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sexta-feira, 12 de junho de 2015

HOJE, É DIA DOS NAMORADOS...





SONETOS DA SEDUÇÃO AMOROSA

ou PEQUENO CANTARES DOS LONGES
E DE CHEGADA

 (por Silvério Duque)

à minha sempre Lucifrance Castro






 Teu rosto eu vislumbrei em meus anseios
aquele a quem meu peito já previa.
O meu amor não morre com a saudade
nem se finda se há muito não te vejo.

Falo de ti como quem vem de um sonho
– por teu amor aceito a vida e a morte...
Se me reinvento agora e a cada instante
é porque te adivinho em cada gesto.

Como um mistério em si tão revelado
toda presença ao teu surgir converge
como um traço de giz em pedra escura.

E tudo quanto eu quero e quanto temo
há de fazer-se em ti para que eu viva
que o meu viver sem ti é um voar de cinzas.






II


 Saber-se pertencer é ser inteira
como um rio que persegue as próprias águas
e ter por sobre o rosto o rosto do outro
sem se importar ser nada à sua volta.

Sombras, rastros ou coisas desgraçadas
tudo é um pouco de ti – tua presença
por vezes arruinada e recomposta­
– qual teu cheiro na cama já refeita.

Meu corpo existe a reclamar teu corpo
(que o teu corpo é meu corpo revivido)
e o dia de amanhã já se faz logo
a me trazer tão leve sobre a terra...

A vida de minha alma é a tua alma
e o grão de meu desejo quer tua fome.










Alagoinhas/Candeias, 08-12 de junho de 2015.




sexta-feira, 13 de março de 2015

COLEÇÃO "HORIZONTES"... EDITORA MONDRONGO...

Todas as capas são de autoria de Gabriel Ferreira...







Quando meu amigo e poeta, Gustavo Felicíssimo, falou-me da ideia de fundar uma editora, juro a todos vocês – e só agora estou confessando isso, inclusive ao Gustavo – que isso não me soara muito agradável.



Não que eu desconfiasse de sua capacidade e ímpeto (não, isso ele tem de sobra), mas porque eu sei que, em se tratando de um país como o nosso, trabalhar com livros, e ainda por cima com poesia, constitui-se de uma verdadeira arte de colher decepções.



Mas, agora, agradeço, todos os dias, a Deus pelo facto de o Gustavo não ter mudado de ideia, e, hoje, com todas as dificuldades que este empreendimento envolve, a Editora Mondrongo tem se mostrado na vanguarda de muitas editoras, dedicando-se não só à publicação, mas à verdadeira divulgação e à apresentação da mais nova e melhor poesia feita hoje na Bahia, e, podem aguardar, em todo o Brasil.



Um bom exemplo disso está na ousadia de se criar toda uma série de livros com poetas, em sua maioria, inéditos, mas de inegável capacidade versânica. Vejam, por exemplo, a erudição e elegância dos versos de Henrique Wagner, em seu “A história decalcada”; a força melódica e o apuro técnico de Wladimir Saldanha, em “Cacau inventado” ou com João Filho, em “A dimensão necessária” – aliás, necessário mesmo, para mim, são versos como os de meu amigo João Filho –; a diversidade de formas e temas carregados de ousadia de Patrice de Moraes, em “Minha Bahia”, ou a profundeza psicológica de Nívia Maria Vasconcellos, em “A morte da amada...” E tem mais: a destreza poética de Heitor Brasileiro Filho, o autobiografismo poético de Herculano Neto e toda a experiência técnica e emotiva nos sonetos de Adelmo Oliveira, além dos livros que ainda não li, mas os lerei em breve, como “Saveiros de Papel”, de Ribeiro Pedreira e “Inúmera”, de Daniela Galdino... Sem me esquecer, é claro, do próprio Gustavo Felicíssimo, em versos onde tudo é demasiadamente sincero, como os presentes em “Desordem”...



Como se tudo isso já não fosse suficiente, há aquela carta na manga que definirá o jogo a favor de meu amigo: todas as capas têm desenhos exclusivos de Gabriel Ferreira e sua arte sincera, madura e excepcional... Se se for possível, realmente, julgar um, ou mais livros, por suas capas, os desenhos de Gabriel fazem justiça a toda qualidade impressa em cada uma das páginas da “Coleção Horizonte”...



Viva ao poeta e empreendedor Gustavo Felicíssimo! Viva à poesia que precisa fazer-se viva, e é através de homens como o Gustavo Felicíssimo e de poetas, como os citados acima, que saberemos sempre que tudo que é bom pode até se encontrar escasso, mas nunca findo... E um viva aos poetas e artistas que fazem da “Coleção Horizontes” aquilo que de mais surpreendente há em termos de edição de poesia em nosso Brasil... E quem quiser que faça melhor ou prove-me do contrário.




O desafio está lançado... 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

UM POEMA PERTO DO FIM...



Moça à janela (1925), por Salvador Dali, óleo sobre tela, Museu Rainha Sofia, Madrid.





SONETO

(por Silvério Duque)




Canta, filha da luz da zona ardente,
o tempo emaranhado em seus retornos,
o amor crescendo à proporção das rotas,
o procriar tardio de tantas mortes...

Porque toda palavra é esquecimento
é preciso cantar: as mesmas pedras,
os mesmos grãos, a solidão da carne,
o chão, o pó, o horror, a cor, a vida,

os frutos que morreram no pé, voz
interrompida no soluço, a névoa,
a manhã debruçada ao sempre verde.

Pois o mesmo final está em tudo
e, em tudo, existe o mesmo aprendizado
– a mesma dor que vai tecendo os homens.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

SONETO CAFAJESTE...



A "moça" que ilustra este meu soneto é de um quadro de um francês de Saint-Jean-de-Luz Javier Arizabalo, pintor hiperrealista, demonstra em sua obra um olhar carinhoso para a velhice (veja as reproduções no final do post), mas é para as mulheres que guarda a maior porção de sua delicadeza. Esculpe, com pincéis, corpos – nus – e tudo o que fazem parte de seu universo: sentimentos, esperanças, sonhos e prazeres.Sua obra ostenta dupla entrega: a do próprio pintor, que dá vida a um imaginário latente, vívido, prazeirento e lânguido, e a do modelo, que confia que seu reflexo espelhe o que de melhor tem a oferecer. Nas suas palavras: “A “arte” ou o “fazer” são por e para a vida humana; como tudo o que é real, o são por “razões” (sentido, vontade…). Faz tempo que utilizo a arte para curar-me, alimentar-me; resolvo os desejos a partir das imagens que re-presento, é maravilhoso”. Arizabalo é um daqueles artistas que, por alguma razão, não dá títulos a seus quadros. Isso, naturalmente, não muda a qualidade de seu trabalho.




SONETO
CAFAJESTE...
(sobre um tema de João Carlos Teixeira Gomes)


por Silvério Duque




De mim não saberás o quanto eu te amo
por não querer do amor a morte exata
nem importa do amor verdade ou engano
"se o mesmo amor que cura é amor que mata"...!?

Piegas, não!? Mais do que isso é amor confesso
tanto mais imbecil se mais se mostra
contido de paixão e tempo egresso
onde tudo, no fim é a mesma bosta.

Mas se me amas no instante em que me vens
amar-te é o que mais sinto e o que mais vejo
pois quanto mais te negas mais me tens

neste amor que é nutrir-se de sobejo...
Num jogo de intenções e de desdéns
apenas quero eterno o meu desejo.







terça-feira, 28 de agosto de 2012

HOJE, NA ACADEMIA BAIANA DE LETRAS...




Hoje, terça-feira, dia 28, Gustavo Felicíssimo lançará em Salvador, na Academia de Letras da Bahia, a partir das 19 horas, o livro "Procura e Outros Poemas" (Mondrongo Livros, 88p. R$ 20,00). 

Na oportunidade também será apresentada ao público a obra "Cantos de Contar" (Editora Paés, RS 50,00), obra inédita (com capa dura e numerada) de Alberto da Cunha Melo. Haverá a participação de Cláudia Cordeiro (viúva e musa do poeta), Silvério Duque, sob mediação de Walter Ramos, em que será debatida a obra de Alberto. O evento ainda contará com a participação de Marcela Martinez em um recital poético.



Como se pode ver, a noite promete ser muito agradável e todos estão convidados.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

PESA-ME SOBRE OS OMBROS MEU SILÊNCIO...


A tela do artistas plástico Gabriel Ferreira, feita exclusivamente para o meu soneto: "Pesa-me sobre os ombros meu silêncio...", pertencente ao meu livro "A pele de Esaú": http://poetasilverioduque.blogspot.com.br/2011/09/imperdivel-meu-livro-pele-de-esau-por.html ...



 

PESA-ME SOBRE OS OMBROS MEU SILÊNCIO...

(por Silvério Duque)



Pesa-me sobre os ombros meu silêncio,
penso no fogo – renascer de tudo –,
na carne que perdi entre os escombros
do desejo, dos sonhos, dos sentidos...

Pesa-me esta saudade de mim mesmo,
esta vontade de partir, de estar
em toda parte e em tudo quanto vejo,
de deixar para trás tudo o que importa...

( Nada importa. Tudo é ilusão e instantes.
Entretanto, desejo, em vão, a vida
e a doce voz que o coração escuta.

Nada importa, pois tudo é solidão
e agonia; pois tudo é noite e assombro. )
Mas, a alma se deslumbra em meio às cinzas.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

TEU SORRISO NA FOTO ENVELHECEU... OU UMA CANÇÃO DE AMOR PARA LUCIFRANCE CASTRO

A tela do artistas plástico Gabriel Ferreira, feita exclusivamente para o meu soneto "Teu sorriso, na foto, envelheceu...", pertencente ao meu livro "A pele de Esaú": http://poetasilverioduque.blogspot.com.br/2011/09/imperdivel-meu-livro-pele-de-esau-por.html 




TEU SORRISO NA FOTO ENVELHECEU...
OU UMA CANÇÃO DE AMOR PARA LUCIFRANCE CASTRO

(por Silvério Duque)



Teu sorriso, na foto, envelheceu –
envelhecemos juntos... Tudo passa:
o que se achou perdido entre a gaveta
e os sonhos, as carícias no teu rosto,

a noite derramando-se em ternura
e sono, o amanhecer que partilhamos...
Tudo passa; até mesmo a tua ausência
e a saudade que trago de quem somos.

Mas, mesmo na saudade, há dor e abrigo;
vontade de ficar e desespero.
O teu sorriso envelheceu comigo,

e, eternamente, se entrelaça em mim,
pois, contra o tempo que nos aniquila,
há a persistência viva das lembranças.


quarta-feira, 20 de junho de 2012

CONTEMPLO EM TUAS CHAGAS A BELEZA E A MEMÓRIA...


A tela do artistas plástico Gabriel Ferreira, feita exclusivamente para o meu soneto "Contemplo em tuas chagas a beleza e a memória...", pertencente ao meu livro "A pele de Esaú": http://poetasilverioduque.blogspot.com.br/2011/09/imperdivel-meu-livro-pele-de-esau-por.html




CONTEMPLO EM TUAS CHAGAS
A BELEZA E A MEMÓRIA...

(por Silvério Duque)



Contemplo, em tuas chagas, a beleza
e a memória de tudo o quanto é vivo.
A dor inda presente sente a carne
o amor nos oferece um gesto antigo.

As tuas mãos deslizam sobre as noites
mais escuras e a sombra de teus gestos
desenham novos rumos. Eu reclamo
em vão a tua morte e a minha vida

eu permaneço esquivo em meio as cinzas
e o que vejo me traz teu abandono –
recomeço das coisas esquecidas.

Uma palavra, só, e eu me refaço...
A fome, a sede, a espera... o desespero:
teu corpo vive em mim como uma praga.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

UMA BALADA PARA A MORTE...



O dia da morte de Willian-Adolphe Bouguereau (1810), óleo sobre tela; 153 X 119 cm. Sãp Petesburgo.


UM IMPROVISO HERÁLDICO
ANTE AS SOBRAS DO BANQUETE ILÚDICO
( em ocasião do 60º aniversário do poeta Antônio Brasileiro )



`a Fabiane Santana, aluna estimada e meiga lembrança de Aracy.


Talvez em outras paragens
do viver
se possa extirpar as feras.
E morrer.
ANTÔNIO BRASILEIRO






( Suavemente,
a noite nos envolve indecifrável...
fugindo de sua obrigação de negar-nos
a grande sombra desce,
mas todos se amontoam no
silêncio e no medo
de sermos tantos.

Amontoamo-nos
no indecifrável espaço do torpor
e parecemos um só homem espalhado pela escuridão imensa...
nessa sombra que somos
nos perdemos...
porém,
sobra nas retinas o que fomos
e presa à garganta
tudo
o que queríamos.

A noite...
sim, a noite...
a noite nos embrulhou com ódio,
e toda a noite enraivecida é a grande
verdade
que buscávamos,
uma deslavada verdade
que todos contam entre nós:
era dos nossos sonhos que ela vinha;
de nossa realidade ela se criava;
amadureceu em nosso egoísmo;
modificou-se por nossa angústia;
em nós...
em todos nós
espatifou-se,
neste momento que ainda corre:

e todos somos um
nesses pedaços de tantas coisas
únicas;
tantas vontades
a serem sempre as mesmas;
tantas fomes iguais
de tudo.

Esta noite nos uniu em nada...,
mastigou
o humano
que tínhamos engolido,
despojou-nos
neste leito de escuridão em que deitamos;
enraizou-nos
neste princípio de coisa alguma
impedido-nos
a aurora.






2.a

A noite está
inquieta
como um homem morto –
toda a noite
é um tumulto –
é toda um coração que bate e vai morrer e o sabe...

A noite
sorveu a paciência
destes banquetes; deu ao tempo
propósitos que não tinha;
a noite
deu propósitos a tudo:
à nossa morte,
ao nosso odor de morte,
à nossa inquietude de estar dentro
da
morte,
ao nosso esquecimento
de sermos
morte...

a noite
humanizou a terra superior dos cemitérios;
tornou fundamental
a nossa poesia dispersa;
apagou-nos
da manhã
que não
viria.





2.b

A noite
deu-nos um mistério em nosso nascimento;
e nenhum dia será mais claro do que esta noite
e os dias que virão de dentro dela.

A noite assombrosa de nosso desejo
é toda uma mística certeza que nunca tivemos.

– Existimos
dentro desta noite como
nunca existimos
antes. )






3

UM APÓLOGO
:



“ Ó amigos, ó coisas inexatas...
filhos das feras que moravam em nós:
esta noite tudo ficará retido sob o chão
destas mentiras tão puras;
a manhã se foi sem ternura
e sem a simplicidade
que os amanheceres
nos trazem.

Ó irmãos,
crianças maliciosas que fomos,
a manhã se foi escura
porque nunca verdadeiramente nos houve
uma manhã mais clara.


A perfeição,
irmãos,
reside nesta escuridão que este não-dia nos trouxe.
Nada vimos,
porque nada queríamos ver.
Nada evocamos,
pois sempre fomos esta mesma ausência.
Nada construímos sobre esta imensa mão ruidosa,
porque toda a nossa poesia foi um truque.
E nenhuma lágrima rolará,
pois nunca existiu em nós a alegria
para que, então, experimentemos a tristeza
de sermos tantos e tão sozinhos.

Nada, amigos...
nada...
nada será,
porque nada foi.


Tudo
apenas é:
e tudo é noite...
tudo é simples,
vasta e absoluta noite.

Somente
noite.”



quarta-feira, 13 de abril de 2011

INDESEJADA DAS GENTES III: EM ANTOLOGIA PERSONAL, POR JESSÉ DE ALMEIDA PRIMO...

A jovem e a morte de Hans Baldung Grien (1510) 44,5 x 37,2 cm. Museu de Belas Artes, Bruxelas – Bélgica.

INDESEJADA DAS GENTES III


OS BENS DE SANGUE, HEREDITARIEDADE E OUTROS ATAVISMOS:


UMA ELEGIA EM BUSCA DO TÚMULO DE MEU PAI, AMARÍLIO DE SOUZA DUQUE



ANTOLOGIA PERSONAL


http://www.jesseprimo.blogspot.com