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sábado, 27 de junho de 2009

OUTRA TRADUÇÃO DE SHAKESPEARE...


Geni de Gabriel Ferreira (acrílico sobre tela - 70x70 - 2007), coleção particular.
Teu verão eterno...

Devo igualar-te aos termos do verão,
lindos e afáveis como teu semblante?
O vento, que desfaz cada Estação,
igual a tudo, dura um breve instante.
Tudo que é Belo, à luz do olhar, fascina,
porém, se o que era luz perde a clareza,
de seu belo, a Beleza, enfim, declina
por si ou pela ação da Natureza.
Só teu verão eterno então perdura,
com seu mais terno e mais profundo intento;
a impor-te a sombra, a Morte só murmura,
porque esta estrofe a de se opor ao Tempo,

e, enquanto houver viventes nesta Lida,
há de existir meu verso a dar-te vida.




terça-feira, 16 de junho de 2009

UMA TRADUÇÃO DE SHAKESPEARE


As três idades do homem e a morte de Hans Baudung

AS IDADES DO HOMEM

à Fernanda Oliveira





Quando a hora move míseros instantes,
em noite horrenda se desfaz o dia,
na angústia, se converte meu semblante,
à foice, a rosa entrega sua alegria;
já sem folhas eu vejo o torso altíssimo,
que outrora era conforto ao manso gado,
e ir-se, em funéreo passo – e em pêlo alvíssimo –,
o que era verde estio, então, ceifado;
ponho-me a perguntar por tua beleza,
consumindo-se toda em vil renova,
como há de ser a toda Natureza,
e a todo ser vivente... dura prova;

fora a prole, a assistir teu passamento,
nada te salvará da mão do Tempo.