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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

UM SONETO PARA MIHAI EMINESCU...


Lúcifer por Mihaly Zichy (1887).




LÚCIFER
SOBRE UM POEMA DE MIHAI EMINESCU
POR SILVÉRIO DUQUE




à Cristina Nicoleta Mănescu, por sua história.













Sobrou de toda mágoa – e destas ânsias –
este anjo cujos olhos renasciam
entre os vôos que, nas asas, se insurgiam
por entre os céus sem fim e sem distâncias.

Ele girou em torno de seu rosto
num estertor de infinito que o nutria,
e, na manhã reescrita que o seguia,
vi a rosácea inconsútil de um sol-posto.

O anjo, de asas de sombra e luz que medra,
deixou seu nome em tudo quanto existe,
por ser, entre as estrelas, a mais triste.

Tudo que o anjo quis, perdeu na queda...
O ardor pelo que morre e o rosto terno
de alguém que se cansou de amar o Eterno.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

UM POEMA DE MIHAI EMINESCU...


O poeta romeno Mihai Eminescu (1850-1889)



VARIAÇÕES SOBRE UM POEMA DE MIHAI EMINESCU:

SOMNOROASE PASARELE

tradução de Silvério Duque











Somnoroase pãsãrele
Pe la cuiburi se adunã,
Se ascund în rãmurele -
Noapte bunã!

Doar izvoarele suspinã,
Pe când codrul negru tace;
Dorm si florile-n grãdinã -
Dormi în pace!

Trece lebeda pe ape
între trestii sã se culce -
Fie-ti ângerii aproape,
Somnul dulce!

Peste-a noptii feerie
Se ridicã mândra lunã,
Totu-i vis si armonie -
Noapte bunã!














I

Sonolentos passarinhos

vêm pousar por sobre os galhos,

vão dormir entre os seus ninhos...

Boa noite!



Só uma fonte, ao longe, ecoa;

no silêncio deste bosque,

flores dormem à garoa...

Dorme em paz!





Vai um cisne, sobre as águas,

repousar em meio ao juncos –

levem os anjos suas mágoas...

Sono doce!





E o calar da noite erguia

uma linda e clara lua:

tudo é sonho e harmonia...

Boa noite!











II



Mortos de sono, os passarinhos

vêm repousar por sobre os galhos

e, exaustos, volvem aos seus ninhos...

Irão dormir!





Somente a fonte, ao longe, fala;

mas, no silêncio destas matas,

dorme uma flor e tudo cala...

Que durma em paz!





Um cisne passa sobre as águas,

vai descansar em meio aos juncos –

que os anjos lavem as suas mágoas...

Um sono doce!





E, à meia-noite, há a alegria

de uma esquecida e alta lua,

pois tudo é sonho e harmonia...

Boa noite!

Ambas as "traduções" foram uma sugestão de meu amigo

Elpídio Mário Dantas Fonseca,

que, muito condescendentemente, também me deu o seu aval.