quarta-feira, 26 de maio de 2010

EROTISMO...


O Beijo (que é baseado na trágica história de amor entre Paolo e Francesca, na Divina Comédia, de Dante) 1900, por Auguste Rodin

- E o que eu adoro em ti é a tua carne,
porque tudo o que é vivo se deseja;
assim, desejo em ti o meu tormento
que há-de crescer na proporção do tempo.

O que eu almejo em ti é a tua sombra,
pois toda boca habita as mesmas vozes
que hão-de tecer com gritos o teu nome
na tarde azul tragada pela noite.

Beijo o teu rosto como se existisse
algum lugar pr’além do Precipício,
e, junto ao gosto de teu lábio esquivo,

uma palavra, sobrescrita em sangue,
há-de adornar o verso em que eu me esqueço
e há-de extirpar, do amor, a fúria imensa.



AULA CONFERÊNCIA COM O POETA AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA



Aula-conferência: Que país é este?

O poeta Affonso Romano de Sant’Anna, a convite do grupo de pesquisa O escritor e seus múltiplos: migrações, realiza aula-conferência no auditório do PAF 3, no dia 26 de maio, às 18h30.

A palestra tem como foco principal tratar de seu livro sobre a ditadura militar brasileira, Que País é Este?, uma coletânea de poemas que dão um panorama crítico da sociedade brasileira de então.


Serão emitidos certificados aos estudantes que participarem da aula-conferência. As inscrições devem ser feitas na hora.

Confira mais sobre o poeta em seu Blogsite: http://www.affonsoromano.com.br


segunda-feira, 24 de maio de 2010

"A PELE DE ESAÚ" DE SILVÉRIO DUQUE... ADQUIRA JÁ O SEU



Editora: Via Litterarum
Autor: Silvério Duque
Apresentação: Ildásio Tavares
Posfácio: Gustavo Felicíssimo
Ilustração: Gabriel Ferreira
Ano: 2010
Páginas: 72 il.
Formato: 15,5x21cm
ISBN: 978-85-98493-66-4
Preço: Apenas R$ 15,00
Como adquirir: através do E-mail: vendas@vleditora.com.br. ou pelo Quiosque Cultural Online cujo endereço é: http://www.quiosquecultural.com.br/.






DUAS PALAVRAS SOBRE A PELE DE ESAÚ
por Gustavo Felicíssimo




Creio na existência de dois tipos de leituras: a erudita, revelada por autores preocupados em dar ao texto um valor de interesse fundamental; e a vacilante, que engloba as leituras que proporcionam intelecção abstrata, não conferindo nenhuma sacralidade à obra lida. Certamente os poemas deste A pele de Esaú, de Silvério Duque, se inserem dentre aquelas do primeiro tipo, pois foram baseados em uma narrativa bíblica antiquíssima (sobre a qual Ildásio Tavares discorre muito bem no prefácio da obra), fonte de enigma e sabedoria.

Vale lembrar que nada na trajetória humana foi capaz de inspirar tantas obras de arte, tantos artistas, nas mais diferentes latitudes e longitudes do mundo ocidental, do que a Bíblia. Levando-se em conta que o livro sagrado do cristianismo está no centro da nossa civilização, estranho seria se não fosse assim. E foram muitos os poetas que nela ou no cristianismo se inspiraram, com interesses e motivos vários, de diversas estirpes e épocas distintas, como Camões ou Bruno Tolentino, de quem se pode ouvir o eco na poesia de Silvério Duque, passando por Antero de Quental e Jorge de Lima, até encontrarmos o frescor de A pele de Esaú, uma obra dada ao leitor contemplativo, pois favorece a um recolhimento que possa proporcionar a reflexão adequada em relação ao universo circundante à obra.

Após ler os primeiros poemas deste livro percebi claramente que não se tratava de um compêndio qualquer de poesia, mas de uma obra refinada, alquímica, tecida com engenho e arte, em que o poeta apresenta-nos uma alternância riquíssima de perspectivas e expressões dramáticas do contrário, bem diversa e não apenas catártica, resultando em um canto verdadeiro, uma unidade e uma realidade concreta, não apenas a história evocada, objeto de meditação, mas os dramas pessoais do autor, suas vicissitudes, sonhos e desilusão. Enfim, uma obra muito superior ao que nos vem sendo apresentado pela maioria dos nossos contemporâneos.

Este livro é a mais nova obra de um dos melhores poetas da minha geração, um autor que faz jus à tradição de grandes poetas que a Bahia legou ao Brasil. Se pudesse resumir A pele de Esaú em uma única palavra, eu diria: inefável!



Sopa de Poesia, 01 de maio de 2010.

ÚLTIMO POEMA DE DAMÁRIO DACRUZ...


DAMÁRIO DACRUZ (27 julho de 1953 - 21 de maio de 2010)... foto de Ricardo Prado
GRAN FINALE


Avise aos amigos
que preparo o último verso

A vida
dura menos que um poema

E no alvorecer mais próximo
saio de cena.

sábado, 22 de maio de 2010

BAHIA DE TODAS AS LETRAS: NOSSA LITERATURA EM PRIMEIRO LUGAR... PREMIAÇÃO E DEBATE LITERÁRIO





Diálogos sobre literatura, lançamento de livros, homenagens e bate-papo com escritores serão alguns dos ingredientes que irão compor a premiação da 4ª edição do Concurso Literário Bahia de Todas as Letras, realizado pelas editoras Via Litterarum e Editus, com o patrocínio da Fundação Chaves e apoio da Fundação Cultural de Ilhéus.


O evento acontecerá no dia 02 de Junho, das 9h às 21h no Teatro Municipal de Ilhéus, e reunirá poetas, pesquisadores e escritores da cena literária da região em uma grande celebração das nossas letras.


Para tornar o dia mais lúdico está planejado o lançamento de uma coleção de livros infanto-juvenis de Pawlo Cidade e a apresentação da peça teatral As Aventuras de João e Maria, baseada na obra do autor ilheense. Ainda haverá o lançamento de diversas outras obras, entre elas Floração de ImagináriosO Romance Baiano no Século XX, de Jorge de Souza Araújo, vencedor do Prêmio Nacional da Academia de Letras da Bahia; Vassoura, do jornalista Daniel Thame; A Pele de Esaú, de Silvério Duque; e Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna, de Gustavo Felicíssimo.


A organização do evento também vai promover um bate-papo com novos poetas baianos, além de promover palestras de estudiosos, entre eles Jorge de Souza Araújo e Ildásio Tavares que, pela passagem dos seus 70 anos, será homenageado com a leitura dramatizada de alguns dos seus poemas.


Espera-se, com as palestras, compartilhar experiências e incitar adeptos a participarem de pesquisas relacionadas à nossa literatura. Os princípios orientadores das palestras são:


- Apresentar criticamente a literatura produzida por autores baianos, reconhecendo assim um sistema literário absolutamente particular;


- Colocar em diálogo os atores principais na produção estética e crítica da literatura baiana: os escritores, críticos e público.


Pretende-se assim fazer uma abordagem de excelência, a sua relação com a sociedade, o espaço e o tempo, trabalhando literatura e história, a criação literária e a natureza da poesia.


BREVE HISTÓRICO


O BAHIA DE TODAS AS LETRAS é um prêmio que está em sua quarta edição. Foi criado pela editora Via Litterarum em parceria com a Editus, a Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC.


PROGRAMAÇÃO


9h00 – Saudação – As Palavras Mágicas
Prof. Pawlo Cidade


9:15 h - Abertura
Prefeito Newton Lima
Maurício Corso - Presidente da Fundação Cultural de Ilhéus
Agenor Gasparetto - Editora Via Litterarum
Baísa Nora – Editus/UESC

Manhã
9h30 - Palestra I

Tema: Narrar Histórias: Ação mediadora nas práticas leitoras
Palestrante: Glória de Fátima Lima dos Santos (UESC) – Mestre em Estudos Linguisticos pela UFMG


10:00h - Palestra II
Tema
: Lobato e o leitor
Palestrante: Neila Brasil Bruno - Mestranda em Letras: Linguagens e Representações pela UESC

10h40 - Peça Teatral: As Aventuras de João e Maria,
baseada na obra infanto-juvenil de Pawlo Cidade.



11:20 – Lançamento da coleção de livros infanto-juvenis de Pawlo Cidade, cujos títulos são: Mistério na Lama Negra, A Batalha dos Nadadores, O Caminho de Volta e As Aventuras de João e Maria, editados pela Via Litterarum.





Tarde
14:00h - Palestra III



Tema: Jorge Amado e a ideia de grapiunidade
Palestrante: André Rosa (UESC) - Doutor em História pela UFBA



15:00h – Café Literário: A nova poesia baiana, com a participação de Piligra, George Pellegrini, Heitor Brasileiro, Fabrício Brandão, Mither Amorim, Geraldo Lavigne.
Mediador: Gustavo Felicíssimo



16:00h – Apresentação dramatizada de trechos do poema Iararana, de Sosígenes Costa, pelo ator José Delmo



16:30h - Palestra IV
Tema
: O romance baiano no século XX
Palestrante: Jorge de Souza Araújo (UEFS) - Doutor em Letras Vernáculas (Literatura Brasileira) pela UFRJ



17:30h – Palestra V
Tema
: A poesia baiana em três autores grapiúnas
Palestrante: Ildásio Tavares – Phd pela Universidade de Lisboa



18:30h – Homenagem a Ildásio Tavares
Apresentação dramatizada de poemas de Ildásio Tavares, pelo Grupo Teatro Total.



19:30h - Entrega do Prêmio Bahia de Todas as Letras e lançamento da 5ª edição do concurso que abrirá inscrições nos gêneros poesia e conto (categorias permanentes) e história em quadrinhos e charge.



20:30h - Lançamento dos livros:
Pawlo Cidade
Mistério na Lama Negra
O Caminho de Volta
A Batalha dos Nadadores
As Aventuras de João e Maria



Jorge de Souza Araújo
Machado Crítico - A Ossatura Dialética em Análise e Síntese
Floração de Imaginários – O Romance Baiano no Século XX
Graciliano Ramos e o Desgosto de Ser Criatura
Jorge de Lima - A Palavra em Pânico, A Poesia em Crise, O Espelho Náufrago





Silvério Duque
A Pele de Esaú





Daniel Thame
Vassoura





Gustavo Felicíssimo
Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna
Silêncios
(Haikai)



Lançamento de títulos novos da Editus (serão informados oportunamente)





sexta-feira, 21 de maio de 2010

ATÉ BREVE, AMIGO... ATÉ BREVE...


O poeta Damário Dacruz, (1954 -2010)


Morreu, hoje, de madrugada, o poeta Damário Dacruz...


Damário, além de grande poeta, era meu amigo e uma das pessoas mais amáveis que já conheci. Em meu último livro, A pele de Esaú, dediquei-lhe um soneto, que transcrevo, aqui, como última homenagem a alguém que foi, como pessoa e poeta, uma de minhas mais felizes influências.


Até breve, Amigo,... até breve...



UMA CIRANDA PARA DAMÁRIO DACRUZ

É preciso criar para sentir;
nada somos se nada construímos,
pois se nada inventamos, nada existe...
Somos a nossa ação por sobre o tempo.

No dia em que tecemos tudo vive,
realizar é escapar da morte... mas,
não durarei apenas entre os outros,
pois dou aos versos usos e clarezas.

De tanta falta e busca me revejo,
de tanto amor e anseio, me reinvento,
nessas rotas e fugas me refaço.

Necessário é criar e a vida é pouca,
no dia em que eu me faço estou e existo.
Neste poema há todos os meus passos.



quarta-feira, 19 de maio de 2010

LANÇAMENTO DE "A PELE DE ESAÚ" EM SALVADOR...


O poeta Silvério Duque... numa nova noite de autógrafos


O poeta Silvério Duque e o Sr. Cônsul-Geral de Portugal, Dr. João Paulo Marques Sabido Costa, no lançamento de seu livro A pele de Esaú.


Silvério Duque e o artista plástico Sant Scaldaferri no lançamernto de A pele de Esaú


O público que prestigiou o lançemento de A péle de Esaú


Música entre livros com Paulo Akenaton e Gabriel Ferreira

A eterna parceria: Lucifrance Castro, Silvério Duque, Gabriel Ferreira e Patrice de Moraes


Os poetas Ryzard Dygas, Bernardo Linhares, Lucifranec Castro, Ildásio Tavares e a bailarina Ana carolina Miranda, no lançamento de A pele de Esaú


No último dia 14 de maio, tive o prazer e a honra de lançar o meu mais novo livro, A pele de Esaú, em Salvador, na Livraria Praia dos Livros que fica à Av. Sete de Setembro, nº 3554, loja 2 (sobreloja), largo da Barra (ao lado do Instituto Mauá), às 20h, em Salvador-BA.

O evento contou com as belíssimas declamações de Lucifrance Castro e Patrice de Moraes, com a voz e o violão de Paulo Akenaton e com uma pequena exposição temática do artista plástico Gabriel Ferreira, inspirada nos poemas de meu livro. Além disso, a presença de mestres e amigos proporcionou-me mais entre os melhores e mais emocionantes momentos de minha vida. O amigo, poeta e jornalista, Ildásio Tavares, que prefacia meu livro e uma das presenças marcantes do lançamento, publicou, no último dia 08 de maio, no Jornal Tribuna da Bahia, a seguinte crônica sobre mim e A pele de Esaú:




A ESCRITURA DE SILVÉRIO
por Ildásio Tavares




Um dos momentos cruciais da formação do povo de Israel é quando Jacó assume a pole position, num golpe de mestre que começa com Esaú vendendo-lhe a primogenitura por um prato de lentilhas. Este factóide diz – de pronto – alguma coisa do temperamento e personalidade de ambos. Do imediatismo e gula de Esaú, da sagacidade de Jacó. Mais tarde, esta cessão da primogenitura tem que ser ratificada pelo pai de ambos, Isaac, que teria de dar sua benção. Aí, Jacó se vale de outro estratagema. Como Isaac estivesse meio cego, Jacó seria apalpado. Esaú era muito peludo e então, Jacó se veste com a pele de um animal e assim consegue se fazer passar pelo irmão que lhe tinha concedido seus direitos.

Ao nomear este belo livro de sonetos finamente escandidos de A Pele de Esaú, quero crer que Silvério Duque tivesse se inspirado neste episódio, ainda mais que coloca a epígrafe da passagem em que o Senhor adverte Esaú que começava a querer-se rebelar, mas que finda por se afastar e criar seu próprio povo longe das doze tribos de Jacó que viriam a formar o reino de Israel. Esaú tinha sido tolo, contudo, era forte e também contava com as bênçãos de Deus. Vinha de uma linhagem cuidadosamente selecionada de Abraão e Sara, para Rebeca e Isaac e que desaguaria nos 12 filhos que Jacó teria com Zilpah, Bilhah, Lia e Raquel, formando o povo eleito, o povo de Israel, até hoje vivo.


Neste meridiano da perda e da rejeição, na figura de um Esaú destituído de seu destino, Silvério elabora uma intricada associação de sentimento e pensamento, buscando a verticalidade de personagens que se multiplicam porque se querem fundir em um só. Afinal, o drama de degredo e aparte que sofre Esaú é de todo ser humano, anjo caído, que um dia se apartou da presença de Deus. E toda odisséia que Esaú tem que executar na busca de si mesmo pode-se configurar em seus aspectos trágicos e cada poema deste livro, pois, discorre sobre um jaez da personalidade humana com este suporte analógico, na verdade.

Mais do que o simples discorrer lírico, em que o poeta se exprime de dentro pra fora, este livro encarna um processo dialógico e dialético em que o poeta entra e sai no personagem e extrai daí o seu significado, num trâmite de intersubjetividade. Esta atitude reforça os aspectos dramáticos do poema e, ao dar voz aos personagens, torna o contexto mais efetivo. Destarte se estabelece um fio condutor que vem conferir unidade ao texto. Aliás, o livro todo é muito bem organizado, com um exato rigor de expressão e de ordenação, todo ele muito coeso, em suas partes, em suas divisões, o que consiste, em verdade, uma cortesia para com o leitor.

Do ponto de vista formal, o livro é impecável. Depois dos primeiros originais, eu recebi mais duas emendas do autor, provando que há um critério e disciplina no sentido do apuro textual, algo que considero fundamental.

Tenho visto inúmeros textos de aspirantes a poetas que não se dão conta que a poesia é a mais perfeita das artes. Apresentam-me, na verdade, um rascunho. Mesmo alguns poetas ditos consagrados mostram-me textos sintaticamente imperfeitos e inçados de cacofonias – poesia é a redação mais elevada. Silvério sabe disto e passa a limpo várias vezes seu texto. Respeita e venera a redação de sua poesia. Por isso pode pôr conflitos no papel com efetividade... Por isso é poeta.



Tribuna da Bahia, 08 de maio de 2010.


Àqueles que compareceram a este evento, só posso dizer-lhes, simplesmente, OBRIGADO!!!

OS ENCONTROS LITERÁRIOS NA ALB CONTINUAM COM ALEILTON FONSECA & ÁLLEX LEILLA




Bate-papos com escritores, com leitura e discussão de textos previamente selecionados, objetivando a aproximação do público leitor com autores baianos, no oferecimento de uma visão panorâmica de nossa literatura atual, é a proposta do Encontros Literários da ALB que, nesta próxima edição, conta com a participação de Aleilton Fonseca e Állex Leylla. Comentários de Mirella Márcia e Rosei Soares.
Data: 21 de maio, sexta-feira, às 17h
Local: Academia de Letras da Bahia - Av. Joana Angélica, 198. Nazaré - Salvador / BA
Mais informações pelo telefone (71) 3321-4308.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

GABRIEL FERREIRA: ARTISTA...


O artista plástico, músico e professor Gabriel Ferreira
Gabriel Ferreira é um artista excepcional! Porém, dizer isto a respeito de qualquer outro é muito fácil, numa época em que temos artistas aos quilos, e por metro quadrado, perambulando por nossas ruas e galerias, enchendo-nos os olhos com suas abundantes colorações performáticas e, de igual proporção, vazias e efêmeras. No caso de Gabriel, a coisa muda de figura.

Este tanquienhense é um artista ligado às tradições, pois, um artista, precisa de algo para se apoiar, e isto está muito claro desde Da Vinci a Portinari, por que com ele haveria de ser diferente? O folclore, a vida pacata do interior, a cultura popular de um modo geral estão para a obra de Gabriel da mesma forma que as cores e as impressões luminosas estão para a obra de um Monet ou um Sisley. Mas cores também não são seu fraco, pois Gabriel equilibra cores e contorno com a simplicidade primordial do desenho, aliado ao acabamento técnico e expressivo das tintas sobre as telas, que conseguem juntar o abstracionismo e figurativo em uma tênue barreira aliada aos malabarismo imagéticos do artista.

Suas telas também não se limitam em serem uma acabada fotografia de um momento contemplativo, antes, o movimento com que se deixam olhar e irradiam de si, nos esclarece ainda mais a idéia de que um quadro ainda precisa nos dizer, contar-nos algo, ou melhor, nos instigar a procurar os segredos que em nós habitam o quadro. Por estas e muito mais coisas que o espaço e os limites desta conversa não me deixam detalhar, Gabriel é um grande artista, porque um grande artista deve estar sempre vivo e atento ao mundo que o cerca e deve capturá-lo e o dissecar da maneira mais minuciosa o possível, para que a posteridade saiba que ali se encontrava um transformador de mundos e não um falsário, por isso mesmo o poeta Ildásio Tavares, disse que sua arte é uma arte “honesta, sem truques nem conceitos em que as imagens são tratadas com esmero artesanal para um final de perfeita solução plástica expressa por uma mão segura de um hábil colorista; não se esconde atrás dos modismos tão encontradiços no momento presente; parte para uma definida vocação de pintar e realiza seu desiderato plasticamente, através de sua habilidade no manejo de pinceladas às vezes vigorosas, mas nunca frouxas, nunca guiadas pelo acaso”.

E como se não bastasse tanta demonstração de talento e reconhecimento pelo mesmo, Gabriel dedicou uma pequena exposição a meu trabalho de poeta, no dia do lançamento de meu novo livro, A pele de Esaú, que eu reproduzo aqui, na íntegra para todos os que lêem este Blogger, como prova da profunda admiração e do grande agradecimento que tenho por este notável artista e grande amigo: http://artistagabrielferreira.blogspot.com


"Bendito seja todo esquecimento;
bendita, também, seja toda sede
e tudo mais que nos desperte a carne
ou que nos torne estranhos ante o espelho."




"Grande conforto esta visão da noite,
esta noite existente em cada ouvido,
qual o mar encarcerado em cada concha...
Há, em cada sonho, um anjo adormecido..."






"E o que eu adoro em ti é a tua carne,
porque tudo o que é vivo se deseja;
assim, desejo em ti o meu tormento
que há-de crescer na proporção do tempo."





"Contemplo em tuas chagas a beleza
e a memória de tudo o quanto é vivo.
A dor, inda presente, sente a carne;
o amor nos oferece um gesto antigo."



"Nua, és como os frutos contra o vento,
o contrair impuro de teus músculos,
como a transpiração das tuas flores,
vela chorando só em meio as preces..."



"...a noite derramando-se em ternura
e sono, o amanhecer que partilhamos...
Tudo passa, até mesmo a tua ausência
e a saudade que trago de quem somos."



"No dia em que fazemos tudo vive,
realizar é escapar da morte... mas,
não durarei apenas entre os outros,
pois dou aos versos usos e clarezas."






"Pesa-me sobre os ombros meu silêncio,
penso no fogo – renascer de tudo –,
na carne que perdi entre os escombros
do desejo, dos sonhos, dos sentidos..."

terça-feira, 11 de maio de 2010

GRANDE FESTA DE LANÇAMENTO DO CD “CANTOS FEIRENSES”




Quem ama Feira vem cantar com:

SANDRO PENELÚ
ASA FILHO
CELIAH ZAIIN
CEZINHA DOS OLHOS D'ÁGUA
& FRANCKLIM MAXADO



Pela primeira vez, cinco artistas da terra se reúnem para lançamento de um cd totalmente feirense. Com 12 músicas que falam de nossa cidade, Feira de Santana, este CD será doado, juntamente com os direitos autorais de seus interpretes, para as bibliotecas, escolas públicas e emissoras de rádio. O projeto de cunho cultural e educacional é mais uma realização do Núcleo de Cultura Popular do Centro Universitário de Cultura e Arte de Feira de Santana (CUCA), sempre sobre a competente coordenação de minha querida amiga Suzani Caribé e da produção de Celiah Zaiin, além do apoio do Pró-Cultura e da Prefeitura Municipal de Feira de Santana.



Neste show, todos poderão conferir a voz e o violão de Sandro Penelú, um de nossos artistas mais talentosos e ativos; a arte ímpar da viola de Asa Filho, nosso menestrel da cultura popular, fundador do Reisado de São Vicente e do Cidade da Cultura; Celiah Zaiin, grande cantora e fundadora do Show folclórico Portal do Sertão, a Opereta popular feirense e do Trio da Cidade; Cezinha dos Olhos d’Água, primeiro vencedor do maior festival de música da cidade, o Vozes da Terra, dono de composições que traduzem melodicamente toda nossa história e Franklim Maxado que além de cordelista, poeta e escritor de longos anos, agora compõe músicas, aboios também vencedores do Vozes da Terra com muita criatividade de arranjo e letra.

DIA 19 DE MAIO (QUARTA-FEIRA), ÀS 20H, NO CUCA
A ENTRADA É FRANCA

VOCÊS SÃO NOSSOS CONVIDADOS,POR ISSO NÃO FALTEM
!

sábado, 8 de maio de 2010

LANÇAMENTO DE "A PELE DE ESAÚ", EM FEIRA DE SANTANA...


O poeta Silvério Duque... autografando seu mais novo livro A pele de Esaú


A coordenadora do núcleo de Cultura Popular do CUCA, Suzani Caribé, o poeta Silvério Duque, a poetisa e declamadora Lucifrance Castro, A pele de Esaú e o poeta e professor Raymundo Luis Lopes


Silvério Duque (clarinete), Gabriel Ferreira (percussão) e Paulo Akenaton (voz e violão)... o Grupo Arranjos


O público que, atentamente, prestigiou toda a festa


O público... confraternizando-se


Os poetas patrice de Moraes e Lucifrance Castro... declamando poemas de A pele de Esaú


O poeta e professor emerito da UEFS, José Jerônimo de Moraes, o poeta e jornalista Ildásio Tavares, o poeta Silvério Duque, o professor e poeta Raymundo Luis Lopes


A coordenadora do núcleo de Cultura Popular do CUCA, Suzani Caribé, o poeta Patrice de Moraes, a poetisa e declamadora Lucifrance Castro, Silvério Duque (com o pequeno João Pedro), o artista plástico Gabriel Ferreira, o poeta e jornalista Ildásio Tavares e o professor emerito da UEFS e poeta José Jerônimo de Moraes, responsáveis diretos pelo lançamento de A pele de Esaú.


Núltimo dia 06 de maio, tive o prazer e a honra de lançar o meu mais novo livro, A pele de Esaú, aqui, em minha terra natal, Feira de Santana, com o apoio da Ed. Via Litterarum, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), a través do Núcleo de Cultura Popular do Centro Universitário de Cultura e Artes (CUCA) e do Colégio Intelecto de Feira de Santana.

A festa, que teve a coordenação de minha grande amiga Suzani Leite Caribe, contou com as belíssimas declamações de Lucifrance Castro e Patrice de Moraes, com a voz e o violão de Paulo Akenaton e com uma pequena exposição temática do artista plástico Gabriel Ferreira, inspirada nos poemas de meu livro. Além disso, a presença de mestres, amigos e alunos terminou por me proporcionar um dos melhores e mais emocionantes momentos de minha vida, que, aliás, foram bem sintetizados pela crônica do amigo e jornalista Emmanoel Freitas, que é também o autor da foto acima, em seu site Viva Feira (http://www.vivafeira.com.br/):


'Como era de se esperar, Silvério Duque, proporcionou aos amigos, colegas e admiradores uma noite extremamente agradável no lançamento do seu mais recente trabalho, o livro A Pele de Esaú, na qual o autor, acompanhado de seus amigos Gabriel Ferreira e Paulo Akenatom, receberam os convidados com música da melhor qualidade. Duque se não se comportou como um anfitrião convencional, sentado a uma mesa conferindo autógrafos, tocou seu clarinete com os seus amigos proporcionando uma recepção muito agradável a todos que compareceram ao evento, fez um agradecimento emocionado àqueles que lhe são caros e próximos, culminando em tomar no colo seu sobrinho recém-nascido e pousar para fotos com ele. O livro, presenteado por Silvério Duque a população amante da boa literatura, na noite do dia 06 de abril, é uma obra inestimável aos amantes da poesia, que deve ser lido e procurado nas livrarias'.

Àqueles que compareceram a este evento, só posso dizer-lhes, simplesmente, OBRIGADO!!!"


sexta-feira, 7 de maio de 2010

GABRIEL FERREIRA E MARLUCE GOMES EXPÕEM NESTA PRÓXIMA QUINTA-FEIRA NO MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA (MAC) DE FEIRA DE SANTANA...


“Corpo, Movimento e Ludicidade”: com esse mote Gabriel Ferreira, artista plástico, estréia o ano de 2010 com a mostra “Brinquedo dos Angolas – Capoeiragem” trazendo mais uma vez em suas telas e ilustrações a dinâmica da capoeira angola com vários aspectos gestuais e da vadiagem desses agentes sociais. A referida temática vem sendo trabalhada há 10 anos pelo artista, por meio do seu encantamento e proximidade com aquela atividade cultural.


Em parceria com o Malungo Centro de Capoeira Angola tece o discurso imagético a partir dos textos produzidos pelo mestre de capoeira, historiador e professor Josivaldo Pires de Oliveira (Bel Pires), com o qual mantém atividade de publicação de ilustrações em livros e revistas especializadas, além de participar de mostras em outros estados do país e no exterior. Para a abertura da mostra no MAC, o Mestre Bel Pires fará uma pequena palestra sobre o trabalho desenvolvido e temas correlatos.



***


Um olhar sobre a evolução sexual feminina na arte contemporânea.


O corpo sugerido em diversas telas colocando ênfase alusivos à corporeidade e à sensualidade criando uma reflexão sobre uma suposta liberdade.


Marluce Moura, possibilitou a compreensão da corporeidade na sua arte e das varias formas de vivenciar o corpo feminino neste cenário: o corpo ritualizado, o corpo mecanizado e o corpo sexuado; A mostra propõem uma reflexão sobre a feminilidade --analisando, com várias abordagens dois pontos q representam uma mudança de comportamento - o Ponto cruz - A agulha é usada para reparar o estragado. Um grito contra o vazio. É importante despertar a atenção para o pensar e o fazer, bem como para o que acontece no ponto "g" - eliminar os limites. Portanto, fazendo uma leitura da energia que oscila entre estes dois pólos,(cruz ao g) determinando o nosso pensamento para evolução, para a energia oculta em toda a parte. O seu trabalho é como uma excursão sobre o tópico do feminino X contemporâneo - uma discussão que analisa determinados mitos e realidades sobre a mulher e chega à conclusão de que estes são muito mais complexos do que muitos pensavam.


Através dessas diferentes perspectivas de encarar o corpo e os seus “movimentos”, o Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira promove num mesmo espaço físico duas mostras de artes visuais, de dois novos artistas, com o intuito de entrelaçar linguagens que convergem a um mesmo fim: o corpo e sua interação com a cultura.


A Vernissage está marcada para o dia 13 de maio de 2010 às 20h, Rua Germiniano Costa, s/n, Centro, Feira de Santana-Bahia, com permanência programada para 13 de junho do mesmo ano.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

SCORN NOT THE SONNET ou VALEU PELO CONSELHO, MR. WORDSWORTH!


Venda de escravos em Roma de Jean-Léon Gérôme


Nu sentado de Giovanni Boldini


aos amigos e poetas, Antônio Brasileiro, Bernardo Linhares e Patrice de Moraes.

Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavrae seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE






A forma, caro leitor, sempre pareceu, aos olhos ineptos, como um grande problema para quem nutria alguma pretensão poética; durante a pantomima estilística promovida pelo modernismo paulista de 1922, a forma figurará com um problema a ser resolvido, ou melhor, um cancro a ser extirpado, e não uma condição natural do fazer poético.

Ambas as concepções são impressões simplórias e vulgares de quem só gosta de acreditar em besteira; neste caso, na idéia de que a forma é uma mera disposição de versos e rimas, ao bem da escolha de cada poeta, principalmente, àqueles que demonstram a mais completa inabilidade para com ela. Digo isso por pura experiência, pois, de todos os poetas que convivo e convivi – dos que conheço pessoalmente ou dos que só sei de ouvir falar e ler –, somente os que não dominam a forma reclamam dela; análogos a muitos artistas plásticos de lorota, que escondem sua escassez de talento através de um dito viés abstracionista. Há muitos que se dizem poetas, desprezando o soneto e as demais formas fixas, com a velha desculpa de que a forma é uma “aprisionadora” da inspiração e, conseqüentemente, do poema... entre outros despautérios. A estes, vale o conselho de um velho romântico inglês, que, aliás, intitula este artigo.

A forma, no entanto, nada mais é do que a elaboração interior do poema e é a idéia nele contida que a comporá, não o contrário. Um decassílabo, por exemplo, deve nascer decassílabo, quaisquer emendas de rimas ou sílabas métricas resultariam numa deformidade a comprometer, mais do que a qualquer outra coisa, o conteúdo da poesia. Forma é assimilação de idéia; compor diretamente nela é o melhor exemplo que alguém possa ter da incorporação desta idéia ao seu resultado final, enquanto arte. Todavia, é sempre bom lembrar que, quando digo que não pode haver emendas, ou apoios à composição de um poema, não me refiro aqui à depuração, que é um ato indispensável à criação poética, e que nada mais é do que o exercício e, conseqüentemente, a adequação de melhores recursos a uma forma já existente, pois ninguém sai de um soneto alexandrino para uma retranca, ou de um octossílabo pronto para um possível decassílabo sáfico; apenas se lapida, se retoca, fazendo com que um verso defeituoso, ou inexpressivo, como bem considerou Manuel Bandeira, em seu Itinerário de Passargada, carregue-se de poesia “pelo efeito encantatório de uma ou de algumas palavras”, exprimindo, no entanto, a mesma idéia e o mesmo sentimento que as substituídas, mas “lhes dando superioridade” naquilo que é a matéria mesma da poesia: a palavra. O exemplo de Bandeira foi com Castro Alves, em um dístico de seu célebre Mocidade e Morte:


Mas uma voz repete-me sombria:
terás abrigo sobre a lágea fria.

mudado, então, para

Mas uma voz responde-me sombria:
terás teu sono sobre a lágea fria.

Evidentemente, muito melhor; segundo o próprio Manuel Bandeira, pelo desaparecimento do eco de “fria” do i de “abrigo”, e, ainda segundo o autor de Itinerário de Passargada, porque “sono” evoca muito mais a idéia de “morte”. Melhor nem mais didático exemplo para diferenciar emenda de depuração existe ou não o encontrei.

A forma não trabalha em causa própria, ela realiza a idéia presente no poema, apropriando-a à rima, à métrica e ao ritmo, como afirmara, certa vez, T.S. Eliot. Pensar que um soneto são simplórios catorze versos, distribuídos entre estrofes e um sistema de ritmos e rimas é puro e irresponsável desmerecimento. Antes, caro leitor, devemos olhar para um soneto muito mais por seu caráter dissertativo, racional e objetivo; caráter, aliás, presente em toda as artes, ao menos, é claro, que alguém acredite que a arte não é uma concepção exclusiva da humanidade. Desta maneira, fica fácil perceber o quanto que a forma é muito mais a realização de um conteúdo apropriado à rima ou ao ritmo do que o contrário; percebe-se, assim, que, para Camões, por exemplo, a forma, mais do que uma imposição estilística de sua época, é a única maneira pela qual sua poesia poderia se realizar, ao contrário da dos Românticos que, tomados de um sentimentalismo desenfreado e, muitas vezes urgente, pouco se utilizaram do soneto, porque seus emotivos frenéticos e alucinados não poderiam resultar em algo que advém, justamente, do racional e do amadurecimento paciente. Isso, porém, não impede que ninguém faça um soneto; já a qualidade deste soneto...

É bom lembrar, também, que a forma não estabelece o conteúdo de um poema, muito pelo contrário; a forma é o resultado mais imediato deste conteúdo e nada denuncia mais o vazio, ou a hipocrisia, de um poeta – intelectualmente falando – do que seu metro, do que sua forma. A sinceridade do teor de um poema mede-se, muito mais, pela sua disposição formal do que pela análise crítica de qualquer um que seja. Mesmo desprovido de rimas, ou não se dispondo no famoso formato de dois quartetos e de dois tercetos, obedecendo a uma elaboraçã obedecendo-se a uma elaboraçto de dois quartetos e de dois tercetoste, pouco se utilizaram do soneto, porque seus emotivos poo interior. Desta maneira, Jessé de Almeida Primo, em seu livro A natureza da Poesia, afirma que “um soneto será sempre um soneto ainda que os versos estejam distribuídos na forma prosaica ou dispostos numa forma fixa completamente alheia, uma vez haver tratamento específico da métrica além de uma distribuição de rimas as quais determinam o modo como os versos devem se agrupar”, não sendo à toa, segundo o próprio Jessé, que ouvidos treinados identificam a forma fixa pela própria elocução. Mesmos os versos ditos “livres” compensam sua falta de regularidade métrica e estrófica por meio de uma progressiva simetria rítmica, pois nenhum verso é livre para quem realiza um bom trabalho, segundo, novamente, o velho T.S. Eliot. Em suma, verso livre, ou metrificado são, em natureza e maneira de composição, a mesma coisa.

Para que as coisas que eu digo não soem a ninguém como uma alegoria simplória – o que não seria de todo ruim, pois o que é uma alegoria senão “a substituição do abstrato pelo aparentemente concreto”, como bem definiu Coleridge? –, vou buscar um exemplo tão sólido quanto perigoso: Dante Alighieri.

A relação poesia-prosa nunca foi um problema para Dante, ele soube, como nenhum outro poeta, quais as diferenças entre um problema de estrutura e um problema de natureza. Assim sendo, Dante nunca foi temeroso ao locupletar sua poesia com conteúdos de natureza filosófica, como ornar, com elementos puramente poéticos, uma prosa qualquer, e, por isso mesmo, nada foi a mais do que um poeta – mas, durante séculos, um poeta como nenhum outro. Da mesma maneira, a forma, para Dante Alighieri, sempre refletiu o serviço, por assim dizer, que uma obra de compromisso, ao mesmo tempo, poético e didático, como a Divina Comédia, procurou prestar em prol da poesia. O melhor exemplo disto tudo, segundo César Leal, em Os cavaleiros de Júpiter, é a importância que o número exerce em sua obra, até porque, toda Divina Comédia é concebida numa estrutura numerológica, criando uma organização destinada, puramente, a sustentar a enorme cadeia de símbolos de seu tão famoso poema, como se pode ver em:

E quando l'arco de l'ardente affetto
fu sì sfogato, che 'l parlar discese
inver' lo segno del nostro intelletto,
la prima cosa che per me s'intese,
“Benedetto sia tu”, fu, “trino e uno,
che nel mio seme se' tanto cortese!”.

E seguì: “Grato e lontano digiuno,
tratto leggendo del magno volume
du' non si muta mai bianco né bruno,

solvuto hai, figlio, dentro a questo lume
in ch'io ti parlo, mercè di colei
ch'a l'alto volo ti vestì le piume.

Tu credi che a me tuo pensier mei
da quel ch'è primo, così come raia
da l'un, se si conosce, il cinque e 'l sei;
e però ch'io mi sia e perch' io paia
più gaudïoso a te, non mi domandi,
che alcun altro in questa turba gaia”.
(...)



Para César Leal, o número 9, por exemplo, quase sempre significa um “milagre”, por ser múltiplo de 3, a Trindade, que, em Dante, sempre será, o número 3, uma imagem cinética. O número 9 é a Sabedoria Moral e Metafísica, representada por Virgílio, que é o resultado da soma de 6+3, referente aos 63 cantos em que Virgílio acompanha Dante no Inferno; depois, restam 37 cantos, relativos à intervenção de Beatriz; 3+7 é 10, símbolo da Suprema Sabedoria. Cada cântico se divide em 33 cantos, tempo em que Cristo, como homem, viveu entre nós, que, somados entre si, chega-se a 99 que, associado ao Introdutório é igual a 100, chegando-se a máxima Perfeição. O resultado formal mais imediato de tudo isso, caro leitor, é a terza-rima, correspondendo diretamente ao conteúdo da Divina Comédia.

Outro exemplo, digamos, menos “clássico”, mais de sólida representação para o que afirmo sobre a forma, enquanto realização da obediência ao conteúdo poético, caro leitor, encontra-se em Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto.

Num poema ambientado e, de certo modo, empenhado em discorrer sobre o Sertão Nordestino, mais necessariamente a respeito da seca que, ciclicamente, assola toda aquela região, mas, também, sobre o desprezo das autoridades em relação a este fenômeno climático, criando, por sua vez, um verdadeiro cataclismo econômico, produto da exploração de um e da extrema ignorância de outros, além de falar sobre um retirante esperançoso, resultado direto do descaso, ignorância e desespero, e de sua caminhada pelo sertão pernambucano, tão calcinado, numa espécie de epopéia às avessas, carregada de um fortíssimo apelo político-social, onde a Viagem, maior e mais antigo tema da história humana, ganha um aspecto profundamente trágico, encarnando um herói picaresco atípico, à maneira de um anti-Odisseu sertanejo diante da caatinga – revés do mar – e do desinteresse político – revés dos deuses –, a se aliar aos vários aspectos religiosos e folclóricos, que se amalgamam sobre certo aspecto medievo, formando um típico e grandioso poema brasileiro, que não poderia ter outro resultado formal senão uma narrativa de ritmo gilvicenteano, diretamente associada ao cordel, com a diferença de que seu narrador deixa de ser um mero contador de estórias para protagonizar, na carne e no espírito, todo o sofrimento em que consiste esta caminhada, onde o uso da medida velha espelha todos esses aspectos e incide, diretamente, sem seu teor dramático. Leiamos:

Desde que estou retirando
só a morte vejo ativa,
só a morte deparei
e às vezes até festiva
só a morte tem encontrado
quem pensava encontrar vida,
e o pouco que não foi morte
foi de Vida Severina
(aquela vida que é menos
vivida que defendida,
e é ainda mais Severina
para o homem que retira).
Penso agora: mas por que
parar aqui eu não podia
e como Capibaribe
interromper minha linha?
ao menos até que as águas
de uma próxima invernia
me levem direto ao mar
ao refazer sua rotina?
Na verdade, por uns tempos,
parar aqui eu bem podia
e retomar a viagem
quando vencesse a fadiga.
Ou será que aqui cortando
agora minha descida
já não poderei seguir
nunca mais em minha vida?
(será que a água destes poços
é toda aqui consumida
pelas roças, pelos bichos,
pelo sol com suas línguas?
será que quando chegar
o rio da nova invernia
um resto de água no antigo
sobrará nos poços ainda?)
Mas isso depois verei:
tempo há para que decida
primeiro é preciso achar
um trabalho de que viva.
(...)


Examinando atentamente os dois exemplos anteriores, torna-se impossível desconsiderar a forma como a obediente adequação de um ritmo apreendido e a um conteúdo, de igual maneira, internalizado. Esta, outrossim, vale para qualquer gênero, caro leitor, pois o que é um conto, ou mesmo um romance, a não ser uma forma resultante de um conteúdo racionalizado, que, por sua vez, alia-se a um conteúdo adequado? Uma novela é para a prosa algo tão formal quanto um soneto para a poesia, até porque, ambas, são dotadas da mesma natureza. Para Jessé de Almeida Primo, em A natureza da Poesia, a diferença reside apenas na disposição rítmica e prosódica de cada uma delas. Já Olavo de Carvalho, também lembrado por Jessé, estabelece essa diferença tanto pela elocução quanto pela quantidade, em seu livro Gêneros literários e seus fundamentos metafísicos. Para Olavo, a diferença entre poesia e prosa reside na continuidade de uma – a poesia – e na descontinuidade da outra – a prosa. Se o texto traz algo de seccionamento, seja este rítmico ou métrico, eis o verso, eis a poesia; se contrário, se vai e não volta, se nele existe algo que não se reitera, que não retorna, temos, então, segundo Olavo de Carvalho, a prosa. Não há diferença de significação entre prosa e verso o que há, e o filósofo deixa isso bem claro, é uma diferença no modo de elocução. Para isso mesmo, ambas, poesia e prosa, podem viver separadas, uma com seus sonetos, a outra com seus contos, sem perder sua natureza, muito menos sua função; qualquer um que se tenha debruçado sobre uma Ode de Álvaro de Campos, ou no Romance d’ A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, sabe muito bem do que estou falando.

Essas coisas são tão óbvias, caro leitor, e, de certo modo, tão simplórias, que é difícil de acreditar que alguém as ignore com tanta veemência, mas não faltam exemplos de que tamanha asneira prolifera-se, por aí, como baratas no esgoto, principalmente quando este esgoto são nossas Universidades, impregnadas de ideologias infecciosas e incompetências crônicas. Não faltam exemplos de idiotas que não acreditam na forma como a patente e espontânea conseqüência da idéia de um poema que – olha o Jessé de Almeida Primo, aí, de novo – carrega em si o caráter mimético que, de tal sorte, a forma vem a existir para calcular, bem como para dizer algo do texto, que o texto não diz, por mais que isto, antagonicamente, só seja possível, através do texto, por meio da “prosódia e do ritmo” que, para o autor de A natureza da Poesia, são sempre encenação de alguma coisa.

Acreditar que um soneto são simples catorze versos e não o resultado natural da concepção poética é, paradoxalmente, quase que dar crédito ao piano, pela bela interpretação de um concerto, do que ao pianista que, virtuosamente o dedilha, visto que, ao desprezar o resultado acabado, ele teria mais credibilidade em sua forma do que em sua essência. Vejamos então, leitor amigo, outro exemplo simples, também utilizado pelo Jessé Primo:


Na cinza desta tarde me comovo,
levado por lembranças tão pequenas
que me volta o desejo de partida
quando já estou bem próximo à chegada
e me sobram razões de ter ficado
sem sonhar o momento de partir
nem cultivar tenções de continuar.
Procedo como um louco que se perde
nas voltas renovadas do caminho
e sem saber repisa a mesma trilha.
Repasso o longo espaço percorrido
e me faço perguntas sem resposta.
Onde terei deixado o que perdi
ou que terei deixado ao me perder.

Os catorze versos estão aí, embora se sinta a falta dos já citados dois quartetos e dois tercetos ou, neste caso mais específico, os três quartetos e um dístico, pois se trata de um soneto inglês. Por que...? Para Jessé de Almeida Primo, há, neste belíssimo poema de Reynaldo Valinho Alvarez, um ritmo muito específico que predomina nos dose versos, levando-se em questão uma leve variação, que, por sua vez, confirmam e credibilizam o ritmo original, como na retomada de fôlego a partir do oitavo verso, no qual, ainda segundo Jessé, “tudo começa outra vez”, até a mudança mais acentuada exercida pela “uniformidade prosádica dos dois versos finais”; Jessé Primo, então, conclui que, “se a rima é igualdade de som”, como também afirmara o grande Manuel Bandeira, “neste soneto mostra ser também uma igualdade no ritmo, ou seja, a forma fixa é, antes de tudo, definida pela melopéia, de modo que, o agrupamento de versos e as rimas terminam por ser um detalhe”. Nota-se, neste soneto de Reynaldo Valinho Alvarez, uma literal poetização daquilo que Olavo de Carvalho afirma a respeito do caráter de descontinuidade do gênero poético; tanto pelo ritmo, quanto pelo tema (neste caso, novamente, a Viagem), que o verso é verso quando nele opera “algum princípio de descontinuidade”; para Olavo de Carvalho, isso pode ocorrer “pelo modo rítmico e métrico”, ou por algum tipo de “reiteração sonora”. Mas, no soneto de Valinho Alvarez, além dos princípios citados, no que concerne à sua forma, ainda se é possível considerar o próprio tema do soneto, acabando por dar ação a estes princípios, ao abordar o tema da viagem ou, à maneira lingüística hedionda dos construtivistas, da dicotomia: caminho/retorno e mesmo ganho/perda. A intenção desperta um “ritmo internalizado pelo exercício”, diz Jessé de Almeida Primo, e, desta maneira, a forma obedece e se adequa. O resultado disso, como vemos, é um soneto, e não catorze versos.


E por falar em soneto...

Se se perguntar a quaisquer alunos de nossas melhores escolas, ou, até mesmo, aos neófitos do Materialismo Histórico, os quais compõem a grande maioria de nossos universitários, não só nos cursos de Letras, mas, nas Universidades brasileiras, como um todo, sobre o que seria um soneto, ouvir-se-ia, entre ludibriações de todos os tipos (recurso muito comum àqueles que não gostam de admitir suas ignorâncias; talvez, a coisa mais honrosa que a grande maioria destas pessoas poderia fazer em vida) e retumbantes, porém dignos, “não sei!”, a resposta mais comum seria: “é um poema de quatorze versos, dividido em dois quartetos e dois tercetos”. Afirmação esta muito comum de se ouvir com relação àquilo que se perguntou (pois para a grande maioria dos alunos de Literatura, seja lá qual for o seu grau de instrução, extraviados do mais simples e decente rumo intelectual, esta será toda consideração, a respeito deste assunto, que eles terão em toda sua vida acadêmica), mas que, de longe, açambarcaria esta forma que, dentre as “castas” poéticas em que se diversifica o gênero lírico, é a que exige, de seu criador, o maior nível de intelectualidade, de concretude e de pensamento lógico-reflexivo, ou seja, a priori, o soneto precisaria ser rimado, metrificado e apresentar uma estrutura dissertativa em seu discurso, exigindo de seu autor grande conhecimento daquilo que faz e do que fala através dele (além do esqueleto estrófico tão comumente citado), que, em nada, ajudaria a compreender a grandeza e a complexidade desta forma, a qual se encontra no cerne de toda a Poesia Ocidental há séculos, e, ainda assim, é o mais sofisticado modelo poético existente, mostrando-nos, só por motivo de exemplo, que não foi à toa que parnasianos e simbolistas – tão diferentes entre si – preferiam-no, incondicionalmente.

Desde os exemplos mais clássicos, como os de Petrarca, Camões e Shakespeare, aos melhores mestres deste gênero em nossa literatura colonial e pré-moderna, como Gregório de Matos, Cláudio Manuel da Costa, Machado de Assis, Raimundo Correa, Cruz e Sousa e Olavo Bilac, o soneto tem se mostrado o fim a que se dirigirem os versos de muitos dos maiores poetas do mundo há mais de meio milênio. Nem mesmo o advento do Modernismo – e, quando falo de Modernismo, não me refiro, aqui, à pantomima paulista de 1922, nem à Disney World canibalística que a ela se seguiu, antes, refiro-me àquele Modernismo onde o clássico e o novo convergiam sem nenhum tipo de inconveniência ideológica ou de extravagância lírica, como é o caso do Modernismo de Euclides da Cunha, Lima Barreto e Augusto dos Anjos, logo retomado pelas gerações de 30 e 45, por exemplo – destruiu a importância e a tradição às quais o soneto se vale até os dias de hoje; pelo contrário, o Modernismo cultivou um soneto dotado de rigor e beleza como jamais se viu, mas, antes, isso, também, já se apresentava em muitos de seus precursores, em todo o mundo, a exemplo de Charles Baudelaire...


Viens, mon beau chat, sur mon coeur amoureux;
retiens les griffes de ta patte,
et laisse-moi plonger dans tes beaux yeux,
mêlés de métal et d'agate.
Lorsque mes doigts caressent à loisir
ta tête et ton dos élastique,
et que ma main s'enivre du plaisir
de palper ton corps électrique,
je vois ma femme en esprit. Son regard,
comme le tien, aimable bête,
profond et froid, coupe et fend comme un dard,
et, des pieds jusques à la tête,
un air subtil, un dangereux parfum,
nagent autour de son corps brun.

de Fernando Pessoa...

Olha, Daisy, quando eu morrer tu hás-de
dizer aos meus amigos aí de Londres,
que, embora não o sintas, tu escondes
a grande dor da minha morte.

Irás de Londres pra York, onde nasceste
(dizes —Que eu nada que tu digas acredito…)
contar àquele pobre rapazito
que me deu tantas horas tão felizes

(Embora não o saibas) que morri.
Mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar,
nada se importará. Depois vai dar

a notícia a essa estranha Cecily
que acreditava que eu seria grande…
Raios partam a vida e quem lá ande!...



Augusto dos Anjos
Que força pôde adstrita e embriões informes,
tua garganta estúpida arrancar
do segredo da célula ovular
para latir nas solidões enormes?!
Esta obnóxia inconsciência, em que tu dormes,
suficientíssima é, para provar
a incógnita alma, avoenga e elementar
dos teus antepassados vermiformes.
Cão! - Alma de inferior rapsodo errante!
Resigna-a, ampara-a, arrima-a, afaga-a, acode-a
a escala dos latidos ancestrais...
E irás assim, pelos séculos, adiante,
latindo a esquisitíssima prosódia
da angustia hereditária dos teus pais!




* * *

Se, para Georg Wilhelm Friedrich Hegel, em épocas mais romanescas, o poeta, ao compor um bom soneto, não descreve, de forma ingênua, as disposições da alma, as aspirações, as dores, os desejos, as percepções das coisas a sua volta, com uma grande concentração interior, antes, dirige, com calma e precisão, o seu olhar aos mitos, à história, ao presente, no mesmo momento em que se reintegra a si mesmo, limitando-se e se contendo, tornando o soneto uma das construções mais complexas e difíceis em que um poeta pode se aventurar, para o Modernismo, esta prática se torna mais difícil e mais fluida. Em outras palavras, mais complexa para o seu autor, mas compreensível a quem o lê.

Segundo César Leal, em Os Cavaleiros de Júpiter, “o elemento protéico do soneto é o pensamento reflexivo”, mesmo quando este “alcança uma ordenação mágica como é freqüente em Jorge de Lima”. É, no soneto, que conhecimento, ciência e instrução geral se fundem com legitimidade, por isso mesmo, no Modernismo, apesar do descrédito e difamação de muitos, o soneto se aperfeiçoou, tornado-se, inclusive, “independente e diverso em relação aos modelos clássicos” – afirma César Leal –, apresentando – ainda de acordo com o poeta e ensaísta pernambucano – “traços estilísticos inconfundíveis”, como são os casos de Manuel Bandeira, Jorge de Lima, Vinícius de Moraes, Bruno Tolentino, Sosígenes Costa, Mário Quintana, Emílio Moura, Ariano Suassuna, Dante Milano, Ildásio Tavares, Carlos Pena Filho e até mesmo Carlos Drummnd de Andrade e Ruy Espinheira Filho... isso sem falar no pioneirismo de Augusto dos Anjos e em autores menos conhecidos, ou, naqueles, onde a tradição do soneto não acompanha a obra do autor, embora por lá se encontrem exemplos magníficos como os de Edmir Domingues, Florisvaldo Mattos, Maria da Conceição Paranhos e ainda, mesmo que escassos, Ferreira Gullar e Hilda Hiltz, além de Reynaldo Valinho Alvarez (cuja máxima intensidade de sua poesia é justamente alcançada em seus sonetos peculiaríssimos), entre outros tantos que agora me escapam à lembrança.

O soneto moderno – como todo bom poema de qualquer época – deve estar pleno de sentido, de significados, e não ser um mero jogo de idéias sobrepostas ao acaso; deve aparecer e soar ao seu leitor dentro de uma “imaginação auditiva” (lá vem o César Leal, de novo), tão comum em Milton, segundo T. S, Eliot, como no próprio Eliot, mas também em Castro Alves e até mesmo em Ascenso Ferreira, e, por recortar uma realidade instigante, por ter uma penetração psicológica muito intensa, por proporcionar uma fácil compreensão de tudo e de si mesmo, é uma obra da razão recortada pelos malabarismos lingüísticos e dos signos comuns, como é o caso, amigo leitor, deste extraordinário soneto de Antônio Brasileiro que, à maneira da inovação formal proposta por mestres como Jorge de Lima, e mantendo aquela tradição oral e simbólica comum em Vinícius, é-me uma das mais belas realizações do gênero e, a ele, pode-se aplicar todos os conceitos que acabei de discorrer, neste artigo:


Não passar. Ficar para semente.
Não era isto que meu pai queria?
Sentava-se na rede e adormecia
julgando ter domado a dama ausente.
E sonhava talvez. Talvez menino
montando burros bravos, nu, ao vento;
um homem é a sua ação sobre o destino.
Meu pai então fazia um movimento
e a rede, a adormecer, estremecia:
pequenos sustos no tempo, era só isto.
E escancarava os olhos duramente
para mostrar que se Ela o procurava
era de cara a cara que A encarava.
Que Deus guarde meu pai. Eternamente.






Candeias/Feira de Santana, março de 2009/abril de 2010.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

LANÇAMENTO DO LIVRO "A PELE DE ESAÚ" DE SILVÉRIO DUQUE EM SALVADOR


É com muito prazer e orgulho que convido-o para o lançamento de meu mais novo livro, A pele de Esaú, (Via Litterararum, 2010).

Dia 14 de maio, na Livraria Praia dos Livros: Av. Sete de Setembro, nº 3554, loja 2 (sobreloja), largo da Barra (ao lado do Instituto Mauá), às 20h, em Salvador-BA.

O lançamento contará com as declamações de Lucifrance Castro (grupo de declamação Os Bocas Do Inferno) e do poeta Patrice de Moraes, além de exposição temática do artista plástico Gabriel Ferreira e da música de Paulo Akenaton e seus convidados.

Para aqueles que, por uma razão ou outra, não se farão presentes nos lançamentos, já podem adquirir A pele de Esaú através do site: http://www.vleditora.com.br...

É fácil, prático e sem riscos.


Um abraço.

LANÇAMENTO DO LIVRO "A PELE DE ESAÚ" DE SILVÉRIO DUQUE EM FEIRA DE SANTANA


É com muito prazer e orgulho que convido-o para o lançamento de meu mais novo livro, A pele de Esaú, (Via Litterararum, 2010).

Próximo dia 06 de maio, no foyer do Teatro do Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA), que fica à rua Conselheiro Franco, nº 66, Centro Feira de Santana-BA.

O lançamento contará com as declamações de Lucifrance Castro (grupo de declamação Os Bocas Do Inferno) e do poeta Patrice de Moraes, além de exposição temática do artista plástico Gabriel Ferreira e da música de Paulo Akenaton e seus convidados.

Para aqueles que, por uma razão ou outra, não se farão presentes nos lançamentos, já podem adquirir A pele de Esaú através do site: http://www.vleditora.com.br...

É fácil, prático e sem riscos.


Um abraço.

terça-feira, 27 de abril de 2010

3 VILOLÕES...




De Villa-Lobos a Tom Jobim, do chorinho à música flamenca, a diversidade e a qualidade musical são os ingredientes essenciais desta apresentação única que reúne três grandes mestres do violão daqui de Feira de Santana. Hamilton Gonçalves, Dade Oliveira e Júlio Figueirêdo.
A idéia é um show que reúna os mais diferentes estilos musicais, que vá do clássico ao samba, do choro a jazz, passando tanto pela música folclórica quanto pela música pop, e que mostre a beleza e a dimensão deste instrumento que um dos mais populares de nosso país.
Este espetáculo tem a promoção do Núcleo de Cultura Popular do Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA), aqui de Feira de Santana, dentro da programação anual do Projeto Lua Cheia, cuja competente idealização e direção é de minha amiga Suzani Leite Caribé.

O show será dia 30 de abril, às 20 h, no Teatro do CUCA, que fica à Rua Conselheiro Franco, nº 66, Centro, Feira de Santana-BA.

O telefone para contato é: (75)3221-9744.

Não deixe de ir.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

MÚSICA, ARTES PLÁSTICAS, POESIA DE CORDEL, LANÇAMENTO DE LIVROS... TUDO ISSO, E MUITO MAIS, NOS EVENTOS DE ABRIL DO CUCA


Exposição: Eu e Minha Máscara - Pinturas de NanjaData: 27 de abrilHora: 20 hLocal: Galeria de Arte Carlo Barbosa - CUCA


Projeto Lua Cheia - 3 Violões Data: 30 de abrilHora: 20 hLocal: CUCA



Vernissage: Meio Século - Pensando no Próximo (Obras Sociais Irmã Dulce)Data: 29 de abrilHora: 16 hLocal: CUCA




Projeto Lua Cheia: Literatura de Cordel: Lançamento de Livro: História, Poesia, Sertão - Diálogos com Eurico Alves BoaventuraData: 28 de abrilHora: 19 hLocal: CUCA




Lançamento do livro, A pele de Esaú, (Via Litterararum, 2010). Próximo dia 06 de maio, no foyer do Teatro do Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA)


O CUCA fica à rua Conselheiro Franco, nº 66, Centro Feira de Santana-BA.