terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A TRAGÉDIA NOSSA DE CADA DIA...



SBN:
978-85-81510-97-2
Edição:
Ano de publicação:
2015
Nº de Páginas:
172
Formato:
14x21cm
Idioma:
Português






A TRAGÉDIA NOSSA DE CADA DIA

ou BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE
O LIVRO O GRITO DO MAR NA NOITE
DE EMMANUEL MIRDAD


  à minha caríssima Nívia Maria Vasconcellos; 
porque é muito bom tê-la de volta.

Para mim, nobreza é sinônimo de vida esforçada, posta sempre a superar-se a si mesma, a transcender do que já é para o que se propõe como dever e exigência. Desta maneira, a vida nobre fica contraposta à vida vulgar e inerte, que, estaticamente, se reclui a si mesma, condenada à perpetua imanência, caso uma força exterior não a obrigue a sair de si. Daí que chamemos massa a este modo de ser homem – não tanto porque seja multitudinário, quanto porque é inerte.
JOSÉ ORTEGA Y GASSET






 
Nos bastidores da FLICA (Festa Literária Internacional de Cachoeira) deste ano, quando me preparava para, cheio de honra e – confesso – com certo desassossego, dividir uma mesa de debates com o grande crítico e amigo Rodrigo Gurgel, sou abordado pelo camarada, e também um dos produtores do evento, Emmanuel Mirdad, que me presenteia com seu último livro de contos, devidamente autografado, mas não sem algumas ressalvas quanto aos seus escritos e com a recomendação de que eu começasse a leitura de seu O grito do mar na noite (Via Litterarum, 2015) por aquele que, segundo o próprio autor, era sua realização preferida. Não me fiz de rogado e, obviamente, aceitei o presente e atendi à exortação, começando pelo conto Sol de abril.

Tomando como base a canção Assum Preto, de Luís Gonzaga e Humberto Teixeira, somos apresentados a uma sanfoneira “doca” que, há muito, deixara o sertão do Nordeste para tocar nas praças do Sul do Brasil... Emmanuel Mirdad constrói a história dessa mulher com um intricado jogo de narrativa psicológica e flashback, dando a este conto um dinamismo muito grande, ao tempo que nos transporta a um jogo imbricado de memórias e assim, cada vez que a história vem e vai, no tempo, somos preparados cada vez mais a um arremate cruel e surpreendente. Mas, embora tenha me agradado muito com esta história, não me contento só com a leitura de Sol de abril (bom sinal) e sigo com os outros contos do livro.

A história de Sol de abril, difere em muito de todas as outras histórias do livro, pois é a única passada longe de Salvador ou de qualquer cidade grande, de fato, e onde o ambiente citadino não se compõe quase como um personagem à parte, que vai conduzindo a história ao seu pesar e contentamento; características relevantes nos nove outros contos de O grito do mar na noite, e que constroem a quase total verossimilhança de tudo que neles se leem. Outrossim, está justamente nessa verossimilhança aquilo que eles possuem de mais incômodo, no melhor sentido desta palavra.    


Uma boa leitura, seja de poesia ou prosa, seja de uma música que se escuta ou um quadro que se observa, precisa incomodar; ser carregada na memória, digerida lentamente por ser algo em que nos reconheçamos e pela qual aprendemos.

Assim como acontece na poesia, a leitura de um conto, graças ao seu teor fotográfico, completa-se depois de lido o último parágrafo e fechado, mesmo que por alguns instantes, o livro. Um bom conto golpeia seu leitor que, ainda no tonteio do soco, procura a melhor posição para o contra-golpe, o revide... Por isso mesmo, e Emmanuel Mirdad que me perdoe, mas é preciso falar a respeito disso, o exagero de algumas descrições e informações, enfraquecem a narrativa – e isso, infelizmente, acontece várias vezes, durante todo O grito do mar na noite –, fazendo com que se perca muitas vezes o ritmo de sua narrativa, sem contar o desaforo que um bom leitor acaba sentindo, pois quando não lhe é oferecido um desafio de investigar em sua própria mente o quanto ele é capaz de compreender e se surpreender, no ato da leitura, o leitor é visto como um pacóvio.

Em resumo, entregar demais ao leitor é chamá-lo de bobalhão ou outorgar tal epíteto a si mesmo, enquanto autor. Por causa disso, determinados trechos mais enfadam do que realmente informam e fazem com que boas passagens, bem mais lúcidas e poéticas, percam sua beleza e razão, como, por exemplo:

Seu Humberto, o Beto, era cearense, assim como seu xará, O Teixeira, filho ilustre de Iguatu e parceiro mais célebre do velho Lua, o Rei do Baião, filho de Exu (PE)...


cuja resolução – perdoem-me a pretensão, apenas faço-a como exemplo de uma ideia e não uma tentativa de reescrever a história construída pelo autor – seria demasiadamente simples, e o leitor que se virasse para não se sentir subestimado:

[Seu Beto era cearense, como o seu xará, de Iguatu; parceiro mais célebre do velho Lua, o Rei do Baião...]

Mas, vejam como, antes, Emmanuel Mirdad conseguira um efeito justamente contrário, e, por isso mesmo, digno de exemplo, inclusive para ele:

De olho fechado, reza. A aparição mariana que lhe originou o nome pode até escutar, mas não deve responder. A paz brota do silêncio. E a cidade em flor começa o percurso dos fluidos de seu organismo. 


No final das contas, em qualquer narrativa que se respeite deve prevalecer aquilo que José Ortega y Gasset chamava de “A lei seca da arte”, ou seja, o conceito de Ne quid nimis, de “nada além do necessário”.  Um bom exemplo, e bom conselho a esse respeito, estão em Graciliano Ramos, quando o autor de São Bernardo e Vidas Secas compara o ofício da escrita ao trabalho das lavadeiras de sua terra natal:

Deve-se escrever da mesma maneira com que as lavadeiras lá de Alagoas fazem em seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.

Voltando a Ortega y Gasset, ele nos admoesta de que tudo o que é supérfluo, “tudo aquilo que podemos suprimir sem alterar a essência é contrário à existência da beleza”. Isso vale para a poesia, para a prosa, para a música, pintura, dança; qualquer coisa que se chame de arte; qualquer trabalho que se queira bem feito; é algo que Emmanuel Mirdad, certamente, explorará muito mais daqui pra frente.

Uma coisa que um autor (e, mais ainda, todo pretenso autor) deve saber, é que toda história é uma história que se poderia viver; de que aquelas situações ali poderiam ser vividas por qualquer pessoa de qualquer época e lugar; que aquilo em que o leitor tanto se concentra seria passível de sua própria experiência. Por isso, a vivência de uma boa leitura, não é só garantia de catarse, mas da própria catarse se extrair aprendizado. Mesmo as fábulas mais burlescas trazem uma carga moral imensamente aplicável ao nosso mundo e disso tiram toda a sua força e pragmatismo. Desta forma, para o homem grego do século V a.C., encontrar-se com grandes criaturas marinhas, ou cair dos caprichos arbitrários de deuses nada complacentes, era algo tão aceitável quanto deparamo-nos com a violência nossa de cada dia, promovida por homens e mulheres de carne e osso, mas carregados de ódio e preconceitos tão cruéis quanto os jogos de poder de deuses e deusas, onde dados e cartas eram os próprios destinos humanos, como é o caso do conto O banquete, onde, numa referencia nada platônica, Emmanuel constrói uma boa alegoria da burrice violenta que surge das multidões, instigadas pelas mais diferentes situações, formando a tragédia nossa que vivemos a cada dia:

O ponto dela chegou. Desceu compenetrada ao smartphone, sem olhar para os lados nem perceber o ambiente. Azar. Ninguém na rua, e os poucos estabelecimentos em volta, nenhum aberto. [...] Três carecas se aproximaram por trás. O que tinha uma suástica tatuada no cocuruto exagerou a mão na pancada, e a gordinha apagou... [...] Sorte; evitou a tortura morrendo de primeira. [...] Dentro do carro, a sensação dos três era de dever cumprido. [...] O celular passou de mão em mão. Miseravelmente, um deles apagou as fotos da viagem que a gordinha fizera com a namorada para o litoral, como se pudesse excluir da existência a opção que tanto odiava.  


Entretanto, o que poderiam ter em comum entre a narrativa clássica e o conto contemporâneo, por exemplo? O aprimoramento de caráter e de intelectualidade que todo herói trágico, a duras custas, adquire ao fim de sua jornada de angústias, isso é o que deveria existir em ambos. Tal aperfeiçoamento nos é garantido na literatura clássica, mas sentimos cada vez mais sua inexistência nas narrativas mais contemporâneas, onde a construção aprofundada de um personagem não vai além de sua cansativa descrição, ou a mera trivialidade ocupando o lugar do verdadeiro drama. A catarse, assim, parece algo impossível, já que o leitor não tem onde se mirar de fato, nem fazer aquela viagem introspectiva, de onde suas paixões seriam verdadeiramente purgadas. Emmanuel Mirdad, a meu ver, consegue, de fato, livrar-se do trivial e se aprofundar, verdadeiramente, em três de suas narrativas: Chá de boldo, Sol de abril e Aqui se paga.

        Um homem que aceita a mulher caolha após ter sido violentada e, em seu ato, bem como na dor de sua companheira, ver revelar-se toda a beleza para além das meras aparências, ou um velho, outrora abandonado pela filha, dedica-se com todas as suas mirradas forças a cuidar de sua antiga algoz, não representam uma mera luta contra sentimentos pessoais, das quais estão cheíssimas as narrativas de nossa atual literatura, o que, no mínimo, seria sinônimo de um moralismo oco; ao contrário, vemos nesses exemplos a escolha por um bem maior e pelo real dever que lhe cabem como verdadeiro amante, como pai, como seres humanos. Isso seria, nada mais nada menos, a real diferença entre a verdadeira moral e uma caricatura ordinária de moralidade; entre a real profundeza que esperamos de um escritor e a mesmice banal de quem apenas observa o cotidiano sem nada dele tirar e, muitas vezes, sem lhe arranhar direito a própria casca.  

            Um elemento muito importante e inegável por qualquer um que leia os contos de Emmanuel Mirdad, mantido ao longo de todo o livro, é seu efeito surpresa; a radical mudança que situações extremas possuem em suas histórias, e o conto O banquete é, certamente, o que mais se utilizará desse recurso. É mesmo “de oito a oitenta”, como se diz no jargão popular daqui da Bahia, que mudanças radicais e inesperadas se dão em suas narrativas, proporcionando não só um efeito estético proveitoso, fazendo valer, entre tantas coisas, aquela situação em que o leitor sente-se abobado e se desfruta de tal sensação. O banquete lembra-nos o quanto que nossa vida em sociedade está intimamente relacionada com cada indivíduo, da teia frágil que cada um vem tecendo no caótico mundo urbano, de sistemas fechados nada previsíveis, mas isso também pode ser vivenciado em Sol de abril, Chá de boldo, Aqui se paga, Quase onze dias... A melhor parte desse efeito é quando um amor que um dia se mostrou puro, se conclui através de um estupro, quando a dor e a raiva de um abandono são devolvidas com o cuidado extremoso de um velho pai, ou uma palavra cruel tem, na morte, pagamento certeiro e sem troco, obrigando-nos a refletir, a repensar tudo a nossa volta; o que temos, o que nos falta e, principalmente, o que perdemos.

Outro elemento que julgo de uma importância muito grande neste livro de Mirdad é o registro da linguagem coloquial de Salvador, mas também de outros recônditos da Bahia. Isso me faz lembrar um grande problema que enfrento, como professor de Literatura, que é fazer com que meus alunos, com terríveis limitações vocabulares e demasiadamente presos às maravilhas de nosso mundo tecnológico, tão diferente dos séculos de Machado e Guimarães Rosa, gostem e se aprofundem em um romance ou conto dentro de um contexto que eles desconhecem e não querem se esforçar para conhecer. Talvez por isso, romances de entretenimento para adolescentes, façam tanto sucesso, pois estão carregados de coisas que fazem parte de seu contexto e cotidiano, como computadores, celulares, tabletes... Mesmo histórias que têm, como pano de fundo, a Antiguidade e a Idade Média são narradas como em um roteiro de filme ou ganham uma gama de movimentos e cores como em um vídeo game; isso quando Perseu não se utiliza de um iPhone para matar a Medusa, ao invés de um escudo polido. Em compensação, se estas histórias não possuem palavras estranhas como “coches” e “lojas de belchior”, elas perdem naquele aprofundamento moral e psicológico em que um Machado e um Dostoievsky se tornam mestres e, até hoje, não possuem, pares semelhantes.

Essa necessidade de uma língua “nossa” e mais “pura” é uma característica que remonta a ideais ainda de nossos primeiros românticos, e serve como um verdadeiro presente ao leitor, bem como aos registros linguísticos e históricos, é o caso de expressões que fazem com que o leitor, principalmente o baiano, identifique-se com tudo aquilo que se passa na história, justamente por ter algo em que se reconhecer dentro dela. É o caso de expressões como “se pique, vá!”, “Meu rei”, “Vamo cumê aguá”, “Man...”, “E esse Baêa!?”, um alongadíssimo “Aonde” (que, na Bahia, também significa: “Não!”)... e “Receba!”, expressão a qual, aliás, nomeia um de seus contos mais inusitados. Vejamos, um exemplo:

Começo da noite, a academia está cheia.

– Rapaz, ontem eu peguei quatro!

– É lascador, esse menino!

Um grupo de homens sarados, alguns bem jovens, reveza o uso de um aparelho puxador, para exercícios diversos. Compartilham seus músculos ao espelho comum. “Você tá grande, hein, pai”? Uns fazem tríceps, outros remada em pé, alguns na barra comum, que poucos ali conseguem fazer. Eu sou o que mais faço; lembranças da época do quartel.

– Tá ligado, a Bruninha? Passei a pica! Putinha, putinha...

Man, vai rolar o ensaio na segunda, vamo dêcê? Só tá rolando as gata, Serjão deu as ideia. E vamo cumê aguá na segunda também!

– Bora!

– E o Baêa?!

Futebol, buceta e cerveja. Apenas três assuntos e em poucos segundos os homens são iguais, melhores amigos a décadas, inseparáveis...


Também a descrição de lugares badalados e famosos de todos que moram ou visitam Salvador completam isso. Aliás, Emmanuel trabalha em seus contos uma tendência de narrativa basicamente urbana, a exceção de Sol de Abril, com todas as suas nuances e, muitas vezes, clichês bem encaixados. Entretanto, seu maior trunfo, nesse sentido, é mostrar uma Salvador cheia de ricos curtindo suas vidas da forma mais prazerosamente louca, porque podem e só por isso; mas carregados de um vazio tão extremo, que a única coisa que lhes sobra é, puramente, o dinheiro que têm. Ou como Mirdad descreveu, usando um de seus personagens:

É uma vida superficial e retilínea, imune à trágica consciência de que há diversos conflitos na existência humana. [...] Eram alguns ricos, bem inseridos e farristas da elite baiana que se encontravam de quando em quando, para algum deles pagar a noitada.
  

         Acredito que uma boa leitura é aquela que nos dá um choque de realidade... Engana-se redondamente quem pense que um autor de ficção tem um compromisso indistinto com a fantasia. Mais do que construir realidades, um bom autor, ou quem se pretenda a tal, precisa desnudar a realidade aos nossos olhos; não precisa mascarar nenhum tipo de beleza, mas revelá-la em sua forma mais pura; oferecer de bom grado, a verdade, ao invés de fingir-se um conhecedor de alguma verdade que seja. Se a vida, no fim, se revelar vã, devolvê-la-emos à sua completude através da literatura.

Tudo isso serve para mostrar o quanto que o conto é uma forma de narrativa muito perigosa. Uma composição literária onde o muito, imprescindivelmente, deve ser feito com o mínimo possível, e, por isso mesmo, seja talvez a forma de composição em prosa que, junto às fabulas modernas, mais se assemelhe com o gênero poético, a necessidade de verossimilhança e do aprofundamento dos fatos narrados são tão grandes quanto à capacidade de seu autor em surpreender tanto por aquilo que está a ser lido, bem como pela reflexão que dá lugar às palavras depois da conclusão da leitura.

Assim sendo, Emmanuel Mirdad deu um passo importante, bem mais do que exercendo o papel de poeta, mas que só se concluirá numa longa e compensadora jornada se ele tomar como modelo seus acertos, entendendo que o crescimento como autor não é diferente do crescimento como ser humano. Ambos se modelam através de nossa capacidade de irmos além dos esforços estritamente impostos como reação às necessidades que nos chegam de fora, mas do empreendimento espontâneo e luxuoso. Eis o verdadeiro sentido da nobreza. Emmanuel Midard conseguiu alguns momentos de nobreza em suas narrativas... Que o criador, nesse caso, espelhe-se em sua própria criação.

Em resumo, é um livro de um estreante, sendo assim, uma obra que nos deixa sempre esperançosos. Eu, particularmente, gostei muitíssimo de O grito do mar na noite, independentemente das questões técnicas abordadas, até porque, essas questões dizem mais aos críticos; há, em O grito do mar na noite, histórias bem construídas, verossímeis e, ironicamente, seu maior trunfo e defeitos se encontram em sua linguagem e na maneira de como ela é construída. Emmanuel, com este livro, está no caminho certo; e eu, assim como outros leitores, ávidos por um considerável melhoramento nos temas e nas formas (e em algumas influências) de nossa atual literatura, esperamos que, deste caminho, Emmanuel Mirdad não se desvie.









Cachoeira/Candeias, entre outubro e novembro de 2015. 


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http://www.vleditora.com.br/lojavirtual/livro/o-grito-do-mar-na-noite

          

Um comentário:

Mirdad disse...

Que ótimo, meu caro, fico feliz por ter lhe causado essas impressões, um presente nesse dia tão difícil que passei. Muito obrigado pela crítica, vou me atentar a não repetir o problema, que é originário de minha formação como jornalista. Você tem toda razão! Fico muito contente quando alguém tem a generosidade de apontar os meus erros. Só com o olhar do outro poderei encontrar o caminho.

Gosto da "real profundeza", da "verdadeira moral", do ressaltar da força do conto contemporâneo, de ter reconhecido que a minha carreira de poeta está encerrada (o que concordo 200%), do "efeito surpresa", e da "verossimilhança". Grato! Agora sobre a linguagem coloquial e essa temática sobre o cotidiano, vou abandonar. Aliás, no próximo livro, encerro a minha produção de contos. A partir de agora, só romance. E a sua contribuição foi imensa, uma fortuna mesmo, meu professor.

Grande abraço e muito obrigado por sua generosidade. Feliz, feliz! Avante!