sexta-feira, 9 de julho de 2010

DICA DE LEITURA: O LIVRO DE SCARDANELLI DE ÉRICO NOGUEIRA






O LIVRO DE SCARDANELLI: O ESQUADRO DA LOUCURA

por Jessé de Almeida Primo



Começarei com um clichê imprescindível como a maioria dos clichês: O livro de Scardanelli (É Realizações, 2008), de Érico Nogueira, não é uma obra comum. A discussão conteudístico-formal que subjaz a essa obra não parece, à primeira vista, familiar à nossa paisagem mental, muito menos à lírica, ainda que tenha contato, como se verá, com um poema de muito sucesso no Brasil.
De tal modo essa estranheza se manifesta que algum desavisado poderia pensar que o livro é de autoria de algum estrangeiro exilado nos trópicos, aborrecido com o sol infernal e que, saudoso de sua terra, escreve diante de um freezer aberto e com o ar condicionado ligado no máximo. Sim, a obra em questão tem algo de gélido, mesmo quando fala de verão e primavera; assim como nela tudo é noite, mesmo que brilhe o sol. Dessa assimetria falarei mais adiante.


Seria, por acaso, uma tradução? Suspeitá-lo-ia o leitor que já tenha passado pelo ciclo de Scardanelli de Hoelderlin ou simplesmente aquele que leu o posfácio do autor, em que ele explica que se limitou a emular tão-somente “o metro, o ritmo e as rimas dos originais”. Isso, sim, que é originalidade. O resto é conversa.


Não se trata de um mero paradoxo. Segundo escreve Carlos Felipe Moisés no belo ensaio “Para quê poetas?”, que acompanha O livro de Scardanelli, a verdadeira identidade do poeta alemão, numa rara demonstração de loucura, é enterrada sob este curioso pseudônimo à italiana. Já na emulação feita por Érico Nogueira, mais uma vez com Felipe Moisés, há uma tentativa de recuperação dessa identidade.


Nessa emulação, o autor resgata a tradição da imitação que praticamente se findou com o apego desesperado aos direitos autorais, o que certamente tenha coincidido com o advento da indústria do livro. Talvez Manuel Bandeira seja uma exceção se levarmos em conta os seus “À maneira de”. Fora isso, temos as famosas imitações de Homero por Virgílio, as de Petrarca por Camões, as de Camões por Góngora, as de Quevedo por Gregório de Matos, ou seja: entre os melhores estavam aqueles que melhor imitavam. Imitação essa que estava muito longe daquela empreendida por um escritor inventado por Borges, cujo “Don Quijote” reproduzia exatamente o texto de Cervantes, mas teve sua originalidade garantida por tê-lo escrito no século XX. A imitação de que aqui se fala é antes de tudo intimidade com a arquitetura dos poemas originais, é procurar realizar determinada forma tão bem quanto aquela que inspira essa imitação. Quanto às motivações da emulação aqui estudada, veremos mais adiante.



Horácio esteve aqui

"Se as cores se fundiram em verde-musgo," (Hora Média, Livro de Horas)

"As folhas já se foram há certo tempo,
há certo frio rochoso nas escarpas," (Vésperas, Livro de Horas)

"(...) O tédio
me faz seguir a tortuosa rota
da mesma água para foz ignota
em vez de atravessar um vau inédito
que acaba onde se quer. Mereço crédito?" (Soneto 5, Cancioneiro Inglês ou de Sandra Gama)

"A terra limpa e arada,
o vento encurvando as oliveiras," (Dois hálitos, Cadernos de Exercícios)


Os versos acima são alguns dos belos exemplos d’O livro de Scardanelli, constituído por 72 poemas que se distribuem em três partes: “Livro de horas”, 23 poemas compostos segundo a pauta determinada pelos que formam o ciclo Scardanelli, de Hoelderlin; “Cancioneiro Inglês ou de Sandra Gama”, uma seqüência de 24 sonetos em que uma linguagem, digamos, mais contemporânea - sem contar os registros lingüísticos mais clássicos também -, encontra maior adequação numa forma muito característica da tradição inglesa, que é justamente o soneto inglês; e, por fim, as formas mais variadas (do soneto, passando por formas em que mais predomina a quantidade da poesia greco-latina que o metro silábico do português, até a oitava camoniana) dão o tom de “Cadernos de Exercícios”, justificando dessa forma o seu nome. Mas os exemplos supracitados não foram escolhidos pela sua beleza, e sim por força de um aspecto que une as três partes de que esta obra é constituída: sua limpidez geométrica. Como se vê também pelo colorido bucólico de muitas dessas composições, estamos diante de uma obra neoclássica concebida em pleno século XXI.


A opção por uma referência pretérita, por sua vez, fundamentada em outra ainda mais remota, que é a poesia greco-latina clássica, não se explica pela vaidade erudita, “there is a method on it”. A escolha neoclassicista é antes de tudo tática, pois é uma forma de expressão, digamos, tão geométrica quanto a loucura. (Antes de prosseguir, não quero dar a entender que os renascentistas e os neoclássicos eram loucos, mas com certeza os loucos são renascentistas ou neoclássicos...)


Não estranhe o leitor essa consideração, pois nada tão organizado quanto a mente de um louco, que odeia as coisas fora de lugar; mais ainda, a assimetria perturba-o à exasperação. A loucura não é simplesmente uma desordem mental ou uma forma de desarticulação espiritual. É a pretensão de impor uma ordem ou uma forma justamente onde estas não se manifestam, pelo menos não do modo esperado. É o desejo de que tudo se encaixe, de que tudo se explique, enfim, é um desejo tão solar quanto desesperado de simetria. Quando, porém, a realidade se revela “desajustada”, nada resta senão criar um mundo harmônico, dotado de uma perfeição geométrica, onde tudo funcione, ou, quiçá, idealizar uma época em que tudo era bom, em que os campos eram mais verdejantes, quando o homem e a natureza davam-se as mãos. Esse aspecto da loucura como sede de simetria é a grande sacada de O livro de Scardanelli, de Érico Nogueira, em que um verdadeiro inferno espiritual habita formas harmoniosas e versos tão límpidos quanto os rios à beira dos quais descansam cabras e pastores.


Se a tranqüilidade dos pastores romanos parecia genuína, a dos renascentistas parece calculada, e esse cálculo parece atingir seu ápice na produção dos poetas neoclássicos, de modo que os pastores e suas cabras, a despeito da qualidade de sua poesia, mais lembram criaturas saídas de uma incubadora que de uma natureza suja, hostil e fugidia. Como não se lembrar de Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga? Marília, assim como Sandra Gama, da segunda parte do livro de Érico Nogueira, dá a impressão de ser algo próximo de uma sombra mental, como nos ilustra o autor no seu 22º soneto, quebrando assim, como nos lembra Felipe Moisés, a expectativa sensualista do leitor. E como não se lembrar de O mundo como idéia, de Bruno Tolentino, a quem, não por acaso, o livro é dedicado? O que é essa geometria obsessiva senão o inferno que Tolentino tão bem traduziu na imagem de “um puro palácio aritmético”?


Curiosamente, o "Cancioneiro Inglês", pouco importa se deliberadamente ou não, e a despeito de seu aspecto farsesco, é o Marília de Dirceu de nossa época: tanto em um como em outro há um sujeito que, num processo de interiorização, - e entre várias elucubrações - rumina o nome de uma mulher cuja existência parece mais criação de uma mente solitária que um fato concreto. Acontece que no "Cancioneiro Inglês", principalmente a partir do 18º soneto, a confusão se estabelece e a loucura parece atingir o paroxismo: ora a existência de Sandra Gama é carnalizada e a presença do amante se abstratiza, ora é a presença dela que se anula e o amante recupera a sua, ora ambos somem de uma vez:

"Por isso não conheço com quem lido:
pois de mim mesmo sou desconhecido." (soneto 19)


Fernando Pessoa compreendeu tão bem (para não dizer dolorosamente) o fenômeno do desespero geométrico que se poderia dizer que seu heterônimo mais angustiado é Ricardo Reis, precisamente um poeta horaciano neoclássico. Se a expectativa da morte ou de uma constrangedora decepção e a certeza da contingência se interpõem entre ele e sua Lídia (“desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos”), a destemida voz que procura atingir os sentidos de Frederico ou a que predomina no "Caderno de Exercícios" manda esse pudor às favas:

"Quando passou, então, por essas frutas,
a água não molhou – ficaram, pois, enxutas,
sem que um teu dente ao menos as marcasse;
aonde a água ia que o justificasse?" (Hora Média)

"pensar e não comer, que idéia louca." (As pêras de Diana)

Ou seja, o que poderíamos chamar de convenção de escola acabou servindo ao propósito de, a um só tempo, garantir-lhe a permanência e discutir, com seus próprios termos, o que subjaz a essa convenção.


Essa assimetria, sombriamente introduzida com o verso “A hora lúcida de cara dupla”, do poema "Visão", o primeiro do livro, é o que também percebemos em todo "Livro de horas", onde se conta a história de dois seres condenados a não se encontrarem, daí que a voz dirigida a Frederico só seja ouvida pelo leitor. Ela nunca chega ao que deveria ser o principal interessado. Curiosamente, a “cara dupla” da referida “hora lúcida”, que é o leitmotiv da obra, tem algo de “a pair of star-cross’d”, que é o leitmotiv de Romeu e Julieta presente no soneto que serve de prólogo à peça – aliás, um casal presa de uma paixão às escuras por conta da inimizade entre suas famílias e cujo amor, numa trágica manifestação de assimetria que parece se opor à realização de um desejo, fora comprometido pela artimanha por meio da qual esperavam consumar esse amor de maneira plena.


A “cara dupla”, a assimetria, a falta de convergência entre objetivos, mais ainda, a presença de objetivo em um e a falta total de objetivo em outro explicam uma evolução notada na voz que fala, mas não naquele a quem ela se dirige. Além disso, a natureza toda parece brincar em torno de uma figura tão paralisada quanto a que se apresenta em um quadro de natureza morta:

"Um lume chega – ou vem do alto, ou vem de baixo,
a treva, devagar, expele um novo dia;
sorriem bocas, mas num outro pasto,
que neste não há boca que sorria." (Dilúculo)


Afinal, o que esperar de alguém cuja mente é um universo paralelo com o qual não se consegue estabelecer um contato genuíno? É o que parece acontecer também na Balada do cárcere, do já citado Bruno Tolentino, onde uma voz fala de um encarcerado conhecido como Numeropata (“Era o 212/voltava a cara ou as costas/ se alguém o chamava Ambrose”) ou a ele se dirige (“Dorme, Minotauro, mouro/ da mais amarga Veneza...”). Por outro lado, apesar de em ambas as obras haver uma tentativa de resgate de uma identidade perdida no imenso palácio da loucura, há um abismo que as separa: numa, há uma voz luciferina-epicurista que procura – pela apropriação da estrutura poética alheia que é a do próprio Hoelderlin, e assim penetrando no seu delírio - despertar uma consciência recolhida com uma solução, como diria o apóstolo Paulo, “segundo a carne” (“por isso goza, Frederico, a parte/ que do todo puder a tua arte.”); noutra, uma voz que procura aproximar o encarcerado da revelação, ainda que seja por caminhos tortuosos e surpreendentes (“É cavalgando a besta/ que a alma depara o criador”). Esse tortuoso caminho que conduz à revelação também está presente em As horas de Katharina, do mesmo Bruno Tolentino: “Porque se fácil fora abandoná-lo,/que difícil o ofício de voltar!/Com que dedicação há que escalar,/ para habitá-lo, os graus desse castelo.”


O que estas obras têm em comum com O livro de Scardanelli é a clausura: a prisão propriamente dita n’ A balada do Cárcere e a cela de um convento, n’As horas de Katharina. Há, porém mais do que isso para irmaná-las: no caso da Balada, Ambrose é também presa da loucura que se configura, por sua vez, na sede de simetria, a tal ponto que só atendia àqueles que o chamavam pelo número, “passara a ser algarismos”. Katharina, mais afortunada, já que podia contar com a lucidez, por outro lado parecia não perceber que Aquele por Quem tanto procurava e por Quem se sentia abandonada estava ao seu lado o tempo inteiro: “Fechei os olhos então,/fiz como ela [a andorinha] e fui eu,/eu mesma minha prisão.” Em ambas há a presença de quem está de fora e procura despertar aquele que se encontra recluso: Ambrose pode contar com a generosidade de seu colega de prisão, ainda que esta não seja percebida, e Katharina com o próprio Deus que lhe apresenta sinais o tempo inteiro. Porém, enquanto nessas obras as atormentadas personagens podem contar com um Virgílio, por sua vez sob os auspícios de uma Beatriz, para guiá-las pelo inferno até chegar ao Paraíso, Frederico é constantemente abordado por uma voz que procura apontar um caminho inverso: “daquela funda treva não se sabe/ como voltar, a altura não se anela” (Glosa de Mote Alheio).


A comparação acima levanta as seguintes interrogações: seria O livro de Scardanelli um antípoda da obra de Bruno Tolentino? Seria, por isso, uma reação luciferina contra o esforço de resistir ao “mundo como idéia”? De certa forma, pode-se afirmar que sim. A diferença moral entre as duas vozes é mais que evidente, e elas repetem num outro plano a famosa tentação no deserto de que falam os Evangelhos. Por outro lado, não seria imprudente afirmar o imoralismo da primeira face ao objetivismo moral da segunda? Por que, antes, não observar que o objetivismo moral de uma não ressalta, numa comparação como a empreendida no parágrafo anterior, o evidente imoralismo da outra? Lembremo-nos, afinal, de que a voz que se dirige ao pobre Ambrose, a qual ocupa a primeira e a terceira partes d’A balada do cárcere, é uma voz, dir-se-ia, direta, facilmente identificada com a voz do próprio Tolentino, em nada distante de sua particular visão de mundo, ainda que não abra mão, é claro, da ficção literária; ao passo que n’O livro de Scardanelli Érico Nogueira abdica de sua própria voz com o fito de abrir espaço para a voz de um esteta donjuanesco, tendo concebido, assim, uma personagem bastante convincente, o que (e encerrando aqui a comparação entre os dois poetas) na Balada só acontece na segunda parte, em que o autor se ausenta para deixar falar o Numeropata.


Essa tensão de ser e não ser, do existir e não existir e, enfim, de desencontros tão reais quanto alucinantes, é levada às últimas conseqüências no "Cancioneiro Inglês", como já vimos. O curioso é que Frederico, assim como Sandra Gama, é uma personagem da qual não conseguimos visualizar um rosto ou um gesto, mas com cuja ausência nos esbarramos sempre. É alguém que parece não termos visto mais gordo e, como diria a voz presente no "Cancioneiro", “que, por isso, me entalou na porta.”


Essa tensão adquire um contorno ainda mais doloroso no décimo terceiro soneto, o qual reproduzo na íntegra:

"A morta que deflagro, a mesma estátua
semi-sorrindo a um mesmo cemitério,
indiferente e fria como a prata,
ensangüentada e morta com o ferro,
ouvi-a, quando o vento estava quieto,
falar na concha, que tem voz de nácar:
'Ó marinheiro, que no sal asséptico
mergulhas e afias tua faca,
era mancha de sangue que polias,
era ferro manchado que salgavas,
que me deixou com as feições tão frias
de ensangüentada prata, sem ressalvas?'
Entre o poema e ela, eu o escolhi;
ganhei um tema, porque o mais perdi."

Deparamo-nos aqui com um drama que se elabora em bem construídas – e por isso mesmo naturais - rimas toantes (estátua/prata, cemitério/ferro; nácar/faca, quieto/asséptico) e numa impressionante plasticidade que muito bem diz da feição pétrea que se confirma numa condenatória permanência em certo lugar: “A morta que deflagro, a mesma estátua/ semi-sorrindo a um mesmo cemitério”; ou que reproduz a voz de quem, qual num pesadelo eterno, ou não se consegue fazer ouvir, ou, quando isso ocorre, soa como se vinda das profundezas: “ouvi-a, quando o vento estava quieto,/ falar na concha, que tem voz de nácar”.


Esse poema dramático, mais precisamente os dísticos que o encerram, remete a uma história segundo a qual Camões, em meio a um naufrágio, teria preferido levar Os Lusíadas a nado em detrimento de sua amante indiana que se afogava, compondo depois em sua homenagem o famoso: “Alma minha gentil que te partiste/ tão cedo desta vida descontente”. Pouco se sabe da veracidade do ocorrido, mas factual ou não, não se lhe pode negar o caráter exemplar: se nos outros sonetos que compõem a série do “Cancioneiro Inglês” a musa pode ser um mero delírio, no presente caso há um “agravamento moral” na medida em que o outro é visto como um possível obstáculo à realização artística, tendo por isso que ser ou eliminado ou reduzido a um modelo, ou senão as duas coisas ao mesmo tempo: “Entre o poema e ela, eu o escolhi;/ganhei um tema, porque o mais perdi.”


O aspecto mais assustador disso tudo é que não ocorre a romântica “salvação pela arte”, mas tão-somente “a salvação da arte”, a se traduzir no sonho de se construir uma cidade para habitá-la de estátuas em vez de gente (“apenas, entre alguém e seu retrato,/para meu dano, preteri alguém.” Soneto 16); um imenso museu, em que a perfeição geométrica manifesta nos mármores minuciosamente cinzelados não seja perturbada pela imprevisibilidade dos movimentos ou pela velhice ou pela morte que não pode existir porque a vida é algo ausente.


Encerrando nossa incursão no interior dessa grande criação literária como que saída de uma mente enferma, qual o papel do "Caderno de exercícios" nessa metódica loucura? De que modo essa terceira parte com ar de “outros poemas” participa dessa unidade? Carlos Felipe Moisés vem a nosso socorro dizendo que o Caderno de exercícios é “a matriz de onde tudo proveio”. A essa observação acrescentaria algo: “exercício” é, entre outras coisas, – e a julgar pela notável variedade formal – a busca incessante de um método. Logo, esse caderno é o método de que vai se servir essa loucura.



terça-feira, 6 de julho de 2010

PROJETO COM A PALAVRA O ESCRITOR RECEBE WILMAR SILVA...


Wilmar Silva (1965 ... )


A princípio, o projeto visava apenas à apresentação de autores de ficção e poesia, mas, a partir de 1998, buscando ampliar seu território de atuação, Com a Palavra, o Escritor passou a integrar também áreas afins ao universo literário. Críticos, historiadores e tradutores, através de depoimentos informais, tiveram ocasião de partilhar com o público sua experiência pessoal sobre a aventura de publicar um livro.


Concebido como oportunidade de um relacionamento mais estreito entre autores e público pelo exercício da palavra, o projeto, neste ano de 2009, terá continuidade, com encontros mensais.


Os encontros são realizados no Café Teatro Zélia Gattai, na Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, sempre às quartas-feiras, às 17h.


Próximo dia 14 de julho é a vez do poeta mineiro Wilmar Silvar abrilhantar este projeto...

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CULTURA E ARTE DE FEIRA DE SANTANA (CUCA) LEVA BANDO ANUNCIADOR DA FESTA DE NOSSA SENHORA DE SANTANA DE VOLTA ÀS RUAS



A Universidade Estadual de Feira de Santana e o Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA) têm a satisfação de convidar V.Sa. e família para a 4ª edição do Projeto: Bando Anunciador da Festa de Santana.


Cuca leva o Bando Anunciador de volta às ruas dia 11 de julho



“Com fé e amor

Estamos a anunciar

Treze dias de festa

Salve Sant’ Ana

Padroeira do lugar”.



Com esta antiga marchinha de autoria do maestro Tuta, o Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca/Uefs), vai animar as ruas do centro de Feira de Santana, dia 11 de julho (domingo), na quarta edição do Bando Anunciador da Festa de Santana, padroeira da cidade. O bando, uma das mais expressivas manifestações da cultura popular feirense, reúne mascarados, bloco dos sujos, cabeçorras e um grande número de populares que percorrem as principais ruas da cidade ao som de zabumba e do espocar de fogos de artifício.


Antecedendo o evento, que já se consolidou como uma das mais importantes manifestações populares de Feira de Santana haverá mesa redonda no dia 8, uma quinta-feira, a partir das 19 horas, no teatro do Cuca, sobre “O Bando Anunciador da Festa de Santana: outras vivências”, reunindo os jornalistas Paulo Norberto dos Anjos e Adilson Simas, além de representantes da família Belmonte.


Com isso, a idéia do Cuca é dar ao evento um significado mais amplo, transformando-o em mote para uma discussão sobre a cidade, seus valores e identidade cultural. Ainda nessa noite será escolhida a Rainha do Bando 2010, e aberta a exposição fotográfica “O Bando Anunciador: registro iconográfico 2009”, com trabalhos de Juraci Dórea, Aldo Lima, Ghuto Cordeiro e do Clube de Fotografia Gerson Bullos.


O Bando Anunciador da Festa de Santana tem desfile marcado para o domingo, com saída do Cuca, às 7 horas da manhã. Percorrerá a rua Conselheiro Franco (antiga rua Direita), passando pela Igreja dos Remédios, praça Fróes da Mota, retornando pela rua Conselheiro Franco, praça da Bandeira rua Marechal Deodoro, Beco do Mocó, praça da Matriz, encerrando o cortejo no Cuca.


quinta-feira, 1 de julho de 2010

DICA DE LEITURA: O DIÁRIO DA FELICIDADE DE N. STEINHARDT


O Diário da Felicidade: É Realizações (554 páginas, R$ 110), tradução de Elpídio Mário Dantas Fonseca.



Nicu-Aurelian Steinhardt, filho de mãe romena e pai judeu, nasceu na Romênia em 1912. Seu pai, engenheiro e arquiteto, foi herói da 1.ª Guerra Mundial. Por linha materna, Steinhardt era parente do psicanalista austríaco Sigmund Freud, a quem costumava visitar em sua juventude. Formado em Direito, freqüentou também o curso de Letras na Universidade de Bucareste. Estreou cedo no universo literário, colaborando com algumas publicações. Sua primeira obra a vir a público foi um pequeno volume de posição “liberal-conservadora”, escarnecendo tanto das manifestações da nova direita e elitistas quanto as da esquerda. Entre os parodiados estavam Constantin Noica, Emil Cioran, Mircea Eliade, Petru Comarnescu e Geo Bogza. Foi grande amigo do filósofo Constantin Noica e conviveu com os principais intelectuais romenos do século 20.




O Diário da Felicidade, primeiro livro de N. Steinhardt publicado no Brasil, chega às livrarias para apresentar ao leitor um autor praticamente desconhecido. Steinhardt, no entanto, foi um dos pensadores mais intrigantes da cultura romena no século 20. Nascido em Bucareste, no seio de uma família judia, teve formação jurídica e logo se tornou crítico literário, manifestando profunda erudição.





Steinhardt publicou pouco em vida. São textos que se resumem a análises literárias - com exceção de O Diário, sua obra-prima -, legado de uma vida que testemunhou o lado mais sombrio da cultura e da política romena.




Em 1960, Steinhardt, interrogado pela Securitate, polícia ideológica do regime comunista romeno, recusou-se a colaborar como testemunha de acusação no processo movido contra um grupo de intelectuais, entre eles seu melhor amigo, o filósofo Constantin Noica. A sua recusa lhe custou a pena de doze anos de trabalhos forçados, dos quais cumpriu quatro. Convertido ao cristianismo na prisão, ele foi libertado em 1964, retirando-se para a vida no mosteiro.





Publicado pela É Realizações (554 páginas, R$ 110), O Diário da Felicidade foi traduzido pelo meu amigo Elpídio Mário Dantas Fonseca, estudioso da obra de Steinhardt.

A seguir, o tradutor fala em entrevista exclusiva concedida ao Estado, sobre o livro.





Certas passagens do livro marcam uma mudança formal na linguagem de Steinhardt, considerando que num dos primeiros livros, À Maneira… de Cioran, Noica, Eliade, ele emulava o estilo de outros autores. Steinhardt buscava deliberadamente essa imitação ou um caminho próprio? Qual a sua conclusão sobre a sua construção estilística?





─ A construção estilística dele revela um autor com o completo domínio da língua. Então, propositadamente, procurei manter o nível elevado onde era elevado e o nível vulgar onde era vulgar. Algumas vezes ele emprega palavrões, expressões cruas, estão assim no romeno. Minha idéia foi a de manter em português a mesma construção original.





É difícil entender o enredo da obra e da vida de Steinhardt sem o conhecimento prévio de sua relação com Constantin Noica, amizade, aliás, que o levou à prisão. Que tipo de envolvimento ele teve com o filósofo?





─ Steinhardt e Noica foram alunos do filósofo romeno Nae Ionescu, além de terem feito parte de uma geração de grandes intelectuais - Emil Cioran, Eugène Ionesco e Mircea Eliade. Eles tinham uma grande amizade e o próprio Steinhardt considerava Noica um segundo pai, que o fez nascer de novo, apontando o mosteiro onde passou seus últimos anos. O crítico Virgil Bulat, aliás, considerava suas obras filosóficas complementares. A vida de Steinhardt está intimamente ligada à de Noica, um dos muitos intelectuais romenos que confrontaram o regime instalado em seu país e passaram a ser perseguidos, tendo obras censuradas. O simples fato de se falar mal do regime em reuniões levou o governo a infiltrar nelas espiões e controlar o movimento dessas pessoas. Isso provocou a prisão de 22 intelectuais em 1958, entre eles Noica. O último a ser encarcerado foi Steinhardt, de quem exigiram que fosse testemunha de acusação do grupo, mas, a despeito de ter sido traído por todos os amigos, não traiu ninguém.





O título do livro de Steinhardt é curioso. Por que O Diário da Felicidade? O que era a felicidade para Steinhardt? Como lidar com esse paradoxo da noção de felicidade num período de quase meio século de memórias marcado por fatos sombrios?





─ A felicidade para Steinhardt está fora do tempo, independente do ambiente circundante. Ele a encontra nas piores situações. Ela está fundamentalmente associada à conversão ao cristianismo. Steinhardt diz que são os anos mais felizes da vida dele, pois foi a prisão que o levou ao cristianismo, do qual vinha se aproximando havia muito tempo. Mas foi a possibilidade de morrer sem ser batizado que o levou à conversão.





O Diário da Felicidade recorre a um estilo literário confessional, em que a preservação da memória e a sinceridade são eixos que desenrolam a narrativa da biografia de Steinhardt. A que tradição ele estaria filiado?





─ Ele está numa linha direta com Santo Agostinho, isto é, a confissão cristã do abrir-se totalmente diante Daquele que tudo sabe para que possamos saber ainda mais acerca de nós mesmos.





É possível classificar O Diário como um testamento político, uma resposta contra o fenômeno do totalitarismo?





─ Sim. Steinhardt se concentrou em problemas que Constantin Noica, por exemplo, acreditava serem menores. Noica teve uma preocupação de resgatar o passado e dirigir-se ao futuro em suas aulas de filosofia, afastando-se de um mundo que o repelia, ao passo que Steinhardt não. Ele dá o testemunho diante das condições mais desfavoráveis, põe em prática aquilo que aprende da filosofia e da religião. Então, as palavras dele são cheias de sentido. Tudo o que ele diz nesse livro foi vivido, não foi da boca para fora.





Levando em conta o grande número de citações de filósofos e escritores existencialistas, em que medida o cristianismo de Steinhardt foi marcado pela leitura de Sartre ou Camus?





─ O que eu posso dizer, de forma geral, não só em relação ao existencialismo, mas a respeito de uma série de outras teorias e confissões religiosas do livro, é que o cristianismo, como mostrado por Steinhardt, é o verdadeiro cristianismo e não a caricatura com que estamos acostumados a ver. Ele analisa, apanha o que importa e rejeita o que não interessa.





Mas, como cristão, Steinhardt cita uma série de autores que poderiam, de certo modo, serem entendidos como seus antípodas, entre eles Jean Genet. Por que Steinhardt, curiosamente, se concentra em autores fora da tradição cristã?





─ Em relação a outras personagens que Steinhardt cita em O Diário da Felicidade, ele busca aquilo que em determinado momento expressa o comportamento cristão. Na verdade, o cristianismo abrange tudo isso - abrange e supera - então, não é simplesmente pelo fato de alguém ser anticristão que tudo aquilo o que ele diz será 100 % errado. É exatamente aquilo de colher o que importa. Essas pessoas não ficaram cegas para tudo. É o próprio divino que fala com cada um de nós. É isso que Steinhardt identifica nessas pessoas.





Steinhardt, ao longo de sua vida, esteve diante de pelo menos duas grandes ameaças: primeiro, o antissemitismo por causa de sua origem e o comunismo romeno. Como isso o afetou?





─ Em relação ao antissemitismo, Steinhardt, ao entrar no mosteiro, escreve uma pequena autobiografia na qual diz que não sentiu de perto esse preconceito já que o pai, engenheiro e herói da 1ª Guerra, era o que se chamava de judeu de segunda classe - havia separações nessa época, sendo os judeus de primeira classe os grandes industriais, e os de segunda classe, profissionais liberais. Então, ele não sentiu o antissemitismo, ainda mais pela proximidade da família dele com cristãos ortodoxos - na verdade, ele passou a sentir que era repelido pela comunidade judaica após sua conversão ao cristianismo. No caso do comunismo romeno e do totalitarismo em geral, ele tem um livro em que mostra quando começam os sinais da corrupção do Direito. Steinhardt identifica isso no fim do século 19, na Sorbonne, produzindo um livro para repudiar essas novas tendências do Direito à luz do Direito Constitucional tradicional.





Em que linha filosófica você colocaria o trabalho de Steinhardt?





─ Numa linha direta socrática com um ponto alto em Santo Agostinho, no sentido de ser um pensador que retoma a filosofia e passa a vivê-la, colocando em choque concepções que antes eram tidas como certas, ou seja, a filosofia tomada a partir da vivência real e concreta - aquela que está em busca da sabedoria.





Embora Steinhardt seja um monge, ele tem uma forte ligação com a modernidade, apresentando em seus textos considerações sobre ciência e tecnologia. Como ele se relaciona com elas?





Esse é um lado que foi esquecido por alguns cristãos hoje em dia, do papel do cristianismo na formação do Ocidente, e especificamente a Igreja Católica, que perdeu a hegemonia cultural na modernidade. Eles deixaram de estar a par daquilo que acontecia, de serem sacerdotes, não só do ponto de vista ritual, mas também intelectual. A tecnologia e as ciências nunca podem ser contrárias à realidade, elas partem do pressuposto do real. É a abertura do pensamento de Steinhardt à realidade, própria do cristianismo, que foi perdida.









Entrevista publicada originalmente no jornal O Estado de S. Paulo, Edição de 17 de janeiro de 2010.








Todo este conteúdo foi retirado do texto O monge que achou a liberdade na prisão de Antonio Gonçalves Filho e Felipe Cherubin para o Ecclesia News: http://www.ecclesia.com.br/news/?tag=nicolae-steinhardt




quarta-feira, 16 de junho de 2010

E OS ENCONTROS LITERÁRIOS NA ALB CONTINUAM...


Os Encontros Literários da ALB é uma atividade do Ponto de Cultura da Academia de Letras da Bahia. trata-se de bate-papos com escritores, com leitura e discussão de textos previamente selecionados, objetivando a aproximação do público com os mais diversos autores da Bahia e do Brasil, oferecendo uma visão panorâmica, mas de qualidade, de nossa literatura atual.


Nesta próxima sexta-feira, a Academia de Letras da Bahia terá as presenças de Fernando da Rocha Peres & Kátia Borges (poesia), com os comentários dos professores Francisco Lima & Nilson Galvão.


Academia de Letras da Bahia, Av. Joana Angélica, 198 - Nazaré.

Salvador-BA. Tel: (71) 3321-4388.

terça-feira, 15 de junho de 2010

20 ANOS DA PINTURA DO POETA ANTÔNIO BRASILEIRO



Mais do que merecidamente, o poeta Antonio Brasileiro - não é o Tom Jobim - , no último dia 10 de junho, tomou posse na Academia de Letras da Bahia (ALB).

Poeta de muitas faces e homem de muitas artes, apresenta em sua obra poética uma reflexão lírica e, muitas vezes, filosófica dos mais diversos motivos literários já cantados pela Literatura Ocidental. Não há dúvidas que a Academia Baiana de Letras acolhe um dos maiores expoentes de sua Literatura... diferente do que tem feito nos últimos anos.

Para completar, Antônio Brasileiro Borges, que é também Artista Plástico, estará a mostrar alguns de seus trabalhos na Exposição que comemora seus 20 anos como pintor.

Exposição chama-se 20 Anos de Pintura – de Antonio Brasileiro; realizar-se-á no dia 17 de junho (quinta-feira), às 19h, Na Galeria de Arte Carlo Barbosa e Museu Regional de Arte – Centro Universitário de Cultura e Artes (CUCA) que fica à Rua Conselheiro Franco, 66, Centro, Feira de Santana – BA.

GABRIEL FERREIRA É PREMIADO, MAIS UMA VEZ, NO SALÃO REGIONAL DE ARTES DA FUNCEB


Vinde e comei... uma das telas da coleção Sobre a mesa de Maria Amélia, premiada no último Salão Regional de Artes da FUNCEB



Mais uma vez, e merecidamente, como na última, o artista plástico Gabriel Ferreira foi premiado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, em mais uma das edições dos Salões Regionais de Artes Visuais. Das cinco edições que participou três delas foram na cidade de Feira de Santana e, nesta cidade pode receber seus dois prêmios. Segundo o próprio artista, é em Feira de Santana que ele consegue desenvolver suas atividades, mesmo tendo que superar inúmeras dificuldades (normais) impostas por políticas anticulturais e por posturas que desagradam ao artista em todos os sentidos; como ele mesmo afirmou em seu Blogger: "'Hoje, eu desafio o mundo sem sair da minha casa', é uma das máximas que sigo para justificar meu empenho e satisfação em me chamar de artista plástico".



Já tive o prazer de falar de Gabriel Ferreira, que é o responsável, também, pelas capas de meus dois livros de poesia (além de um grande e velho parceiro de musicalidades) aqui mesmo, neste Blogger, e não me canso nunca de afirmar: Gabriel Ferreira é, entre os mais novos, o melhor artista plástico da atualidade; e quem quiser que me prove do contrário.



Para conferri mais de sue trabalho é só acessar a sua página pessoal e passear por muitos de seus mais recente trabalhos: http://artistagabrielferreira.blogspot.com

quarta-feira, 26 de maio de 2010

EROTISMO...


O Beijo (que é baseado na trágica história de amor entre Paolo e Francesca, na Divina Comédia, de Dante) 1900, por Auguste Rodin

- E o que eu adoro em ti é a tua carne,
porque tudo o que é vivo se deseja;
assim, desejo em ti o meu tormento
que há-de crescer na proporção do tempo.

O que eu almejo em ti é a tua sombra,
pois toda boca habita as mesmas vozes
que hão-de tecer com gritos o teu nome
na tarde azul tragada pela noite.

Beijo o teu rosto como se existisse
algum lugar pr’além do Precipício,
e, junto ao gosto de teu lábio esquivo,

uma palavra, sobrescrita em sangue,
há-de adornar o verso em que eu me esqueço
e há-de extirpar, do amor, a fúria imensa.



AULA CONFERÊNCIA COM O POETA AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA



Aula-conferência: Que país é este?

O poeta Affonso Romano de Sant’Anna, a convite do grupo de pesquisa O escritor e seus múltiplos: migrações, realiza aula-conferência no auditório do PAF 3, no dia 26 de maio, às 18h30.

A palestra tem como foco principal tratar de seu livro sobre a ditadura militar brasileira, Que País é Este?, uma coletânea de poemas que dão um panorama crítico da sociedade brasileira de então.


Serão emitidos certificados aos estudantes que participarem da aula-conferência. As inscrições devem ser feitas na hora.

Confira mais sobre o poeta em seu Blogsite: http://www.affonsoromano.com.br


segunda-feira, 24 de maio de 2010

"A PELE DE ESAÚ" DE SILVÉRIO DUQUE... ADQUIRA JÁ O SEU



Editora: Via Litterarum
Autor: Silvério Duque
Apresentação: Ildásio Tavares
Posfácio: Gustavo Felicíssimo
Ilustração: Gabriel Ferreira
Ano: 2010
Páginas: 72 il.
Formato: 15,5x21cm
ISBN: 978-85-98493-66-4
Preço: Apenas R$ 15,00
Como adquirir: através do E-mail: vendas@vleditora.com.br. ou pelo Quiosque Cultural Online cujo endereço é: http://www.quiosquecultural.com.br/.






DUAS PALAVRAS SOBRE A PELE DE ESAÚ
por Gustavo Felicíssimo




Creio na existência de dois tipos de leituras: a erudita, revelada por autores preocupados em dar ao texto um valor de interesse fundamental; e a vacilante, que engloba as leituras que proporcionam intelecção abstrata, não conferindo nenhuma sacralidade à obra lida. Certamente os poemas deste A pele de Esaú, de Silvério Duque, se inserem dentre aquelas do primeiro tipo, pois foram baseados em uma narrativa bíblica antiquíssima (sobre a qual Ildásio Tavares discorre muito bem no prefácio da obra), fonte de enigma e sabedoria.

Vale lembrar que nada na trajetória humana foi capaz de inspirar tantas obras de arte, tantos artistas, nas mais diferentes latitudes e longitudes do mundo ocidental, do que a Bíblia. Levando-se em conta que o livro sagrado do cristianismo está no centro da nossa civilização, estranho seria se não fosse assim. E foram muitos os poetas que nela ou no cristianismo se inspiraram, com interesses e motivos vários, de diversas estirpes e épocas distintas, como Camões ou Bruno Tolentino, de quem se pode ouvir o eco na poesia de Silvério Duque, passando por Antero de Quental e Jorge de Lima, até encontrarmos o frescor de A pele de Esaú, uma obra dada ao leitor contemplativo, pois favorece a um recolhimento que possa proporcionar a reflexão adequada em relação ao universo circundante à obra.

Após ler os primeiros poemas deste livro percebi claramente que não se tratava de um compêndio qualquer de poesia, mas de uma obra refinada, alquímica, tecida com engenho e arte, em que o poeta apresenta-nos uma alternância riquíssima de perspectivas e expressões dramáticas do contrário, bem diversa e não apenas catártica, resultando em um canto verdadeiro, uma unidade e uma realidade concreta, não apenas a história evocada, objeto de meditação, mas os dramas pessoais do autor, suas vicissitudes, sonhos e desilusão. Enfim, uma obra muito superior ao que nos vem sendo apresentado pela maioria dos nossos contemporâneos.

Este livro é a mais nova obra de um dos melhores poetas da minha geração, um autor que faz jus à tradição de grandes poetas que a Bahia legou ao Brasil. Se pudesse resumir A pele de Esaú em uma única palavra, eu diria: inefável!



Sopa de Poesia, 01 de maio de 2010.

ÚLTIMO POEMA DE DAMÁRIO DACRUZ...


DAMÁRIO DACRUZ (27 julho de 1953 - 21 de maio de 2010)... foto de Ricardo Prado
GRAN FINALE


Avise aos amigos
que preparo o último verso

A vida
dura menos que um poema

E no alvorecer mais próximo
saio de cena.

sábado, 22 de maio de 2010

BAHIA DE TODAS AS LETRAS: NOSSA LITERATURA EM PRIMEIRO LUGAR... PREMIAÇÃO E DEBATE LITERÁRIO





Diálogos sobre literatura, lançamento de livros, homenagens e bate-papo com escritores serão alguns dos ingredientes que irão compor a premiação da 4ª edição do Concurso Literário Bahia de Todas as Letras, realizado pelas editoras Via Litterarum e Editus, com o patrocínio da Fundação Chaves e apoio da Fundação Cultural de Ilhéus.


O evento acontecerá no dia 02 de Junho, das 9h às 21h no Teatro Municipal de Ilhéus, e reunirá poetas, pesquisadores e escritores da cena literária da região em uma grande celebração das nossas letras.


Para tornar o dia mais lúdico está planejado o lançamento de uma coleção de livros infanto-juvenis de Pawlo Cidade e a apresentação da peça teatral As Aventuras de João e Maria, baseada na obra do autor ilheense. Ainda haverá o lançamento de diversas outras obras, entre elas Floração de Imaginários – O Romance Baiano no Século XX, de Jorge de Souza Araújo, vencedor do Prêmio Nacional da Academia de Letras da Bahia; Vassoura, do jornalista Daniel Thame; A Pele de Esaú, de Silvério Duque; e Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna, de Gustavo Felicíssimo.


A organização do evento também vai promover um bate-papo com novos poetas baianos, além de promover palestras de estudiosos, entre eles Jorge de Souza Araújo e Ildásio Tavares que, pela passagem dos seus 70 anos, será homenageado com a leitura dramatizada de alguns dos seus poemas.


Espera-se, com as palestras, compartilhar experiências e incitar adeptos a participarem de pesquisas relacionadas à nossa literatura. Os princípios orientadores das palestras são:


- Apresentar criticamente a literatura produzida por autores baianos, reconhecendo assim um sistema literário absolutamente particular;


- Colocar em diálogo os atores principais na produção estética e crítica da literatura baiana: os escritores, críticos e público.


Pretende-se assim fazer uma abordagem de excelência, a sua relação com a sociedade, o espaço e o tempo, trabalhando literatura e história, a criação literária e a natureza da poesia.


BREVE HISTÓRICO


O BAHIA DE TODAS AS LETRAS é um prêmio que está em sua quarta edição. Foi criado pela editora Via Litterarum em parceria com a Editus, a Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC.


PROGRAMAÇÃO


9h00 – Saudação – As Palavras Mágicas
Prof. Pawlo Cidade


9:15 h - Abertura
Prefeito Newton Lima
Maurício Corso - Presidente da Fundação Cultural de Ilhéus
Agenor Gasparetto - Editora Via Litterarum
Baísa Nora – Editus/UESC

Manhã
9h30 - Palestra I
–
Tema: Narrar Histórias: Ação mediadora nas práticas leitoras
Palestrante: Glória de Fátima Lima dos Santos (UESC) – Mestre em Estudos Linguisticos pela UFMG


10:00h - Palestra II
Tema
: Lobato e o leitor
Palestrante: Neila Brasil Bruno - Mestranda em Letras: Linguagens e Representações pela UESC

10h40 - Peça Teatral: As Aventuras de João e Maria,
baseada na obra infanto-juvenil de Pawlo Cidade.



11:20 – Lançamento da coleção de livros infanto-juvenis de Pawlo Cidade, cujos títulos são: Mistério na Lama Negra, A Batalha dos Nadadores, O Caminho de Volta e As Aventuras de João e Maria, editados pela Via Litterarum.





Tarde
14:00h - Palestra III



Tema: Jorge Amado e a ideia de grapiunidade
Palestrante: André Rosa (UESC) - Doutor em História pela UFBA



15:00h – Café Literário: A nova poesia baiana, com a participação de Piligra, George Pellegrini, Heitor Brasileiro, Fabrício Brandão, Mither Amorim, Geraldo Lavigne.
Mediador: Gustavo Felicíssimo



16:00h – Apresentação dramatizada de trechos do poema Iararana, de Sosígenes Costa, pelo ator José Delmo



16:30h - Palestra IV
Tema
: O romance baiano no século XX
Palestrante: Jorge de Souza Araújo (UEFS) - Doutor em Letras Vernáculas (Literatura Brasileira) pela UFRJ



17:30h – Palestra V
Tema
: A poesia baiana em três autores grapiúnas
Palestrante: Ildásio Tavares – Phd pela Universidade de Lisboa



18:30h – Homenagem a Ildásio Tavares
Apresentação dramatizada de poemas de Ildásio Tavares, pelo Grupo Teatro Total.



19:30h - Entrega do Prêmio Bahia de Todas as Letras e lançamento da 5ª edição do concurso que abrirá inscrições nos gêneros poesia e conto (categorias permanentes) e história em quadrinhos e charge.



20:30h - Lançamento dos livros:
Pawlo Cidade
Mistério na Lama Negra
O Caminho de Volta
A Batalha dos Nadadores
As Aventuras de João e Maria



Jorge de Souza Araújo
Machado Crítico - A Ossatura Dialética em Análise e Síntese
Floração de Imaginários – O Romance Baiano no Século XX
Graciliano Ramos e o Desgosto de Ser Criatura
Jorge de Lima - A Palavra em Pânico, A Poesia em Crise, O Espelho Náufrago





Silvério Duque
A Pele de Esaú





Daniel Thame
Vassoura





Gustavo Felicíssimo
Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna
Silêncios
(Haikai)



Lançamento de títulos novos da Editus (serão informados oportunamente)





sexta-feira, 21 de maio de 2010

ATÉ BREVE, AMIGO... ATÉ BREVE...


O poeta Damário Dacruz, (1954 -2010)


Morreu, hoje, de madrugada, o poeta Damário Dacruz...


Damário, além de grande poeta, era meu amigo e uma das pessoas mais amáveis que já conheci. Em meu último livro, A pele de Esaú, dediquei-lhe um soneto, que transcrevo, aqui, como última homenagem a alguém que foi, como pessoa e poeta, uma de minhas mais felizes influências.


Até breve, Amigo,... até breve...



UMA CIRANDA PARA DAMÁRIO DACRUZ

É preciso criar para sentir;
nada somos se nada construímos,
pois se nada inventamos, nada existe...
Somos a nossa ação por sobre o tempo.

No dia em que tecemos tudo vive,
realizar é escapar da morte... mas,
não durarei apenas entre os outros,
pois dou aos versos usos e clarezas.

De tanta falta e busca me revejo,
de tanto amor e anseio, me reinvento,
nessas rotas e fugas me refaço.

Necessário é criar e a vida é pouca,
no dia em que eu me faço estou e existo.
Neste poema há todos os meus passos.



quarta-feira, 19 de maio de 2010

LANÇAMENTO DE "A PELE DE ESAÚ" EM SALVADOR...


O poeta Silvério Duque... numa nova noite de autógrafos


O poeta Silvério Duque e o Sr. Cônsul-Geral de Portugal, Dr. João Paulo Marques Sabido Costa, no lançamento de seu livro A pele de Esaú.


Silvério Duque e o artista plástico Sant Scaldaferri no lançamernto de A pele de Esaú


O público que prestigiou o lançemento de A péle de Esaú


Música entre livros com Paulo Akenaton e Gabriel Ferreira

A eterna parceria: Lucifrance Castro, Silvério Duque, Gabriel Ferreira e Patrice de Moraes


Os poetas Ryzard Dygas, Bernardo Linhares, Lucifranec Castro, Ildásio Tavares e a bailarina Ana carolina Miranda, no lançamento de A pele de Esaú


No último dia 14 de maio, tive o prazer e a honra de lançar o meu mais novo livro, A pele de Esaú, em Salvador, na Livraria Praia dos Livros que fica à Av. Sete de Setembro, nº 3554, loja 2 (sobreloja), largo da Barra (ao lado do Instituto Mauá), às 20h, em Salvador-BA.

O evento contou com as belíssimas declamações de Lucifrance Castro e Patrice de Moraes, com a voz e o violão de Paulo Akenaton e com uma pequena exposição temática do artista plástico Gabriel Ferreira, inspirada nos poemas de meu livro. Além disso, a presença de mestres e amigos proporcionou-me mais entre os melhores e mais emocionantes momentos de minha vida. O amigo, poeta e jornalista, Ildásio Tavares, que prefacia meu livro e uma das presenças marcantes do lançamento, publicou, no último dia 08 de maio, no Jornal Tribuna da Bahia, a seguinte crônica sobre mim e A pele de Esaú:




A ESCRITURA DE SILVÉRIO
por Ildásio Tavares




Um dos momentos cruciais da formação do povo de Israel é quando Jacó assume a pole position, num golpe de mestre que começa com Esaú vendendo-lhe a primogenitura por um prato de lentilhas. Este factóide diz – de pronto – alguma coisa do temperamento e personalidade de ambos. Do imediatismo e gula de Esaú, da sagacidade de Jacó. Mais tarde, esta cessão da primogenitura tem que ser ratificada pelo pai de ambos, Isaac, que teria de dar sua benção. Aí, Jacó se vale de outro estratagema. Como Isaac estivesse meio cego, Jacó seria apalpado. Esaú era muito peludo e então, Jacó se veste com a pele de um animal e assim consegue se fazer passar pelo irmão que lhe tinha concedido seus direitos.

Ao nomear este belo livro de sonetos finamente escandidos de A Pele de Esaú, quero crer que Silvério Duque tivesse se inspirado neste episódio, ainda mais que coloca a epígrafe da passagem em que o Senhor adverte Esaú que começava a querer-se rebelar, mas que finda por se afastar e criar seu próprio povo longe das doze tribos de Jacó que viriam a formar o reino de Israel. Esaú tinha sido tolo, contudo, era forte e também contava com as bênçãos de Deus. Vinha de uma linhagem cuidadosamente selecionada de Abraão e Sara, para Rebeca e Isaac e que desaguaria nos 12 filhos que Jacó teria com Zilpah, Bilhah, Lia e Raquel, formando o povo eleito, o povo de Israel, até hoje vivo.


Neste meridiano da perda e da rejeição, na figura de um Esaú destituído de seu destino, Silvério elabora uma intricada associação de sentimento e pensamento, buscando a verticalidade de personagens que se multiplicam porque se querem fundir em um só. Afinal, o drama de degredo e aparte que sofre Esaú é de todo ser humano, anjo caído, que um dia se apartou da presença de Deus. E toda odisséia que Esaú tem que executar na busca de si mesmo pode-se configurar em seus aspectos trágicos e cada poema deste livro, pois, discorre sobre um jaez da personalidade humana com este suporte analógico, na verdade.

Mais do que o simples discorrer lírico, em que o poeta se exprime de dentro pra fora, este livro encarna um processo dialógico e dialético em que o poeta entra e sai no personagem e extrai daí o seu significado, num trâmite de intersubjetividade. Esta atitude reforça os aspectos dramáticos do poema e, ao dar voz aos personagens, torna o contexto mais efetivo. Destarte se estabelece um fio condutor que vem conferir unidade ao texto. Aliás, o livro todo é muito bem organizado, com um exato rigor de expressão e de ordenação, todo ele muito coeso, em suas partes, em suas divisões, o que consiste, em verdade, uma cortesia para com o leitor.

Do ponto de vista formal, o livro é impecável. Depois dos primeiros originais, eu recebi mais duas emendas do autor, provando que há um critério e disciplina no sentido do apuro textual, algo que considero fundamental.

Tenho visto inúmeros textos de aspirantes a poetas que não se dão conta que a poesia é a mais perfeita das artes. Apresentam-me, na verdade, um rascunho. Mesmo alguns poetas ditos consagrados mostram-me textos sintaticamente imperfeitos e inçados de cacofonias – poesia é a redação mais elevada. Silvério sabe disto e passa a limpo várias vezes seu texto. Respeita e venera a redação de sua poesia. Por isso pode pôr conflitos no papel com efetividade... Por isso é poeta.



Tribuna da Bahia, 08 de maio de 2010.


Àqueles que compareceram a este evento, só posso dizer-lhes, simplesmente, OBRIGADO!!!

OS ENCONTROS LITERÁRIOS NA ALB CONTINUAM COM ALEILTON FONSECA & ÁLLEX LEILLA




Bate-papos com escritores, com leitura e discussão de textos previamente selecionados, objetivando a aproximação do público leitor com autores baianos, no oferecimento de uma visão panorâmica de nossa literatura atual, é a proposta do Encontros Literários da ALB que, nesta próxima edição, conta com a participação de Aleilton Fonseca e Állex Leylla. Comentários de Mirella Márcia e Rosei Soares.
Data: 21 de maio, sexta-feira, às 17h
Local: Academia de Letras da Bahia - Av. Joana Angélica, 198. Nazaré - Salvador / BA
Mais informações pelo telefone (71) 3321-4308.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

GABRIEL FERREIRA: ARTISTA...


O artista plástico, músico e professor Gabriel Ferreira
Gabriel Ferreira é um artista excepcional! Porém, dizer isto a respeito de qualquer outro é muito fácil, numa época em que temos artistas aos quilos, e por metro quadrado, perambulando por nossas ruas e galerias, enchendo-nos os olhos com suas abundantes colorações performáticas e, de igual proporção, vazias e efêmeras. No caso de Gabriel, a coisa muda de figura.

Este tanquienhense é um artista ligado às tradições, pois, um artista, precisa de algo para se apoiar, e isto está muito claro desde Da Vinci a Portinari, por que com ele haveria de ser diferente? O folclore, a vida pacata do interior, a cultura popular de um modo geral estão para a obra de Gabriel da mesma forma que as cores e as impressões luminosas estão para a obra de um Monet ou um Sisley. Mas cores também não são seu fraco, pois Gabriel equilibra cores e contorno com a simplicidade primordial do desenho, aliado ao acabamento técnico e expressivo das tintas sobre as telas, que conseguem juntar o abstracionismo e figurativo em uma tênue barreira aliada aos malabarismo imagéticos do artista.

Suas telas também não se limitam em serem uma acabada fotografia de um momento contemplativo, antes, o movimento com que se deixam olhar e irradiam de si, nos esclarece ainda mais a idéia de que um quadro ainda precisa nos dizer, contar-nos algo, ou melhor, nos instigar a procurar os segredos que em nós habitam o quadro. Por estas e muito mais coisas que o espaço e os limites desta conversa não me deixam detalhar, Gabriel é um grande artista, porque um grande artista deve estar sempre vivo e atento ao mundo que o cerca e deve capturá-lo e o dissecar da maneira mais minuciosa o possível, para que a posteridade saiba que ali se encontrava um transformador de mundos e não um falsário, por isso mesmo o poeta Ildásio Tavares, disse que sua arte é uma arte “honesta, sem truques nem conceitos em que as imagens são tratadas com esmero artesanal para um final de perfeita solução plástica expressa por uma mão segura de um hábil colorista; não se esconde atrás dos modismos tão encontradiços no momento presente; parte para uma definida vocação de pintar e realiza seu desiderato plasticamente, através de sua habilidade no manejo de pinceladas às vezes vigorosas, mas nunca frouxas, nunca guiadas pelo acaso”.

E como se não bastasse tanta demonstração de talento e reconhecimento pelo mesmo, Gabriel dedicou uma pequena exposição a meu trabalho de poeta, no dia do lançamento de meu novo livro, A pele de Esaú, que eu reproduzo aqui, na íntegra para todos os que lêem este Blogger, como prova da profunda admiração e do grande agradecimento que tenho por este notável artista e grande amigo: http://artistagabrielferreira.blogspot.com


"Bendito seja todo esquecimento;
bendita, também, seja toda sede
e tudo mais que nos desperte a carne
ou que nos torne estranhos ante o espelho."




"Grande conforto esta visão da noite,
esta noite existente em cada ouvido,
qual o mar encarcerado em cada concha...
Há, em cada sonho, um anjo adormecido..."






"E o que eu adoro em ti é a tua carne,
porque tudo o que é vivo se deseja;
assim, desejo em ti o meu tormento
que há-de crescer na proporção do tempo."





"Contemplo em tuas chagas a beleza
e a memória de tudo o quanto é vivo.
A dor, inda presente, sente a carne;
o amor nos oferece um gesto antigo."



"Nua, és como os frutos contra o vento,
o contrair impuro de teus músculos,
como a transpiração das tuas flores,
vela chorando só em meio as preces..."



"...a noite derramando-se em ternura
e sono, o amanhecer que partilhamos...
Tudo passa, até mesmo a tua ausência
e a saudade que trago de quem somos."



"No dia em que fazemos tudo vive,
realizar é escapar da morte... mas,
não durarei apenas entre os outros,
pois dou aos versos usos e clarezas."






"Pesa-me sobre os ombros meu silêncio,
penso no fogo – renascer de tudo –,
na carne que perdi entre os escombros
do desejo, dos sonhos, dos sentidos..."

terça-feira, 11 de maio de 2010

GRANDE FESTA DE LANÇAMENTO DO CD “CANTOS FEIRENSES”




Quem ama Feira vem cantar com:

SANDRO PENELÚ
ASA FILHO
CELIAH ZAIIN
CEZINHA DOS OLHOS D'ÁGUA
& FRANCKLIM MAXADO



Pela primeira vez, cinco artistas da terra se reúnem para lançamento de um cd totalmente feirense. Com 12 músicas que falam de nossa cidade, Feira de Santana, este CD será doado, juntamente com os direitos autorais de seus interpretes, para as bibliotecas, escolas públicas e emissoras de rádio. O projeto de cunho cultural e educacional é mais uma realização do Núcleo de Cultura Popular do Centro Universitário de Cultura e Arte de Feira de Santana (CUCA), sempre sobre a competente coordenação de minha querida amiga Suzani Caribé e da produção de Celiah Zaiin, além do apoio do Pró-Cultura e da Prefeitura Municipal de Feira de Santana.



Neste show, todos poderão conferir a voz e o violão de Sandro Penelú, um de nossos artistas mais talentosos e ativos; a arte ímpar da viola de Asa Filho, nosso menestrel da cultura popular, fundador do Reisado de São Vicente e do Cidade da Cultura; Celiah Zaiin, grande cantora e fundadora do Show folclórico Portal do Sertão, a Opereta popular feirense e do Trio da Cidade; Cezinha dos Olhos d’Água, primeiro vencedor do maior festival de música da cidade, o Vozes da Terra, dono de composições que traduzem melodicamente toda nossa história e Franklim Maxado que além de cordelista, poeta e escritor de longos anos, agora compõe músicas, aboios também vencedores do Vozes da Terra com muita criatividade de arranjo e letra.

DIA 19 DE MAIO (QUARTA-FEIRA), ÀS 20H, NO CUCA
A ENTRADA É FRANCA

VOCÊS SÃO NOSSOS CONVIDADOS,POR ISSO NÃO FALTEM
!

sábado, 8 de maio de 2010

LANÇAMENTO DE "A PELE DE ESAÚ", EM FEIRA DE SANTANA...


O poeta Silvério Duque... autografando seu mais novo livro A pele de Esaú


A coordenadora do núcleo de Cultura Popular do CUCA, Suzani Caribé, o poeta Silvério Duque, a poetisa e declamadora Lucifrance Castro, A pele de Esaú e o poeta e professor Raymundo Luis Lopes


Silvério Duque (clarinete), Gabriel Ferreira (percussão) e Paulo Akenaton (voz e violão)... o Grupo Arranjos


O público que, atentamente, prestigiou toda a festa


O público... confraternizando-se


Os poetas patrice de Moraes e Lucifrance Castro... declamando poemas de A pele de Esaú


O poeta e professor emerito da UEFS, José Jerônimo de Moraes, o poeta e jornalista Ildásio Tavares, o poeta Silvério Duque, o professor e poeta Raymundo Luis Lopes


A coordenadora do núcleo de Cultura Popular do CUCA, Suzani Caribé, o poeta Patrice de Moraes, a poetisa e declamadora Lucifrance Castro, Silvério Duque (com o pequeno João Pedro), o artista plástico Gabriel Ferreira, o poeta e jornalista Ildásio Tavares e o professor emerito da UEFS e poeta José Jerônimo de Moraes, responsáveis diretos pelo lançamento de A pele de Esaú.


Núltimo dia 06 de maio, tive o prazer e a honra de lançar o meu mais novo livro, A pele de Esaú, aqui, em minha terra natal, Feira de Santana, com o apoio da Ed. Via Litterarum, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), a través do Núcleo de Cultura Popular do Centro Universitário de Cultura e Artes (CUCA) e do Colégio Intelecto de Feira de Santana.

A festa, que teve a coordenação de minha grande amiga Suzani Leite Caribe, contou com as belíssimas declamações de Lucifrance Castro e Patrice de Moraes, com a voz e o violão de Paulo Akenaton e com uma pequena exposição temática do artista plástico Gabriel Ferreira, inspirada nos poemas de meu livro. Além disso, a presença de mestres, amigos e alunos terminou por me proporcionar um dos melhores e mais emocionantes momentos de minha vida, que, aliás, foram bem sintetizados pela crônica do amigo e jornalista Emmanoel Freitas, que é também o autor da foto acima, em seu site Viva Feira (http://www.vivafeira.com.br/):


'Como era de se esperar, Silvério Duque, proporcionou aos amigos, colegas e admiradores uma noite extremamente agradável no lançamento do seu mais recente trabalho, o livro A Pele de Esaú, na qual o autor, acompanhado de seus amigos Gabriel Ferreira e Paulo Akenatom, receberam os convidados com música da melhor qualidade. Duque se não se comportou como um anfitrião convencional, sentado a uma mesa conferindo autógrafos, tocou seu clarinete com os seus amigos proporcionando uma recepção muito agradável a todos que compareceram ao evento, fez um agradecimento emocionado àqueles que lhe são caros e próximos, culminando em tomar no colo seu sobrinho recém-nascido e pousar para fotos com ele. O livro, presenteado por Silvério Duque a população amante da boa literatura, na noite do dia 06 de abril, é uma obra inestimável aos amantes da poesia, que deve ser lido e procurado nas livrarias'.

Àqueles que compareceram a este evento, só posso dizer-lhes, simplesmente, OBRIGADO!!!"


sexta-feira, 7 de maio de 2010

GABRIEL FERREIRA E MARLUCE GOMES EXPÕEM NESTA PRÓXIMA QUINTA-FEIRA NO MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA (MAC) DE FEIRA DE SANTANA...


“Corpo, Movimento e Ludicidade”: com esse mote Gabriel Ferreira, artista plástico, estréia o ano de 2010 com a mostra “Brinquedo dos Angolas – Capoeiragem” trazendo mais uma vez em suas telas e ilustrações a dinâmica da capoeira angola com vários aspectos gestuais e da vadiagem desses agentes sociais. A referida temática vem sendo trabalhada há 10 anos pelo artista, por meio do seu encantamento e proximidade com aquela atividade cultural.


Em parceria com o Malungo Centro de Capoeira Angola tece o discurso imagético a partir dos textos produzidos pelo mestre de capoeira, historiador e professor Josivaldo Pires de Oliveira (Bel Pires), com o qual mantém atividade de publicação de ilustrações em livros e revistas especializadas, além de participar de mostras em outros estados do país e no exterior. Para a abertura da mostra no MAC, o Mestre Bel Pires fará uma pequena palestra sobre o trabalho desenvolvido e temas correlatos.



***


Um olhar sobre a evolução sexual feminina na arte contemporânea.


O corpo sugerido em diversas telas colocando ênfase alusivos à corporeidade e à sensualidade criando uma reflexão sobre uma suposta liberdade.


Marluce Moura, possibilitou a compreensão da corporeidade na sua arte e das varias formas de vivenciar o corpo feminino neste cenário: o corpo ritualizado, o corpo mecanizado e o corpo sexuado; A mostra propõem uma reflexão sobre a feminilidade --analisando, com várias abordagens dois pontos q representam uma mudança de comportamento - o Ponto cruz - A agulha é usada para reparar o estragado. Um grito contra o vazio. É importante despertar a atenção para o pensar e o fazer, bem como para o que acontece no ponto "g" - eliminar os limites. Portanto, fazendo uma leitura da energia que oscila entre estes dois pólos,(cruz ao g) determinando o nosso pensamento para evolução, para a energia oculta em toda a parte. O seu trabalho é como uma excursão sobre o tópico do feminino X contemporâneo - uma discussão que analisa determinados mitos e realidades sobre a mulher e chega à conclusão de que estes são muito mais complexos do que muitos pensavam.


Através dessas diferentes perspectivas de encarar o corpo e os seus “movimentos”, o Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira promove num mesmo espaço físico duas mostras de artes visuais, de dois novos artistas, com o intuito de entrelaçar linguagens que convergem a um mesmo fim: o corpo e sua interação com a cultura.


A Vernissage está marcada para o dia 13 de maio de 2010 às 20h, Rua Germiniano Costa, s/n, Centro, Feira de Santana-Bahia, com permanência programada para 13 de junho do mesmo ano.