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quarta-feira, 25 de abril de 2012

DICA DE LEITURA: "DESTA VARANDA", O MAIS NOVO LIVRO DE ANTÔNIO BRASILEIRO...


Editora P55, 2011 – Coleção: Cartas Bahianas
Desta varanda, de Antônio Brasileiro Borges (P55 Edições, 2011 – Coleção: Cartas Bahianas) 


Antônio Brasileiro Borges nasceu em Matas do Orobó, interior da Bahia, mas foi em Feira de Santana e Salvador que exerceu a maior e mais importante fase de sua vida literária, como professor, poeta e articulador cultural. É autor de vários livros de poesia, entre os quais: Os três movimentos da sonata (1980), Licornes no quintal, (1989), Poemas reunidos (2005), Dedal de areia (2006)... entre outros. Em seu novo livro, Desta varanda (P55 Edições, 2011 – Coleção: Cartas Bahianas), Brasileiro nos mostra de maneira contundente porque é um dos maiores e mais peculiares poetas do Brasil. O livro é um arremate tanto das leituras que faz dos grandes mestres da literatura universal, como grande consumidor de poesia que é (que vai de Sá de Miranda a Baudelaire ou de Camões a Alexei Bueno), bem como de seu mundo pessoal e interior; (de homem do campo, professor, poeta, pai, ser vivente...) Em seus versos, o passado e o presente fundem-se de uma maneira única, e o mundo dos grandes clássicos da literatura alinhava-se ao das cantigas de roça e dos aboios sertanejos, mas sem se perder aquele fio da linguagem erudita que une e transforma tudo na expressão poética de um mestre maior. Antônio Brasileiro Borges é força poética crua e Desta varanda, em seus pouco mais de 40 poemas, mostra-se-nos como o resultado desta força poética em sua forma mais plena; é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores livros de poesia já lançados no Brasil; um livro que ninguém menos que um poeta maior poderia conceber. Por isso, eu o recomendo...



LAGOS SEM MARGENS*

Esta de asas exangues já não corta
o céu da vida, eis que está dormindo
nos veios esquecidos da memória.
E em veios da memória, esparzindo
um tempo que, em vãos de dor, comporta
outra memória e outra e, assim, fluindo
/escampos brancos da sutil história
pássaros breves, animais balindo
lagos sem margens pontes levadiças
cavaleiros encantos várzeas aves
do sono, exangues asas, áureas liças/
 – ó coisa todas vãs, todas mudaves!

não fosse a instância prima do existir
como seria bom, também, dormir.

***

OS BOIS DE OSSOS

A casa de meu pai era espaçosa,
nela cabiam todos os meus sonhos –
e fazendas, currais e os bois de ossos
que o menino tocava na varanda.
Do quintal avistávamos o cosmos.
Ilusões não as tínhamos: à sombra
das mil estrelas nuas, eis que nossos
confins mal abarcavam o horizonte:
até a Serra o mundo ia. E só.
Mas era este o mundo e este o encanto.

A casa de meu pai tinha mil salas
e um menino. E seu olhar de espanto.
Só tu, memória tola, não te calas.


***


SILS MARIA

O grande amor não quer amor: quer mais.
Tudo que somos é cais tumultuoso.
























*Os três poemas acima pertencem ao livro Desta Varanda, de Antônio Brasileiro... 




terça-feira, 15 de junho de 2010

20 ANOS DA PINTURA DO POETA ANTÔNIO BRASILEIRO



Mais do que merecidamente, o poeta Antonio Brasileiro - não é o Tom Jobim - , no último dia 10 de junho, tomou posse na Academia de Letras da Bahia (ALB).

Poeta de muitas faces e homem de muitas artes, apresenta em sua obra poética uma reflexão lírica e, muitas vezes, filosófica dos mais diversos motivos literários já cantados pela Literatura Ocidental. Não há dúvidas que a Academia Baiana de Letras acolhe um dos maiores expoentes de sua Literatura... diferente do que tem feito nos últimos anos.

Para completar, Antônio Brasileiro Borges, que é também Artista Plástico, estará a mostrar alguns de seus trabalhos na Exposição que comemora seus 20 anos como pintor.

Exposição chama-se 20 Anos de Pintura – de Antonio Brasileiro; realizar-se-á no dia 17 de junho (quinta-feira), às 19h, Na Galeria de Arte Carlo Barbosa e Museu Regional de Arte – Centro Universitário de Cultura e Artes (CUCA) que fica à Rua Conselheiro Franco, 66, Centro, Feira de Santana – BA.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

UM POEMA...

Imagem de Antônio Brasileiro (2005), Óleo sobre tela, 50x60



BALADA PARA A MORTE


ou IMPROVISO HERÁLDICO ANTE AS SOBRAS DO BANQUETE ILÚDICO
( em ocasião do 60º aniversário do poeta Antônio Brasileiro )




( Suavemente,
a noite nos envolve indecifrável...
fugindo de sua obrigação de negar-nos
a grande sombra desce,
mas todos se amontoam nosilêncio e no medo
de sermos tantos.


Amontoamo-nos
no indecifrável espaço do torpor
e parecemos um só homem espalhado pela escuridão imensa...
nessa sombra que somos
nos perdemos...
porém,
sobra nas retinas o que fomos
e
presa à garganta
tudo
o que queríamos.



A noite...
sim, a noite...
a noite nos embrulhou com ódio,
e toda a noite enraivecida é a grande
verdade
que buscávamos,
uma deslavada verdade
que todos contam entre nós:
era dos nossos sonhos que ela vinha;
de nossa realidade ela se criava;
amadureceu em nosso egoísmo;
modificou-se por nossa angústia;
em nós...
em todos nós
espatifou-se,
neste momento que ainda corre:
e todos somos um
nesses pedaços de tantas coisas
únicas;
tantas vontades
a serem sempre as mesmas;
tantas fomes iguais
de tudo.


Esta noite nos uniu em nada...,
mastigou
o humano
que tínhamos engolido,
despojou-nos
neste leito de escuridão em que deitamos;
enraizou-nos
neste princípio de coisa alguma
impedido-nos
a aurora.








2.a



A noite está
inquieta
como um homem morto –toda a noite
é um tumulto –
é toda um coração que bate e vai morrer e o sabe...

A noite
sorveu a paciência
destes banquetes; deu ao tempo
propósitos que não tinha;
a noite
deu propósitos a tudo:
à nossa morte,
ao nosso odor de morte,
à nossa inquietude de estar dentro
da
morte,
ao nosso esquecimento
de sermos
morte...
a noite
humanizou a terra superior dos cemitérios;
tornou fundamental
a nossa poesia dispersa;
apagou-nos
da manhã
que não
viria.








2.b



A noite
deu-nos um mistério em nosso nascimento;
e nenhum dia será mais claro do que esta noite
e os dias que virão de dentro dela.



A noite assombrosa de nosso desejo
é toda uma mística certeza que nunca tivemos.


– Existimos
dentro desta noite como
nunca existimos
antes. )








3

UM APÓLOGO:



“ Ó amigos, ó coisas inexatas...
filhos das feras que moravam em nós:
esta noite tudo ficará retido sob o chão
destas mentiras tão puras;
a manhã se foi sem ternura
e sem a simplicidade
que os amanheceres
nos trazem.



Ó irmãos,
crianças maliciosas que fomos,
a manhã se foi escura
porque nunca verdadeiramente houve
uma manhã mais clara.

A perfeição,
irmãos,
reside nesta escuridão que este não-dia nos trouxe.
Nada vimos,
porque nada queríamos ver.
Nada evocamos,
pois sempre fomos esta mesma ausência.
Nada construímos sobre esta imensa mão ruidosa,
porque toda a nossa poesia foi um truque.
E nenhuma lágrima rolará,
pois nunca existiu em nós a alegria
para que, então, experimentemos a tristeza
de sermos tantos e tão sozinhos.



Nada, amigos...
nada...
nada será,
porque nada foi.



Tudo
apenas é:
e tudo é noite...
tudo é simples,
vasta e absoluta noite.

Somente
noite.”

segunda-feira, 15 de junho de 2009

UMA INDICAÇÃO TÃO TARDIA, QUANTO MERECIDA E NECESSÁRIA...


O poeta Antônio Brasileiro (1944 - )


Ciclistas, óleo de Antônio Brasileiro Borges



O poeta Antônio Brasileiro Borges foi eleito, na última segunda-feira, por unanimidade, para ocupar a cadeira de nº 21, que pertenceu a Jorge Amado e, por conseqüência de pensão-alimentícia, à Zélia Gattai, na Academia de Letras da Bahia (ALB), tornando-se o primeiro imortal, desta Instituição, não nascido nem radicado em Salvador. Doutor em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais, e professor de Teoria da Literatura na Universidade Estadual de Feira de Santana, o grande fundador, e, certamente, o melhor representante do grupo Hera, que tem mais de 25 títulos publicados entre poesias, ensaios, romances e contos, mas nunca fora agraciado com uma publicação por uma grande editora – uma injustiça que, eu espero, solucione-se em breve –, entre os quais A estética da sinceridade & outros ensaios (Imprensa Universitária da UEFS, 2000), Antologia Poética (Fundação Casa de Jorge Amado/Copene, 1996) e Dedal de areia, que venceu a edição de 2004 do Prêmio Durval de Morais, da ALB, é, sem dúvidas, uma escolha acertada em todos os pontos pelos membros da ABL e que lhe dá diversidade e qualidade... A indicação de Antônio Brasileiro para tal instituição pode até ser tardia, mas merecidamente necessária.

Eis um dos melhores exemplos da poesia de Antônio Brasileiro:




QUE DEUS GUARDE MEU PAI...



Não passar. Ficar para semente.

Não era isto que meu pai queria?
Sentava-se na rede e adormecia
julgando ter domado a dama ausente.

E sonhava talvez. Talvez menino
montando burros bravos, nu, ao vento;
um homem é a sua ação sobre o destino.

Meu pai então fazia um movimento
e a rede, a adormecer, estremecia:
pequenos sustos no tempo, era só isto.

E escancarava os olhos duramente
para mostrar que se Ela o procurava
era de cara a cara que a encarava.

Que Deus guarde meu pai. Eternamente.



Poema extraído de Poemas Reunidos, de Antonio Brasileiro, poeta brasileiro radicado em Feira de Santana. O livro foi editado pelo Selo Letras da Bahia, em 2005.

terça-feira, 3 de março de 2009

SONETO, MODERNISMO E ANTÔNIO BRASILEIRO


O poeta e artista plástico Antonio Brasileiro


Se se perguntar a quaisquer alunos de nossas melhores escolas, ou, até mesmo, aos neófitos do Materialismo Histórico, os quais compõem a grande maioria de nossos universitários, não só nos cursos de Letras, mas, nas Universidades brasileiras, como um todo, sobre o que seria um soneto, ouvir-se-ia, entre ludibriações de todos os tipos (recurso muito comum àqueles que não gostam de adimitir suas ignorâncias; talvez, a coisa mais honrosa que a grande maioria destas pessoas poderiam fazer em vida) e retumbantes, porém dignos, “não sei!”, a resposta mais comum seria: “é um poema de quatorze versos, dividido em dois quartetos e dois tercetos”. Afirmação esta muito comum de se ouvir com relação àquilo que se perguntou (pois para a grande maioria dos alunos de Literatura, seja lá qual for o seu grau de instrução, extraviados do mais simples e decente rumo intelectual, esta será toda consideração, a respeito deste assunto, que eles terão em toda vida acadêmica), mas que, de longe, açambarcaria esta forma que, dentre as “castas” poéticas em que se diversifica o gênero lírico, é a que exige, de seu criador, o maior nível de intelectualidade, de concretude e de pensamento lógico-reflexivo, ou seja, o soneto precisa ser rimado, metrificado e apresentar uma estrutura dissertativa em seu discurso, exigindo de seu autor grande conhecimento daquilo que faz e do que fala através dele (além do esqueleto estrófico tão comumente citado), que, em nada, ajudaria a compreender a grandeza e a complexidade desta forma, a qual se encontra no cerne de toda a Poesia Ocidental há séculos, e, ainda assim, é o mais sofisticado modelo poético existente, mostrando-nos, só por motivo de exemplo, que não foi à toa que os parnasianos e simbolistas, tão diferentes entre si, o preferiam incondicionalmente. Desde os exemplos mais clássicos, como os de Petrarca, Camões e Shakespeare, aos melhores mestres deste gênero em nossa literatura colonial e pré-moderna, como Gregório de Matos, Cláudio Manuel da Costa, Machado de Assis, Raimundo Correa, Cruz e Sousa e Olavo Bilac, o soneto tem se mostrado o fim a que se dirigirem os versos de muitos dos maiores poetas do mundo há mais de meio milênio. Nem mesmo o advento do Modernismo – e, quando falo de Modernismo, não me refiro, aqui, à pantomima paulista de 1922, nem à Disney World canibalística que a ela se seguiu, antes, refiro-me àquele Modernismo onde o clássico e o novo convergiam sem nenhum tipo de inconveniência ideológica ou de extravagância lírica, como é o caso do Modernismo de Euclides da Cunha, Lima Barreto e Augusto dos Anjos, logo retomado pelas gerações de 30 e 45, por exemplo – destruiu a importância e a tradição às quais o soneto se vale até os dias de hoje; pelo contrário, o Modernismo cultivou um soneto dotado de rigor e beleza como jamais se viu, antes, isso já com muitos de seus precursores em todo o mundo, a exemplo de Charles Baudelaire...



Viens, mon beau chat, sur mon coeur amoureux;
retiens les griffes de ta patte,
et laisse-moi plonger dans tes beaux yeux,
mêlés de métal et d'agate.

Lorsque mes doigts caressent à loisir
ta tête et ton dos élastique,
et que ma main s'enivre du plaisir
de palper ton corps électrique,

je vois ma femme en esprit. Son regard,
comme le tien, aimable bête,
profond et froid, coupe et fend comme un dard,

et, des pieds jusques à la tête,
un air subtil, un dangereux parfum,
nagent autour de son corps brun.





...Fernando Pessoa...




Olha, Daisy, quando eu morrer tu hás-de
dizer aos meus amigos aí de Londres,
que, embora não o sintas, tu escondes
a grande dor da minha morte.

Irás de Londres pra York, onde nasceste
(dizes —Que eu nada que tu digas acredito…)
contar àquele pobre rapazito
que me deu tantas horas tão felizes


(Embora não o saibas) que morri.
Mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar,
nada se importará. Depois vai dar


a notícia a essa estranha Cecily
que acreditava que eu seria grande…
Raios partam a vida e quem lá ande!...





...e Augusto dos Anjos...



Que força pôde adstrita e embriões informes,
tua garganta estúpida arrancar
do segredo da célula ovular
para latir nas solidões enormes?!


Esta obnóxia inconsciência, em que tu dormes,
suficientíssima é, para provar
a incógnita alma, avoenga e elementar
dos teus antepassados vermiformes.

Cão! - Alma de inferior rapsodo errante!
Resigna-a, ampara-a, arrima-a, afaga-a, acode-a
a escala dos latidos ancestrais...

E irás assim, pelos séculos, adiante,
latindo a esquisitíssima prosódia
da angustia hereditária dos teus pais!





* * *

Se, para Georg Wilhelm Friedrich Hegel, em épocas mais romanescas, o poeta, ao compor um bom soneto, não descreve, de forma ingênua, as disposições da alma, as aspirações, as dores, os desejos, as percepções das coisas à sua volta, com uma grande concentração interior, antes, dirige, com calma e precisão, o seu olhar aos mitos, à história, ao presente, no mesmo momento em que se reintegra a si mesmo, limitando-se e se contendo, tornando o soneto uma das construções mais complexas e difíceis em que um poeta pode se aventurar, para o Modernismo, esta prática se torna mais difícil e mais fluida... em outras palavras, mais complexa para o seu autor, mas compreensível a quem o lê. Segundo César Leal, em Os Cavaleiros de Júpiter, “o elemento protéico do soneto é o pensamento reflexivo”, mesmo quando este “alcança uma ordenação mágica como é freqüente em Jorge de Lima”. É, no soneto, que conhecimento, ciência e instrução geral se fundem com legitimidade, por isso mesmo, no Modernismo, apesar do descrédito e difamação de muitos, o soneto se aperfeiçoou, tornado-se, inclusive, “independente e diverso em relação aos modelos clássicos” – afirma César Leal –, apresentando – ainda de acordo com o poeta e ensaísta pernembucano – “traços estilísticos inconfundíveis”, como são os casos de Manuel Bandeira, Jorge de Lima, Vinícius de Moraes, Bruno Tolentino, Sosígenes Costa, Mário Quintana, Emílio Moura, Ariano Suassuna, Dante Milano, Ildásio Tavares, Carlos Pena Filho e até mesmo Carlos Drummnd de Andrade e Ruy Espinheira Filho... isso sem falar no pioneirismo de Augusto dos Anjos e em autores menos conhecidos ou naqueles onde a tradição do soneto não acompanha a obra do autor, embora por lá se encontrem exemplos magníficos como os de Patrice de Moraes, Nívia Maria Vasconcellos, Edmir Domingues, Florisvaldo Mattos, Maria da Conceição Paranhos e ainda, mesmo que escassos, Ferreira Gullar e Hilda Hiltz, além de Reynaldo Valinho Alvarez (cuja máxima intensidade de sua poesia é justamente alcançada em seus sonetos peculiaríssimos) entre outros tantos que agora me escapam à lembrança. O soneto moderno, como todo bom poema de qualquer época, deve estar pleno de sentido, de significados, e não ser um mero jogo de idéias sobrepostas ao acaso; deve aparecer e soar ao seu leitor dentro de uma “imaginação auditiva” (lá vem o César Leal, de novo), tão comum em Milton, segundo T. S, Eliot, como no próprio Eliot, mas também em castro Alves e até mesmo em Ascenso Ferreira, e, por recortar uma realidade instigante, por ter uma penetração psicológica muito intensa, por proporcionar uma fácil compreensão de tudo e de si mesmo, é uma obra da razão recortada pelos malabarismos lingüísticos e dos signos comuns, como é o caso deste extraordinário soneto de Antônio Brasileiro que, à maneira da inovação formal proposta por mestres como Jorge de Lima, e mantendo aquela tradição oral e simbólica comum em Vinícius, é-me uma das mais belas realizações do gênero:





Não passar. Ficar para semente.

Não era isto que meu pai queria?
Sentava-se na rede e adormecia
julgando ter domado a dama ausente.

E sonhava talvez. Talvez menino
montando burros bravos, nu, ao vento;
um homem é a sua ação sobre o destino.

Meu pai então fazia um movimento
e a rede, a adormecer, estremecia:
pequenos sustos no tempo, era só isto.

E escancarava os olhos duramente
para mostrar que se Ela o procurava
era de cara a cara que a encarava.

Que Deus guarde meu pai. Eternamente.