sábado, 17 de outubro de 2009

POEMA DO BREVE REGRESSO...


Carolina (sobre um tema de Chico Buarque de Holanda) de Gabriel Ferreira. Acrílico sobre tela. (70X70)cm. 2007.

UM BREVE REGRESSO


– Na casa velha
dormem, ainda,
outras canções de antigas tardes,
mas nada nos diz
o eco melancólico destes silêncios.

A fúria das lembranças que se foram
( muito cedo ) nos invade a memória
com rosários e rezas;
com as estórias de uma infância
muito além de nosso compreender;
com a ternura antiga
que alongava os dias, os sorrisos
e os nossos supostos sonhos...

Ah, tudo é um imenso vazio que nos povoa as almas!

( Na casa velha de minha infância
as lembranças projetam dores
sobre este olhar perdido ).




Feira de Santana, 10 de julho de 1999/10 de julho de 2008.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

DIÁLOGOS: CHAMADA PARA O PRÉ-LANÇAMENTO DO LIVRO



Nesta sexta, 16/10, é o pré-lançamento de DIÁLOGOS-PANORAMA DA NOVA POESIA GRAPIÚNA, durante o CONLIRE - I Congresso Nacional Linguagens e Representações, na UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz). Na próxima quinta e sexta, 22 e 23/10, respectivamente, haverá o lançamento na Academia de Letras de Ilhéus e em Itabuna, na Biblioteca Plínio de Almeida, onde o poeta Gustavo Felicíssimo apresentará um breve texto baseado em seus estudos: POESIA GRAPIÚNA: DA SUA FUNDAÇÃO AOS DIAS DE HOJE. No sábado, haverá uma grande festa com música, no Espaço Cultural Casa Aberta, no outeiro, em Ilhéus.



Esperamos por todos.

Lançamento do livro Diálogos: Panorama da nova poesia grapiúna

UESC - Universidade Estadual de Santa Cruz / Foyer do Auditório Paulo SoutoHorário: 18 horas

Valor do livro: R$ 15,00

UM POEMA SOBRE A BAHIA... COM TRADUÇÃO PARA O FRANCÊS DE PEDRO VIANNA


O banho das negras de Gabriel Ferreira (acrílico sobre tela/2005).

Há algumas semanas, publiquei, aqui mesmo neste blog, um poema improvisado sobre as mesmas circunstâncias das quais ele trata; agora, volto a publicá-lo por que me chegou às mãos uma tradução para a língua francesa deste mesmo poema. O autor do novo poema – porque traduzir é também criar – é Pedro Vianna, a quem eu conheci – e ao seu valoroso trabalho com o site http://poesiepourtous.free.fr/ – através da queridíssima pessoa do poeta Miguel Antônio Carneiro, a quem eu devo, também, mais do que uma crítica à altura de seu talento, outro grande amigo e mestre que me tem ajudado de uma forma cujos agradecimentos que lhe devo não caberiam em laudas e mais laudas de “muito obrigado”; o trabalho de Pedro Vianna é louvável principalmente pela valorização de muitos novos e veteranos poetas de nossa querida Bahia que ele tão caprichosamente constrói em seu site:


http://poesiepourtous.free.fr/poesiepourtous/poesiepourtous/pomoi.htm.

Meus caros Pedro e Miguel... na falta de algo mais apropriado: MUITÍSSIMO OBRIGADO!!!

Eis, novamente, o(s) poema(s):

NO AZUL DA TRAVESSIA...


Este azul, tantas vezes renascido
a espelhar outro azul envolto no Mistério

é o mesmo azul que recobre a travessia da ilha de Itaparica
( e que eu encontrei sorrido nos teus olhos o dia inteiro )

imenso em sua verdade
tão simples, tão vazia... tão perfeita.

É o azul do mar da Bahia.



***



DANS LE BLEU DE LA TRAVERSEÉ...
Tradução de Pedro Vianna


Ce bleu, tant de fois ressuscité
reflétant un autre bleu entouré de Mystère

est le même bleu que recouvre la traversée vers l'île d'Itaparica
(et que j'ai trouvé souriant dans tes yeux le jour durant)

immense dans sa vérité
si simple, si vide... si parfaite.

C'est le bleu de la mer de Bahia.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A TURMA DE FEIRA... UMA CRÔNICA DE ILDÁSIO TAVARES


O poeta e jornalista Ildásio Tavares

Ildásio Tavares, um dos maiores nomes da poesia brasileira, e – mais do que um orgulho para mim – um grande mestre e amigo, agraciou-me, e, também, à poetisa Nívia Maria Vasconcellos, à declamadora Lucifrance Castro e ao artista plástico Gabriel Ferreira, com uma de suas crônicas semanais nesta última edição do jornal Tribuna da Bahia.

Ildásio, a quem eu devo, entre tantas coisas, um ensaio digno de sua poética neste blog, reconhece o trabalho árduo e a dedicação empreendida para realizarmos os mais diversos eventos, aqui, em Feira de Santana, e exalta, com o racionalismo crítico que lhe é contumaz, e, ao mesmo tempo, com a grande capacidade de admirar, que é a marca de todo grande poeta, os diversos talentos destes artistas feirenses, baianos... brasileiros.

Ao Ildásio Tavares, os meus mais sinceros agradecimentos, que, também, é o agradecimento dos outros artistas por ele citados. É, em nome deles, principalmente, que te agradeço.

Receba o nosso abraço...

Vamos à Crônica:



A TURMA DE FEIRA
por Ildásio Tavares


Venho recebendo regularmente,ora de Nivia Vasconcelos, ora de Silvério Duque notícias de uma movimentação cultural no interior, mais especificamente de Feira de Santana, que ombreia em qualidade com os movimentos que possam ocorrer em Salvador. Estes ainda me dão notícia de Lucifrance, exímia declamadora de versos que me brindou com um cd em que interpreta Navio Negreiro de Castro Alves.


O grupo ainda se completa com espetáculos musicais. Decididamente poeta, e poeta sério, do soneto, do verso medido, Silvério também trauteia a clarineta e participa de espetáculos em homenagem aos grandes vultos da Música Popular Brasileira, já houve Vinicius e agora fazem um show de Noel Rosa que sobre ser um painel da música do grande gênio também exerce uma função didática, aviventando nas mentes dos mais jovens a grandeza do nosso passado.musical, do samba do Estácio.


Vejo, pelas imagens que me chegam pela internet que estes shows merecem uma produção cuidada que há a preocupação com o figurino, com o cenário além do repertório cuidado do autor que imagino receber uma execução à altura. Estes espetáculos não são meramente episódicos. Eles se enfileiram há algum tempo, sempre com a correta escolha de uma figura de relevo de nossa música.


Completa o grupo a admirável pintura de Gabriel Ferreira que não conheço pessoalmente, mas que me atrai por sua arte honesta, sem truques nem conceitos em que as imagens são tratadas com esmero artesanal para um final de perfeita solução plástica expressa por uma mão segura de um hábil colorista. Gabriel não se esconde atrás dos modismos tão encontradiços no momento presente. Parte para uma definida vocação de pintar e realiza seu desiderato plasticamente, através de sua habilidade no manejo de pinceladas às vezes vigorosas, mas nunca frouxas, nunca guiadas pelo acaso.


O grupo mexe com um elenco de músicos e de cantoras que passa para mim a idéia de um trabalho, mesmo sem ter tido a oportunidade de escutar a tudo. Não há uma intenção esporádica de um pulo no escuro. Há um trabalho seqüencial que admira quando se pensa na dificuldade de se fazer arte, mormente no interior. A turma de Feira merece nosso aplauso e nosso incentivo. A poesia de Silvério está sempre em progressão, perfeccionando seu decassílabo, burilando seu soneto, forma a que se dedica com afinco.


Nivia Maria, versátil, vertical, com esta seriedade e dedicação que só mesmo as mulheres tem, moureja no conto e no poema.. Já é mestre em Letras, caminha para o doutoramento. Já tive oportunidade de me pronunciar sobre algo que considero essencial na linguagem literária e que Nivia Maria esgrime com perfeição. Refiro-me ao poder de síntese que, no conto, a faz caracterizar o personagem e por extensão a história com poucas palavras. Na poesia ela nada desperdiça, obedecendo a Ezra Pound que afirmava ser a poesia a arte de dizer muito com poucas palavras... E Nivia não é desse poetas inspirados. Por seu conhecimento da técnica, é uma criadora consciente.



Tribuna da Bahia, 05 de outubro de 2009.


CUCA-UEFS... AGENDA CULTURAL DE OUTUBRO







REPORTAGEM DA UEFSTV SOBRE O "TRIBUTO A NOEL ROSA"...

A cantora Célia Zaiin, a diretora do Núcleo de Cultura Popular, da UEFS, Susane Caribé, o poeta e clarinetista Silvério Duque, o artista plástico Gabriel Ferreira e o pianista Tito Pereira, durante o "Tributo a Noel Rosa"... 30 de setembro de 2009.


Clique no link:

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

OUTUBRO COMEÇA COM O LANÇAMENTO DO NOVO LIVRO DE LUIS DOLHNIKOFF...


O poeta e crítico literário Luis Dolhnikoff







Luis Dolhnikoff (SP, 1961) iniciou sua carreira literária com o livro de poemas Impreciso emigrar (SP, Massao Ohno, 1979). Depois de um intervalo no qual cursou medicina e letras na USP, retornou com Pãnico (SP, Expressão, 1986, com apresentação de Paulo Leminski). Em 1987, participa da fundação da editora paulistana Olavobrás, pela qual publicaria Impressões digitais (1990), e Microcosmo (1992), ambos de poemas, além da coletânea de contos Os homens de ferro (1991). Publicou poemas em Atlas Almanak 88 (SP, Kraft, organização Arnaldo Antunes), na página de arte e cultura Musa paradisiaca (Curitiba, A Gazeta do Povo, 1997, edição de Josely Vianna Baptista e Francisco Faria), na revista Medusa (Curitiba, 2000), na revista Tsé=tsé 7/8 – número especial com 30 poetas brasileiros contemporâneos (Buenos Aires, 2000), na antologia de poesia brasileira contemporânea Moradas provisorias (in Hipnerotomaquia, Ciudad de Mexico, Aldus, 2001, organização Josely Vianna Baptista) e na revista Cult (SP, set. 2002, no. 61). Colaborou com resenhas e artigos literários em O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, A Gazeta do Povo (Curitiba), A Notícia (Joinville), revista Sibila (SP) e jornal Clarín (Buenos Aires). Entre 1992 e 1995 coorganizou, ao lado de Haroldo de Campos, o Bloomsday de SP, em que deu a público suas traduções de poemas de James Joyce. Em 2001 recebeu Menção Honrosa no “Prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira”, da revista Cult, com a trilogia poética Consubstanciações I (sendo os jurados os poetas Nelson Asher, Waly Salomão e Cláudio Willer). Lodo é seu mais novo trabalho e, certamente, um sucesso de crítica e público.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

UM POEMA SOBRE A BAHIA...


O banho das negras de Gabriel Ferreira (acrílico sobre tela/2005).

NO AZUL DA TRAVESSIA...





Este azul, tantas vezes renascido
a espelhar outro azul envolto no Mistério

é o mesmo azul que recobre a travessia da ilha de Itaparica
( e que eu encontrei sorrido nos teus olhos o dia inteiro )

imenso em sua verdade
tão simples, tão vazia... tão perfeita.

É o azul do mar da Bahia.




Feira de Santana, 28 de setembro de 2009.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

UM CONTO DE ALCÂNTARA MACHADO


O escritor Alcântara Machado (1901-1935)

Antônio de Alcântara Machado foi sem dúvida o primeiro escritor que nasceu dentro do espírito modernista de 1922, o que, necessariamente, não quer dizer que tenha morrido com tal espírito; aliás, ao abandonar tal estilo literário, Alcântara Machado amargou um ostracismo, no fim de sua vida, que lhe foi imposto pelo radicalismo que sempre permeou o Modernismo Paulista. Em 1927, publicou uma seleção de pequenos contos que batizou com o título de Brás, Bexiga e Barra Funda, obra com a qual se destacou no movimento, nela, percebe-se a profunda influência modernistas, sobretudo de Oswald de Andrade. Os 11 contos que compõem a obra nasceram da experiência do autor como jornalista e, como tal, apresentam a forma e o sabor da notícia, tendo três bairros paulistanos como cenário às suas narrativas, numa nítida qual sacaz ambientação ítalo-brasileira. Ancântara Machado parece defender a tese de que alguns imigrantes, principalmente os oriundos da Itália, trazem em si a alegria, o canto e a movimentação. Ao pisarem o solo brasileiro, carregam a força do trabalho e a vontade de se saírem bem na nova terra. Ao se adaptarem, misturam-se de forma espontânea, a ponto de se confundirem com a paisagem. Os personagens, moços e moças, adultos e velhos são captados de maneira singela, revelando com traços estilizados seus jeitos de ser, pensar, viver, que influenciarão definitivamente a cultura paulistana. Alcântara Machado, como um repórter, observa estes "novos mestiços", fixando aspectos da vida, do trabalho e do cotidiano dessa gente simples, simpática, aberta e batalhadora. Cada conto se transforma em flashes dos bairros registrados e o enredo, jornalisticamente, vai-se transformando em crônicas da cidade durante a década de 20, com a precisão de uma linguagem concisa, economizando meios, conduzindo as cenas de forma cinematográfica, com cortes perfeitos e dinâmicos, imitando a movimentação pretendida pelo cinema, e, por isso, isentou suas narrativas de descrições e o cenários surgem rápidos entre uma e outra ação. São Paulo vai se tornando transparente através do registro de uma época de trabalho e progresso. Em seus contos, Antônio de Alcântara Machado apresenta excelente investigação da influência que o imigrante trouxe inclusive para o linguajar paulistano, revelando, no autor, o artista consciente de que o literato é também um historiador, ao observar a realidade urbana que o cerca. O conto Lisetta, é um dos melhores exemplos deste estilo singular, além de ser uma de minhas narrativas preferidas:
LISETTA

Quando Lisetta subiu no bonde (o condutor ajudou) viu logo o urso. Felpudo, felpudo. E amarelo. Tão engraçadinho.Dona Mariana sentou-se, colocou a filha em pé diante dela.

Lisetta começou a namorar o bicho. Pôs o pirulito de abacaxi na boca. Pôs mas não chupou. Olhava o urso. O urso não ligava. Seus olhinhos de vidro não diziam absolutamente nada. No colo da menina de pulseira de ouro e meias de seda parecia um urso importante e feliz.

- Olha o ursinho que lindo, mamãe!

- Stai zitta!

A menina rica viu o enlevo e a inveja da Lisetta. E deu de brincar com o urso. Mexeu-lhe com o toquinho do rabo: e a cabeça do bicho virou para a esquerda, depois para a direita, olhou para cima, depois para baixo. Lisetta acompanhava a manobra. Sorrindo fascinada. E com um ardor nos olhos! O pirulito perdeu definitivamente toda a importância.

Agora são as pernas que sobem e descem, cumprimentam, se cruzam, batem umas nas outras.

- As patas também mexem, mamã. Olha lá!

- Stai ferma!

Lisetta sentia um desejo louco de tocar no ursinho. Jeitosamente procurou alcançá-lo. A menina rica percebeu, encarou a coitada com raiva, fez uma careta horrível e apertou contra o peito o bichinho que custara cinqüenta mil-réis na Casa São Nicolau.

- Deixa pegar um pouquinho, um pouquinho só nele, deixa?

- Ah!

- Scusi, senhora. Desculpe por favor. A senhora sabe, essas crianças são muito levadas. Scusi. Desculpe.

A mãe da menina rica não respondeu. Ajeitou o chapeuzinho da filha, sorriu para o bicho, fez uma carícia na cabeça dele, abriu a bolsa e olhou o espelho.

Dona Mariana, escarlate de vergonha, murmurou no ouvido da filha:

- In casa me lo pagherai!

E pespegou por conta um beliscão no bracinho magro. Um beliscão daqueles.

Lisetta então perdeu toda a compostura de uma vez. Chorou.

Soluçou. Chorou. Soluçou. Falando sempre.

- Hã! Hã! Hã! Hã! Eu que...ro o ur...so! O ur...so! Ai, mamãe! Ai, mamãe! Eu que...ro o... o... o... Hã! Hã!

- Stai ferina o ti amazzo, parola d'onore!

- Um pou...qui...nho só! Hã! E... hã! E... hã! Um pou...qui...

- Senti, Lisetta. Non ti porterò più in città! Mai più!

Um escândalo. E logo no banco da frente. O bonde inteiro testemunhou o feio que Lisetta fez.

O urso recomeçou a mexer com a cabeça. Da esquerda para a direita, para cima e para baixo.

- Non piangere più adesso!

Impossível.

O urso lá se fora nos braços da dona. E a dona só de má, antes de entrar no palacete estilo empreiteiro português, voltou-se e agitou no ar O bichinho. Para Lisetta ver. E Lisetta viu.

Dem-dem! O bonde deu um solavanco, sacudiu os passageiros, deslizou, rolou, seguiu. Dem-dem!

- Olha à direita!

Lisetta como compensação quis sentar-se no banco. Dona Mariana (havia pago uma passagem só) opôs-se com energia e outro beliscão.

A entrada de Lisetta em casa marcou época na história dramática da família Garbone.

Logo na porta um safanão. Depois um tabefe, Outro no corredor. Intervalo de dois minutos. Foi então a vez das chineladas. Para remate. Que não acabava mais.

O resto da gurizada (narizes escorrendo, pernas arranhadas, suspensórios de barbante) reunido na sala de jantar sapeava de longe.

Mas o Ugo chegou da oficina.

- Você assim machuca a menina, mamãe! Cotadinha dela!

Também Lisetta já não agüentava mais.

- Toma pra você. Mas não escache.

Lisetta deu um pulo de contente. Pequerrucho. Pequerrucho e de lata. Do tamanho de um passarinho. Mas urso.

Os irmãos chegaram-se para admirar. O Pasqualino quis logo pegar no bichinho. Quis mesmo tomá-lo à força. Lisetta berrou como uma desesperada:

- Ele é meu! O Ugo me deu!

Correu para o quarto. Fechou-se por dentro.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

TRIBUTO A NOEL ROSA...



A cantora feirense, Célia Zeiin, fará, próxima quarta-feira, dia 30 de setembro, às 20h, no Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA), que fica na Rua Concelheiro Franco, nº 66, Centro, Feira de Santana - BA, um show em homenagem ao grande Noel Rosa, o “poeta da Vila”...

Um dos maiores compositores da história da Música Popular Brasileira, Noel Rosa nasceu de um parto difícil em que o uso do fórceps pelo médico causou-lhe um afundamento da mandíbula; a deformação conseqüente desta prática o marcaria por toda a sua vida. Criado no bairro carioca de Vila Isabel, Noel pertencia à chamada “classe média carioca”; era filho do comerciante Manuel Garcia de Medeiros Rosa e da professora Martha de Medeiros Rosa. Ainda na adolescência aprendeu a tocar bandolim de ouvido e tomou gosto pela música – e pela atenção que ela lhe proporcionava. Logo, passou ao violão e cedo se tornou figura conhecida da boemia carioca.

Entrou para a Faculdade de Medicina, mas logo o projeto de estudar mostrou-se pouco atraente diante da vida de artista, em meio ao samba e noitadas regadas à cerveja. Noel foi integrante de vários grupos musicais, entre eles o Bando de Tangarás, ao lado de João de Barro (o Braguinha), Almirante, Alvinho e Henrique Brito. Noel arriscou, já em 1929, suas primeiras composições, Minha Viola e Toada do Céu, ambas gravadas por ele mesmo. Mas foi em 1930 que o sucesso chegou, com o lançamento de Com que roupa?, um samba bem-humorado que sobreviveu décadas e hoje é um clássico do cancioneiro brasileiro.

Célia Zaiin lembra-se que, desde a sua graduação, era “apaixonada pela obra de Noel”; ela nos lembra de sambas “como Onde está a honestidade, que fala de brasileiros que enriqueceram da noite pro dia sem receber herança ou ter trabalhado muito para isso, ou qualquer outra justificativa plausível... é de fato um assunto bem atual, aliás, Noel é um compositor sempre atual, por isso a grandeza de sua obra”. Pra Célia, este show é, “além da realização de um sonho”, uma “oportunidade de o público feirense familiarizar-se ainda mais com a obra deste carioca que é antes de tudo, um dos maiores gênios de nossa música”.

Noel revelou-se um dos mais talentosos cronistas do cotidiano carioca, com uma seqüência de canções que primam tanto pelo bom humor como pela veia crítica. Orestes Barbosa, exímio poeta da canção, seu parceiro em Positivismo, o considerava o "rei das letras".

Noel também foi protagonista de uma curiosa polêmica travada através de canções com seu rival Wilson Batista. Os dois compositores atacaram-se mutuamente em sambas agressivos e bem-humorados, que renderam bons frutos para a música brasileira, incluindo clássicos de Noel como Feitiço da Vila e Palpite Infeliz.

Entre os intérpretes que passaram a cantar seus sambas, destacam-se Mário Reis, Francisco Alves e a inesquecível Aracy de Almeida.

A tuberculose o levaria prematura e romanticamente à morte aos 26 anos de vida.

O show, “Tributo a Noel” ainda contará com o piano de Tito Pereira, a quem Célia considera um dos mais talentosos músicos da atualidade. Para Tito, “Noel rosa é mais atual do que muitos compositores contemporâneos e suas harmonias ricas e melodias sofisticadas nos convocam a tocar com muito gosto e afinco”.

Há também a participação especial do clarinetista Silvério Duque.

A entrada é franca...

Não percam!!!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

ABERTO DO CUCA



Aberto 2009: 14 horas de arte e cultura. É assim que o Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), de Feira de Santana, vai comemorar o seu 14º aniversário. No dia 18 deste mês, das 8 às 22 horas. Entre no site oficial: www.uefs.br/cuca e veja a programação do evento. A Entrada é franca.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

EMBATES POÉTICOS... III


O poeta Piligra


O poeta Gustavo Felicíssimo


O QUE IMPORTA
Piligra

(ao Gustavo Felicíssimo)


O que me importa agora senão a liberdade
com toda carga ingrata que ela carrega,
senão uma louca e estúpida necessidade
tomando conta, enfim, do que a vida renega...

O que me resta então? negar quem não me nega
ou suportar do insano o tapa e a falsidade?
Talvez fazer do amor razão, motivo e entrega,
compondo em verso o inverso da infidelidade...

Talvez buscar no olhar singelo de um irmão
aquilo que me assalta sem qualquer pudor:
uma resposta exata e sem contradição
para o mistério eterno que constitui o amor...

- O que me resta agora senão esta ilusão
na forma tosca e inglória de poesia e dor...

***



INDO UM POUCO MAIS ALÉM
Gustavo Felicíssimo


(em resposta a Piligra)

Importa mais fazer da areia piso firme
e ver brilhar no semelhante a poesia,
no seu semblante ver nascer um novo dia
para que a luz, de todo ser, mais se aproxime.

Então me alegro porque o verso é sempiterno
e por saber que a comunhão deve imperar
no coração de quem a busca e faz brotar
em outro irmão, o mesmo olhar, sempre fraterno.

E porque sei que o tempo é mesmo um aliado,
dou tempo ao tempo e de mãos dadas mais encontro
quem ao meu lado faz da vida um reencontro.

Nesse mergulho o mal está sempre adiado
porque no fundo o ser é bom e o Senhor justo:
eu não me esqueço de voar e não me assusto.

EMBATES POÉTICOS... II


Vinícius de Moraes (1913-1980)


João Cabral de Melo Neto (1920-1999)


RETRATO À MANEIRA DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO

Vinícius de Moraes



Magro entre pedras
Calcárias possível
Pergaminho para
A anotação gráfica
O grafito Grave
Nariz poema o
Fêmur fraterno
Radiografável a
Olho nu Árido
Como o deserto
E além Tu
Irmão totem aedo
Exato e provável
No friso do tempo
Adiante Ave
Camarada diamante!





***





RESPOSTA A VINÍCIUS DE MORAES

João Cabral de Melo Neto



Camarada diamante!
Não sou um diamante nato
nem consegui cristalizá-lo:
se ele te surge no que faço
será um diamante opaco
de quem por incapaz de vago
quer de toda forma evitá-lo,
senão com o melhor, o claro,
do diamante, com o impacto:
com a pedra, a aresta, com o aço
do diamante industrial, barato,
que incapaz de ser cristal raro
vale pelo que tem de cacto.



sábado, 5 de setembro de 2009

EMBATES POÉTICOS... I


O poeta Eurico Alves Boaventura (1909-1974), em sua biblioteca


O poeta Manuel Bandeira (1886-1968), também, em sua biblioteca


ELEGIA PARA MANUEL BANDEIRA

Eurico Alves Boaventura



Estou tão longe da terra e tão perto do céu,
quando venho de subir esta serra tão alta ...

Serra de São José das ltapororocas,
afogada no céu, quando a noite se despe
e crucificado no sol se o dia gargalha.

Estou no recanto da terra onde as mãos de mil virgens
tecem céus de corolas para o meu acalanto.
Perdi completamente a melancolia da cidade
e não tenho tristeza nos olhos
e espalho vibrações da minha força na paisagem.

Os bois escavam o chão para sentir o aroma da terra,
e é como se arranhassem um seio verde, moreno.

Manuel Bandeira, a subida da serra é um plágio da vida.
Poeta, me dê esta mão tão magra acostumada a bater nas teclas
da desumanizada máquina fria
e venha ver a vida da paisagem
onde o sol faz cócegas nos pulmões que passam
e enche a alma de gritos da madrugada.
Não desprezo os montes escalvados
tal o meu romântico homônimo de Guerra Junqueiro
Bebo leite aromático do candeial em flor
e sorvo a volúpia da manhã na cavalgada. Visto os couros do vaqueiro
e na corrida do cavalo sinto o chão pequeno para a galopada.

Aqui come-se carne cheia de sangue, cheirando a sol.

Que poeta nada! Sou vaqueiro.

Manuel Bandeira, todo tabaréu traz a manhã nascendo nos olhos
e sabe de um grito atemorizar o sol.

Feira de Santana! Alegria!

Alegria nas estradas, que são convites para a vida na vaquejada,
alegria nos currais de cheiro sadio,
alegria masculina das vaquejadas, que levam para a vida
e arrastam também para a morte!

Alegria de ser bruto e ter terra nas mãos selvagens!

Que lindo poema cor de mel esta alvorada!

A manhã veio deitar-se sobre o sempre verde.
Manuel Bandeira, dê um pulo a Feira de Santana e venha comer pirão de leite com carne assada de volta do curral
e venha sentir o perfume de eternidade que há nestas casas de fazenda,
nestes solares que os séculos escondem nos cabelos desnastrados das noites eternas venha ver como o céu aqui é céu de verdade
e o tabaréu como até se parece com Nosso Senhor.



***


ESCUSA

Manuel Bandeira


Eurico Alves, poeta baiano,
salpicado de orvalho, leite cru e tenro cocô de cabrito.
Sinto muito, mas não posso ir a Feira de Sant'Ana.

Sou poeta da cidade. Meus pulmões viraram máquinas inumanas e
aprenderam a respirar o gás carbônico das salas de cinema.

Como o pão que o diabo amassou.
Bebo leite de lata. Falo com A., que é ladrão.
Aperto a mão de B., que é assassino.

Há anos que não vejo romper o sol, que não lavo os olhos nas cores das madrugadas.

Eurico Alves, poeta baiano, não sou mais digno de respirar o ar puro dos currais da roça.


TRÊS DICAS DE LEITURA... INDISPENSÁVEIS


Razão do poema de José Guilherme Merquior (Rio, Topbooks, 1996).


Aristóteles em Nova Perspectiva: introdução à Teoria dos Quatro Discursos de Olavo de Carvalho (Rio, Topbooks, 1997).


Uma gota de sangue de Demétrio Magnoli (São Paulo, Contexto, 2009).

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA


Moça com brinco de pérola de Jan van der Meer Van Delft- (1665) Óleo - 46,5 x 40 cm.

MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA



à Sr.ª Irene Carneiro da Silva, minha mãe.

Mas, é assim que emprestamos, à verdade,
a maravilha oculta em meio às sombras
que uma luz vai buscar, na intimidade
de um olhar, outro olhar em meio às dobras
que o fulgor vai traçar parte por parte...
A outra metade é escrita pelas sobras
de um frágil instante entre o real e a arte
que todo artista traz em suas obras,
e, esse instante evidente da emoção,
é quando o olhar desacredita a pérola
na iminência de um susto, aparição
que se prende, no mesmo rosto, à auréola

silenciosa de um lume sobre a tela:
de amor, toda falena se une à vela.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

AS VÍTIMAS-ALGOZES DE JOAQUIM MANUEL DE MACEDO



Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882)


A importância de Joaquim Manuel de Macedo resulta de uma percepção do próprio escritor: o público leitor nacional, centralizado na capital federal e devorador de folhetins europeus, estava disposto a aceitar um romance adaptado a cenários brasileiros, desde que a conservado o modelo de enredo das narrativas inglesas e francesas. Além disso, o escritor deu-se conta de que precisava vencer a barreira moral – imposta pela estrutura patriarcalista – que não via com bons olhos a explosão de sentimentos naquelas histórias que afirmavam o direito da paixão sobre a obediência e sobre a hierarquia social. A adaptação que Macedo fez, portanto, era uma necessidade, podendo ser assim resumida:

Romance brasileiro =
Romance romântico europeu + cenários brasileiros + valores patriarcais

O produto desse esforço foram relatos desprovidos de grande valor artístico, mas que possibilitavam ao leitor várias identificações. Tropeçava-se a todo instante em ruas, praças, praias e outras paisagens conhecidas. Aqui e ali, sob algum disfarce, topava-se com uma figura típica da sociedade carioca (fluminense, se dizia então). Um nome era lembrado, um costume coletivo evidenciado, de tal forma que a alegria do reconhecimento tornava-se contínua – como se, atualmente, alguém descobrisse o seu mundo e a si próprio num filme ou numa telenovela.

Outro fator de identificação resulta do processo de abrandamento do folhetim europeu. Embora o tema predileto de Macedo fosse o amor, as aventuras sentimentais que imaginou não possuíam nem a violência nem o velado amoralismo das histórias dos romances europeus de então. Afinal, aqui era o Brasil, país em que a burguesia não tinha expressão e a ideologia patriarcal dominava completamente os espíritos. Afetos sim, mas afetos mantidos nos limites do decoro, para não ferir os leitores, nem com a tragédia, nem com a revolta. Mais açúcar do que sangue. Em vez de paixões intempestivas, respeitáveis namoros que, passando pelo noivado, terminam obviamente no casamento e outras educorações.

Não por casualidade, na obra de Macedo os impulsos íntimos dos enamorados sempre se enquadram nas normas da família patriarcal. Nada de vulcões, nada de protestos, nada de desrespeito. O universo pré-capitalista brasileiro ainda não podia conviver com a liberdade sentimental. Até os vilões sabem adaptar-se às conveniências sociais. Como disse um crítico, só praticam a vilania na medida em que o enredo assim o exige. Quer dizer, o mundo narrativo de Macedo, praticamente, não tem abismos.


AS VÍTIMAS ALGOZES (1867)

Um dos quadros sociais mais alegóricos da História do Brasil é a escravidão, principalmente no que se refere ao final do século XIX, dividido entre os defensores da Escravidão e aqueles que a repudiavam por considerá-la um dos maiores símbolos do atraso político-social do País.

Como já destacado, alguns autores se tornaram notórios defensores do abolicionismo, como Trajano Galvão, Rui Barbosa, Thobias Barreto, José Bonifácio (o “Velho” e o Moço), Fagundes Varela, Luís Gama, José do Patrocínio, Bernardo Guimarães, Raimundo Correa, e, o mais destacável, Antônio Frederico de Castro Alves, entre outros, expressaram o seu repúdio pelas práticas escravistas em prosa e verso, legando uma das ações políticas e humanitárias mais belas e vitoriosas de nossa História. Por outro lado existiram aqueles que pintavam um quadro bem diferente da Escravidão e que possuíam idéias não muito humanista. Eram escritores que viam a situação com um peculiar sentimento de medo; não um medo político, um medo de uma revolução, ou rebelião ou coisa do tipo, mas um medo físico e moral cuja principal vítima seria o Senhor de Escravos e o negro seu principal executor. Um dos arautos desta inconveniente verdade será Joaquim Manuel de Macedo, em seu outrora esquecido As Vítimas-Algozes.

A obra não agradou o público oitocentista e recebeu várias críticas publicadas na imprensa, sendo considerado, por Ubiratan Machado, como o livro mais atacado pela crítica durante o período romântico. As Vítimas-Algozes teve apenas três edições, a de 1843, depois 1896 e a de 1988, mas não por isso deixou de ser uma leitura essencial para a compreensão de um dos mais importantes períodos da História do Brasil.

Macedo comporá uma obra abolicionista um pouco diferente daquelas a que o grande público leitor de nosso País está mais acostumado, pois este abolicionismo é visto pelo ponto de vista do Senhorio que tem, na escravidão pela qual subjuga seus negros, a possível destruição de seus bens maiores: a Família, a Moral e a Propriedade. O objetivo do livro, que não é necessariamente um romance, mas um livro de novelas, três para ser exato: Simeão – o crioulo, Pai-Raiol – o feiticeiro e Lucinda – a mucama é convencer os leitores da necessidade de libertar os escravos, pois estes cativos, de natureza vil e obscura e, se não bastasse, submetidos ao horror do cativeiro, levam, para dentro de seus, lares a corrupção física e moral para o seio de suas famílias. Para uma sociedade que se quer moral, incorrupta e limpa, o escravo é, em potencial, um agente corruptor da mais baixa e perigosa espécie.

Para comprovar uma afirmação desta natureza Macedo se valerá de descrições intensas e de uma galeria de tipos negros comuns à realidade dos Senhores de Escravos; assim, as três novelas que compõem o livro trazem, por exemplo, o negrinho ingrato, o negro feiticeiro, os negros vagabundos, o escravo traiçoeiro, a mucama promiscua, escrava assassina... e muitos outros exemplos que demonstram o quão comprometedor é a presença do negro, do escravo dentro da casa-grande, perto de sua família, na intimidade da vida dos Senhores de Escravos.

RESUMO DAS NOVELAS

1ª NARRATIVA: SIMEÃO – O CRIOULO


O protagonista, Simeão, perdera a mãe, que fora ama-de-leite da sinhazinha, aos dois anos, tendo sido criado pelos patrões. Até os oito anos de idade Simeão teve prato à mesa e leito no quarto de seus senhores, e não teve consciência de sua condição de escravo.

Em função disso, tinha algumas regalias, mas não deixava de ter o estatuto de escravo e de ser tratado como tal, fator que, conforme ele se tornava adulto, se agravava e se fazia mais claro. Foi privado da mesa e do quarto em comum depois dos oito anos; continuou, porém, a receber tratamento de filho adotivo, mas criado com amor desmazelado e imprudente, e cresceu enfim sem hábito de trabalho. Devia ter 20 anos, crioulo de raça pura africana, cabelos penteados, vestido com asseio e certa faceirice e afetação, era calçado e tinha vícios de linguagem. Havia, no entanto, a expectativa de que seria alforriado quando o seu patrão morresse, o que não acontece, tendo este, em seu testamento, transferido a alforria certa para o momento em que a esposa viesse a falecer.

Simeão, juntamente com um comparsa, já alimentado de ódio contra os patrões, trama e realiza o assassinato da família toda e o saque do ouro e da prata que guardados no interior da Casa Grande. O quadro vem a se revestir de crueldade maior porque os proprietários de Simeão se achavam, no íntimo, protetores bem-intencionados do mesmo, tendo, inclusive, na véspera do crime, decidido alforriá-lo imediatamente. Não eram, no entanto, capazes de questionar o sistema que os privilegiava, em todos os sentidos, e desumanizava o outro pólo, ou seja, os escravos, da sociedade. Sistema que, Macedo diz com todas as letras, produz o ódio e o crime, no que o romancista estava se apoiando em dados da sociedade real. Sua personalidade era ingratidão perversa, indiferença selvagem, inimizade, raiva, vícios, era vadio, dissimulado, ladrão, tinha instintos animais e era atrevido. Seus senhores eram: Domingos Caetano, Angélica, Florinda e Hermano de Sales. Eram bons e humanos, tinham delicadeza de sentimentos e sentimentos generosos. Honestos e trabalhadores e o tratavam como a um filho, bastardo, mas filho.

O autor constrói um perfil aterrorizante para o escravo, misto de tigre e serpente, de vítima e algoz, capaz de atacar quando menos se espera. Procura, claramente, encher de medo os brancos, senhores de escravos, e sugere como solução: o fim da escravatura. Solução que configura a tese básica que passa pela conclusão de cada um dos três quadros da escravidão. A novela não tem por final um desfecho romanesco típico; a morte cruel dos senhores não se parece em nada com o Happy End mui comum aos romances macedianos, por exemplo, mas a reafirmação da tese do autor é que Simeão foi o mais ingrato e perverso dos todos os homens da terra e afirma: que, Simeão, se não fosse escravo, poderia não ter sido nem ingrato, nem perverso. A escravidão degrada, deprava, e torna o homem capaz dos mais medonhos crimes.

2ª NARRATIVA: PAI-RAIOL – O FEITICEIRO

As considerações sobre os cultos e crenças africanas é a forma escolhida pelo narrador para apresentar o papel do feiticeiro africano. A descrição física do feiticeiro já assusta: era um negro africano de trinta a trinta e seis anos de idade, um dos últimos importados da África pelo tráfico nefando: homem de baixa estatura tinha o corpo exageradamente maior que as pernas, à semelhança de um chimpanzé, por exemplo; a cabeça grande, os olhos vesgos, mas brilhantes e impossíveis de se resistir à fixidade do seu olhar. Segundo o narrador, trazia, porém, nas faces, cicatrizes vultuosas de sarja duras recebidas na infância: um golpe de azorrague lhe partira pelo meio o lábio superior, e a fenda resultante deixara a descoberto dois dentes brancos, alvejantes, pontudos, dentes caninos que pareciam ostentar-se ameaçadores; e prosseguia: uma de suas orelhas perdera o terço da concha na parte superior cortada irregularmente em violência de castigo ou em furor de desordem.

Em suma, Pai-Raiol tinha, para variar, uma má fama terrível, é um escravo que nenhum senhor queria por muito tempo. Ele conquista escravas por meio do medo e do pavor. As mucamas de que ele se aproxima obedecem-lhe cegamente. No momento da narrativa, é escravo de Paulo Borges e Teresa, um casal trabalhador, que vive muito bem até a chegada do feiticeiro. Paulo Borges é um homem trabalhador, dedicado ao lar; Teresa, esposa também dedicada e bondosa. Ambos viviam para sua família, seus filhos e para o trabalho.

Pai-Raiol incitou Esméria, mucama que cuidava das crianças a seduzir seu amo, o que de fato acontece. Os vícios e a sedução da escrava deixam Paulo enfeitiçado, até o dia em que a mulher os surpreende trancando-se no quarto sem nunca mais querer ver o marido. Esméria vai assumindo o papel de dona da casa aumentando a humilhação de Teresa. Quando nasce uma criança, filha de Paulo e Esméria, Pai-Raiol mostra à escrava a necessidade de que seu filho seja o único herdeiro. Paulo, no entanto, começa a sentir remorsos por seus atos, pois até os filhos ficam contra ele. Ensinada pelo feiticeiro, Pai-Raiol, Esméria coloca ervas especiais na comidas das crianças. Mas dentro em pouco estava a casa em movimento, Paulo Borges em sustos, a crioula em desespero: terrível indigestão se declarara em todas as crianças que em gritos e vômitos, em convulsões e delírio, e com as mãozinhas nos ventres, que se abrasavam e se dilaceravam em fogo e em dores horríveis, avançavam depressa para a morte que se manifestava já na decomposição dos traços fisionômicos. Ao amanhecer estavam mortos os dois filhos legítimos de Paulo Borges e os de alguns escravos – estes, para funcionar como álibi à maldade de ambos. Esméria, agora que as crianças estão mortas, orientada por Pai-Raiol, pede a Paulo que reconheça o filho deles. Ela vai encontrar-se com Pai-Raiol, com medo.

Não suportando mais, Esméria conta seus segredos para um escravo, Alberto, e fala sobre o domínio que o feiticeiro exerce sobre ela. Há uma luta entre Pai-Raiol e Alberto; o feiticeiro é morto, ao ser atirado por Alberto, de um desfiladeiro. Quando Alberto está amarrado e preso, Paulo, que já sabia da trama entre Esméria e Pai-Raiol, intervém dizendo que foi salvo por Alberto, dando-lhe carta de alforria. Esméria é, também, castigada.

A conclusão do narrador é de que não importa a morte de Pai-Raiol, o castigo de Esméria. O que fica é que Teresa tinha vivido vida de martírio em seus últimos meses, e morrera envenenada. Luís e Inês, filhos legítimos de Paulo Borges, tinham também morrido por atroz e dilacerante veneno. O pobre anjinho do berço fora privado dos seios de sua honesta mãe, bebera a sífilis e a morte nos peitos imundos de negra corrupta. A asa negra da escravidão roçara por sobre a casa e a família de Paulo Borges, e espalhara nela a desgraça, as ruínas e mortes violentas dos senhores e a escravidão, mãe das vítimas algozes, é prolífica.


3ª NARRATIVA: LUCINDA – A MUCAMA
A narrativa conta a história de Cândida, filha de honrado negociante e agricultor do interior da província do Rio de Janeiro. Em seu aniversário de onze anos, a menina recebera de presente do padrinho, Plácido Rodrigues, “o mais opulento fazendeiro e capitalista do lugar”, uma escrava crioula chamada Lucinda, de doze anos, que havia sido enviada à Corte para aprender a servir de mucama. A mucama logo conquistou a senhorinha ao dizer que sabia fazer bonecas e penteá-las. O padrinho empenhara-se em conseguir uma escrava que pudesse agradar a afilhada porque sabia que a menina andava triste devido à recente partida de Joana, “uma boa senhora, mulher pobre, mas livre e de sãos costumes, que fora sua ama de leite e a idolatrava como seus pais”. Joana, que enviuvara ainda moça, encontrara segundo noivo num “laborioso e honrado lavrador”, deixando por isso a sua adorada Cândida “com o maior pesar”.

Macedo oferece uma primeira ilustração de sua tese no romance ao contrastar a virtuosíssima Joana com a mucama Lucinda. Joana é descrita como uma segunda mãe, criada e também amiga, companheira do seu quarto de dormir, mulher simplória, bondosa e religiosa. Cândida, perdera segundo Macedo, “a companhia da mulher que era nobre, porque era livre” e que servia com o “coração cheio de amor generoso”, algo só possível “quando a liberdade exclui toda imposição de deveres forçados por vontade absoluta de senhor”. Em substituição, a menina recebera a crioula quase de sua idade, para Joaquim Manuel de Macedo: “a mulher escrava, uma filha da mãe fera, uma vítima da opressão social, uma onda envenenada desse oceano de vícios obrigados, de perversão lógica, de imoralidade congênita, de influência corruptora e falaz, desse monstro desumanizador de criaturas humanas, que se chama escravidão”.

Diante desse quadro os acontecimentos desenrolam-se naturalmente, sendo que o maior desafio é entender o porquê de Macedo ter achado necessário escrever quase quatrocentas páginas para contar essa história. A mucama tem uma influência nefasta sobre a donzela, de quem se torna a única confidente nos anos seguintes. Ensina-lhe o que ocorre quando a menina vira moça, despertando-lhe a curiosidade pelos rapazes, ministra-lhe lições de flerte e namoro, mostrando-lhe ser mais divertido namorar vários rapazes ao mesmo tempo, e assim por diante, num desfilar constante de idéias destinadas a excitar os sentidos da donzela cândida e pura. As lições de amor da mucama eram inspiradas pelo sensualismo brutal, em que, de acordo com a tese do autor d’ A Moreninha, resume-se todo o amor nos escravos; portanto, a mucama escrava, ao pé da menina e da donzela, é o charco posto em comunicação com a fonte límpida.

Com a mucama escrava, infiltrada no quarto da donzela, foi possível, a um conquistador barato, um francês estróina e ladrão, insinuar-se aos amores de Cândida, conquistá-la efetivamente e tirar-lhe o maior símbolo da honestidade feminina. Lucinda, criatura ruim como nunca se viu mesmo em folhetins televisivos hodiernos de horário nobre, tornara-se ela mesma amante de Souvanel, tramara tudo com ele, e até abrira o quarto da virgem para a consumação do delito. A idéia dos biltres era forçar o casamento de Souvanel com Cândida; dado o golpe do baú, Lucinda ganharia a liberdade e ficaria teúda e manteúda do francês. No final, Frederico, criatura virtuosa como nunca se viu mesmo em folhetins televisivos hodiernos de horário nobre, filho do padrinho de Cândida, apaixonado por ela desde menino, perdoa o erro da amada e casa com ela. Descobrira-se que Souvanel era na verdade Dermany, criminoso procurado na França. O vilão é preso e deportado. Lucinda e o pajem do pai de Cândida, também envolvido na trama para aproximar Souvanel da donzela, fogem dos senhores, são capturados, mas acabam abandonados ao poder público pela família. Frederico, o anjo, fecha o romance e o nosso martírio com um discurso abolicionista que aqui transcrevo, para martirizar o leitor, ou ao menos para dividir com ele o meu sofrimento.

Ainda que Macedo atribua os defeitos morais de Lucinda e seus pares à instituição da escravidão, a sua descrição dos cativos é tão impiedosamente desfavorável que torna-se difícil pensar na possibilidade de que essas pessoas, uma vez libertas, possam usufruir de direitos de cidadania e participar da vida política. De fato, uma característica intrigante de vários pronunciamentos favoráveis à lei de 1871 era a descrição dos escravos como seres quase destituídos de humanidade, pois a violência da instituição os desprovia de cultura, de regras de comportamento; por conseguinte, não desenvolviam laços de família, relacionavam-se sexualmente como animais, atacavam os senhores como bestas feras. Enfim, pareciam condenados a uma espécie de coisificação moral, resultado direto de sua condição de propriedade, de sua representação como coisa no direito positivo.

UM ROMANCE DE TESE?
Joaquim Manuel de Macedo constrói As Vítimas-Algozes dentro de uma tese: as desgraças e as corrupções das famílias dos Senhores de Engenhos são trazidas pela escravidão, pois ela transforma o negro num ser vil, violento e vingativo e, conseqüentemente, capaz das mais infames atitudes. Macedo demonstra, pelas três novelas de seu livro, como, gradativamente de maneira pautada e planejada, o negro vai se transformando de vítima para algoz. A proximidade quase íntima entre patrão e escravo nos últimos anos do cativeiro, uma intimidade que, segundo Macedo, beira o sado-masoquismo, é outro aspecto fundamental deste livro. Ele denuncia que, se o escravo é inegavelmente vítima de um regime desumano, a sua presença igualmente desagrega a sociedade branca no que ela teria de mais recomendável.
Assumindo um papel de arauto dos Senhores de Engenho do Século XIX, tais como Plácido Rodrigues, “o mais opulento fazendeiro e capitalista do lugar”. O autor procura demonstrar, com suas três novelas, como a escravidão pode significar a destruição das famílias de seus proprietários. As suas mulheres, seus filhos e filhas, todas as suas famílias encontravam-se ameaçadas, em tempo integral, pela presença de um indivíduo movido pelas malícias e pelo sentimento de vingança para como os seus acolhedores, ou seja, o escravo. Construindo a figura dos escravos sobre “tipos” e “estereótipos” que aumentam a imagem de medo por eles carregada, Macedo é muito feliz na criação do pânico e na linguagem direcionada à Classe Aristocrática a qual também pertence. Neste ínterim, estilisticamente, o livro ganha uma força descritiva e alegórica muito forte, com histórias de tristes realidades e influências, relações sexuais lascivas e desprezíveis pela sociedade da época, a natural repulsa do escravo pelo seu Senhor, por outro lado, perde em seu contexto ficcional em detrimento ao forte teor documental com o qual é envolvido. Em suma, na obra, o autor expressa a idéia de que a escravidão faz vítimas algozes e deve ser gradualmente extinta, sem prejuízo para os grandes proprietários de terra. Num tom conservador e usando personagens como a escrava Lucinda, o autor defende a tese de que a escravidão cria vítimas oprimidas socialmente, mas com uma perversão lógica, imoral e com influência corruptora oriunda da própria índole natural do escravo negro.
Para melhor engendrar sua tese, Macedo se utilizará de características e de esquemas narrativos comuns aos romances naturalistas. Por ter sempre um alicerce ideológico, um argumento, uma tese, a se comprovar, o autor de A Moreninha mescla o apelo à imaginação, comum ao Romantismo, com a busca pelo verossímil, característica comum ao Naturalismo, criando uma narrativa bastante peculiar na Literatura Brasileira, onde se mesclam Romantismo e Naturalismo. As Vítimas-Algozes é um alinhavo que traz elementos românticos como as constantes intrigas, a extrema sentimentalidade e compaixão dos senhores e senhoras de engenho, o heroísmo de alguns jovens, mistério, suspense e, claro, o sacrifício pela pessoa amada entrelaçados com características dos romances naturalistas como o determinismo do meio, da raça e da classe social, valorização do momento presente e verossimilhança, descritivismo e gosto pelo grotesco, presença do patológico, predomínio dos instintos, meio corrompido, ora moralmente, ora economicamente, ora os dois, aspectos sórdidos da consciência humana, desvios comportamentais, zoomorfismo dos indivíduos. Notoriamente, todas essas características se mesclam para que Joaquim Manuel de Macedo de coerência e forma poética à sua tese romanesca.

A obra é, certamente, um retrato perfeito do Brasil pós-abolicionista. O objetivo político das três histórias que compõem o livro está claro desde a nota inicial aos leitores. Professando narrar apenas histórias verídicas, Macedo procurava firmar, na consciência da população mais abastada, principalmente, o medo e as represálias do escravo sobre o seu senhor. Obra de convencimento, portanto, As vítimas-algozes era tentativa de obrigar os leitores a encarar de face profunda de um mal enorme que afeia, infecciona, avilta, deturpa e corrói a nossa sociedade, e a que nossa sociedade ainda se apega semelhante a desgraçada mulher que, tomando o hábito da prostituição, a ela se abandona com indecente desvario, segundo o próprio autor. Em sua retórica, Macedo lembra o isolamento internacional do país, do exemplo da guerra civil americana, do processo de emancipação em Cuba, e do caráter implacável da reforma, exigência da civilização e do século. Afirma que a escravidão é câncer social, que se não estirpa sem sofrimento; mas o adiamento teimoso do problema agravaria o mal, pois o país poderia ter de enfrentar a emancipação imediata e absoluta dos escravos, colocando em convulsão o país, em desordem descomunal e em soçobro a riqueza particular e pública, em miséria o povo, em bancarrota o Estado.

Macedo antevê um cenário apocalíptico como decorrência de uma possível emancipação imediata dos escravos revelando, já de início, o que seria esta obra, a forma como faz desfilar uma galeria medonha de escravos astuciosos, trapaceiros e devassos, sempre dispostos a ludibriar os senhores e ameaçar os valores e o bem-estar da família senhorial. Preocupado em não deixar nada por explicar, Macedo esclarece que havia dois caminhos a seguir para mostrar aos leitores a profunda reprovação que deve inspirar a escravidão: o primeiro consistiria em narrar as misérias e os sofrimentos dos escravos, suas vidas de amarguras sem termo – seria o quadro do mal que o senhor faz ao escravo, ainda que sem querer; o segundo caminho, aquele escolhido por Macedo, mostraria os vícios ignóbeis, a perversão, os ódios, os ferozes instintos dos escravos, inimigo natural e rancoroso do seu senhor. Seria o quadro do mal que o escravo faz ao senhor, de assentado propósito ou às vezes involuntária e irrefletidamente, ou, por que não, por instinto.

Joaquim Manuel de Macedo não foi o único – aliás, não foi nem o primeiro nem o último – a defender esse tipo de tese. Várias vezes, na literatura oitocentista, o negro foi pintado como corruptor da moral, da higiene e dos bons costumes da sociedade brasileira. Seguem, também, esse exemplo os romances: O Demônio Familiar, de José Martiniano de Alencar, História de uma moça rica, de Pinheiro Guimarães, A carne de Júlio Ribeiro e A falência de Júlia Lopes de Almeida.



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Joaquim Manuel de Macedo nasceu em Itaboraí, Estado do Rio de Janeiro, filho de uma família abastada, Formou-se, jovem ainda, no Curso de Medicina, profissão, a qual, jamais praticara, pois fora seduzido pela carreira de escritor, pelo magistério (foi preceptor dos filhos da princesa Isabel e professor de História no colégio Pedro II) e pela política (tornou-se deputado pelo Partido Liberal em várias legislaturas), além de fazer constantes incursões pela carreira jornalística. Foi o primeiro escritor brasileiro a conhecer grande popularidade, deixando uma obra bastante vasta de mais de quarenta títulos. Morreu no Rio de Janeiro. Suas obras principais são: A moreninha, de1844; O moço loiro, de1845; Memórias do sobrinho de meu tio, de1867; A luneta mágica, de 1869 e, pelo que parece, graças ao Vestibular da UFBA, As Vítimas Algozes, também de 1867.




terça-feira, 25 de agosto de 2009

X CAMINHADA DO FOLCLORE


Bumba-meu-boi...uma das muitas manifestações folclóricas que poderão ser vista na X Caminhada do Folclore de Feira de Santana

Resgatar e preservar a tradição popular como forma de valorização da cultura que é expressão maior de um povo é o objetivo da Caminhada do Folclore, promovida pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), através do Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA), este ano, chega a sua décima edição marcando o encerramento das comemorações da Semana do Folclore.

Inserida no Guia de Bens Culturais do Brasil, a Caminhada do Folclore conta com a participação de 52 grupos de Feira de Santana e 32 de outras cidades da região, a exemplo de Ipirá, Água Fria, Pedrão, Irará, São Gonçalo, Alagoinhas, Serra Preta, Santo Amaro, Ouriçangas, Cachoeira, Tanquinho...

Para Selma Oliveira, diretora do Cuca, “estes 10 anos de Caminhada sintetizam o percurso de um evento que expressa de forma significativa as raízes da cultura popular”. Ela acrescenta que para marcar os 10 anos da Caminhada, o CUCA presta uma homenagem a Feira de Santana, com a participação de um grupo de encourados, que abrirá o cortejo.

A X Caminhada do Folclore vai mostrar na avenida, o que de mais autêntico existe em nossa cultura local e nacional como repentistas, aboiadores, grupos de baianas, capoeira regional e de angola, bumba-meu-boi, vaqueiros encourados, burrinha, maculelê, sambas, nego fugido, caretas, reisado, grupos musicais e bandinhas típicas, entre outras manifestações da cultura de raiz.

A caminhada realizar-se-á neste domingo, dia 30... a concentração dos grupos será no Centro de Cultura Amélio Amorim, a partir das 7 horas, enquanto a organização do cortejo acontecerá na rua Frei Aureliano. O desfile está programado para as 9horas, saindo da avenida Getúlio Vargas, com encerramento na Praça de Alimentação. A caminhada conta com a parceria da TV Subaé, Prefeitura Municipal e Serviço Social do Comércio (Sesc).