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terça-feira, 26 de março de 2013

SONETO DA DIVINA ESPERANÇA...

Fim da Glória Mundana de Valdés Leal (1670-72)
Óleo sobre tela (220 X 216), Hospital da Caridade, Servilha., 





SONETO DA DIVINA ESPERANÇA

(por Silvério Duque)




Não recordemos rotas nem retornos
que o verso nos refaça em seus silêncios
e que as águas nos confundam como as brisas
e tudo nos dê frutos como o fogo.

Não busquemos a paz da tarde escura
nem a manhã remida em meio às frestas...
– Teu corpo me é louvor e desengano
e eu sou como que um sopro em teus anseios.

Não aguardemos estas nuvens calmas
perdidas entre o Céu e suas formas
nem tampouco busquemos outros fossos

outros abismos. Mesmo no abandono
Deus nos concederá o amor e a guerra...
Deus nos trará ( de novo ) a nossa fome.



quarta-feira, 25 de julho de 2012

PESA-ME SOBRE OS OMBROS MEU SILÊNCIO...


A tela do artistas plástico Gabriel Ferreira, feita exclusivamente para o meu soneto: "Pesa-me sobre os ombros meu silêncio...", pertencente ao meu livro "A pele de Esaú": http://poetasilverioduque.blogspot.com.br/2011/09/imperdivel-meu-livro-pele-de-esau-por.html ...



 

PESA-ME SOBRE OS OMBROS MEU SILÊNCIO...

(por Silvério Duque)



Pesa-me sobre os ombros meu silêncio,
penso no fogo – renascer de tudo –,
na carne que perdi entre os escombros
do desejo, dos sonhos, dos sentidos...

Pesa-me esta saudade de mim mesmo,
esta vontade de partir, de estar
em toda parte e em tudo quanto vejo,
de deixar para trás tudo o que importa...

( Nada importa. Tudo é ilusão e instantes.
Entretanto, desejo, em vão, a vida
e a doce voz que o coração escuta.

Nada importa, pois tudo é solidão
e agonia; pois tudo é noite e assombro. )
Mas, a alma se deslumbra em meio às cinzas.