quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

GRANDE SHOW COM PAULO AKENATON E GABRIEL FERREIRA NO CIDADE DA CULTURA



Dono de uma voz única e de uma técnica das mais apuradas, no violão, o cantor e premiado compositor Paulo Akenaton é uma parada obrigatória para quem gosta e quer ouvir o que de melhor nos oferece a Música Popular Brasileira.

Todo este peculiarismo pode ser confirmado, mais uma vez no show que Paulo Akenaton fará no Cidade da Cultura, neste sábado, às 21h00, que contará com a participação do artista plástico e também percussionista (a boa qualidade vale para ambos os ofícios) Gabriel Ferreira.

Lembrem-se, o Cidade da Cultura fica na rua H, n. 170, Conj. João Paulo II, em Feira de Santana.

O show ainda contará com a participação especial de Silvério Duque na gaita e no clarinete.


Não percam!!!



CONCURSO LITERÁRIO GODOFREDO FILHO: LANÇAMENTO DA ANTOLOGIA




A comissão organizadora do Concurso Feirense de Poesia Godofredo Filho parabeniza e agradece a todos os participantes do concurso por colaborarem para a produção literária feirense e prestigiarem com seus versos a cultura local.

A primeira edição do concurso foi realizada para valorizar e estimular a produção literária feirense. Com o apoio da universidade, os organizadores do concurso já estão confeccionando as antologias com os poemas classificados, bem como viabilizando novos apoios para conceber uma possível premiação em dinheiro. O evento de premiação será divulgado ampla e oportunamente, além de comunicado por e-mail a todos os classificados para a antologia – e somente neste dia se terá conhecimento dos três primeiros colocados.

Embora a intenção inicial fosse de publicar 30 poemas, a comissão julgadora pôde classificar apenas 17, pois este número foi o máximo permitido pela banca no tocante à qualidade das produções. Houve poemas que foram desclassificados, isto é, não avaliados pela comissão, devido a erros de natureza documental e faltas graves em relação ao regulamento, tais como: residência não-comprovada (para os não-feirenses), falta de documentos importantes, uso de nome pessoal ao invés de pseudônimo em locais indevidos; envelopes indevidamente preenchidos (com dados acrescentados que violavam regras do regulamento) e outros incidentes que não permitiram o envio do poema infrator à banca examinadora.

Integraram a banca examinadora:

José Jerônimo de Morais – Professor Emérito da Universidade Estadual de Feira de Santana. Formado em Filosofia e Teologia e ex-professor de Latim do Colégio Joselito Amorim e da UEFS, foi um dos fundadores da Universidade Estadual de Feira de Santana e se tornou um exemplo de dignidade por sua defesa do quadro humano das Universidades públicas e do ensino de qualidade na Bahia.

Miguel Almir Lima de Araújo – Doutor em Educação e professor da Universidade estadual de Feira de Santana. Tem experiência nas áreas de Filosofia, Educação, Cultura e Arte atuando principalmente nos seguintes temas: filosofia, educação, cultura, educação e cultura, arte e educação, linguagens regionais e transdisciplinaridade.

Roberval Alves Pereira – Doutor em Teoria e História Literária e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Teoria Literária. Atuando principalmente nos seguintes temas: Poesia, poesia lírica, poesia moderna, teoria da literatura.

Segue, abaixo, a lista dos classificados:

- Pr'uma aquarela à Carlos Pena Filho, Silvério Duque (Pseudônimo: Oséias Dias)
- A cova dos leões VII, Genaldo de Melo (Pseudônimo: Jorge Lenes)
- Ampulheta, Jacilene Marques Salomão (Pseudônimo: Lua)
- Carência, Maurício de Oliveira Santos (Pseudônimo: Maurício de Oliveira)
- Cáspides, Clarissa Moreira de Macedo (Pseudônimo: Clara)
- Conheço os Vestígios, Ronaldo dos Santos Paixão (Pseudônimo: Nal Marques)
- Do sujeito ao praticado, Erivaldo Oliveira de Araújo (Pseudônimo: sapatero)
- Geocorporificação, Weslley Moreira de Almeida (Pseudônimo: Lelow Dikens)
- Hoje, Tatiana Figuerêdo Assis (Pseudônimo: Névoa)
- Jogo, Thiago Lins da Silva (Pseudônimo: Hitch)
- Longa Metragem Poética, Daniel Pereira Pondé (Pseudônimo: Cláudio Tiapira)
- Metamorfose, Lidiane Carvalho Nunes (Pseudônimo: Charlotte)
- O Boêmio e o Poeta, Thiago Araújo Borges El-Chami (Pseudônimo: Le Chemin)
- Oráculo de Lupas, Dilson da Solidade Lima (Pseudônimo: Míria de Flores)
- Outono, Regina Celma D’Alencar Monteiro (Pseudônimo: Regis Hazine)
- Peça para as horas do vão, Angelo Araújo Carneiro (Pseudônimo: Angelo Riccell Piovischini
- Sonho de João, Denise Norberto da Silva (Pseudônimo: Ise)
- Um louco numa manhã de uma dia de Deus, Herbert de Almeida Rocha (Pseudônimo: Bandido da Luz Vermelha)


Aproveitando a oportunidade, o Diretório Acadêmico de Letras e Artes da UEFS convida você e sua família para o evento de premiação e lançamento da antologia do Concurso Feirense de Poesia Godofredo Filho, que irá ocorrer no dia 28 de Janeiro, deste ano, quinta-feira, às 19 horas, no CUCA (Centro Universitário de Cultura e Arte).


Aguardamos a sua presença.



Atenciosamente,



D.A. de Letras (UEFS).

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

UM POEMA...

Imagem de Antônio Brasileiro (2005), Óleo sobre tela, 50x60



BALADA PARA A MORTE


ou IMPROVISO HERÁLDICO ANTE AS SOBRAS DO BANQUETE ILÚDICO
( em ocasião do 60º aniversário do poeta Antônio Brasileiro )




( Suavemente,
a noite nos envolve indecifrável...
fugindo de sua obrigação de negar-nos
a grande sombra desce,
mas todos se amontoam nosilêncio e no medo
de sermos tantos.


Amontoamo-nos
no indecifrável espaço do torpor
e parecemos um só homem espalhado pela escuridão imensa...
nessa sombra que somos
nos perdemos...
porém,
sobra nas retinas o que fomos
e
presa à garganta
tudo
o que queríamos.



A noite...
sim, a noite...
a noite nos embrulhou com ódio,
e toda a noite enraivecida é a grande
verdade
que buscávamos,
uma deslavada verdade
que todos contam entre nós:
era dos nossos sonhos que ela vinha;
de nossa realidade ela se criava;
amadureceu em nosso egoísmo;
modificou-se por nossa angústia;
em nós...
em todos nós
espatifou-se,
neste momento que ainda corre:
e todos somos um
nesses pedaços de tantas coisas
únicas;
tantas vontades
a serem sempre as mesmas;
tantas fomes iguais
de tudo.


Esta noite nos uniu em nada...,
mastigou
o humano
que tínhamos engolido,
despojou-nos
neste leito de escuridão em que deitamos;
enraizou-nos
neste princípio de coisa alguma
impedido-nos
a aurora.








2.a



A noite está
inquieta
como um homem morto –toda a noite
é um tumulto –
é toda um coração que bate e vai morrer e o sabe...

A noite
sorveu a paciência
destes banquetes; deu ao tempo
propósitos que não tinha;
a noite
deu propósitos a tudo:
à nossa morte,
ao nosso odor de morte,
à nossa inquietude de estar dentro
da
morte,
ao nosso esquecimento
de sermos
morte...
a noite
humanizou a terra superior dos cemitérios;
tornou fundamental
a nossa poesia dispersa;
apagou-nos
da manhã
que não
viria.








2.b



A noite
deu-nos um mistério em nosso nascimento;
e nenhum dia será mais claro do que esta noite
e os dias que virão de dentro dela.



A noite assombrosa de nosso desejo
é toda uma mística certeza que nunca tivemos.


– Existimos
dentro desta noite como
nunca existimos
antes. )








3

UM APÓLOGO:



“ Ó amigos, ó coisas inexatas...
filhos das feras que moravam em nós:
esta noite tudo ficará retido sob o chão
destas mentiras tão puras;
a manhã se foi sem ternura
e sem a simplicidade
que os amanheceres
nos trazem.



Ó irmãos,
crianças maliciosas que fomos,
a manhã se foi escura
porque nunca verdadeiramente houve
uma manhã mais clara.

A perfeição,
irmãos,
reside nesta escuridão que este não-dia nos trouxe.
Nada vimos,
porque nada queríamos ver.
Nada evocamos,
pois sempre fomos esta mesma ausência.
Nada construímos sobre esta imensa mão ruidosa,
porque toda a nossa poesia foi um truque.
E nenhuma lágrima rolará,
pois nunca existiu em nós a alegria
para que, então, experimentemos a tristeza
de sermos tantos e tão sozinhos.



Nada, amigos...
nada...
nada será,
porque nada foi.



Tudo
apenas é:
e tudo é noite...
tudo é simples,
vasta e absoluta noite.

Somente
noite.”

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A MPB AOS VIVOS... COM SANDRO PENELU



O cantor e compositor Sandro Penelu

Se não bastasse Sandro Penelu ser um grande cantor e compositor, agora ele nos presenteia com um blog onde se é possível ouvir conhecidas e novas composições da Música Popular Brasileira, interpretadas em sua voz e em seu violão inconfundíveis.

É necessário conferir e divulgar. É só acessar:
http://sandropenelu.musicblog.com.br

Pessoalmente, gosto muito da interpretação de Ronco da Cuíca... confiram!!!

ILDÁSIO TAVARES: SETENTA ANOS DE POESIA


O aniversariante Ildásio Tavares

A Biblioteca Betty Coelho e a Fundação Gregório de Mattos promovem dia 27 de janeiro, às 19h30, no Espaço Cultural da Barroquinha (antiga Igreja Nossa Senhora da Barroquinha), na Praça Castro Alves, em Salvador, Bahia, ILDÁSIO TAVARES: SETENTA ANOS COM POESIA, em que homenageiam o poeta, escritor, compositor, professor de literatura, ensaísta e jornalista Ildásio Tavares, que neste mês de janeiro, completa setenta anos de idade.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

SUGESTÃO DE LEITURA: TENHA UM 2010 DE MUITA POESIA


Bruno Tolentino: A imitação do amanhecer; Rio de Janeiro, Ed. Globo, 2007.

Esse livro soberbo, que precisa não apenas ser lido e relido, mas estudado, compreendido, letra a letra, sob pena de ficarmos alheios ao resultado supremo gerado pelo talento... Pela mão do soneto, Bruno Tolentino leva a poesia brasileira contemporânea ao esplendor”
(Nei Duclós)




Rodrigo Petrônio: Venho de um país selvagem; Rio de Janeiro, Top Boocks, 2009.

A leitura de Venho de um país selvagem exige empenho, uma vez que a obra se embrenha na selva de símbolos que formam a existência humana, também provoca prazer, aquela “alegria pânica” suscitada por toda poética que não se conforma com o meramente ornamental ou com o estritamente lúdico, enveredando pelas lúgubres sendas da luz, nas quais mesmo as clareiras são aberturas que logo se encerram na mata fechada, onde a vida segue seu curso, à revelia de evidências e previsões.
( Mário Dirienzo)




Gustavo Felicíssimo (Org.) Diálogos: panorama da nova poesia grapiúna; Itabuna, Ed. Editus/Via Litterarum, 2009.

Gustavo Felicíssimo, que tem um trabalho de divulgação das novas gerações da poesia baiana e brasileira de altíssima qualidade, reitera este ofício ao publicar texto de dez poetas que, segundo ele (e, também, pelo que qualquer bom leitor poderá constatar), formam o mais novo – e o mais qualificado – grupo da novíssima poesia baiana oriundo da Região Grapiúna. São eles: Edson Cruz, Heitor Brasileiro Filho, Noélia Estrela de Oliveira, Piligra (Lorival P. Piligra Júnior), George Hamilton Pellegrini Ferreira, Daniela Galdino, Mither Amorim Mendonça e Geraldo Lavigne de Lemos.
(Silvério Duque)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL E QUE VENHA 2010... O ANO EM QUE CONTINUAREMOS A FAZER CONTACTO



Eu, Silvério Duque, sou poeta, nasci em Feira de Santana, aos 31 de março 1978. Sou licenciado em Letras Vernáculas, pela Universidade Estadual de Feira de Santana. Além da poesia, assumo as atividades de músico, clarinetista, já coordenei a Escola de Música da Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense, aliás, as bases de minha formação musical advém das Filarmônicas; sou professor, crítico literário, escrevi e escrevo para vários jornais e revistas e sou autor de dois livros de poesia O crânio dos Peixes, ( Ed MAC, 2002 ) e Baladas e outros aportes de viagem, ( Edições Pirapuama, 2006 ). Meus próximos livros, Ciranda de Sombras e A pele de Esaú, estão no prelo. Aqui, neste Blogger, publico meus poemas e minhas considerações sobre Arte e, principalmente, Literatura, as quais, obviamente, estão sujeitas às mais diversas críticas que serão devidamente aceitas, desde que feitas com inteligência, elegância e respeito. Como é a Internet, tudo aqui é público, portanto, o que aqui escrevi pode ser utilizado por qualquer um, contanto que se dê o devido uso e crédito, o que é o direito de todas e quaisquer fontes intelectuais. E quero aproveitar a "liberdade poética" que a data natalícia nos oferece para reinterar meu compromisso com todos que acessam este Blogger e aproneitar para desejar-lhes um FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO. Um forte abraço e espero que continuem gostando.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

SAI O RESULTADO DA IV EDIÇÃO DO CONCURSO LITERÁRIO "BAHIA DE TODAS AS LETRAS"


Frontispício da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Salvador-BA.


O concurso é realizado pelas editoras Via Litterarum e Editus (Editora da UESC), com patrocínio para os primeiros colocados da Fundação Chaves. Ano após ano, a boa remuneração para os primeiros colocados vem aumentando o interesse por esse concurso.


O meu amigo e poeta Gustavo Felicíssimo, teve a grata felicidade de ser premiado em duas categorias: Poesia e Literatura de Cordel. Esta última em parceria com outro grande poeta amigo Piligra.



RESULTADOS:


POESIA
(Cada autor inscreveu três trabalhos, sendo avaliado o conjunto)


Vencedor: Gustavo Felicíssimo


Obras: Procura, O credo de Don Juan e Monólogo de Don Juan



LITERATURA DE CORDEL


Vencedor: Gustavo Felicíssimo e Lourival P. Piligra Júnior


Obra: A peleja virtual entre dois poetas arretados



ENSAIO LITERÁRIO


Vencedora: Maria José de Oliveira Santos


Obra: Um caso de amor na Cidade de Salvador da Baía de Todos os Santos



CRÔNICA
(Cada autor inscreveu três trabalhos sendo avaliado o conjunto)


Vencedor: Manoel Souza das Neves:


Obras: Mentiropédia, Eu tenho medo de mulher e AuxílioFuneral



CONTO
(Nessa deu empate)


Obra: Amaro, de Tiago Santos Groba


Obra: O mergulho, Denize Ravizzoni



Mais informações no site da universidade:


http://www.uesc.br/editora/index.php?item=conteudo_concurso.php

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O CARROSSEL DE MARK GERTLER


O Carrossel de Mark gertler (1916): Óleo sobre tela; 247 x 487 cm – Tate Gallery, Londres.

 
SONETO*

à Senhora Claudia Cordeiro, un souvenir...

( pr’ uma aquarela à Carlos Pena Filho )

Por que pintei de azul a nossa estrada?
Por não trazer um céu sob os sapatos.
Então, busquei, em gestos insensatos,
despir, do azul, o Azul da madrugada.

Para exigir então o azul ausente,
que se espargiu em tuas alpargatas,
roubei de ti o azul das coisas gratas,
que, em teu olhar, nasceu tão simplesmente.

Mas, vestidos de azul, nem recordamos,
haver tantos azuis que azuis se amassem,
qual o Mar e o Céu, no azul, nos espelhamos...

E, perdidos no azul, nos contemplamos,
porque, do azul, as coisas sempre nascem,
pois, no morrer do azul, nós retornamos.




* Sobre este meu soneto, o poeta Gustavo Felicíssimo, em seu blog, Sopa de Poesia, escreveu e publicou: "Tudo bem, alguém poderá me dizer que o poeta do azul é Carlos Pena Filho. O seu Soneto do desmantelo azul é mesmo uma jóia, mas esse heróico do Silvério Duque, convenhamos, tem seu lugar, um soneto espirálico, marcado por esse último verso: 'pois no morrer do azul, nós retornamos', que deixa o poema em aberto. Muito bom mesmo!"... O pior é que eu estou começando a acreditar (rsrsrs)! Brincadeiras à parte, é sempre muito bom poder me inspirar e homenagear grande nomes de nossa Literatura, além de outros que têm um papel fundamental na divulgação da grande poesia: como é o caso dos nomes acima.

DOIS ESTANDARTES SERTANEJOS... A ARTE DE JUARCI DÓREA E JOÃO MARTINS


Fantasia Sertaneja de Juraci Dórea (em exposição no Museu Regional de Arte CUCA)


Bate papo com o pilão de João Martins (em exposição na Galeria Carlo Barbosa CUCA)


Ontem, tive o prazer de ir uma dupla exposição: de um lado, as imagens delicadas, reminiscentes e sinceras de João Martins, um artista plástico autêntico, como poucos que, ultimamente, temos o prazer de encontrar por aí.

Sua maior inspiração é, sem dúvidas, a natureza: natureza típica de Irará sua terra natal. Pintando quadros com imagens múltiplas de paisagens, frutas, flores, animais, pássaros, gaiolas, casarios, carroças, sertanejos... entre outros elementos. Sua obra traz uma exuberância muito singular de cores que saltam de frutas e aves típicas da região sertaneja e neste colorido emaranhado é impossível, ao espectador, não se envolver, digamos, sinestesicamente, pensando sentir o sabor de mangas, jacas e pinhas, ou ouvir o estribilho agudíssimo de sofres ou cardeais, que ornam com sensibilidade e maestria as suas telas. A quase totalidade deles compõe o cenário do universo infantil vivenciado em Irará. A exuberância de cores dos trabalhos plásticos de João Martins, aliado aos seus versos, lhe valeram a alcunha de poeta da cor, embora seja na pintura que ele consegue a síntese e o lirismo que lhe escapam em muitos de seus versos.

Assumindo, com muito orgulho, a sua condição de iraraense, João Martins busca muitas inspirações em sua cidade natal, remetendo-se às suas raízes de menino sertanejo. Situada entre o Recôncavo e o Sertão da Bahia, Irará possui uma flora e fauna belíssimas e diversas manifestações culturais, onde o artista colherá a maior parte de suas inspirações.

Do outro lado, a experiência e genialidade de Juraci Dórea. Sua obra, inteiramente dedicada ao Sertão e às manifestações sócio-culturais daquela região, mostra-nos um mundo muito próprio e singular envolvido num Sertão de misticismo e realidade, de poesia e trabalho árduo, de alegria e sofrimento constantes...

Todo este antagonismo é visitado e revisitado por Juraci através de um traço inconfundível, onde vaqueiros assemelham-se a cavaleiros errantes, bois e cabras parecem se metamorfosear em pássaros, criaturas místicas pousam ao lado de sertanejos, amor, alegria, violência e perversão compõem a mesma amalgama cultural da qual o artista, como qualquer outro grande em seu ofício, faz uso para mostrar nada mais nada menos que a realidade que o cerca, refletindo o universo sertanejo que Guimarães Rosa encontrou nos descampados mineiros, Graciliano Ramos buscou nas caatingas alagoanas, Vicente do Rego Monteiro arrancou dos confins de Pernambuco e Juraci Dórea reflete de sua Bahia e mais precisamente de Feira de Santana, a qual me parece ser sua saga e, muitas vezes, sua sanha e sua sina. Como bem exemplificou o professor e escritor Rubens Alves Pereira, “a obra de Juraci Dórea abre-se como um estandarte sobre a vida sertaneja. Nela, viceja a o espírito de um povo simples e humilde do Sertão, elevem-se grandes referenciais da cultura popular. Sobre tudo uma arte que se plasma nos largos gestos da arte contemporânea em que o artista se insere, enriquecendo-a com suas peculiaridades”.

Da mesma maneira que o pintor de Irará, João Martins, Juraci Dórea, de Feira de Santana, tem, na poesia, sua rosa dos ventos; no caso do feirense, por se guiar pela poesia popular do cordel, por exemplo, guia-se por rumos mais seguros. Ambos, principalmente, em suas obras, são grandes cronistas de suas memórias, do Sertão e da brasilidade. Ambos, sobre certos aspectos, realizam uma obra erudita, de uma expressividade, de um aprofundamento e, por que não, de um didatismo único e necessário... tudo isso, através de uma releitura do imaginário sertanejo fazendo, tanto do iraraense quanto do feirense, artistas excepcionais que ao lado de Gil Mário, Cleonice Barbosa e, evidentemente, de Gabriel Ferreira, só vêm a nos mostrar o quanto que, atualmente, estamos muito bem servidos de artistas plásticos.

Ambas as exposições podem ser conferidas no CUCA (Centro Universitário de Cultura e Arte) à rua Conselheiro Franco, 66, Centro, Feira de Santana, Bahia, Brasil.




É crer e ver!!!






Feira de Santana, 10 de dezembro de 2009.






terça-feira, 8 de dezembro de 2009

UM SONETO...?


Amantes de Nicoletta Tomas, 2001, acrílico sobre tela - 50x50 -, coleção privada.

Bendito seja todo esquecimento;
bendita, também, seja toda sede
e tudo mais que nos desperte a carne
ou que nos torne estranhos ante o espelho.

Bendito o nosso instante mais impuro;
o que sobrou de nós e o nosso início –
tanto vazio e cor num só começo –,
tantas mortes das quais nos refazemos.

Que Deus nos abençoe por entre as pedras
com o ressoar cruel do vão destino;
e que eu O veja inteiro ( em cada passo )

– e que possas senti-Lo em meio aos braços
com os quais, na dor, abraças teus joelhos...
Bendita seja a paz destes silêncios.






Salvador, 05 de dezembro de 2009.




quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

MEMÓRIAS DOS PINTORES DE FEIRA DE SANTANA... POR JURACI DÓREA


É com imenso prazer que convidamos para a Exposição e lançamento do Álbum Memórias Pintores de Feira de Santana do artista plástico Juraci Dórea, organizada pela Fundação Carlo Barbosa.

Dia 09 de dezembro, às 20 h no CUCA (Centro Universitário de Cultura e Arte) que fica na rua Conselheiro Franco, s/n, Feira de Santana-BA.


Não percam!!!!!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

UM ENCONTRO INESQUECÍVEL COM A LITERATURA...



Nesta sexta-feira, às 17 horas, na Academia de Letras da Bahia haverá mais um Encontros Literários: ponto de cultura espaço das letras, com Gustavo Felicíssimo e Hevelina Hoisel fazendo comentários sobre a obra de Ildásio Tavares e Myriam Fraga, dois dos maiores expoentes da literatura baiana no século XX.


Trata-se de um programa de pós-graduação em literatura e diversidade cultural da UEFS - Universidade Estadual de Feira de Santana.


A curadoria do encontro está a cargo do poeta Luis Antônio Cajazeira Ramos.



Quem gosta de boa poesia não pode perder!!!!!

LASCIA CH'IO PIANGA MIA CRUDA SORTE... ou UMA TRÍPLA RECOMENDAÇÃO A RESPEITO DOS CASTRATI


Alesssandro Moreschi (1858-1922), último dos castrati...


Imagem do filme Farinelli, Il Castrato...


Capa do CD Sacrificium, de Cecilia Bartoli (Universal, 2009).


Um dos episódios mais fascinantes e cruéis da história da música foi a existência dos castrati. A palavra, literalmente traduzida para “castrado” em português, designava os cantores que, demonstrando algum talento para o canto lírico, tinham seus testículos removidos para, desta forma, impedir as mudanças hormonais que tornam a voz mais grave. Sobre certo ponto de vista a Igreja teve grande culpa por esta prática, pois suas interdições equivocadas impediam as mulheres de cantar nas igrejas e nos coros.

O auge desta “prática artística” deu-se entre os períodos Barroco e Rococó, ou, para ser mais preciso, em fins do século XVII e primeira metade do XVIII. Aliás, foram os compositores do barroco os que mais exploraram a força e o lirismo dos castrati. George Friedrich Händel (1685-1759), por exemplo, tem áreas escritas para os heróis de suas óperas exclusivamente para castrati, e, comumente, tanto personagens masculinos quanto femininos eram interpretados por eles: Cara sposa de Xerxes e Lascia ch’io pianga de Rinaldo são boas ilustrações para o que afirmo.

Supõe-se que mais de 4000 eram castrados por ano durante todo o século XVIII. Na Itália era muito comum existir muitas barbearias, em sua maioria, napolitanas, que possuiam, à entrada, um dístico com a seguinte indicação "Qui si castrano ragazzi". Era de Nápoles, inclusive, de onde vinham a maioria dos castrati. Os meninos proviam das ruas ou de famílias pobres que viam na castração de seus filhos a única perspectiva para uma vida com dignidade. Entretanto, arrancar testículos garatia o talento, muito menos o sucesso, e, muitos, não achando emprego, voltavam à rua, à miséria e, pior ainda, à prostituição.

Para os que prosperavam, e estes eram poucos, os estudos eram sérios e exigiam dos castrati dedicação subre-humana. Há pouquíssimas gravações que mostram como era a voz de um castrati que combinava extenção, potência e versatilidade; um dessses parcos registros estão nas gravações, entre 1902 e 1904, feitas por Alesssandro Moreschi (1858-1922), considerado o último de sua especie, morto em 1922 e que, até 1913, atuou como solista do coro da Capela Cistina. Após muito analisarem a suas gravações vários especialistas chegaream a conclusão de que Moreschi se tratava de uma voz potente, porém medíocre e "destemperada," pelo fato de que ele não recebeu a educação musical que receberam os grandes castrati do século XVIII, época em que estes estavam no auge. Quando Moreschi iniciou sua carreira, o último dos famosos cantores castrados, Juan Bautista Stracciavelutti (1780-1861), mais conhecido como Vellutti, já havia falecido há anos.

O caso mais lendário entre os castrati é o de Carlo Maria Broschi, mais conhecido como Farinelli segundo registro de época sua extensão vocal abrangia do Lá2 até Ré6, como escreveu Johann Joachim Quantz (1697-1763): "Farinelli tem uma voz de soprano ligeiro, completa, rica, luminosa e bem trabalhada, com uma extensão que abrange desde o Lá debaixo do Dó central a Ré três oitavas acima do Dó médio… Sua entonação era pura, seus vibratos maravilhosos, seu controle sobre sua respiração era extraordinário e sua garganta muito ágil, porque cantou os intervalos mais amplos rapidamente e com a maior facilidade e firmeza. As passagens das obras e todo tipo de melismas não representaram dificuldades para ele. Na invenção das ornamentações livres nos adágios foi muito fértil." O poder e a doçura da voz de Farinelli se perpetuariam por várias cortes que iam desde a de Luis XV, da França, a de Felipe V, da Espanha.

Quem quiser conferir um pouco do repertório dos castrati recomendo, primeiramente, algumas gravações de Alesssandro Moreschi, que podem ser conferidas, por exemplo neste link: http://www.youtube.com/watch?v=slhhg8sI6Ds, mas os leitores deverão desculpar a precariedade de uma gravação com mais de 100 anos. Podem assistir ao filme Farinelli, Il Castrato (Bélgica/França/Itália, 1994) de Gèrard Courbiau, com Stefano Dionisi no papel principal: http://www.youtube.com/watch?v=ZNp8hYycx4c ou adquirir o novo disco, Sacrificium, da médio-soprano italiana Cecília Bartoli que, num trabalho estupendo de talento e pesquisa, revisita, em seu novo album, as principais obras escritas para os castrati: http://www.youtube.com/watch?v=WZdcp_FpfqI.

Em 1870, o Papa Leão XIII proibiria a castração para "fins artísticos" e, em 1878, baniria os castrati dos coros das igrejas... um gesto bastante humano (para não dizer o contrário) na tentativa de apagar centenas de anos de dor, frustração e humilhações.










Feira de Santana, 1 de dezembro de 2009.










sexta-feira, 27 de novembro de 2009

MAIS UM PRÊMIO PARA FEIRA DE SANTANA...



Nesta próxima segunda, dia 14 de dezembro, às 19h, na Casa das Rosas, Av. Paulista, 37, são Paulo - SP, A Canon do Brasil e a Fábrica de Livros promoverão um evento para a publicação da obra em antologia do II Prêmio Literário Canon de Poesia 2009, selo editorial Fábrica de Livros / Scortecci Editora, reunindo por ordem alfabética, 50 (cinquenta) POESIAS e seus AUTORES (minibiografia), conforme seleção e escolha irrevogável da Comissão Julgadora.


Os 50 (cinqüenta) participantes escolhidos com as melhores POESIAS receberão como prêmio e a título de Direito Autoral, 10 (dez) exemplares da obra, além da divulgação e promoção da poesia pela Canon do Brasil pelo período de um ano em ações de Marketing e Propaganda.


Entre os participantes desta antologia estão dois baianos, ambos de Feira de Santana, que são os poetas Erivaldo Oliveira de Araújo, com o poema Os santos dos sertões femininos e Silvério Duque, com o poema O grito: sobre um quadro de Edwar Munch.





quarta-feira, 25 de novembro de 2009

POEMA DO BREVE REGRESSO... EM FRANCÊS


Carolina (sobre um tema de Chico Buarque de Holanda) de Gabriel Ferreira. Acrílico sobre tela. (70X70)cm. 2007.

Há algumas semanas, publiquei, aqui mesmo neste blog, um poema intitulado Poema do breve regresso; agora, volto a publicá-lo por que me chegou às mãos uma tradução – mais uma - para a língua francesa deste mesmo poema. O autor do novo poema – porque traduzir é também criar – é o bom e velho Pedro Vianna, a quem eu conheci – e ao seu valoroso trabalho com o site http://poesiepourtous.free.fr – através da queridíssima pessoa do poeta Miguel Antônio Carneiro, a quem eu devo, também, mais do que uma crítica à altura de seu talento, outro grande amigo e mestre que me tem ajudado de uma forma cujos agradecimentos que lhe devo não caberiam em laudas e mais laudas de “muito obrigado”; o trabalho de Pedro Vianna é louvável principalmente pela valorização de muitos novos e veteranos poetas de nossa querida Bahia que ele tão caprichosamente constrói em seu site:



http://poesiepourtous.free.fr/poesiepourtous/poesiepourtous/pomoi.htm.


Meus caros Pedro e Miguel... mais uma vez, na falta de algo mais apropriado: MUITÍSSIMO OBRIGADO!!!


Eis, novamente, o(s) poema(s):



UM BREVE REGRESSO


– Na casa velha
dormem, ainda,
outras canções de antigas tardes,
mas nada nos diz
o eco melancólico destes silêncios.


A fúria das lembranças que se foram
( muito cedo ) nos invade a memória
com rosários e rezas;com as estórias de uma infância
muito além de nosso compreender;
com a ternura antigaque alongava os dias, os sorrisos
e os nossos supostos sonhos...


Ah, tudo é um imenso vazio que nos povoa as almas!


( Na casa velha de minha infância
as lembranças projetam dores
sobre este olhar perdido ).



UN BREF RETOUR


– Dans la vieille maison
dorment, encore,
d'autres chansons des après-midi de jadis,
mais rien ne nous dit
l'écho mélancolique de ces silences.

La furie des souvenirs qui s'en allèrent
(très tôt) envahit notre mémoire
avec chapelets et prières ;
avec les histoires d'une enfance
bien au-delà de notre entendement ;
avec la tendresse ancienne
qui allongeait les jours, les sourires
et nos rêves supposés...

Ah, tout est un immense vide qui peuple nos âmes !

(Dans la vieille maison de mon enfance
les souvenirs projettent des douleurs
sur ce regard perdu).



NOEL ROSA... O SHOW CONTINUA!!!





Mapa para quem quer chegar ao Cidade da Cultura... o difício é querer sair.


A cantora feirense, Céliah Zaiin, repetirá, na próxima sexta-feira, dia 27 de novembro, às 21h, no Cidade da Cultura, que fica na Rua H, n. 170, Conj. João Paulo II, Feira de Santana – BA (O telefone para informações é 75 3483 2740) , seu show em homenagem ao grande Noel Rosa, o “poeta da Vila”...


Um dos maiores compositores da história da Música Popular Brasileira, Noel Rosa nasceu de um parto difícil em que o uso do fórceps pelo médico causou-lhe um afundamento da mandíbula; a deformação conseqüente desta prática o marcaria por toda a sua vida. Criado no bairro carioca de Vila Isabel, Noel pertencia à chamada “classe média carioca”; era filho do comerciante Manuel Garcia de Medeiros Rosa e da professora Martha de Medeiros Rosa. Ainda na adolescência aprendeu a tocar bandolim de ouvido e tomou gosto pela música – e pela atenção que ela lhe proporcionava. Logo, passou ao violão e cedo se tornou figura conhecida da boemia carioca.


Entrou para a Faculdade de Medicina, mas logo o projeto de estudar mostrou-se pouco atraente diante da vida de artista, em meio às noitadas regadas a samba e à cerveja. Noel foi integrante de vários grupos musicais, entre eles o Bando de Tangarás, ao lado de João de Barro (o Braguinha), Almirante, Alvinho e Henrique Brito.


Já em 1929 Noel arriscou as suas primeiras composições, Minha Viola e Toada do Céu, ambas com fortíssima influencia da música regional, que muito sucesso fazia por aqueles tempos e gravadas pelo próprio Noel, que, diga-se e registre-se, foi quem mais gravou suas composições. Mas foi em 1930 que o sucesso chegou, com o lançamento de Com que roupa?, também gravado por ele, um samba bem-humorado que sobreviveu décadas e hoje é um clássico do cancioneiro brasileiro.

Céliah Zaiin lembra-se que, desde a sua graduação, era “apaixonada pela obra de Noel”; ela nos lembra de sambas “como Onde está a honestidade, que fala de brasileiros que enriqueceram da noite pro dia sem receber herança ou ter trabalhado muito para isso, ou qualquer outra justificativa plausível... é de fato um assunto bem atual, aliás, Noel é um compositor sempre atual, por isso a grandeza de sua obra”. Pra Célia, este show é uma “oportunidade de o público feirense familiarizar-se ainda mais com a obra deste carioca que é antes de tudo, um dos maiores gênios de nossa música”.

Noel revelou-se um dos mais talentosos cronistas do cotidiano carioca, com uma seqüência de canções que primam tanto pelo bom humor como pela veia crítica. Orestes Barbosa, exímio poeta da canção, seu parceiro em Positivismo, o considerava o "rei das letras".

Noel também foi protagonista de uma curiosa polêmica travada através de canções com seu rival Wilson Batista. Os dois compositores atacaram-se mutuamente em sambas agressivos e bem-humorados, que renderam bons frutos para a música brasileira, incluindo clássicos de Noel como Feitiço da Vila e Palpite Infeliz.

Entre os intérpretes que passaram a cantar seus sambas, destacam-se Mário Reis, Francisco Alves e a inesquecível Aracy de Almeida.A tuberculose o levaria prematura e romanticamente à morte aos 26 anos de vida.

O show, “Tributo a Noel” contará, como na primeira vez, com o piano de Tito Pereira, a quem Célia considera um dos mais talentosos músicos da atualidade e com a participação especial do clarinetista Silvério Duque.


Não percam!!!

sábado, 21 de novembro de 2009

DIÁLOGOS GRAPIÚNAS


Diálogos: panorama da nova poesia grapiúna (Ed. Editus/Via Litterarum, 2009).


O poeta, jornalista e pesquisador Gustavo Felicíssimo



Recebi, nesta última semana, um presente de meu amigo, e poeta, Gustavo Felicíssimo: seu livro Diálogos: panorama da nova poesia grapiúna (Ed. Editus/Via Litterarum, 2009), do qual ele é organizador. Primeiramente, o livro me chamou a atenção pela excelente qualidade gráfica, tanto da capa quanto de seu interior, ambas assinadas pelo poeta e artista gráfico George Pellegrini. Mas é o seu conteúdo que realmente me impressionou...

Gustavo, que tem um trabalho de divulgação das novas gerações da poesia baiana e brasileira de altíssima qualidade, reitera este ofício ao publicar texto de dez poetas que, segundo ele (e, também, pelo que qualquer bom leitor poderá constatar), formam o mais novo – e o mais qualificado – grupo da novíssima poesia baiana oriundo da Região Grapiúna. São eles: Edson Cruz, Heitor Brasileiro Filho, Noélia Estrela de Oliveira, Piligra (Lorival P. Piligra Júnior), George Hamilton Pellegrini Ferreira, Daniela Galdino, Mither Amorim Mendonça e Geraldo Lavigne de Lemos.

Esses nomes agregam – como haveria de ser num trabalho como este – uma grande diversidade temática e formal, todavia, igualam-se pela seriedade dos temas, pela busca de uma poesia pura e com o diálogo estabelecido com quase todas as tendências poéticas. Segundo Ildásio Tavares, que prefacia o livro – e o Ildásio sempre sabe o que diz –, há um ponto de coerência e afinidade quando esses poetas esmiúçam o conteúdo dos seres e das coisas; para Ildásio Tavares, lá estão os signos referenciados do passado e do presente; lá só não estão o pieguismo, a piada e a superficialidade. O trabalho de Gustavo Felicíssimo é sério e, por isso mesmo, em sua antologia, só há poetas sérios... Por favor, lembrem isto ao Marco Lucchesi.

Quem se aventurar nas páginas de Diálogos... encontrará a síntese perfeita entre imagem e palavra na econômica, porém dialética, poesia de Edson Cruz; o verso sincero e livre de Heitor Brasileiro; a delicada angústia de Noélia Estrela; os formais e coloquiais sonetos de Piligra; a enigmática literatura de George Pellegrini; o erotismo pujante e lírico de Rita Santana; o verso livre e apaixonado de Fabrício Brandão; o deslumbramento reflexivo de Daniela Galdino; os haicais (e falando em haicais já se diz tudo) de Mither Amorim; o esmiuçar emotivo de Geraldo Lavigne.

Além do mais, o leitor constatará uma coisa óbvia: o trabalho sério e impressionante do pesquisador e organizador Gustavo Felicíssimo, que entre critérios estéticos e políticos constrói uma obra de referência, onde novas vozes se misturam, em igual índole, a nomes referencias como Sosígenes Costa, Adelmo Oliveira e Cyro de Mattos e para onde não encontramos sinais de nenhum “verbalista” que, como bem acentuou, certa vez, o filósofo Olavo de Carvalho, são os ditos "poetas que saltam direto do estímulo verbal à reação emotiva, sem passar pelo trabalho de imaginação e muito menos pela triagem crítica das representações imaginativas e cuja sua tendência é buscar a comoção ante os simples jogos vocabulares que, bem examinados, não significam absolutamente nada e nem poderão suscitar emoção nenhuma a não ser no sucesso do movimento Concretista que se deveu a propagação do verbalismo no lugar do verdadeiro poeta..." Por favor, lembrem isto, também, ao Marco Lucchesi.

Ainda citando o Ildásio Tavares, o verdadeiro legado da civilização grapiúna são os seus escritores; e o Gustavo Felicíssimo acrescenta a este legado nomes que o tornarão uma herança ainda mais valiosa às gerações futuras.

Uma vez, neste mesmo Blogger, referindo-me à poesia e ao trabalho de pesquisa e de divulgação de Gustavo Felicíssimo, disse que ele merecia todos os elogios que, sem pudor, e com sinceridade e débito prestava a ele netas poucas e insuficientes palavras... e, agora, torno novamente a dizê-lo, pois ele merece.





Candeias, 19 de novembro (Dia da Bandeira Nacional) de 2009.






quarta-feira, 18 de novembro de 2009

PROJETO VIVA A POESIA VIVA



PROJETO VIVA A POESIA VIVA, APRESENTA:

A Poesia de Sosígenes Costa, Myriam Fraga, Agenor Campos & Elizeu Moreira Paranaguá

Dia 24 de novembro, 19h


Espaço Cultural Barroquinha, na Praça Castro Alves


Apareçam!!!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

ANTÔNIO CARLOS GOMES (1836 – 1896)


Antônio Carlos Gomes (1836-1896)



A influência européia foi, sem dúvida, determinante durante os primórdios da cultura musical autóctone dos países latino-americanos. Não esqueçamos que uma parte muito significativa da população é, antes de tudo, de origem indígena; assim sendo, herdeira de uma cultura muito singular, muito diferente daquela trazida pelos colonizadores espanhóis, portugueses, franceses... Também é verdade que estes povos autóctones tiveram pouco haver com a cultura que se foi desenvolvendo ao longo de centenas de anos de colonização, e que a imposição da cultura importada foi determinante, atingindo limites que tornam muito dificultosa e detecção de vestígios autóctones na atualidade, mas não há dúvidas que um substrato indelével fez-se determinante para cada espaço cultural da América. Estas mudanças históricas acabam, de certa forma, se repetindo, com ou sem a força que ainda resta da cultura nativa com a transplantação da cultura da Europa: Barroco, Arcadismo (ou Neoclassicismo), Romantismo... Este último, sobretudo, foi o principal responsável pela busca de elementos nativos, pela construção de um ideal nacionalista e da busca de uma identidade nacional, principalmente com o fim da influência das antigas classes dominantes e dos modelos clássicos. As mudanças foram lentas, mas, na luta para se livrar da independência européia, foi-se recriando um modelo nativista que, mesmo imbuído de uma fortíssima influência européia, misturou diversas tendências estéticas na busca de uma tão esperada “cor-local”. Por isso mesmo, encontramos, ao longo do romantismo brasileiro, por exemplo, várias figuras que passaram de uma estética a outra – e até praticaram muitas ao mesmo tempo. Este foi o caso da literatura de Gonçalves Dias e Castro Alves. Mas, no ano em que se comemora os cinqüenta anos da morte de Heitor Villa-Lobos, ninguém melhor para ilustrar esta diversidade estética do que o maestro Carlos Gomes.





I



Antônio Carlos Gomes nasceu em campinas, em 1836, e, como não poderia ser diferente, àquela época, foi, de início, um fiel amante da Escola Italiana. Porem, sua dedicação à música de salão também foi notória, e o ajudou a apreciar a música popular que, por mais ínfima que fosse, se poderia encontrar algum elemento verdadeiramente nativo. Assim, não demoraria muito para que o popular ganhasse uma linguagem mais sofisticada pelas mãos de muito mestres da música erudita, inclusive pelas de Carlos Gomes.


Foi com O Escravo que o elemento nacionalista se fez indispensável na obra do maestro de Campinas, por mais que O Guarani seja a sua obra mais conhecida e, aparentemente, mais “romântica”, mas se é possível, em ambas, distinguir, em Carlos Gomes, um fácil melodismo que evoluiria, com grande rapidez para um profundo expressionismo muito presente em O Escravo, onde se é possível, destacar a grande qualidade de orquestrar que Carlos Gomes, assimilaria de Puccini. Assimilação, diga-se, apenas modelar, pois sua obra se confunde com a evolução da música brasileira o que, àquela época, acontecia com imensa velocidade, imbuída de uma grande mescla de elementos melódicos e rítmicos de notável influência indígena, e, principalmente, africanas, pois as influências eram oriundas de várias áreas culturais, como Moçambique, Guiné, Daomé, Sudão...


De uma mescla tão intensa, a obra de Carlos Gomes iniciaria uma nova história dentro da música brasileira e seu evolucionismo, história da qual sua música far-se-á, também, determinante. Diversos compositores latino-americanos comprometeram-se a “cantar a sua terra” através de uma música independente, que, dentro do possível, libertasse-os do sedimento da música produzida na Europa, permitindo-lhes alcançar uma expressão nacionalista genuína. Não há dúvidas que Carlos Gomes é o pioneiro nesta luta, que mais tarde, seria assumida por nomes como Alberto Ginastera, Carlos Chaves, Manuel Ponce e, claro, Heitor Villa-Lobos. Um bom exemplo prático desta busca por uma identidade nacional que podemos retirar da obra de Carlos Gomes, encontra-se em suas peças para piano, onde ritmos populares e folclóricos, como o lundu, ganham uma roupagem erudita sem perder as características primevas que lhe serviram de influência. Mas não confundamos as coisas; Carlos Gomes se utiliza de elementos populares à sua maneira , criando um folclore pessoal nascido de um trabalho de autenticidade, dando ao elemento popular, uma nova face que é o rosto do eruditismo, como, mais tarde, também fariam, Nepomuceno, Villa-Lobos, Bartók, Falla e Stravinsky.


Apesar da inquestionável qualidade de sua obra e de seu caráter inovador e genuinamente nacionalista Carlos Gomes amargava, ao lado dos inúmeros elogios que recebia, tanto aqui como “nas terras d’além mar”, críticas severas e injustas que, na grande maioria das vezes, não passavam de puro depreciatismo, acusando-o de um mero imitador da ópera italiana, e, pior ainda, de ser um “capacho” a serviço da dominação européia – vejam que estas idiotices típicas dos comunistas já estão presentes por aqui faz um bom tempo – e cuja obra nada traz de inovador e, menos ainda, de brasileira. Tal calúnia atravessaria os séculos, principalmente com o “fervor de inovação” e de “desprezo ao passado” e “às raízes” promulgadas pelo modernismo paulista de 1922 e que transformaria Carlos Gomes em um dos primeiros exemplos de como as ideologias podem espalhar nuvens de ignorância difíceis de dissipar.


Na verdade, sua música era tão européia quanto tinha de ser e é sempre bom lembrar que, por mais que o espírito revolucionário estivesse no cerne do Romantismo, ele ainda se regia por regras específicas seja na poesia, na pintura, na arquitetura ou na música, e seguir estas regras era tão imperativo, aos românticos, quanto, desprezá-las, era dever dos modernos. Além do mais isso não impediria que Carlos Gomes fosse, dentro das possibilidades abertas pela escola romântica, um inovador e, independentemente de tal intuito, um gênio incontestável. Esta genialidade foi aproveitada ao máximo pelo maestro, transformando-o, ao que até agora eu sei, na primeira celebridade internacional da história do Brasil... e com total merecimento.





II



No século XIX, estrear várias óperas na Europa, principalmente na Itália, era uma consagração almejada por qualquer compositor (mas alcançada por pouquíssimos), sobretudo se ele não era italiano, ou, pelo menos europeu; imaginar, então, que este compositor fosse um brasileiro, tornaria esta consagração ainda maior do que já era; e foi este o caso de Antônio Carlos Gomes, que, em 1870, e sua ópera, O Guarani, de inspiração literária em um dos mais célebres romances da Literatura Brasileira, estreariam em Milão. O sucesso era o esperado, levando-se em conta o forte “italianismo” da ópera, o que não a caracteriza como mera imitação, à maneira de Verdi, como quer a maioria de seus detratores, muito menos plágio ou falta de nacionalismo. Simplesmente, em O Guarani, Carlos Gomes aplicou fómulas que eram de extrema necessidade aos modismos de sua época, principalmente no meio onde se apresentara, para garantir a aceitabilidade de sua música.


Desde os primeiros acordes em que se apresenta o tema introdutório d’O Guarani, por exemplo, ao tipo de ordenação temática da Overture, tudo obedece a clichês utilizados pela grande maioria dos compositores operísticos da Itália, ou de quaisquer países onde era imperava o italianismo. O prelúdio, em forma de fanfarra, é uma função teatral que muito bem ilustra esta influência e com a qual Carlos Gomes inicia sua ópera mais famosa. A primeira aparição deste tipo de “anúncio” remonta, talvez, a Monteverdi, mas já se é possível identificar semelhante formação em Bach e Escarlatti. Mas, sem dúvida foi Lully o primeiro a criar verdadeiras aberturas dramáticas. Essas “Aberturas” à francesa que pouco a pouco invadiu os teatros da Europa era formada por uma parte lenta, seguindo-se a uma mais rápida – num estilo, muitas vezes, fugato – para se concluir numa última parte que é uma repetição abreviada de seu início. No entanto, seu desenvolvimento, na Itália, deu-se de forma muito distinta, seguindo um modelo VIVO – LENTO – VIVO, recheado de um profundo melodismo; melodismo este que fugia a quaisquer influências francesas.




***



Somente na segunda metade do século XIX surgiu um tipo muito novo de abertura operística que consistia em uma espécie de pout-pourri e a abertura alemão, à maneira de Ludwiving von Beethoven e Carl Maria von Weber, além de se prelundiar com a fanfarra monteverdiana, além de possuir um claríssimo conteúdo melódico refinada com uma das melhores orquestrações já ouvida neste tipo de composição – algo que só se poderia realizar pelas mãos hábeis de um grande músico.

Essa mistura de estilos já seria o suficiente para ilustrar o caráter inovador de sua obra, além de se utilizar de elementos da música negra, e de seus mais diferentes ritmos, e da figura indígena criada pelo romantismo de José de Alencar que, por mais europeizada que fosse – e devesse ser – representava, como nenhum outro símbolo, o nacionalismo brasileiro. Carlos Gomes iniciou sua carreira no italianismo para termina-la com um estilo muito próprio e com uma personalidade que o faria passar para a História da Música como um de seus maiores compositores... doa em quem doer.





Candeias, agosto/novembro de 2009





Aproveitem e ouçam a abertura d' O Guarani e a belíssima e popular modinha (mas que só poderia ter sido feita por um compositor erudito) Quem sabe?, pois, enquanto isso, em Brasília, é sempre 19:00h.



http://www.youtube.com/watch?v=seNrjXhTOBA


http://www.youtube.com/watch?v=TNlcdN-HvIU