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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

C’EST LÀ SON CHARME ET SON SECRET...

Os Gatos, sobre um poema de Charles Baudelaire de Gabriel Ferreira, 
acrílico sobre papel Paraná, 21X29,7, 2005. (Coleção particular)





C’EST LÀ SON CHARME ET SON SECRET...*

ao Ferreira Gullar






 Amar um cachorrinho é coisa fácil
girante leve e livre sobre si
a perseguir sem paz o próprio rabo
e esculpindo em seus giros a indiscreta

condição de submisso. E um passarinho?
Ao menos voasse livre nesta azul
gaiola de esplendor e espanto... Não,
há de morrer contrito em meio às grades

sem nenhuma expressão alegre ou forte –
mero flautim de exíguo e falso trilo
 – sem que um taxidermista o eternize.

Amar uma tartaruga? Bem mais fácil...
 – E um coelho...? – Que bobagem!... Quero é ver
quem é que se propõe a amar um gato.





* Este poema foi publicado pela primeira vez na revista Dicta&Contradicta, n. 8, junho de 2012.




sexta-feira, 27 de abril de 2012

SONETO DAS BREVIDADES...


Vivacidade de Manabu Mabe.  Óleo sobre Tela. 65 x 81 cm, 1966. 
Museu Regional de Artes, Feira de Santana-BA.






Não sonharei, nem abrirei os meus
olhos a tristes realidades. Breve
é a noite, tua morte e teus achados;
eis o teu rosto e o teu desassossego.

Como amar tuas coisas senão sendo-as?
Como viver senão amando a vida?
– A rosa imensa que aos teus olhos vinha,
o enxame luminoso destes versos,

tornou-se a flora descendente e eterna,
formosa rosa branca imensa e insigne.
É preciso criar quando se crê,

é necessária a fé antes do fim,
rogar por quem ( na fé ) perdeu seu Deus...
Neste poema há mais que a minha vida.