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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

RELANÇAMENTO DE "EURÓTICO" DE PATRICE DE MORAES...

O poeta conjacuipense Patrice de Moraes, que relança, hoje,
o seu primeiro livro, Eurótico, no MAC, em Feira de Santana.






Falar de Patrice de Moraes é falar de um homem de extraordinário talento, cuja produção poética, segundo o dizer de Jessé de Almeida Primo, tranqüiliza a toda crítica “por não deixá-la em dúvida quanto à sua qualidade [Sic]”, não restando objeções ao seu domínio de um ofício de eleitos: a Poesia.

Poesia sem medos: sem medo de mostrar suas influências, de apontar para as fontes de onde se embebera, seja uma poetisa grega, morta a mais de vinte e seis séculos ou um mineiro introspectivo, cuja derradeira herança foi um livro de versos eróticos; seja um poeta português que foi tantos ou um paraibano que não foi menos que único. Poesia sem medo de mostrar sem disfarces e subterfúgios ou de encontrar aquela liberdade presente nas formas fixas que só um grande poeta sabe dar e reconhecer. Sem medo de não se mostrar pessoal e sincera, sem perder a boa e velha veia fingidora. Sem medo de ser poesia pura e depurada.

Poesia como poesia deve ser. E para ser possível obter algo assim faz-se necessário munir-se de três grandes e indispensáveis requisitos: o talento a disciplina e o amor ao que faz que a tudo obriga, por isso a sua poesia é uma poesia que sempre se quer cinética, que pretende romper os limites da impressão simplória e alçar à consubstanciação da mais pura e didática alegoria, ou seja, uma poesia que substitui o abstrato pelo aparentemente concreto.

Assim, cada poema de Patrice faz-se de imagens intencificadoras, dentro de um sistema que permite muito bem a isso; uma imagem representando um conceito ao qual se pretende, ou, simplesmente, comunicar, por meio de imagens puras e gradativas, o despertar dos sentidos, onde certas questões, como a do erotismo, são bem menos um assunto do que uma maneira de metaforizar, como nos dirá Jessé de Almeida Primo: “nesse sentido, sua poesia é tão erótica quanto toda poesia de qualidade deve ser, pouco importando seu assunto”.

Tudo isso e muito mais podem ser confirmados hoje, dia 14 de novembro de 2013, no Museu de Arte Contemporânea de Feira de Santana (MAC), que fica na rua Geminiano Costa, às 20h, para o relançamento de seu primeiro livro Eurótico (Eros, 2005).





segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A BAHIA SEGUNDO PATRICE DE MORAES...


Título: Minha Bahia
Autor: Patrice de Moraes
Gênero: Poesia
Apresentação: Nívia Maria Vasconcellos
Ilustração de capa: Gabriel Ferreira
Editora: Mondrongo
ISBN: 978-85-65170-28-4

Valor: R$ 20,00
Comprar: http://www.mondrongo.com.br








Um poema feito de Bahia

 (por Nívia Maria Vasconcellos)





Conheci Patrice de Moraes há exatos 13 anos nos corredores da Universidade Estadual de Feira de Santana. Mas o que me aproximou dele, mais do que o fato de cursarmos Letras, foi sua paixão pela poesia. Desde então, passei a conhecê-lo não apenas enquanto estudante, mas enquanto poeta. Sempre me atraiu muito e, por que não, seduziu-me muito seus poemas eróticos, ou como ele mesmo denominou no seu primeiro livro, euróticos. O trabalho dele, com esse leitmotiv, tornou-se constante a ponto de todos que já o leram associá-lo, imediatamente, às poesias eróticas em geral não deixando nada a desejar – e não é exagero essa minha assertiva – diante de poemas de igual temática de um Drummond ou de um Bocage.

Ao me deparar com Minha Bahia, por ter uma temática completamente diferente do que conhecia do criar de Patrice de Moraes, poderia ter ficado surpresa, mas não. A pessoa do Patrice de Moraes tem tanta baianidade em seu jeito de ser que este seu novo livro, mais do que uma leitura e uma apologia desse estado que ele notoriamente tanto ama, é uma leitura dele mesmo. O seu jeito de vestir, suas crenças, as músicas das quais gosta, a culinária, tudo está presente neste opúsculo. Nele, há cheiro, paladar, paisagens, religiosidade e as contradições que compõem a memória individual de Moraes que dialoga com a memória coletiva dos baianos e ora confirma ora cria uma memória dessa unidade federativa na mente daqueles a quem o poeta chama de não-baianos. Indubitavelmente, um poema que só poderia ser criado por um baiano que se sabe e se envaidece por sê-lo.

O título já comunica afeto. O pronome minha – mais do que um determinante do nome que lhe indica propriedade – manifesta aproximação, respeito e, sobretudo, intimidade. Algo muito comum em expressões como “minha preta”, “minha nega”, “meu dengo”, tipicamente baianas, que já aparecem nos primeiros versos do poema. Ainda na primeira estrofe, a palavra “porreta” comunica uma oralidade que não é fruto de um descuido formal, e sim um meio de se apresentar de forma mais fidedigna o modo de ser do baiano já que sua linguagem diz muito sobre seu comportamento e sobre demais características que o representa: como a criatividade e a malemolência.

O livro apresenta um poema composto por 15 partes. As 14 primeiras possuem uma padronização dos versos, divididos em 14 quartetos sempre finalizados com um verso que sintetiza a temática e que é uma espécie de chave de ouro. A última parte, diferentemente das outras, em vez de 14 estâncias, apresenta um soneto, forma que o autor domina muito bem e que já é uma de suas marcas comprovadas pelo Eurótico em poesias como Peculiaridade e pelo seu, ainda inédito, Amor em carne viva. Essa última parte ainda guarda uma surpresa para o leitor e mostra muito de sua habilidade com os versos, muito de sua grande artimanha criativa.

Seu metro formado predominantemente de versos decassílabos apresenta, muitas vezes, enjambements que permitem uma leitura mais fluída. Tal recurso assim como as pausas que são impostas dentro dos versos (conquistadas pelo uso de toda sorte de sinais gráficos como as vírgulas, o ponto de seguimento, os travessões, os parêntesis e as reticências) cadencia a leitura e materializa as intenções do autor num jogo de som e silêncio que atribuem ritmo ao ajuntamento das palavras. Posso acrescentar aí a homofonia que, quanto à posição no verso, é externa e, quanto à posição na estrofe, é intercalada (tipo de rima que ele domina muito bem por ser um exímio sonetista). A musicalidade alcançada por esse jogo rímico é intensificada pela tonicidade dos versos que são agudos e graves com a predominância desse último:

onde oração à vida e ao que ela tem
de essencial revelam a ambição
de um povo que desdobra o coração
na fé num orixá..., num santo... – amém.







PARTE I


Na primeira parte, somos apresentados ao poeta enquanto baiano e a Bahia com toda a sua religiosidade, uma terra que, como ele mesmo salienta, tem: “tantos meridianos à religião voltados”. Assim, louva o caráter sincrético da religiosidade baiana, mas não omite também que sua origem não foi branda, mas herdada, por meio de muito sofrimento de seus antepassados.

As partes II e III confirmam a ideia de que suas estrofes podem até ser laudatórias, mas não são inocentes. Pretendem enobrecer, mas não deixam de reconhecer as adversidades, lutas, batalhas e senzalas, assim como as “correntes podres do racismo e da matança oficializada” que mancharam a história desse estado, mas que, por outro lado, formaram um povo que, ao contrário do que muitos pensam, tem consciência de que “nem tudo é fantasia de carnaval”.

Àqueles que quiserem exigir mais postura crítica nessa Bahia em versos, Patrice de Moraes traz um contra-argumento que se firma como uma justificativa não irrefutável, mas, pelo menos, aceitável: os satíricos poemas de Gregório de Matos que, barrocamente, realizaram tal empresa já cumpririam com excelência tal necessidade. Assim, ele dialoga com o nosso poeta barroco e suas composições trazendo em suas linhas a expressão Cidade da Bahia e, explicitamente, o poema Triste Bahia, o qual não só menciona, mas também transcreve seus versos: “Triste Bahia! Oh quão dessemelhante / Estás”. Por meio de tal fundamentação, desliga-se da obrigação de ser também satírico tal qual nosso poeta maldito, o nosso Boca do Inferno. E, a quem insistir, ele indaga: “Para que eu repetir o que foi dito [...]?”.O que ocorre é que ele não se furta totalmente do olhar crítico, mas não faz dele o ponto fulcral desta obra.

com o xique-xique, com o mandacaru,
com o solo infértil, com o rebanho à fome;
com a indiferença braba que consome
(mordaz) um e outro assim como eu e tu. (parte VI)


Mais do que desvelar os vícios sociais, o Minha Bahia pretende revelar a coragem e alegria do povo baiano não como fruto de uma alienação, mas, deliberadamente, de uma escolha. A prova disso é que há partes como a IV na qual salienta o fato de a então província da Bahia ser decisiva para a independência do Brasil e a sua confirmação, fazendo menção direta à batalha de Pirajá. Não se pode esquecer que a história do Brasil sofreu interferência direta das lutas por uma autonomia política iniciadas na Bahia como a Conjuração Baiana (1798), Federação dos Guanais (1832), revolta dos Malês (1835).






PARTE II

A quinta parte possui versos tão alegres quanto à ideia que passam. O riso – vocábulo constante em várias estâncias – é uma das marcas do povo baiano que coloca “a alegria à frente da tristeza”. A culinária, com seus acarajés e abarás, contém a própria alma do baiano. Nesse ato, o sabor do alimento vai dando espaço à criatividade musical que se confirma na parte VI, na qual grandes menestréis são aludidos (Xangai e Elomar) e outros tantos artistas são lembrados para provar o quão profícua é a Bahia, tão solidária ao oferecer ao Brasil e ao mundo grandes nomes nas artes como Gregório de Matos, Castro Alves, Jorge Amado, Dodô e Osmar (parte VIII), Riachão, Tom Zé, Raul Seixas, Caetano, Gil, Bethânia, Gal Costa, Glauber Rocha, João Gilberto, Dorival Caymmi (parte IX) e mais gente de “musicalidade variada” da qual o poeta, ousadamente, não deixa escapar nem a popular e massificada axé music. 

Outros nomes memoráveis saltam aos olhos como Irmã Dulce (parte VI), Divaldo Franco, Mãe Menininha do Gantois. Esse três nomes enumerados revelam muito mais que solidariedade e compaixão; sobretudo, denotam ecumenismo religioso: uma freira, um espírita e uma  Iyálorixá respectivamente. Todos reconhecidos nacional e internacionalmente pelos seus feitos e todos baianos de nascimento e vivência.

Ele chega a aproximar Popó de Maria Quitéria em estrofes sucessivas (parte XIII) e alude a intelectuais, educadores, políticos, pessoas das mais variadas áreas (parte X). Uns ainda vivos outros já falecidos, uns no ostracismo outros no mainstream, todos vão sendo enumerados de maneira ritmada e sem perder a cadência do verso, o que demonstra toda a destreza conferida a nosso poeta e da qual ele lança mão a todo momento sem perder o jogo de cintura e mantendo seu esquema estrófico e rímico: os versos interpolados e a rima externa predominantemente grave.

posto, peculiar aos homens retos.
Mário Gusmão, Otávio Mangabeira,
Sérgio Cardoso, Walter da Silveira,
Assis Valente, João Ubaldo, – afetos

Outros do coração baiano –, Bel
Borba, Othon Bastos, Marta Rocha, e mais
Calazans Neto, Mário Cravo... Faz
Gosto citar baianos..., um mundéu


Enquanto também baiana, senti falta de personagens controversos da História baiana como Lucas da Feira e Besouro. Não sei se por lapso ou opção. Mas, como não é besta nem nada, nosso poeta não se esquece daqueles não-baianos que se deixaram apaixonar pela Bahia. Gilberto Freire (de quem ele pega emprestado a frase que forma a epígrafe deste opúsculo) é um dos nomes lembrados e não podia mesmo ficar de fora, pois, mesmo sendo pernambucano, reconhece que “todos os brasileiros são baianos”[1]. Para se juntar a ele, o poeta chama a Pierre Verger e Caribé. Algumas estâncias depois, já na parte XII, Carmem Miranda é aludida. Ela, mesmo sendo um exagero tropicalista e tendo feito algumas películas de qualidade suspeita na mais autêntica extravagância hollywoodiana, levou o nome do Brasil e, em especial, da Bahia para o mundo com a música O que é que a baiana tem composta por Caymmi e por ela imortalizada. Realmente, tantos nomes ilustres só podiam fazer os baianos “libertar o lado ufano”.







PARTE III

Patrice de Moraes vai se mostrando não só um adorador da Bahia, mas, inclusive, um conhecedor de sua história e dos sujeitos que a compõem. Além disso, um conhecedor da Língua Portuguesa e de suas possibilidades. Sagaz, na parte XI, compôs três estrofes nominais em sequência. Apenas artigos definidos e substantivos se apresentam na relação de palavras que se estende por 12 versos de musicalidade pulsante, os quais ele encera com uma brincadeira com a fonologia da língua trocando fonemas que fazem vir à luz novos vocábulos com novos campos semânticos:

a farra, a prosa, o brilho, o azul, o licor,
a rede, a esteira, o campo, o ar, a asneira,
o encanto, o espanto, a graça, o fruto, a freira,
o ocaso, o acaso, o ser, o amar, o amor, (parte XI)


Ainda na parte XI, corrobora o estereótipo da Bahia como a “terra da alegria”. Como Recife é a Veneza brasileira; o Rio, a cidade maravilhosa; Salvador é a Terra da alegria e, assim como essas, outras tantas antonomásias passam a existir para designar outros tantos topônimos, geralmente, resultado de uma imagem mental padronizada sobre tais localidades. Mas,apesar de ser repudiada por alguns que a veem como meio de maquiar problemas sociais diversos, Moraes aplica essa antonomásia em outra dimensão. Ele não quer ser panfletário e assegurar uma vaga na Bahiatursa. No seu poema, a alegria (ratificando o já dito) surge não como efeito de um ser que não se sabe sofredor e se encontra alheio aos maus-tratos que o vitimam, e sim como uma opção de indivíduos que sabem o que os aflige, mas optam pelo riso apesar disso. É uma questão de índole, de espírito pois:

Baiano que é baiano não se entrega.
Baiano que é baiano não desiste.
Baiano que é baiano põe-se em riste
mesmo atingido pela escolha cega  (parte VII)


Na penúltima parte, a Bahia vira vocativo e se personaliza pelo pronome quem: “que fazes tu, Bahia, ser quem és”. Sua segunda estrofe apresenta-nos um cultismo à moda dos versos barrocos gongóricos e seu jogo de palavras com seus hipérbatos e trocadilhos:

Que bom te ter certeza em minha vida;
em minha vida ter-te certamente.
Acerto em ter-te acertadamente.
E ter-te é glória certamente tida. (parte VII)

E mais espertezas criativas se apresentam como o neologismo “nordeste-me” e a divisão do “viste- / me” com um pronome na estrofe subsequente até chegar, como um bom Caminha, aos modestos versos “dei de mim o quanto foi possível / para exprimir destarte o inexprimível/ amor que tenho a ti”.Como um falso fim, os últimos quartetos se oferecem a nossa leitura. Eles mudam o vocativo, o interlocutor agora é Deus a quem Patrice dirige uma prece na qual sua religiosidade mais uma vez é posta à nossa presença e encerra uma súplica: continuar a ser baiano e a ser poeta.







PARTE IV

A última parte, entretanto, está por vir. A parte XV, um soneto à moda petrarquista, também classificado como soneto italiano por ter um agrupamento rítmico estruturado em 4 estrofes formadas por 2 quartetos e 2 tercetos. Ele se inicia com um verso decassílabo heroico “Sofrer..., mas ser da fé um puritano” (grifo do autor) e depois varia para outros ritmos. A combinação de rima das duas primeiras estâncias segue a mesma disposição das outras partes, rimas opostas, interpoladas: ABBA, seguidas de tercetos com esquema rímico CDD EED, como no poema Psicologia de um vencido do mestre Augusto dos Anjos.

Hábil em sua capacidade de criar versos, nosso poeta, neste opúsculo, apesar de seguir uma tradição poética não segue o rigor formal dos parnasianos. Goza de certa liberdade para cantar a sua terra como grandes poetas brasileiros já fizeram. Uns cantaram seu país, outros sua cidade: Gonçalves Dias exalta o Brasil em detrimento à terra lusa em seu poema Canção do Exílio, Manuel Bandeira alude a sua Recife em Evocação de Recife, Drummond evoca sua cidade mineira em Confissões de um itabirano, a lista é excessivamente grande para decliná-la toda aqui, mas podemos arrematá-la com aquele que cantou seu estado: Patrice de Moraes em seu Minha Bahia.

Inclusive o seu título me remete a outro poeta brasileiro, Casimiro de Abreu e seu poema Minha Terra, escrito em 1856 em Lisboa, no qual ele, já nos seus dois primeiros versos, torna-nos notório seu nacionalismo: “Todos cantam sua terra / Também vou cantar a minha”. E nosso poeta conjacuipense ao cantar a Bahia proclama que ela é “um estado em eterno estado de poesia”. Num momento em que a desterritorialização, adaptada às mudanças geridas pela nova globalização, impõe-se com todo o seu desenraizamento, mobilidade e hibridismo, Patrice de Moraes propõe uma reterritorialização por meio de seu esforço em fazer sobressair uma identidade baiana que particulariza e eleva os seus filhos e os diferencia dos demais brasileiros.



“Bahia Bahia Bahia: o início, o meio e o fim” deste opúsculo. Boa Leitura.



[1] FREYRE, Gilberto. Bahia e baianos. Salvador: Fundação das Artes, 1990.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

GRANDE NOITE DE LANÇAMENTO DOS LIVROS: "DO CORAÇÃO DOS MALDITOS", DE SILVÉRIO DUQUE, "DA MORTE DA AMADA E OUTROS POEMAS RASGADOS", DE NÍVIA MARIA VASCONCELLOS E "MINHA BAHIA", DE PATRICE DE MORAES LANÇADOS ONTEM À NOITE, NO CIDADE DA CULTURA, EM FEIRA DE SANTANA...

Os poetas Nívia Maria Vasconcellos, Gustavo Felicíssimo (editor da coleção),  Patrice de Moraes, e Silvério Duque... em debate.


Silvério Duque...  na apresentação de seu mais novo livro Do Coração dos Malditos...
Os poetas Patrice de Moraes,  o artista plástico Gabriel Ferreira, a poetisa Nívia Maria Vasconcellos e Silvério Duque... numa noite inesquecível de muita música, artes plásticas e poesia.







Após lançar a série Diálogos, com a publicação de diversos livros de poetas sulbaianos entre os anos de 2011 e 2013, a Mondrongo Livros, editora do Teatro Popular de Ilhéus, coordenada pelo escritor Gustavo Felicíssimo, promove o lançamento coletivo das obras da Série Horizontes, destinada a publicação de livros dos novos valores da poesia de Feira de Santana e Recôncavo.

O evento que ocorreu em um grande sarau ontem à noite, no Espaço Cidade da Cultura, em Feira de Santana, contou com a presença de um grande público formado principalmente de artistas e admiradores da poesia. As obras publicadas foram: Do Coração dos malditos, de Silvério Duque; A morte da amada & outros poemas rasgados, de Nívia Maria Vasconcellos; e Minha Bahia, de Patrice de Moraes. Todas trazendo, na capa, detalhes de quadros pintados pelo artista plástico  Gabriel Ferreira.

A Série Horizontes, como afirma Felicíssimo, nasceu por conta da amizade do editor com os autores envolvidos no projeto, no entanto vale lembrar que Feira de Santana é local de origem de importantes poetas baianos, como Godofredo Filho, Eurico Alves, Antônio Brasileiro e Roberval Pereyr, e que Silvério Duque, Nívia Maria Vasconcelos e Patrice de Moraes são autores experimentados na literatura (não apenas na poesia) e que por isso mesmo são parte de uma nova geração que dá segmento à tradição estabelecida ao mesmo tempo em que colaboram para o engrandecimento e reconhecimento da editora ilheense pelo meio literário baiano.

Para a aquisição das obras, cessem o site da Mondrongo Editora: http://www.mondrongo.com.br



domingo, 1 de setembro de 2013

SILVÉRIO DUQUE, NÍVIA MARIA VASCONCELLOS E PATRICE DE MORAES LANÇAM SEUS NOVOS LIVROS EM FEIRA DE SANTANA, NESTA QUINTA-FEIRA, DIA 05 DE SETEMBRO...




Após lançar a série Diálogos, com a publicação de diversos livros de poetas sulbaianos entre os anos de 2011 e 2013, a Mondrongo Livros, editora do Teatro Popular de Ilhéus, coordenada pelo escritor Gustavo Felicíssimo, promove o lançamento coletivo das obras da Série Horizontes, destinada a publicação de livros dos novos valores da poesia de Feira de Santana e Recôncavo.

O evento vai ocorrer em um grande sarau no próximo dia 05 de setembro, quinta-feira, no Espaço Cidade da Cultura, às 19 horas, em Feira de Santana. As obras publicadas são: Do Coração dos malditos, de Silvério Duque; A morte da amada & outros poemas rasgados, de Nívia Maria Vasconcellos; e Minha Bahia, de Patrice de Moraes. Todas elas trazem na capa detalhes de quadros pintados pelo artista plástico  Gabriel Ferreira.

A Série Horizontes, como afirma Felicíssimo, nasceu por conta da amizade do editor com os autores envolvidos no projeto, no entanto vale lembrar que Feira de Santana é local de origem de importantes poetas baianos, como Godofredo Filho, Eurico Alves, Antônio Brasileiro e Roberval Pereyr, e que Silvério Duque, Nívia Maria Vasconcelos e Patrice de Moraes são autores experimentados na literatura (não apenas na poesia) e que por isso mesmo são parte de uma nova geração que dá segmento à tradição estabelecida ao mesmo tempo em que colaboram para o engrandecimento e reconhecimento da editora ilheense pelo meio literário baiano.


Nesta quinta-feira, dia 05 de setembro, às 19h00, no Espaço Cultural, Cidade da Cultura (Rua H, 170, Conj. João Paulo II).


A entrada é franca...!!!

sábado, 8 de maio de 2010

LANÇAMENTO DE "A PELE DE ESAÚ", EM FEIRA DE SANTANA...


O poeta Silvério Duque... autografando seu mais novo livro A pele de Esaú


A coordenadora do núcleo de Cultura Popular do CUCA, Suzani Caribé, o poeta Silvério Duque, a poetisa e declamadora Lucifrance Castro, A pele de Esaú e o poeta e professor Raymundo Luis Lopes


Silvério Duque (clarinete), Gabriel Ferreira (percussão) e Paulo Akenaton (voz e violão)... o Grupo Arranjos


O público que, atentamente, prestigiou toda a festa


O público... confraternizando-se


Os poetas patrice de Moraes e Lucifrance Castro... declamando poemas de A pele de Esaú


O poeta e professor emerito da UEFS, José Jerônimo de Moraes, o poeta e jornalista Ildásio Tavares, o poeta Silvério Duque, o professor e poeta Raymundo Luis Lopes


A coordenadora do núcleo de Cultura Popular do CUCA, Suzani Caribé, o poeta Patrice de Moraes, a poetisa e declamadora Lucifrance Castro, Silvério Duque (com o pequeno João Pedro), o artista plástico Gabriel Ferreira, o poeta e jornalista Ildásio Tavares e o professor emerito da UEFS e poeta José Jerônimo de Moraes, responsáveis diretos pelo lançamento de A pele de Esaú.


Núltimo dia 06 de maio, tive o prazer e a honra de lançar o meu mais novo livro, A pele de Esaú, aqui, em minha terra natal, Feira de Santana, com o apoio da Ed. Via Litterarum, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), a través do Núcleo de Cultura Popular do Centro Universitário de Cultura e Artes (CUCA) e do Colégio Intelecto de Feira de Santana.

A festa, que teve a coordenação de minha grande amiga Suzani Leite Caribe, contou com as belíssimas declamações de Lucifrance Castro e Patrice de Moraes, com a voz e o violão de Paulo Akenaton e com uma pequena exposição temática do artista plástico Gabriel Ferreira, inspirada nos poemas de meu livro. Além disso, a presença de mestres, amigos e alunos terminou por me proporcionar um dos melhores e mais emocionantes momentos de minha vida, que, aliás, foram bem sintetizados pela crônica do amigo e jornalista Emmanoel Freitas, que é também o autor da foto acima, em seu site Viva Feira (http://www.vivafeira.com.br/):


'Como era de se esperar, Silvério Duque, proporcionou aos amigos, colegas e admiradores uma noite extremamente agradável no lançamento do seu mais recente trabalho, o livro A Pele de Esaú, na qual o autor, acompanhado de seus amigos Gabriel Ferreira e Paulo Akenatom, receberam os convidados com música da melhor qualidade. Duque se não se comportou como um anfitrião convencional, sentado a uma mesa conferindo autógrafos, tocou seu clarinete com os seus amigos proporcionando uma recepção muito agradável a todos que compareceram ao evento, fez um agradecimento emocionado àqueles que lhe são caros e próximos, culminando em tomar no colo seu sobrinho recém-nascido e pousar para fotos com ele. O livro, presenteado por Silvério Duque a população amante da boa literatura, na noite do dia 06 de abril, é uma obra inestimável aos amantes da poesia, que deve ser lido e procurado nas livrarias'.

Àqueles que compareceram a este evento, só posso dizer-lhes, simplesmente, OBRIGADO!!!"


quarta-feira, 31 de março de 2010

A CARNE DE MEUS VERSOS ou PATRICE DE MORAES - POETA


O poeta Patrice de Moraes




From Wrong to Wrong the exasperated spint
proceeds unless restored by that refining fire...
T.S. Eliot



Não há maior perigo para um pregador do que se ver traído em sua própria pudicícia. Em outras palavras, submeter-se àquela tentação que tanto abomina e, contra ela, tantas palavras de ordem vocifera. São Silvério, meu chará, entre o Cruel Belzário e o não menos ardiloso Vigílio, escolheu o martírio pela fome a aceitar a tentação. Longe de mim menosprezar o sacrifício do padroeiro de Ponza, mas hoje, é de tentação que pareço querer me alimentar.

Por que digo isso?

Por obrigar-me, mesmo que tardio e brevemente, a falar de um amigo e de seu trabalho. Obrigação que me é grata, prazerosa e segura; e que não me traz a desagradabilíssima sensação de estar prestando um favor, sem levar em conta as devidas qualidades do amigo. Foram as qualidades deste amigo – entre tantas, a literária – que, pelo contrário, o tornaram como tal.

E qual o problema?

Ser acusado de cair na mesma banalidade, autopiedade e bajulação em que se diluem a quase totalidade de nossa atual produção literária, principalmente por aqueles que, vendo-me falar das virtudes literárias de alguém que me é de um ciclo pessoal de amizades, fechem os olhos para as qualidades deste, como fecham para a inexistência de qualidades neles, e alardeiem por aí que o inquisidor se deixou cair em tentação e agora se apossa daquilo que melhor os identifica: seus pecados.

Como quem enxerga um ácaro sobre o cisco nos olhos do irmão, mas não enxergam, nem ouvem, um asno a rinchar frente as suas faces, baterão nos peitos impregnados de arrogância burra, e dirão: crucifica-o! Eu, no entanto, lhes direi: se disse algo de mal, dêem testemunho do mal, mas se lhes disse bem, porque me batem? Vão, e clamam cada um por seu Barrabás.

***


Falar de Patrice de Moraes é falar de um homem de extraordinário talento, cuja produção poética, segundo o dizer de Jessé de Almeida Primo, tranqüiliza a toda crítica “por não deixa-la em dúvida quanto à sua qualidade [Sic]”, não restando objeções ao seu domínio de um ofício de eleitos: a poesia.

Poesia sem medos: sem medo de mostrar suas influências, de apontar para as fontes de onde se embebera, seja uma poetisa grega, morta a mais de vinte e seis séculos ou um mineiro introspectivo, cuja derradeira herança foi um livro de versos eróticos; seja um poeta português que foi tantos ou um paraibano que não foi menos que único. Poesia sem medo de mostrar sem disfarces e subterfúgios ou de encontrar aquela liberdade presente nas formas fixas que só um grande poeta sabe dar e reconhecer. Sem medo de não se mostrar pessoal e sincera, sem perder a boa e velha veia fingidora. Sem medo de ser poesia pura e depurada. Poesia como poesia deve ser. E para ser possível obter algo assim faz-se necessário munir-se de três grandes e indispensáveis requisitos: o talento a disciplina e o amor ao que faz que a tudo obriga.

Quando me refiro a poesia de Patrice de Moraes, refiro-me a uma poesia que sempre se quer cinética, que pretende romper os limites da impressão simplória e alçar à consubstanciação da mais pura e didática alegoria, ou seja, uma poesia que substitui o abstrato pelo aparentemente concreto, ou, como melhor definiu Coleridge, citado por César Leal em seu Os cavaleiros de Júpiter, uma “transposição de noções abstratas para uma linguagem de cores”. Assim, cada poema de Patrice faz-se de imagens intencificadoras, dentro de um sistema que permite muito bem a isso; uma imagem representando um conceito ao qual se pretende, ou, simplesmente, comunicar, por meio de imagens puras e gradativas, o despertar dos sentidos, onde certas questões, como a do erotismo, são bem menos um assunto do que uma maneira de metaforizar, como nos dirá Jessé de Almeida Primo: “nesse sentido, sua poesia é tão erótica quanto toda poesia de qualidade deve ser, pouco importando seu assunto”. Mas é, evidentemente, o próprio poeta quem nos dá o melhor exemplo:

...Sentindo o mastro lhe beijar a vinha
e vagarosamente introduzir-se,
regia com a batuta da espinha

– num compasso de ardor a reproduzir-se –
os flexos movimentos circulares
da anca, finalmente a inserir-se

na orquestração direta desses ares
venosos, ambiciosos, compulsivos...,
que com os seus audazes serpentares

deliberadamente progressivos
alimentava a fome de ida e vinda
do amante – cada vez mais em agressivos

e impiedosos penetrares... Ainda
que um deles ameaçasse desistência,
a carne lhe diria: “Isso só finda

quando eu sentir a glória, a quintessência
do gozo pretendido desde o início!”(...)

(Patrice de Moraes, Predileção in Eurótico, Ed. Eros, 2005, p. 56-57)


Sem se importar em florear de prosaísmo a sua poesia no mesmo tempo que se mostra profundamente preocupado com o apuro formal e a cadência rítmica de seu poema, Patrice de Moraes não almeja a nada mais o que ser poeta, não representando nada mais do que uma etapa superior da poesia de um homem que domina inteiramente os mecanismos de expressão. Não restam dúvidas de que Patrice de Moraes pode planejar o poema e fazê-lo da maneira que ele bem entenda, mas sempre como um artista, como um criador, nunca como um artífice, um mero construtor, um simples “imendador” de artifícios. O mundo refletido em sua poesia é sempre um mundo real, um mundo que parece “saltar para a vida” ao invés de se afogar em ideais vazios, de uma simbologia que parece querer mais fugir as coisas do que a elas servir.

Esta penetração (palavra complicada para quem se arrisca a analisar um poeta do erotismo) que Patrice faz na realidade, é algo que é feito por todo grande escritor e o bardo conjacuipense não me parece uma exceção a isto; porém, é preciso lembrar que a grande obra poética é resultado das somas entre as generalidades abstratas do pensamento e a realidade concreta do mundo; se Patrice ficasse apenas numa destas coisas, sua obra estaria longe de ser considerada uma forma de arte; como consegue unir estas duas variantes em um mesmo processo e num resultado consistente, é poeta. Toda arte possui um mundo seu que não vem nem do mero mergulho na realidade circundante, nem se fazendo caricatura desta mesma realidade, mas de um mundo onde estas coisas se fundem e se anulam, à criação de algo com unidade entre o absoluto e o relativo. Estas coisa são tão óbvias, e tão fáceis de ver, que me angustia saber que muitos de nosso “poetas” contemporâneos passem, em sua teoria e prática, ao largo destes preceitos e que, para piorar, ainda encontrem bons poetas que atestem estas coisas tão inexistente neles, validando algo que, se muito for alguma coisa, é pura grosseria versada; e mal versada. Fico a me perguntar se, quando um bom poeta faz algo assim, se ele o faz por ultrapiedade ou por automasoquismo? Mas como nem tudo são flores, muito menos um roseiral, vamos em frente.

Jessé de Almeida Primo, na apresentação do livro Eurótico, de Patrice de Moraes, objetiva-se em dizer que os poemas de Patrice não são simples veículos de expressão sentimental ou de devaneios, cuja beleza é muito mais um acidente do que o resultado de uma elaboração, sendo esse um dos motivos pelos quais a maioria dos líricos têm vida curta, muito pelo contrário, são veículos de pensamento e meios pelos quais muitas coisas são ditas. Certamente, Patrice de Moraes não busca uma “palavra poética” vã, meramente ornamental, pois não há beleza que perdure no vazio, mas mostra-se determinado a alcançar aqueles que servem a um propósito, o mesmo que ficará depois de lido o poema, fechado o livro, recostada a cabeça. Por isso mesmo Patrice não parece temer o discurso, porque não pode cair num reino de abstrações puras, por isso sua poesia trás, mesmo carregada de lirismo, a força de um pensamento concreto e, assim, sua poesia se enche de um profundo “tom professoral” que, ainda segundo o Jessé Primo, traz, a obra de Patrice, uma idéia de “corporalidade”, como se verá no uso que o poeta de Conceição do Jacuípe faz da forma.

A forma nada mais é do que a elaboração interior de uma poesia, ela é o resultado final da idéia que um poema carrega, por isso, do contrário ao que muitos pensam, a forma não trabalha em causa próprio, mas é a idéia contida no poema que se adequará à rima, a métrica e ao ritmo. A freqüência com que a forma fixa, principalmente o soneto, a parece na obra de Patrice de Moraes, só vem a mostrar o quanto que o poeta procura seu entendimento e depuração, porque nenhuma espécie de poema em que se dividem os gêneros líricos exigem um auto nível de concretude e de pensamento reflexivo como exige o soneto, porque não há maior propriedade em um soneto que teor reflexivo, por maior que seja o lirismo que e ele carregue. Escrever um bom soneto não é fácil. Especialmente um soneto que se queira moderno, pois nenhum movimento, por incrível que possa parecer, habilitou e reabilitou o soneto como o Modernismo e, de lá, por diante. A natureza “moderna”, e, acima de tudo, a natureza poética, dos sonetos, como dos demais poemas de Patrice de Moraes, encontram-se implícitas nas questões existências que ele suscita, metaforizadas, na grande maioria das vezes, em seu erotismo:

Apresento-me para esta mulher
com meu e minha alma desnudados
para mostra-lhes os famélicos pecados
que esta carne insaciável tanto quer

Revelo minhas tendências animais
de lamber, de cheirar, de introduzir
os recursos que podem permitir
chover na zonas equatoriais

Convicta do que eu quero e do que eu faço,
convida-me a traçarmos um compasso
nas linhas da maior libertinagem...

Apaga do papel toda razão
fazendo-me chegar a conclusão
de usamos idêntica linguagem.

(Op. Cit. p. 19)


Como qualquer um perceberá, pelo menos os dotados da mais básica inteligência, que a obra de Patrice é dotada de uma grande qualidade, que vai da escolha dos temas a intimidade com a “mecânica dos versos”. A impressão que se tem ao ler seus poemas e de se está diante de uma tela repleta de cores e formas que vai ganhando movimento à proporção que se é olhada, ou melhor, lida. Sua poesia tem domínio lingüístico, onde conceitos se perdem e se acham, influências se revelam ou se disfarçam, formas podem ser usadas ou reinventadas, mas nunca se afasta daquilo que a torna verdadeiramente poesia. Sem dúvida, a sua lógica poética, como a lógica poética tout court é reinventar a realidade de onde tudo se origina, porque a vida é pouca; por isso precisamos de poetas, e de bons poetas, como Patrice de Moraes.

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Quanto aos “escribas e fariseus, hipócritas!”, nada melhor para eles do que aproveitarem a apropriada ocasião da Semana Santa e ler o que a Bíblia diz, no versículo 14, do 23º capítulo do Evangelho segundo S. Matheus, a respeito deles.








Candeias/Feira de Santana, 28/31 de março de 2010.