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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A TRAGÉDIA NOSSA DE CADA DIA...



SBN:
978-85-81510-97-2
Edição:
1ª
Ano de publicação:
2015
Nº de Páginas:
172
Formato:
14x21cm
Idioma:
Português






A TRAGÉDIA NOSSA DE CADA DIA

ou BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE
O LIVRO O GRITO DO MAR NA NOITE
DE EMMANUEL MIRDAD


  à minha caríssima Nívia Maria Vasconcellos; 
porque é muito bom tê-la de volta.

Para mim, nobreza é sinônimo de vida esforçada, posta sempre a superar-se a si mesma, a transcender do que já é para o que se propõe como dever e exigência. Desta maneira, a vida nobre fica contraposta à vida vulgar e inerte, que, estaticamente, se reclui a si mesma, condenada à perpetua imanência, caso uma força exterior não a obrigue a sair de si. Daí que chamemos massa a este modo de ser homem – não tanto porque seja multitudinário, quanto porque é inerte.
JOSÉ ORTEGA Y GASSET






 
Nos bastidores da FLICA (Festa Literária Internacional de Cachoeira) deste ano, quando me preparava para, cheio de honra e – confesso – com certo desassossego, dividir uma mesa de debates com o grande crítico e amigo Rodrigo Gurgel, sou abordado pelo camarada, e também um dos produtores do evento, Emmanuel Mirdad, que me presenteia com seu último livro de contos, devidamente autografado, mas não sem algumas ressalvas quanto aos seus escritos e com a recomendação de que eu começasse a leitura de seu O grito do mar na noite (Via Litterarum, 2015) por aquele que, segundo o próprio autor, era sua realização preferida. Não me fiz de rogado e, obviamente, aceitei o presente e atendi à exortação, começando pelo conto Sol de abril.

Tomando como base a canção Assum Preto, de Luís Gonzaga e Humberto Teixeira, somos apresentados a uma sanfoneira “doca” que, há muito, deixara o sertão do Nordeste para tocar nas praças do Sul do Brasil... Emmanuel Mirdad constrói a história dessa mulher com um intricado jogo de narrativa psicológica e flashback, dando a este conto um dinamismo muito grande, ao tempo que nos transporta a um jogo imbricado de memórias e assim, cada vez que a história vem e vai, no tempo, somos preparados cada vez mais a um arremate cruel e surpreendente. Mas, embora tenha me agradado muito com esta história, não me contento só com a leitura de Sol de abril (bom sinal) e sigo com os outros contos do livro.

A história de Sol de abril, difere em muito de todas as outras histórias do livro, pois é a única passada longe de Salvador ou de qualquer cidade grande, de fato, e onde o ambiente citadino não se compõe quase como um personagem à parte, que vai conduzindo a história ao seu pesar e contentamento; características relevantes nos nove outros contos de O grito do mar na noite, e que constroem a quase total verossimilhança de tudo que neles se leem. Outrossim, está justamente nessa verossimilhança aquilo que eles possuem de mais incômodo, no melhor sentido desta palavra.    


Uma boa leitura, seja de poesia ou prosa, seja de uma música que se escuta ou um quadro que se observa, precisa incomodar; ser carregada na memória, digerida lentamente por ser algo em que nos reconheçamos e pela qual aprendemos.

Assim como acontece na poesia, a leitura de um conto, graças ao seu teor fotográfico, completa-se depois de lido o último parágrafo e fechado, mesmo que por alguns instantes, o livro. Um bom conto golpeia seu leitor que, ainda no tonteio do soco, procura a melhor posição para o contra-golpe, o revide... Por isso mesmo, e Emmanuel Mirdad que me perdoe, mas é preciso falar a respeito disso, o exagero de algumas descrições e informações, enfraquecem a narrativa – e isso, infelizmente, acontece várias vezes, durante todo O grito do mar na noite –, fazendo com que se perca muitas vezes o ritmo de sua narrativa, sem contar o desaforo que um bom leitor acaba sentindo, pois quando não lhe é oferecido um desafio de investigar em sua própria mente o quanto ele é capaz de compreender e se surpreender, no ato da leitura, o leitor é visto como um pacóvio.

Em resumo, entregar demais ao leitor é chamá-lo de bobalhão ou outorgar tal epíteto a si mesmo, enquanto autor. Por causa disso, determinados trechos mais enfadam do que realmente informam e fazem com que boas passagens, bem mais lúcidas e poéticas, percam sua beleza e razão, como, por exemplo:

Seu Humberto, o Beto, era cearense, assim como seu xará, O Teixeira, filho ilustre de Iguatu e parceiro mais célebre do velho Lua, o Rei do Baião, filho de Exu (PE)...


cuja resolução – perdoem-me a pretensão, apenas faço-a como exemplo de uma ideia e não uma tentativa de reescrever a história construída pelo autor – seria demasiadamente simples, e o leitor que se virasse para não se sentir subestimado:

[Seu Beto era cearense, como o seu xará, de Iguatu; parceiro mais célebre do velho Lua, o Rei do Baião...]

Mas, vejam como, antes, Emmanuel Mirdad conseguira um efeito justamente contrário, e, por isso mesmo, digno de exemplo, inclusive para ele:

De olho fechado, reza. A aparição mariana que lhe originou o nome pode até escutar, mas não deve responder. A paz brota do silêncio. E a cidade em flor começa o percurso dos fluidos de seu organismo. 


No final das contas, em qualquer narrativa que se respeite deve prevalecer aquilo que José Ortega y Gasset chamava de “A lei seca da arte”, ou seja, o conceito de Ne quid nimis, de “nada além do necessário”.  Um bom exemplo, e bom conselho a esse respeito, estão em Graciliano Ramos, quando o autor de São Bernardo e Vidas Secas compara o ofício da escrita ao trabalho das lavadeiras de sua terra natal:

Deve-se escrever da mesma maneira com que as lavadeiras lá de Alagoas fazem em seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.

Voltando a Ortega y Gasset, ele nos admoesta de que tudo o que é supérfluo, “tudo aquilo que podemos suprimir sem alterar a essência é contrário à existência da beleza”. Isso vale para a poesia, para a prosa, para a música, pintura, dança; qualquer coisa que se chame de arte; qualquer trabalho que se queira bem feito; é algo que Emmanuel Mirdad, certamente, explorará muito mais daqui pra frente.

Uma coisa que um autor (e, mais ainda, todo pretenso autor) deve saber, é que toda história é uma história que se poderia viver; de que aquelas situações ali poderiam ser vividas por qualquer pessoa de qualquer época e lugar; que aquilo em que o leitor tanto se concentra seria passível de sua própria experiência. Por isso, a vivência de uma boa leitura, não é só garantia de catarse, mas da própria catarse se extrair aprendizado. Mesmo as fábulas mais burlescas trazem uma carga moral imensamente aplicável ao nosso mundo e disso tiram toda a sua força e pragmatismo. Desta forma, para o homem grego do século V a.C., encontrar-se com grandes criaturas marinhas, ou cair dos caprichos arbitrários de deuses nada complacentes, era algo tão aceitável quanto deparamo-nos com a violência nossa de cada dia, promovida por homens e mulheres de carne e osso, mas carregados de ódio e preconceitos tão cruéis quanto os jogos de poder de deuses e deusas, onde dados e cartas eram os próprios destinos humanos, como é o caso do conto O banquete, onde, numa referencia nada platônica, Emmanuel constrói uma boa alegoria da burrice violenta que surge das multidões, instigadas pelas mais diferentes situações, formando a tragédia nossa que vivemos a cada dia:

O ponto dela chegou. Desceu compenetrada ao smartphone, sem olhar para os lados nem perceber o ambiente. Azar. Ninguém na rua, e os poucos estabelecimentos em volta, nenhum aberto. [...] Três carecas se aproximaram por trás. O que tinha uma suástica tatuada no cocuruto exagerou a mão na pancada, e a gordinha apagou... [...] Sorte; evitou a tortura morrendo de primeira. [...] Dentro do carro, a sensação dos três era de dever cumprido. [...] O celular passou de mão em mão. Miseravelmente, um deles apagou as fotos da viagem que a gordinha fizera com a namorada para o litoral, como se pudesse excluir da existência a opção que tanto odiava.  


Entretanto, o que poderiam ter em comum entre a narrativa clássica e o conto contemporâneo, por exemplo? O aprimoramento de caráter e de intelectualidade que todo herói trágico, a duras custas, adquire ao fim de sua jornada de angústias, isso é o que deveria existir em ambos. Tal aperfeiçoamento nos é garantido na literatura clássica, mas sentimos cada vez mais sua inexistência nas narrativas mais contemporâneas, onde a construção aprofundada de um personagem não vai além de sua cansativa descrição, ou a mera trivialidade ocupando o lugar do verdadeiro drama. A catarse, assim, parece algo impossível, já que o leitor não tem onde se mirar de fato, nem fazer aquela viagem introspectiva, de onde suas paixões seriam verdadeiramente purgadas. Emmanuel Mirdad, a meu ver, consegue, de fato, livrar-se do trivial e se aprofundar, verdadeiramente, em três de suas narrativas: Chá de boldo, Sol de abril e Aqui se paga.

        Um homem que aceita a mulher caolha após ter sido violentada e, em seu ato, bem como na dor de sua companheira, ver revelar-se toda a beleza para além das meras aparências, ou um velho, outrora abandonado pela filha, dedica-se com todas as suas mirradas forças a cuidar de sua antiga algoz, não representam uma mera luta contra sentimentos pessoais, das quais estão cheíssimas as narrativas de nossa atual literatura, o que, no mínimo, seria sinônimo de um moralismo oco; ao contrário, vemos nesses exemplos a escolha por um bem maior e pelo real dever que lhe cabem como verdadeiro amante, como pai, como seres humanos. Isso seria, nada mais nada menos, a real diferença entre a verdadeira moral e uma caricatura ordinária de moralidade; entre a real profundeza que esperamos de um escritor e a mesmice banal de quem apenas observa o cotidiano sem nada dele tirar e, muitas vezes, sem lhe arranhar direito a própria casca.  

            Um elemento muito importante e inegável por qualquer um que leia os contos de Emmanuel Mirdad, mantido ao longo de todo o livro, é seu efeito surpresa; a radical mudança que situações extremas possuem em suas histórias, e o conto O banquete é, certamente, o que mais se utilizará desse recurso. É mesmo “de oito a oitenta”, como se diz no jargão popular daqui da Bahia, que mudanças radicais e inesperadas se dão em suas narrativas, proporcionando não só um efeito estético proveitoso, fazendo valer, entre tantas coisas, aquela situação em que o leitor sente-se abobado e se desfruta de tal sensação. O banquete lembra-nos o quanto que nossa vida em sociedade está intimamente relacionada com cada indivíduo, da teia frágil que cada um vem tecendo no caótico mundo urbano, de sistemas fechados nada previsíveis, mas isso também pode ser vivenciado em Sol de abril, Chá de boldo, Aqui se paga, Quase onze dias... A melhor parte desse efeito é quando um amor que um dia se mostrou puro, se conclui através de um estupro, quando a dor e a raiva de um abandono são devolvidas com o cuidado extremoso de um velho pai, ou uma palavra cruel tem, na morte, pagamento certeiro e sem troco, obrigando-nos a refletir, a repensar tudo a nossa volta; o que temos, o que nos falta e, principalmente, o que perdemos.

Outro elemento que julgo de uma importância muito grande neste livro de Mirdad é o registro da linguagem coloquial de Salvador, mas também de outros recônditos da Bahia. Isso me faz lembrar um grande problema que enfrento, como professor de Literatura, que é fazer com que meus alunos, com terríveis limitações vocabulares e demasiadamente presos às maravilhas de nosso mundo tecnológico, tão diferente dos séculos de Machado e Guimarães Rosa, gostem e se aprofundem em um romance ou conto dentro de um contexto que eles desconhecem e não querem se esforçar para conhecer. Talvez por isso, romances de entretenimento para adolescentes, façam tanto sucesso, pois estão carregados de coisas que fazem parte de seu contexto e cotidiano, como computadores, celulares, tabletes... Mesmo histórias que têm, como pano de fundo, a Antiguidade e a Idade Média são narradas como em um roteiro de filme ou ganham uma gama de movimentos e cores como em um vídeo game; isso quando Perseu não se utiliza de um iPhone para matar a Medusa, ao invés de um escudo polido. Em compensação, se estas histórias não possuem palavras estranhas como “coches” e “lojas de belchior”, elas perdem naquele aprofundamento moral e psicológico em que um Machado e um Dostoievsky se tornam mestres e, até hoje, não possuem, pares semelhantes.

Essa necessidade de uma língua “nossa” e mais “pura” é uma característica que remonta a ideais ainda de nossos primeiros românticos, e serve como um verdadeiro presente ao leitor, bem como aos registros linguísticos e históricos, é o caso de expressões que fazem com que o leitor, principalmente o baiano, identifique-se com tudo aquilo que se passa na história, justamente por ter algo em que se reconhecer dentro dela. É o caso de expressões como “se pique, vá!”, “Meu rei”, “Vamo cumê aguá”, “Man...”, “E esse Baêa!?”, um alongadíssimo “Aonde” (que, na Bahia, também significa: “Não!”)... e “Receba!”, expressão a qual, aliás, nomeia um de seus contos mais inusitados. Vejamos, um exemplo:

Começo da noite, a academia está cheia.

– Rapaz, ontem eu peguei quatro!

– É lascador, esse menino!

Um grupo de homens sarados, alguns bem jovens, reveza o uso de um aparelho puxador, para exercícios diversos. Compartilham seus músculos ao espelho comum. “Você tá grande, hein, pai”? Uns fazem tríceps, outros remada em pé, alguns na barra comum, que poucos ali conseguem fazer. Eu sou o que mais faço; lembranças da época do quartel.

– Tá ligado, a Bruninha? Passei a pica! Putinha, putinha...

– Man, vai rolar o ensaio na segunda, vamo dêcê? Só tá rolando as gata, Serjão deu as ideia. E vamo cumê aguá na segunda também!

– Bora!

– E o Baêa?!

Futebol, buceta e cerveja. Apenas três assuntos e em poucos segundos os homens são iguais, melhores amigos a décadas, inseparáveis...


Também a descrição de lugares badalados e famosos de todos que moram ou visitam Salvador completam isso. Aliás, Emmanuel trabalha em seus contos uma tendência de narrativa basicamente urbana, a exceção de Sol de Abril, com todas as suas nuances e, muitas vezes, clichês bem encaixados. Entretanto, seu maior trunfo, nesse sentido, é mostrar uma Salvador cheia de ricos curtindo suas vidas da forma mais prazerosamente louca, porque podem e só por isso; mas carregados de um vazio tão extremo, que a única coisa que lhes sobra é, puramente, o dinheiro que têm. Ou como Mirdad descreveu, usando um de seus personagens:

É uma vida superficial e retilínea, imune à trágica consciência de que há diversos conflitos na existência humana. [...] Eram alguns ricos, bem inseridos e farristas da elite baiana que se encontravam de quando em quando, para algum deles pagar a noitada.
  

         Acredito que uma boa leitura é aquela que nos dá um choque de realidade... Engana-se redondamente quem pense que um autor de ficção tem um compromisso indistinto com a fantasia. Mais do que construir realidades, um bom autor, ou quem se pretenda a tal, precisa desnudar a realidade aos nossos olhos; não precisa mascarar nenhum tipo de beleza, mas revelá-la em sua forma mais pura; oferecer de bom grado, a verdade, ao invés de fingir-se um conhecedor de alguma verdade que seja. Se a vida, no fim, se revelar vã, devolvê-la-emos à sua completude através da literatura.

Tudo isso serve para mostrar o quanto que o conto é uma forma de narrativa muito perigosa. Uma composição literária onde o muito, imprescindivelmente, deve ser feito com o mínimo possível, e, por isso mesmo, seja talvez a forma de composição em prosa que, junto às fabulas modernas, mais se assemelhe com o gênero poético, a necessidade de verossimilhança e do aprofundamento dos fatos narrados são tão grandes quanto à capacidade de seu autor em surpreender tanto por aquilo que está a ser lido, bem como pela reflexão que dá lugar às palavras depois da conclusão da leitura.

Assim sendo, Emmanuel Mirdad deu um passo importante, bem mais do que exercendo o papel de poeta, mas que só se concluirá numa longa e compensadora jornada se ele tomar como modelo seus acertos, entendendo que o crescimento como autor não é diferente do crescimento como ser humano. Ambos se modelam através de nossa capacidade de irmos além dos esforços estritamente impostos como reação às necessidades que nos chegam de fora, mas do empreendimento espontâneo e luxuoso. Eis o verdadeiro sentido da nobreza. Emmanuel Midard conseguiu alguns momentos de nobreza em suas narrativas... Que o criador, nesse caso, espelhe-se em sua própria criação.

Em resumo, é um livro de um estreante, sendo assim, uma obra que nos deixa sempre esperançosos. Eu, particularmente, gostei muitíssimo de O grito do mar na noite, independentemente das questões técnicas abordadas, até porque, essas questões dizem mais aos críticos; há, em O grito do mar na noite, histórias bem construídas, verossímeis e, ironicamente, seu maior trunfo e defeitos se encontram em sua linguagem e na maneira de como ela é construída. Emmanuel, com este livro, está no caminho certo; e eu, assim como outros leitores, ávidos por um considerável melhoramento nos temas e nas formas (e em algumas influências) de nossa atual literatura, esperamos que, deste caminho, Emmanuel Mirdad não se desvie.









Cachoeira/Candeias, entre outubro e novembro de 2015. 


APROVEITEM PARA COMPRAR O LIVRO AQUI: 
http://www.vleditora.com.br/lojavirtual/livro/o-grito-do-mar-na-noite

          

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

IMPERDÍVEL: MEU LIVRO "A PELE DE ESAÚ" POR APENAS R$ 15,00... VEJA COMO ADQUIRIR...


Editora: Via Litterarum
Autor: Silvério Duque
Apresentação: Ildásio Tavares
Posfácio: Gustavo Felicíssimo
Ilustração: Gabriel Ferreira
Ano: 2010
Páginas: 72 il.
Formato: 15,5x21cm
ISBN: 978-85-98493-66-4

Preço: Apenas R$ 15,00
Como adquirir: http://www.quiosquecultural.com.br.

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A ESCRITURA DE SILVÉRIO DUQUE



por Ildásio Tavares






Um dos momentos cruciais da formação do povo de Israel é quando Jacó assume a pole position, num golpe de mestre que começa com Esaú ven­dendo-lhe a primogenitura por um prato de lenti­lhas. Este factóide diz – de pronto – alguma coisa do temperamento e personalidade de ambos. Do ime­diatismo e gula de Esaú, da sagacidade de Jacó. Mais tarde, esta cessão da primogenitura tem que ser rati­ficada pelo pai de ambos, Isaac, que teria de dar sua benção. Aí, Jacó se vale de outro estratagema. Como Isaac estivesse meio cego, Jacó seria apalpado. Esaú era muito peludo e então, Jacó se veste com a pele de um animal e assim consegue se fazer passar pelo irmão que lhe tinha concedido seus direitos.

Ao nomear este belo livro de sonetos finamente escandidos de A Pele de Esaú, quero crer que Silvério Duque tivesse se inspirado neste episódio, ainda mais que coloca a epígrafe da passagem em que o Senhor adverte Esaú, que começava a querer-se rebelar, mas que finda por se afastar e criar seu próprio povo longe das doze tribos de Jacó que viriam a formar o rei­no de Israel. Esaú tinha sido tolo, contudo, era forte e também contava com as bênçãos de Deus. Vinha de uma linhagem cuidadosamente selecionada de Abraão e Sara, para Rebeca e Isaac e que desaguaria nos 12 filhos que Jacó teria com Zilpah, Bilhah, Lia e Raquel, formando o povo eleito, o povo de Israel, até hoje vivo.

Neste meridiano da perda e da rejeição, na figura de um Esaú destituído de seu destino, Silvério elabo­ra uma intricada associação de sentimento e pensa­mento, buscando a verticalidade de personagens que se multiplicam porque se querem fundir em um só. Afinal, o drama de degredo e aparte que sofre Esaú é de todo ser humano, anjo caído, que, um dia, se afas­tou da presença de Deus. E toda odisseia que Esaú tem que executar na busca de si mesmo pode-se con­figurar em seus aspectos trágicos e cada poema deste livro, pois, discorre sobre um jaez da personalidade humana com este suporte analógico, na verdade.

Mais do que o simples discorrer lírico, em que o poeta se exprime de dentro pra fora, este livro encar­na um processo dialógico e dialético em que o poeta entra e sai no personagem e extrai daí o seu signifi­cado, num trâmite de intersubjetividade. Esta atitude reforça os aspectos dramáticos do poema e, ao dar voz aos personagens, torna o contexto mais efetivo. Destarte se estabelece um fio condutor que vem con­ferir unidade ao texto. Aliás, o livro todo é muito bem organizado, com um exato rigor de expressão e de ordenação, todo ele muito coeso, em suas partes, em suas divisões, o que consiste, em verdade, uma corte­sia para com o leitor.

Do ponto de vista formal, o livro é impecável. Depois dos primeiros originais, eu recebi mais duas emendas do autor, provando que há um critério e dis­ciplina no sentido do apuro textual, algo que conside­ro fundamental.

Tenho visto inúmeros textos de aspirantes a poe­tas que não se dão conta que a poesia é a mais perfeita das artes. Apresentam-me, na verdade, um rascunho. Mesmo alguns poetas ditos consagrados mostram--me textos sintaticamente imperfeitos e inçados de cacofonias – poesia é a redação mais elevada. Silvério sabe disto e passa a limpo várias vezes seu texto. Res­peita e venera a redação de sua poesia. Por isso pode pôr conflitos no papel com efetividade...

Por isso é poeta.

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Que sabes tu dos frutos, das sementes,
da dureza das flores contra o vento?
A aurora vem tragar a noite espessa
de onde brotou, sem dores, o teu grito.

Se a afirmação do amor nos aborrece,
morrer é mera vocação dos vivos,
pois, no morrer de tudo, há um recomeço.
Não queiras mal ao tempo ou ao espanto;

não queiras mal ao grão, à terra escura...
Que sabes tu das trevas ou da carne?
Que sabes tu das noites, dos princípios?

Hoje, é chegado o tempo dos retornos,
e toda forma espera o seu ofício
como o vaso existente em todo barro.



quinta-feira, 14 de outubro de 2010

UM MOSAICO DE SIGNOS: "AS FLORES DO OCASO" NOVO LIVRO DO POETA BERNARDO LINHARES


O poeta e amigo Bernardo Linhares, autor de As flores do ocaso...



As flores do ocaso, Via Litterarum, 2010... Apenas R$ 20,00.




Em seus 50 anos de vida, Bernardo Linhares lançou um livro, e daí? Daí que meu amigo não lançou um mero livro, porque também não é um mero poeta. Em seu livro, As flores do ocaso, Bernardo nos apresenta uma poesia madura e admirável, onde forma fixa, aliada à livre cadência de ritmos, compõe uma das obras mais singulares de nossos últimos tempos por se tratar, principalmente, de um livro contemplativo, que nos apresenta uma postura positiva da vida e de toda a beleza que ela nos oferta dia após dia. Certamente, este é um livro que afirma a vida em seu melhor sentido e em sua melhor forma, porque é, acima de tudo, um livro de poemas e de grandes poemas, através de um incrível mosaico de signos, cores e versos que nada mais são que a tradução de uma das melhores virtudes que alguém, poeta ou não, pode ter: a Admiração.




Adquira-o através do site: vendas@vleditora.com.br


Eu recomendo...






RAPINA


a Zeca de Magalhães




Leque ríspido, incoercível pássaro,
asas abertas, navegando cactos,
seguindo a seca que fulmina os círios,
a rapina aterrissa em crucifixo.

Meia noite, pau d’arco, corre a lágrima
da carneira tábida, a nave mármore
com ossos no ninho, coroa e espinhos,
insere duas cruzes no epitáfio,

depois aponta o bico para o céu.
Mal aventurada, cruel, rapina,
fera faminta, infeliz e funérea.

Sua fúria desafia e fascina,
ela, que vigia no mundo a miséria,
a morte, amigo,é que ilumina a Terra
.



terça-feira, 5 de outubro de 2010

LANÇAMENTO DE "SILÊNCIOS"... PRIMEIRO LIVRO DO POETA E ENSAÍSTA GUSTAVO FELICÍSSIMO...


O amigo e poeta Gustavo Felicíssimo pela lente do fotógrafo Pedro Augusto


SILÊNCIOS
Editora: Via Litterarum
Formato: 15 x 15 cm
Páginas: 92ISBN: 978-85-98493-56-5
Valor: 20,00

Com uma belíssima capa, que traz os elegantes traços a nanquim de Clóvis Márcio, e projeto gráfico muito feliz, Silêncios, de meu amigo e poeta Gustavo Felicíssimo, será lançado neste sábado, dia 09 de outubro, na Livraria Praia dos Livros, Porto da Barra – ao lado do Instituto Mauá – em Salvador.

Como já tive a oportunidade de dizer aqui, Silêncios, é uma obra imersa em formas oriundas do Japão e gestada durante os últimos dez anos. Essa obra foi organizada, originalmente, para atender a um edital do MEC (portanto, sem distribuição comercial), e traz como posfácio o ensaio Flores de Cerejeira, no qual o poeta, ele mesmo, traça os principais aspectos do haikai no Brasil. Além da maturidade do conteúdo, apontada e elogiada por críticos como Carlos Verçosa, Silêncios traz um fato novo para a poesia baiana: a publicação em livro de diversas formas da poesia japonesa, fato raro também no país.
A tiragem, infelizmente, será de apenas 500 exemplares, o que ajudará a constituí-lo como um livro “raro”. Quem não poder comparecer ao lançamento e tiver interesse, ao custo de 20,00 (incluindo a postagem), pode escrever para: gfpoeta@hotmail.com – email do poeta, ou fazendo contato com a sua editora: vleditora@gmail.com e http://www.quiosquecultural.com.br/.

Não deixem de de ir nem de adquiri-lo...
Aproveitem, também, e confiram a entrevista do poeta para a revista eletrônica de cultura Diversos & Afins:
PEQUENA SABATINA AO ARTISTA
Por Fabrício Brandão
No vasto panorama da literatura brasileira há sempre pessoas impulsionando o motor das criações. Nesse vão, apenas ter vontade soa como algo por demais reducionista, sendo necessário abarcar uma visão capaz de abreviar as distâncias entre as projeções e a realidade que urge cada vez mais complexa. Hoje, não são poucos os que se propõem a capitanear movimentos em prol do fazer literário. Apoiados sobretudo nos recursos trazidos pelas mídias digitais, editores e autores travam verdadeira cruzada por aquilo que consideram um caminho viável a seguir. Na compressão tempo-espaço, nos foi dado conhecer e acompanhar as articulações de pessoas das mais diversas orientações, todas elas elegendo gêneros a percorrer. Gente como o paulista Gustavo Felicíssimo, poeta que hoje se afigura verdadeiro militante em defesa das palavras.Residindo na Bahia desde 1993, Gustavo é exemplo vivo de uma vida dedicada à literatura. Além de poeta, é pesquisador e ensaísta. Em Salvador, juntamente com outros escritores, fundou o tablóide literário SOPA, do qual foi seu editor. Venceu o Prêmio Bahia de Todas as Letras, edição 2009, em duas categorias: Poesia e Literatura de Cordel. Organizou e fez publicar Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna, hoje em sua segunda edição. Tem fomentado diversos eventos literários e conduz com valiosa obstinação um trabalho fundamentado na pesquisa, sobretudo poética. Fruto de seus estudos e de sua investida apaixonada, nasce seu livro de estreia, Silêncios (Editora Via Litterarum), publicação voltada para o haikai e que será lançada no dia 9 de outubro, em Salvador. Nessa entrevista, Gustavo discorre sobre a importância do haikai na cena literária nacional, além de pontuar aspectos sobre sua trajetória enquanto resignado ativista cultural.




DA – Mesmo tendo uma longa trajetória voltada para os versos, digamos assim, mais tradicionais, você está em vias de lançar seu primeiro livro, Silêncios, obra dedicada inteiramente ao haikai. O que determinou essa sua escolha?

GUSTAVO FELICÍSSIMO – Nesse trabalho, publico poemas imersos em formas originárias do Japão. Além do haikai, há capítulos com tankas, haibuns, senryus, haikais encadeados e, como posfácio, um estudo sobre os mais relevantes aspectos do haikai no Brasil. Trata-se da primeira vez que se publica uma obra com essas características na Bahia. A possibilidade do pioneirismo e a qualidade, apontada por especialistas, que a obra traz fizeram-me optar por sua publicação agora.

DA – Há, de fato, um hiato muito grande entre o haikai japonês e o poema ocidental?

GF - Essa resposta pode ser dada de muitas maneiras. Dependendo da visão do poeta, sim e não são justificativas plausíveis. O haikaísta que segue o cânone do tradicional haikai japonês dirá que sim, embora as transformações havidas no Japão e no mundo tenham ampliado o seu horizonte. O haikai foi utilizado à maneira que melhor se adequou à necessidade de cada autor e lugar.

Parece-me coerente e apropriado fazermos uma síntese de como o haikai se desenvolveu em língua portuguesa no Brasil, pois nossas primeiras referências, curiosamente, têm como base autores franceses, não japoneses, como podem pensar.

O baiano Afrânio Peixoto introduziu o haikai no Brasil do mesmo modo como era feito na França: com título, métrica de 5/7/5 e sem rima, como esse que é de sua autoria:

A BELEZA ETERNA
O sabiá canta,
Sempre uma mesma canção:
O belo não cansa.

Após, Guilherme de Almeida trouxe uma proposta que até hoje chamam de parnasiana. Ele introduz rimas no haikai; uma entre o primeiro e o terceiro verso, outra que acontece entre a segunda e a sétima sílaba do segundo verso, veja:

VENTO DE MAIO
Risco branco e teso
que eu traço a giz, quando passo.
Meu cigarro aceso.

Somente após esses momentos, o haikai tradicional, oriundo da lavra de japoneses radicados no Brasil, veio à tona, sem título ou rima, mas mantendo a métrica. Podemos defini-lo como aquele que melhor valoriza os elementos da natureza procurando captar um instante, uma paisagem, referindo-se ao agora, de forma simples e com sentido completo, como esse do mestre Oldegar
Vieira:
Junquilhos envergam.
Flores de neve pousan donas
hastes, de leve.

Mas quando falamos de haikai no Brasil, o nome de Paulo Leminski surge invariavelmente em primeiro plano. Alinhado aos valores contraculturais e libertários dos anos sessenta, Leminski produziu uma obra tensa, densa e provocadora como a sua própria personalidade. Ele produziu um haikai livre de amarras, cheio de sacadas, clicks, como dizia. É de sua lavra o seguinte haikai:
passa e volta
a cada gole
uma revolta

DA - Percebe-se que o haikai ainda não é um gênero tão difundido no Brasil. A que possíveis razões você atribui isso?

GF – Não vejo assim. Hoje há até experiências de haikai na sala de aula em alguns lugares do país e dois grupos de estudo e discussão sobre o tema na internet, ambos capitaneados por grandes mestres, onde aprendi muito. Ademais, o haikai influencia a poesia brasileira desde o modernismo. Em Oku – Viajando com Bashô, obra fundamental de Carlos Verçosa, há uma passagem de uma carta de Drummond para Oldegar Vieira, onde ele afirma que “o gênero sempre me atraiu pela graça, leveza e poder de síntese, alcançando mesmo, às vezes, profundidade conceitual”. Em Alguma Poesia (1930) Drummond publicou um poema que, não raras vezes, é identificado como um haikai:

Stop.
A vida parouou foi um automóvel?

DA – Silêncios possui uma condução que remonta à pesquisa poética, quiçá um verdadeiro estudo sobre as ramificações do haikai. Qual o maior desafio na concepção de uma obra como esta?

GF – Parece-me que talento, conhecimento e prática estão na base de tudo. As paredes de uma casa, por exemplo, não devem ser levantadas sem que haja o alicerce. A mesma coisa se dá na poesia.

DA – Você é um militante literário incansável e, frequentemente, garimpa e descobre poetas e outros tantos autores. O que considera mais árduo nesse tipo de jornada?

GF – Faço o que está ao meu alcance e, às vezes, além dele, participando como membro do Comitê do Proler aqui na região sul da Bahia, promovendo saraus, debates, colóquios, seminários e até organizando a publicação de algumas obras, como é o caso de Diálogos, já em segunda edição. Mais árduo nesse tipo de jornada é se perceber, muitas vezes, gritando para surdos e acenando para cegos.

DA – Em sua opinião, qual é o principal impacto trazido pela literatura digital?

GF – Eu não saberia dizer ao certo. Parece ainda muito cedo para conclusões. Observo o fato de que a mídia impressa está mais voltada para os vestibulares, por isso a considero superficial. Já os cadernos literários dos jornais que ainda sustentam esse tipo de publicação, cada vez mais são lidos apenas por escritores e alguns apaixonados. Por sua vez, a internet está cumprindo importante função ao democratizar o acesso a autores que, não fosse por ela, certamente jamais seriam lidos por nós. Em oposição, a facilidade de se publicar em meio virtual esconde um sem fim de coisas que sequer merecem serem lidas.

DA – Entre seus planos para o futuro, está o desejo de fundar um portal sobre a literatura baiana. Há algum projeto definido para isso?

GF – Certamente. Em pouco tempo colocaremos no ar um site à altura da literatura baiana e também uma editora voltada exclusivamente para o meio virtual.


DA - Muitos são os que escrevem, mas poucos são os afeitos à escuta, ao aprendizado pautado em referências clássicas, formais ou fundamentadas. Acredita que tal conduta seja um sério desvio de nossos tempos de então?

GF – Essa é uma particularidade que faz parte da literatura de todos os lugares em todos os tempos e não nos estranha. Seria bizarro se a mediocridade imperasse sobre o conjunto literário da nação. Os estelionatários intelectuais estão condenados desde sempre, pois sempre haverá um facho de luz brilhando na escuridão.


DA – Afinal, o que buscam os poetas?

GF – Cada poeta busca, ao seu modo, a chave para esse enigma. As descobertas são muitas, por isso o sentido de Ser e Estar no mundo possui significantes que se perdem nas profundezas da palavra. Daí a assertiva de Gullar, para quem o poeta deve buscar o indizível sabendo o que quer dizer.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

"SILÊNCIOS": NOVO LIVRO DO POETA E ENSAÍSTA GUSTAVO FELICÍSSIMO...



SILÊNCIOS


Editora: Via Litterarum
Formato: 15 x 15 cm
Páginas: 92
ISBN: 978-85-98493-56-5
Valor: 20,00






Silêncios, de meu amigo e grande poeta Gustavo Felicíssimo, é uma obra imersa em formas oriundas do Japão e gestada durante os últimos dez anos. Essa obra foi organizada, originalmente, para atender a um edital do MEC (portanto, sem distribuição comercial), e traz como posfácio o ensaio Flores de Cerejeira, no qual o poeta, ele mesmo, traça os principais aspectos do haikai no Brasil.


Além da maturidade do conteúdo, apontada e elogiada por críticos como Carlos Verçosa, Silêncios traz um fato novo para a poesia baiana: a publicação em livro de diversas formas da poesia japonesa, fato raro também no país.


Com uma belíssima capa, que traz os elegantes traços a nanquim de Clóvis Márcio, e projeto gráfico muito feliz, Silêncios, está previsto para ser lançado no início de outubro em Salvador – data ainda a divulgar –; após, em Ilhéus, e, em seguida, em São Paulo e Marília (cidade natal de seu autor).



A tiragem, infelizmente, será de apenas 500 exemplares, o que ajudará a constituí-lo como um livro “raro”. Quem tiver interesse, ao custo de 20,00 (incluindo a postagem), pode me escrever enviando o endereço postal para: gfpoeta@hotmail.com – email do poeta, ou fazendo contato com a sua editora: vleditora@gmail.com e www.quiosquecultural.com.br.



Não deixem de adquiri-lo...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

LANÇAMENTO DO LIVRO: "NAS BRENHAS DA CAATINGA ÀS MARGENS DO RIO SACRAIÚ" DE RAIMUNDO GOMES



É com muito prazer e orgulho que convido a todos para o lançamento do livro Nas brenhas da Caaatinga às margens do rio Sacraiú (Via Litterarum, 2010) de meu amigo, o escritor Raimundo Gomes.


Dia 31 de julho de 2010, às 16 horas, no Colégio Estadual Evaristo da Veiga, na Av. Anita Garibaldi, 393 (ao lado da Unifacs).


Não deixem de ir!!!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

"A PELE DE ESAÚ" DE SILVÉRIO DUQUE... ADQUIRA JÁ O SEU



Editora: Via Litterarum
Autor: Silvério Duque
Apresentação: Ildásio Tavares
Posfácio: Gustavo Felicíssimo
Ilustração: Gabriel Ferreira
Ano: 2010
Páginas: 72 il.
Formato: 15,5x21cm
ISBN: 978-85-98493-66-4
Preço: Apenas R$ 15,00
Como adquirir: através do E-mail: vendas@vleditora.com.br. ou pelo Quiosque Cultural Online cujo endereço é: http://www.quiosquecultural.com.br/.






DUAS PALAVRAS SOBRE A PELE DE ESAÚ
por Gustavo Felicíssimo




Creio na existência de dois tipos de leituras: a erudita, revelada por autores preocupados em dar ao texto um valor de interesse fundamental; e a vacilante, que engloba as leituras que proporcionam intelecção abstrata, não conferindo nenhuma sacralidade à obra lida. Certamente os poemas deste A pele de Esaú, de Silvério Duque, se inserem dentre aquelas do primeiro tipo, pois foram baseados em uma narrativa bíblica antiquíssima (sobre a qual Ildásio Tavares discorre muito bem no prefácio da obra), fonte de enigma e sabedoria.

Vale lembrar que nada na trajetória humana foi capaz de inspirar tantas obras de arte, tantos artistas, nas mais diferentes latitudes e longitudes do mundo ocidental, do que a Bíblia. Levando-se em conta que o livro sagrado do cristianismo está no centro da nossa civilização, estranho seria se não fosse assim. E foram muitos os poetas que nela ou no cristianismo se inspiraram, com interesses e motivos vários, de diversas estirpes e épocas distintas, como Camões ou Bruno Tolentino, de quem se pode ouvir o eco na poesia de Silvério Duque, passando por Antero de Quental e Jorge de Lima, até encontrarmos o frescor de A pele de Esaú, uma obra dada ao leitor contemplativo, pois favorece a um recolhimento que possa proporcionar a reflexão adequada em relação ao universo circundante à obra.

Após ler os primeiros poemas deste livro percebi claramente que não se tratava de um compêndio qualquer de poesia, mas de uma obra refinada, alquímica, tecida com engenho e arte, em que o poeta apresenta-nos uma alternância riquíssima de perspectivas e expressões dramáticas do contrário, bem diversa e não apenas catártica, resultando em um canto verdadeiro, uma unidade e uma realidade concreta, não apenas a história evocada, objeto de meditação, mas os dramas pessoais do autor, suas vicissitudes, sonhos e desilusão. Enfim, uma obra muito superior ao que nos vem sendo apresentado pela maioria dos nossos contemporâneos.

Este livro é a mais nova obra de um dos melhores poetas da minha geração, um autor que faz jus à tradição de grandes poetas que a Bahia legou ao Brasil. Se pudesse resumir A pele de Esaú em uma única palavra, eu diria: inefável!



Sopa de Poesia, 01 de maio de 2010.

sábado, 22 de maio de 2010

BAHIA DE TODAS AS LETRAS: NOSSA LITERATURA EM PRIMEIRO LUGAR... PREMIAÇÃO E DEBATE LITERÁRIO





Diálogos sobre literatura, lançamento de livros, homenagens e bate-papo com escritores serão alguns dos ingredientes que irão compor a premiação da 4ª edição do Concurso Literário Bahia de Todas as Letras, realizado pelas editoras Via Litterarum e Editus, com o patrocínio da Fundação Chaves e apoio da Fundação Cultural de Ilhéus.


O evento acontecerá no dia 02 de Junho, das 9h às 21h no Teatro Municipal de Ilhéus, e reunirá poetas, pesquisadores e escritores da cena literária da região em uma grande celebração das nossas letras.


Para tornar o dia mais lúdico está planejado o lançamento de uma coleção de livros infanto-juvenis de Pawlo Cidade e a apresentação da peça teatral As Aventuras de João e Maria, baseada na obra do autor ilheense. Ainda haverá o lançamento de diversas outras obras, entre elas Floração de Imaginários – O Romance Baiano no Século XX, de Jorge de Souza Araújo, vencedor do Prêmio Nacional da Academia de Letras da Bahia; Vassoura, do jornalista Daniel Thame; A Pele de Esaú, de Silvério Duque; e Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna, de Gustavo Felicíssimo.


A organização do evento também vai promover um bate-papo com novos poetas baianos, além de promover palestras de estudiosos, entre eles Jorge de Souza Araújo e Ildásio Tavares que, pela passagem dos seus 70 anos, será homenageado com a leitura dramatizada de alguns dos seus poemas.


Espera-se, com as palestras, compartilhar experiências e incitar adeptos a participarem de pesquisas relacionadas à nossa literatura. Os princípios orientadores das palestras são:


- Apresentar criticamente a literatura produzida por autores baianos, reconhecendo assim um sistema literário absolutamente particular;


- Colocar em diálogo os atores principais na produção estética e crítica da literatura baiana: os escritores, críticos e público.


Pretende-se assim fazer uma abordagem de excelência, a sua relação com a sociedade, o espaço e o tempo, trabalhando literatura e história, a criação literária e a natureza da poesia.


BREVE HISTÓRICO


O BAHIA DE TODAS AS LETRAS é um prêmio que está em sua quarta edição. Foi criado pela editora Via Litterarum em parceria com a Editus, a Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC.


PROGRAMAÇÃO


9h00 – Saudação – As Palavras Mágicas
Prof. Pawlo Cidade


9:15 h - Abertura
Prefeito Newton Lima
Maurício Corso - Presidente da Fundação Cultural de Ilhéus
Agenor Gasparetto - Editora Via Litterarum
Baísa Nora – Editus/UESC

Manhã
9h30 - Palestra I
–
Tema: Narrar Histórias: Ação mediadora nas práticas leitoras
Palestrante: Glória de Fátima Lima dos Santos (UESC) – Mestre em Estudos Linguisticos pela UFMG


10:00h - Palestra II
Tema
: Lobato e o leitor
Palestrante: Neila Brasil Bruno - Mestranda em Letras: Linguagens e Representações pela UESC

10h40 - Peça Teatral: As Aventuras de João e Maria,
baseada na obra infanto-juvenil de Pawlo Cidade.



11:20 – Lançamento da coleção de livros infanto-juvenis de Pawlo Cidade, cujos títulos são: Mistério na Lama Negra, A Batalha dos Nadadores, O Caminho de Volta e As Aventuras de João e Maria, editados pela Via Litterarum.





Tarde
14:00h - Palestra III



Tema: Jorge Amado e a ideia de grapiunidade
Palestrante: André Rosa (UESC) - Doutor em História pela UFBA



15:00h – Café Literário: A nova poesia baiana, com a participação de Piligra, George Pellegrini, Heitor Brasileiro, Fabrício Brandão, Mither Amorim, Geraldo Lavigne.
Mediador: Gustavo Felicíssimo



16:00h – Apresentação dramatizada de trechos do poema Iararana, de Sosígenes Costa, pelo ator José Delmo



16:30h - Palestra IV
Tema
: O romance baiano no século XX
Palestrante: Jorge de Souza Araújo (UEFS) - Doutor em Letras Vernáculas (Literatura Brasileira) pela UFRJ



17:30h – Palestra V
Tema
: A poesia baiana em três autores grapiúnas
Palestrante: Ildásio Tavares – Phd pela Universidade de Lisboa



18:30h – Homenagem a Ildásio Tavares
Apresentação dramatizada de poemas de Ildásio Tavares, pelo Grupo Teatro Total.



19:30h - Entrega do Prêmio Bahia de Todas as Letras e lançamento da 5ª edição do concurso que abrirá inscrições nos gêneros poesia e conto (categorias permanentes) e história em quadrinhos e charge.



20:30h - Lançamento dos livros:
Pawlo Cidade
Mistério na Lama Negra
O Caminho de Volta
A Batalha dos Nadadores
As Aventuras de João e Maria



Jorge de Souza Araújo
Machado Crítico - A Ossatura Dialética em Análise e Síntese
Floração de Imaginários – O Romance Baiano no Século XX
Graciliano Ramos e o Desgosto de Ser Criatura
Jorge de Lima - A Palavra em Pânico, A Poesia em Crise, O Espelho Náufrago





Silvério Duque
A Pele de Esaú





Daniel Thame
Vassoura





Gustavo Felicíssimo
Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna
Silêncios
(Haikai)



Lançamento de títulos novos da Editus (serão informados oportunamente)





sábado, 8 de maio de 2010

LANÇAMENTO DE "A PELE DE ESAÚ", EM FEIRA DE SANTANA...


O poeta Silvério Duque... autografando seu mais novo livro A pele de Esaú


A coordenadora do núcleo de Cultura Popular do CUCA, Suzani Caribé, o poeta Silvério Duque, a poetisa e declamadora Lucifrance Castro, A pele de Esaú e o poeta e professor Raymundo Luis Lopes


Silvério Duque (clarinete), Gabriel Ferreira (percussão) e Paulo Akenaton (voz e violão)... o Grupo Arranjos


O público que, atentamente, prestigiou toda a festa


O público... confraternizando-se


Os poetas patrice de Moraes e Lucifrance Castro... declamando poemas de A pele de Esaú


O poeta e professor emerito da UEFS, José Jerônimo de Moraes, o poeta e jornalista Ildásio Tavares, o poeta Silvério Duque, o professor e poeta Raymundo Luis Lopes


A coordenadora do núcleo de Cultura Popular do CUCA, Suzani Caribé, o poeta Patrice de Moraes, a poetisa e declamadora Lucifrance Castro, Silvério Duque (com o pequeno João Pedro), o artista plástico Gabriel Ferreira, o poeta e jornalista Ildásio Tavares e o professor emerito da UEFS e poeta José Jerônimo de Moraes, responsáveis diretos pelo lançamento de A pele de Esaú.


Núltimo dia 06 de maio, tive o prazer e a honra de lançar o meu mais novo livro, A pele de Esaú, aqui, em minha terra natal, Feira de Santana, com o apoio da Ed. Via Litterarum, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), a través do Núcleo de Cultura Popular do Centro Universitário de Cultura e Artes (CUCA) e do Colégio Intelecto de Feira de Santana.

A festa, que teve a coordenação de minha grande amiga Suzani Leite Caribe, contou com as belíssimas declamações de Lucifrance Castro e Patrice de Moraes, com a voz e o violão de Paulo Akenaton e com uma pequena exposição temática do artista plástico Gabriel Ferreira, inspirada nos poemas de meu livro. Além disso, a presença de mestres, amigos e alunos terminou por me proporcionar um dos melhores e mais emocionantes momentos de minha vida, que, aliás, foram bem sintetizados pela crônica do amigo e jornalista Emmanoel Freitas, que é também o autor da foto acima, em seu site Viva Feira (http://www.vivafeira.com.br/):


'Como era de se esperar, Silvério Duque, proporcionou aos amigos, colegas e admiradores uma noite extremamente agradável no lançamento do seu mais recente trabalho, o livro A Pele de Esaú, na qual o autor, acompanhado de seus amigos Gabriel Ferreira e Paulo Akenatom, receberam os convidados com música da melhor qualidade. Duque se não se comportou como um anfitrião convencional, sentado a uma mesa conferindo autógrafos, tocou seu clarinete com os seus amigos proporcionando uma recepção muito agradável a todos que compareceram ao evento, fez um agradecimento emocionado àqueles que lhe são caros e próximos, culminando em tomar no colo seu sobrinho recém-nascido e pousar para fotos com ele. O livro, presenteado por Silvério Duque a população amante da boa literatura, na noite do dia 06 de abril, é uma obra inestimável aos amantes da poesia, que deve ser lido e procurado nas livrarias'.

Àqueles que compareceram a este evento, só posso dizer-lhes, simplesmente, OBRIGADO!!!"