morte e meus instintos,
ardente e triste sobre os céus de agosto
como as coisas que vi e agora sinto,
pois maior é o Mistério à minha frente.
( Nesse vento indo e vindo pelas portas,
eu penso em Deus e nada está ausente... )
– Somos memória e a morte a todos corta,
meu irmão Esaú precito e crente,
mas só a visão de Deus é o que te importa".
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quarta-feira, 25 de julho de 2012
PESA-ME SOBRE OS OMBROS MEU SILÊNCIO...
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| A tela do artistas plástico
Gabriel Ferreira, feita exclusivamente para o meu soneto: "Pesa-me sobre
os ombros meu silêncio...", pertencente ao meu livro "A pele de Esaú": http:// |
PESA-ME SOBRE OS OMBROS
MEU SILÊNCIO...
(por Silvério Duque)
(por Silvério Duque)
Pesa-me sobre os ombros meu silêncio,
penso no fogo – renascer de tudo –,
na carne que perdi entre os escombros
do desejo, dos sonhos, dos sentidos...
Pesa-me esta saudade de mim mesmo,
esta vontade de partir, de estar
em toda parte e em tudo quanto vejo,
de deixar para trás tudo o que importa...
( Nada importa. Tudo é ilusão e instantes.
Entretanto, desejo, em vão, a vida
e a doce voz que o coração escuta.
Nada importa, pois tudo é solidão
e agonia; pois tudo é noite e assombro. )
Mas, a alma se deslumbra em meio às cinzas.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
É PRECISO CRIAR PARA SENTIR...
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| A tela do artistas plástico Gabriel Ferreira, feita exclusivamente para o meu soneto "É preciso criar para sentir...", pertencente ao meu livro "A pele de Esaú": http://poetasilverioduq |
É PRECISO CRIAR PARA SENTIR...
(por Silvério Duque)
É preciso criar para sentir;
nada somos se nada construímos,
pois se nada inventamos, nada existe...
Somos a nossa ação por sobre o tempo.
No dia em que tecemos tudo vive,
realizar é escapar da morte... mas,
não durarei apenas entre os outros,
pois dou aos versos usos e clarezas.
De tanta falta e busca me revejo,
de tanto amor e anseio, me reinvento,
nessas rotas e fugas me refaço.
Necessário é criar e a vida é pouca,
no dia em que eu me faço estou e existo.
Neste poema há todos os meus passos.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
TEU SORRISO NA FOTO ENVELHECEU... OU UMA CANÇÃO DE AMOR PARA LUCIFRANCE CASTRO
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| A tela do artistas plástico Gabriel Ferreira, feita exclusivamente para o meu soneto "Teu sorriso, na foto, envelheceu...", pertencente ao meu livro "A pele de Esaú": http://poetasilverioduq |
TEU SORRISO NA FOTO ENVELHECEU...
OU UMA CANÇÃO DE AMOR PARA LUCIFRANCE CASTRO
(por Silvério Duque)
Teu sorriso, na foto, envelheceu –
envelhecemos juntos... Tudo passa:
o que se achou perdido entre a gaveta
e os sonhos, as carícias no teu rosto,
a noite derramando-se em ternura
e sono, o amanhecer que partilhamos...
Tudo passa; até mesmo a tua ausência
e a saudade que trago de quem somos.
Mas, mesmo na saudade, há dor e abrigo;
vontade de ficar e desespero.
O teu sorriso envelheceu comigo,
e, eternamente, se entrelaça em mim,
pois, contra o tempo que nos aniquila,
há a persistência viva das lembranças.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
NUA, ÉS COMO OS FRUTOS CONTRA O VENTO...
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| A tela do artistas plástico
Gabriel Ferreira, feita exclusivamente para o meu soneto "Nua, és como
os frutos contra os ventos...", pertencente ao meu livro "A pele de
Esaú": http:// |
NUA, ÉS COMO OS FRUTOS CONTRA O VENTO...
(por Silvério Duque)
Nua, és como os frutos contra o vento,
o contrair impuro de teus músculos,
como a transpiração das tuas flores,
vela chorando só em meio as preces...
És como um dispersar de velhas missas,
espaços partilhados pela ausência,
a sensação pesada, o Fogo Eterno,
és a falta, o princípio, o musgo, a fera...
Nua és como as frestas e as janelas,
as marcas de meus dentes em teu seio,
a certeza insensata das promessas...
És a busca e a descida a toda fonte,
o vento repetido em toda parte,
minha dor, minha paz e meu reflexo.
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quarta-feira, 20 de junho de 2012
CONTEMPLO EM TUAS CHAGAS A BELEZA E A MEMÓRIA...
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| A tela do artistas plástico
Gabriel Ferreira, feita exclusivamente para o meu soneto "Contemplo em
tuas chagas a beleza e a memória...", pertencente ao meu livro "A pele
de Esaú": http:// |
CONTEMPLO EM TUAS CHAGAS
A BELEZA E A MEMÓRIA...
(por
Silvério Duque)
Contemplo,
em tuas chagas, a beleza
e a memória de tudo o quanto é vivo.
A dor inda presente sente a carne
o amor nos oferece um gesto antigo.
As tuas mãos deslizam sobre as noites
mais escuras e a sombra de teus gestos
desenham novos rumos. Eu reclamo
em vão a tua morte e a minha vida
eu permaneço esquivo em meio as cinzas
e o que vejo me traz teu abandono –
recomeço das coisas esquecidas.
Uma palavra, só, e eu me refaço...
A fome, a sede, a espera... o desespero:
teu corpo vive em mim como uma praga.
e a memória de tudo o quanto é vivo.
A dor inda presente sente a carne
o amor nos oferece um gesto antigo.
As tuas mãos deslizam sobre as noites
mais escuras e a sombra de teus gestos
desenham novos rumos. Eu reclamo
em vão a tua morte e a minha vida
eu permaneço esquivo em meio as cinzas
e o que vejo me traz teu abandono –
recomeço das coisas esquecidas.
Uma palavra, só, e eu me refaço...
A fome, a sede, a espera... o desespero:
teu corpo vive em mim como uma praga.
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sábado, 16 de junho de 2012
E O QUE EU ADORO EM TI É A TUA CARNE...
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| A tela do artistas plástico Gabriel Ferreira, feita exclusivamente para o meu soneto "E o que eu adoro em ti é a tua carne...", pertencente ao meu livro "A pele de Esaú": http:// |
E O QUE
EU ADORO EM TI É A TUA CARNE...
(por Silvério Duque)
E o que eu adoro em ti é a tua carne
porque tudo o que é vivo se deseja
assim desejo em ti o meu tormento
que há-de crescer na proporção do tempo.
O que eu almejo em ti é a tua sombra
pois toda boca habita as mesmas vozes
que hão-de tecer com gritos o teu nome
na tarde azul tragada pela noite.
Beijo o teu rosto como se existisse
algum lugar pr’além do Precipício
e junto ao gosto de teu lábio esquivo
uma palavra sobrescrita em sangue
há-de adornar o verso em que eu me esqueço
e há-de extirpar, do amor, a fúria imensa.
(por Silvério Duque)
E o que eu adoro em ti é a tua carne
porque tudo o que é vivo se deseja
assim desejo em ti o meu tormento
que há-de crescer na proporção do tempo.
O que eu almejo em ti é a tua sombra
pois toda boca habita as mesmas vozes
que hão-de tecer com gritos o teu nome
na tarde azul tragada pela noite.
Beijo o teu rosto como se existisse
algum lugar pr’além do Precipício
e junto ao gosto de teu lábio esquivo
uma palavra sobrescrita em sangue
há-de adornar o verso em que eu me esqueço
e há-de extirpar, do amor, a fúria imensa.
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Silvério Duque
quinta-feira, 7 de junho de 2012
GRANDE CONFORTO ESTA VISÃO DA NOITE...
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| A tela do artistas plástico Gabriel Ferreira, feita exclusivamente para o meu soneto "Grande conforto esta visão da noite...", pertencente ao meu livro "A pele de Esaú": http:// |
GRANDE CONFORTO ESTA
VISÃO DA NOITE...
(por Silvério Duque)
Grande conforto esta visão da noite,
esta noite existente em cada ouvido,
qual o mar encarcerado em cada concha...
Há, em cada sonho, um anjo adormecido,
a despojar, da dor, toda verdade;
a mesma dor que nos revela as faces
que escondemos outrora em meio aos gritos.
E há, em cada despertar, o mesmo sonho,
do íncubo anjo, em seus olhos, revivido,
e, em seus olhos, o mesmo e estranho brilho
desta escada submersa e intermitente
entre as vagas, o Céu e a noite escura:
é a solidez das horas de Esaú –
hirsuto hebreu sem paz e sem lentilhas.
(por Silvério Duque)
Grande conforto esta visão da noite,
esta noite existente em cada ouvido,
qual o mar encarcerado em cada concha...
Há, em cada sonho, um anjo adormecido,
a despojar, da dor, toda verdade;
a mesma dor que nos revela as faces
que escondemos outrora em meio aos gritos.
E há, em cada despertar, o mesmo sonho,
do íncubo anjo, em seus olhos, revivido,
e, em seus olhos, o mesmo e estranho brilho
desta escada submersa e intermitente
entre as vagas, o Céu e a noite escura:
é a solidez das horas de Esaú –
hirsuto hebreu sem paz e sem lentilhas.
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quarta-feira, 30 de maio de 2012
BENDITO SEJA TODO ESQUECIMENTO...
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| A tela do artistas plástico Gabriel Ferreira, feita exclusivamente para o meu soneto "Bendito seja todo esquecimento...", pertencente ao meu livro "A pele de Esaú": http:// |
Bendito
seja todo esquecimento...
(por
Silvério Duque)
Bendito
seja todo esquecimento
bendita, também, seja toda sede
e tudo mais que nos desperte a carne
ou que nos torne estranhos ante o espelho.
Bendito o nosso instante mais impuro
o que sobrou de nós e o nosso início –
tanto vazio e cor num só começo –
tantas mortes das quais nos refazemos.
Que Deus nos abençoe por entre as pedras
com o ressoar cruel do vão destino
e que eu O veja inteiro ( em cada passo )
– e que possas senti-Lo em meio aos braços
com os quais, na dor, abraças teus joelhos...
Bendita seja a paz destes silêncios.
bendita, também, seja toda sede
e tudo mais que nos desperte a carne
ou que nos torne estranhos ante o espelho.
Bendito o nosso instante mais impuro
o que sobrou de nós e o nosso início –
tanto vazio e cor num só começo –
tantas mortes das quais nos refazemos.
Que Deus nos abençoe por entre as pedras
com o ressoar cruel do vão destino
e que eu O veja inteiro ( em cada passo )
– e que possas senti-Lo em meio aos braços
com os quais, na dor, abraças teus joelhos...
Bendita seja a paz destes silêncios.
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Gabriel Ferreira...
LANÇAMENTO DE "TOCAIA"... REVISTA GRAPIÚNA DE LETRAS E ARTES...
A TOCAIA, revista grapiúna de letras e
artes, vai ser lançada neste sábado, 02 de junho, no ABC da Noite, bodega do
nosso querido Cabôco Alencar, no Beco do Fuxico, em Itabuna, entre as 11 e 13
horas. Não percam! Os editores são os escritores George Pellegrini e Gustavo
Felicíssimo. Tem muita coisa boa aí!!!
sexta-feira, 27 de abril de 2012
SONETO DAS BREVIDADES...
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Vivacidade de Manabu Mabe. Óleo sobre Tela. 65 x 81 cm, 1966.
Museu Regional de Artes, Feira de Santana-BA.
|
Não
sonharei, nem abrirei os meus
olhos a tristes realidades. Breve
é a noite, tua morte e teus achados;
eis o teu rosto e o teu desassossego.
olhos a tristes realidades. Breve
é a noite, tua morte e teus achados;
eis o teu rosto e o teu desassossego.
Como
amar tuas coisas senão sendo-as?
Como viver senão amando a vida?
– A rosa imensa que aos teus olhos vinha,
o enxame luminoso destes versos,
tornou-se a flora descendente e eterna,
formosa rosa branca imensa e insigne.
É preciso criar quando se crê,
é necessária a fé antes do fim,
rogar por quem ( na fé ) perdeu seu Deus...
Neste poema há mais que a minha vida.
Como viver senão amando a vida?
– A rosa imensa que aos teus olhos vinha,
o enxame luminoso destes versos,
tornou-se a flora descendente e eterna,
formosa rosa branca imensa e insigne.
É preciso criar quando se crê,
é necessária a fé antes do fim,
rogar por quem ( na fé ) perdeu seu Deus...
Neste poema há mais que a minha vida.
TRÊS POEMAS DE SILVÉRIO DUQUE EM "DICTA&CONTRADICTA", º 8...
QUE SABES TU DOS FRUTOS, DAS SEMENTES...
Que sabes tu dos frutos, das sementes,
da dureza das flores contra o vento?
A aurora vem tragar a noite espessa
de onde brotou, sem dores, o teu grito.
Se a afirmação do amor nos aborrece,
Morrer é mera vocação dos vivos,
pois no morrer de tudo há um recomeço.
Não queiras mal ao tempo ou ao espanto;
não queiras mal ao grão, à terra escura...
Que sabes tu das trevas ou da carne?
Que sabes tu das noites, dos princípios?
Hoje, é chegado o tempo dos retornos
e toda forma espera o seu ofício
como o vaso existente todo o barro.
da dureza das flores contra o vento?
A aurora vem tragar a noite espessa
de onde brotou, sem dores, o teu grito.
Se a afirmação do amor nos aborrece,
Morrer é mera vocação dos vivos,
pois no morrer de tudo há um recomeço.
Não queiras mal ao tempo ou ao espanto;
não queiras mal ao grão, à terra escura...
Que sabes tu das trevas ou da carne?
Que sabes tu das noites, dos princípios?
Hoje, é chegado o tempo dos retornos
e toda forma espera o seu ofício
como o vaso existente todo o barro.
***
Este é um de meus poemas
publicados na revista Dicta&Contradicta ,
nº 8...
A Dicta&Contradicta é uma revista semestral lançada em 10 de
junho de 2008 em São Paulo, pelo Instituto de Formação e Educação (IFE).
Reúne artigos e resenhas de
intelectuais brasileiros e estrangeiros sobre os grandes temas da cultura
ocidental: a ética, a filosofia, a literatura e as artes, sob uma perspectiva
de longo prazo, desvinculada da política partidária e com uma vocação, na medida
do possível, universal.
Com isso, a revista – com uma
mentalidade acadêmica, mas sem academicismos – procura atender a uma demanda do
mercado por textos de maior transcendência e profundidade.
A Dicta&Contradicta traz um editorial – que expressa a
opinião do Instituto de Formação e Educação –, uma seção de artigos
principais, uma seção destinada a textos traduzidos de autores estrangeiros, um
perfil de um intelectual ou artista, uma seção de filosofia e uma de
literatura.
Além disso, há uma seção
destinada à análise de poemas, intitulada Anatomia do Poema, um poema e um
conto inédito, além de artigos breves sobre música, artes plásticas e
cinema. Livros, destina-se às resenhas de livros nacionais e
estrangeiros, e O lançamento que não houve a uma obra importante
ainda não lançada no Brasil ou carente de maior visibilidade.
A revista fecha
com Gênesis, um texto clássico de domínio público ainda não traduzido no
Brasil, e com uma seção de humor.
A revista tem, como
colaboradores, nomes como o de Antonio Fernando Borges, Bruno Tolentino, Carlos
Felipe Moisés, Dionísius Amêndola Valença, Érico Nogueira, Fernando Henrique
Cardoso, Ivo Barroso, Jessé de Almeida Primo, Luiz Felipe Pondé, Marcelo
Consentino, Marcelo Ferlin Assami, Maria Cecília L. Gomes dos Reis, Nelson
Ascher, Olavo de Carvalho, Pedro Sette Câmara...
Veja como adquirir sua revista
através do site: http://www.dicta.com.br
COMBATE DE CENTAUROS...
![]() |
| Combate de Centauros de Arnold Bocklin (1885), Óleo sobre tela, 80X155, Galeria Nacional de Berlin. |
COMBATE DE CENTAUROS:
ou CARTA ABERTA PARA ARNOLD BRÖCKLIN
Vocês já leram o artigo: Flipelô: desocupa, Inácio! que Henrique Wagner
publicou no Expoart: http://www.expoart.com.br...?
Não!? Então leiam:
Li recentemente uma nota de jornal que
falava de uma feira de Literatura no Pelourinho, a Flipelô – Feira Literária
Internacional do Pelourinho. O Minc autorizou a Fundação Casa de Jorge Amado a
captar 2.636.600 reais para a realização da festa em homenagem ao centenário de
nascimento do escritor baiano Jorge Amado (1912-2012). A princípio fiquei
contente. O Pelourinho, sofrido e andrajoso, seria resgatado em função da
feira, e haveria mais um encontro, além da Bienal, em torno do livro e da
Literatura. Entretanto, logo me veio a imagem do feirante José Inácio Vieira de
Melo, o alagoano que vem mandando na poesia baiana, participando e
“organizando” tudo quanto é feira em que haja poesia e poema no meio,
emprestando à Bahia um sotaque que não é nosso, um coronelismo que há algum
tempo tentamos deixar para trás, e um mau gosto de província que igualmente
nós, baianos, tentamos rechaçar, desde o tempo da corte.
É muito provável que todos que me
conheçam e que conheçam meu entrevero com o fogoso poeta alagoano, comecem a
pensar em uma questão pessoal. Há muitos argumentos que provam o contrário
desse pensamento e que defendem uma preocupação, minha, muito sincera, com os rumos
da poesia baiana oficializada pela mídia impressa, pelas tevês e pelos eventos
literários.
Inácio organiza, há alguns anos, um
espaço de apresentação de poetas na Bienal do Livro. Há alguns anos ele escolhe
de modo pessoalíssimo os participantes do evento. Não há critério de outra
natureza senão o critério da amizade, da filiação partidária – o partido do
Inácio é a poesia que ele faz – e do fisiologismo. Inácio conquistou certo
poder em Salvador porque é um homem de muito fôlego e sem a mínima vergonha
para fazer amigos e influenciar pessoas. Não por acaso tem uma alentada fortuna
crítica mesmo escrevendo as coisas que escreve. E como se trata de um rapaz com
uma necessidade patológica de mostrar serviço aos pais, à cidade onde nasceu, a
“seu povo” etc, faz e acontece para aparecer. O problema é que seu “método”
excludente de trabalho acaba comprometendo uma quantidade significativa de
poetas de todo o estado da Bahia. Não há honestidade cultural para separar a
pessoa da obra. Ele não consegue convidar pessoas que não gostem do que ele
escreve, por exemplo. E menos ainda pessoas que tenham discutido – e vencido a
discussão com palavras, apenas – com ele sobre tal ou qual assunto.
Vale agora um parêntese: eu não pretendo
participar da Flipelô. Não tenho nada a falar, não gosto de mesa-redonda com
escritores jovens, não gosto do formato, milenar, de uma mesa ou cadeira, com
um poeta falando de sua “vida e obra” aos 17 anos de idade, e lendo poemas.
Estou representando, neste texto, uma turma de poetas que não consegue espaço
porque o aboio livre de um alagoano, que se instalou na Bahia com truculência e
malícia, vem ocupando todos os cantos da cidade com sua poesia ruim e suas
limitações intelectivas, criando um cubismo sobre a realidade da poesia baiana,
e um cubismo a la Menelaw Sete, e não a laPicasso.
Pois bem. Além da falta de honestidade
cultural do poeta José Inácio Vieira de Melo, há ainda outros graves problemas.
Um deles diz respeito ao formato da chamada Praça do Cordel, ou à concepção de
seu funcionamento. Poesia é artigo de luxo e deve ser tratada como tal. Estive
na Praça do Cordel (reparem no nome da praça onde poetas se apresentam, e não
cordelistas, embora alguns lá se apresentem) apenas uma vez, na bienal mais
recente, e porque uma pessoa muito querida minha leria poemas para o público.
Desse modo é que testemunhei um dos acontecimentos mais vexatórios, mais
vergonhosos que jamais eu testemunhara no meio literário. A completa falta de
noção do organizador, a deselegância do apresentador ou mestre de cerimônias do
evento – Cleberton Santos –, e sobretudo a burrice mesmo do que eu ouvia por
parte desse apresentador. O espaço aberto não permitia que o público ouvisse um
poema sequer. Esse mesmo espaço aberto possibilitava a constante entrada e saída
de pessoas, comprometendo a atenção da plateia e mesmo a dos poetas que estavam
se apresentando. E há ainda a escolha dos participantes. Vê-se de tudo:
gritadores de poesia que mais parecem pedintes desesperados, sem dinheiro nem
para comprar um desodorante, garotos que publicaram dois ou três poemas numa
antologia organizada por Inácio, filhas de santo cuja poesia é uma recitação da
negritude e do candomblé, sem literatura que a sustente. Essa falta de
critério, ou esse critério defeituoso afasta o público neófito. Inácio vem
fazendo o mesmo que os poetas que recitavam nas praças públicas faziam: Inácio
vem afastando as pessoas da poesia. Vem trabalhando contra a divulgação da
poesia feita em nosso estado. Quem não tem intimidade com poesia jamais vai pegar
um livro depois de ver as barbaridades romanas no circo de Beto Carrero. E quem
já conhece poesia vai chegar em casa e abrir correndo um livro de Cecília
Meireles para matar a sede. Mantêm-se no séquito de Inácio os que já fazem
parte do séquito de Inácio. O séquito cresce, de fato, mas porque cada garoto
que integra uma antologia ou uma grade de apresentação numa feira do livro,
traz uma família com pelo menos cinco pessoas que não leem poesia. Leem o
parente.
O concorridíssimo Inácio estava ainda no Café
Literário na condição de entrevistador dos poetas Antonio Brasileiro e Mariana
Ianelli – isso depois de ter trocado de roupa, mais ou menos como a Beyoncé faz
em seus mega shows. Lá constatei outro problema. Já não havia mais a
deficiência da acústica e tampouco o problema de entrada e saída de pessoas,
afinal, havia senha para quem quisesse prestigiar o encontro entre escritores,
em um espaço fechado. Dessa vez o problema estava na inteligência do
entrevistador, que fazia perguntas do tipo: “Por que você escreve?”. E a
entrevista não caminhava. Antes claudicava. A outra pergunta era: “Quais os
autores que o influenciaram?”. A essa altura estava claro para mim que se
tratava de um quiz show e não de um encontro de escritores. Não
houve, em momento algum do Café Literário, uma discussão sobre Literatura, de
fato, sobre questões seminais da criação literária. Não houve qualquer
profundidade, uma dialética, uma conversa inteligente que pudesse instigar o
público. Desse modo a Bienal, no que concerne ao nosso estado, se torna um
ponto de encontro entre amigos e parentes dos escritores, interessados pela
pessoa no palco, e não pelo que o escritor tem a dizer. Há um desfile de misses
de vários municípios da Bahia e uma porção de famílias na torcida. Mas não há uma
Marta Rocha sequer no palco. Conclui-se facilmente que o problema, em verdade,
é apenas um: José Inácio Viera de Melo.
Se eu organizasse um café literário, sem
dúvida alguma convidaria o poeta alagoano José Inácio Vieira de Melo para se
apresentar, de um modo ou de outro. Porque, ainda que eu não goste da poesia
dele e não tenha uma relação amistosa com o centauro na casa dos quarenta anos,
não posso negar que o rapaz vem fazendo poesia com uma paixão primitiva. E
trabalha mais que um forçado, por sua poesia. Para cada poema uma arte visual,
uma produção incrível. Viaja o nordeste inteiro para ler poemas (!) e publica
um livro por ano, no mínimo. Divulga-se de um modo que jamais, agência alguma
de publicidade, conseguiria superar. É um trabalhador incansável. Tem diversos
poemas em tudo quanto é canto da cidade e não duvido que venha a ser o primeiro
poeta a divulgar seu blog em
Marte, quando a ciência criar possibilidades para isso. Não sou excludente e
desonesto, culturalmente. Não sou exemplo de nada, e todos sabem disso. Mas
levo poesia – e arte – muito a sério. E o fato é que é preciso mudar a imagem
da poesia baiana de hoje.
É preciso abrir as portas para a
qualidade e diversidade, e não para a quantidade. O que estou propondo é uma
forma de democracia alicerçada em critérios estabelecidos por um grupo de
pessoas mais ou menos ilustradas e cônscias do que seja poesia.
E peço que os poetas, baianos, que
concordam com o pensamento manifestado acima, entrem em contato comigo, a fim
de criarmos um grupo sólido de artistas da palavra que possam representar
melhor a poesia de nosso estado. A poesia baiana, de fato.
Quando li este artigo de
Henrique não conseguir pensar em outro nome que não o de Andy Warhol. E por
quê?! Para mim, ninguém é mais responsável pela auto-complacência e pela
vulgaridade daquilo que se chama Arte Contemporânea ao que Andy Warhol. Sua
capacidade de destruir as coisas não se limitou às artes plásticas nem a sua
pessoa, basta olhar a fortíssima influência que suas “idéias” em outros campos
artísticos. O Concretismo, por exemplo, nada mais é do que a versão Andy Warhol
para a poesia... a cagada é a mesma: arrancar da Arte, seja ela plástica ou
literária, a sua natureza mais íntima e essencial, substituindo-a por sua forma
mais banal e caricata. Mas Warhol está longe de ser superestimado, pelo menos
por mim, porque, desde os anos 60, não há exemplo melhor do que ele para
mostrar, a quem quiser enxergar, que não se deve subestimar o poder da
Idiotice... principalmente quando se dá razão a um idiota.
Para Andy Warhol, pessoas,
eventos e produtos dependiam unicamente da exposição contínua, principalmente
nos meios de comunicação de massa, assim, segundo ele, “existiam aos olhos do
público”, que não precisava entender de arte ou de estilo ou, muito menos, de
gosto, pois se estava o tempo todo na TV, por exemplo, é porque era bom, é
porque era artístico e ninguém questionaria tal coisa; desta forma, Warhol
formula a seguinte receita de sucesso, dividida em três partes:
Primeiro passo, usar um produto
comum, sem truque formal ou técnica apurada a desafiar a menor das
inteligências, dando a impressão de que a arte é algo frívolo, fácil e
acessível à inteligência mais mínima.
Segundo, depois fazer uso deste
produto em todos os meios de comunicação, principalmente quando estes
“trabalhos artísticos” já são, de certo modo, partes destes meios, expondo-os e
produzindo-os exaustivamente. Na era dos muitos reality shows e do YouTube isso faz mais do que sentido.
O que não faz nenhum sentido é
a arte, cuja função não é menor que tornar as coisas menos maçantes e dolorosas
ser reduzida num mero esboço daquilo que ela mesma, em sua essência e função,
torna maior e mais bela. Desta forma, incapaz de alcançar a arte pelo talento,
Warhol, como todo narcisista tomado de inveja e frustração, desdenha daquilo
que sempre desejou e tinha ciência de que jamais o obteria. Discípulo aplicado
das monices artísticas de Duchamp, a vida de Andy Warhol não se limitou a
retratar o mundo das celebridades, ele próprio foi a sua maior “criação
artística”, e nisso se encontrava o seu terceiro e último passo para a sua
receita malévola de destruição dos conceitos tradicionais e verdadeiros da
Arte, do Gosto e da Estética. Com o ar petulante e ridículo, análogo àqueles
coitados que, acabando de sair do Big
Brother Brasil, acreditam ter vencido o mais rigoroso dos rituais de
transcendência moral, filosófica e espiritual.
Numa época em que a produção
artística torna-se massificante, distribuída por mecanismos de produção em
massa, o que Zé Inácio faz, segundo o que nos mostra o autor deste artigo, é
copiar uma receita antiga que, há muito tem sido vendida a preço barato, porém
com ares de restaurante francês de novela das nove, mostrando o quão somos
subservientes a um tipo de vanguardismo sem sentido que há muito inunda nossos
meios de comunicação, livros didáticos, escolas e tutti quanti; onde a qualidade do que se apresenta é praticamente
nenhuma em relação ao como é apresentado. E o pior que pode acontecer a estes
garotos e garotas, que mal deixaram de cagar nas calças e já são apresentados
como cânones da Literatura Ocidental é acharem que realmente são o que lhes
dizem que são; daí para não quererem mais se aperfeiçoar e não ler nada mais
que seus próprios textos e os de seu “mestre de cerimônias” – o que já se
constituiria numa absoluta desgraça – é um pulo.
Citando, também, o Ortega y Gasset
– ais aí alguém que conhecia muito bem os perigos a valorização das idiotices –
pouco se pode esperar de alguém que só se esforça quando tem a certeza de vir a
ser recompensado, principalmente quando esta recompensa é uma autopromoção
também autoenganosa, que não se mostra com outra função que não seja o da
destruição de uma cultura verdadeira em troca de um engodo ao qual, se não
tomarmos cuidado, receberá este nome; como já podemos ver neste “samba do
crioulo doido” que se chama a política cultural brasileira; a cultura é o
sistema de ideias vivas que cada época possui. melhor: o sistema de ideias das quais o tempo vive; é
uma necessidade imprescindível de toda uma vida, é uma dimensão constitutiva da
existência humana, como as mãos são um atributo do homem, por isso o que o
Henrique faz ao criticar esta sistematização da bajulice é fazer aquilo que nos
recomendou o filósofo espanhol: “Em épocas de grande agitação o dever do
intelectual é manter-se calado, pois nessas ocasiões é preciso mentir e o
intelectual não tem esse direito”.
No final, o fim é sempre o
mesmo: “poetas” e “poetisas”, “novos” e “velhos”, “conhecidos” e
“re-desconhecidos” se amontoando na praça de Cordel da Bienal, em busca de seus
15 minutos de fama: “”, como In the
future, everyone will be famous for fifteen minutes diria o próprio Andy
Warhol, numa espécie de “Exercito de Reserva (Flutuante)” em quanto que seu
organizador, sem nenhuma gota de escrúpulo ou elegância, faz-se visto e
“amostrado” aos quatro cantos de um evento por ele mesmo produzido, pelo que me
parece... Saravá!!!
Feira
de Santana, 26 de abril de 2012.
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