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sábado, 16 de junho de 2012

E O QUE EU ADORO EM TI É A TUA CARNE...

A tela do artistas plástico Gabriel Ferreira, feita exclusivamente para o meu soneto "E o que eu adoro em ti é a tua carne...", pertencente ao meu livro "A pele de Esaú": http://poetasilverioduque.blogspot.com.br/2011/09/imperdivel-meu-livro-pele-de-esau-por.html













E O QUE EU ADORO EM TI É A TUA CARNE...
(por Silvério Duque)


E o que eu adoro em ti é a tua carne
porque tudo o que é vivo se deseja
assim desejo em ti o meu tormento
que há-de crescer na proporção do tempo.

O que eu almejo em ti é a tua sombra
pois toda boca habita as mesmas vozes
que hão-de tecer com gritos o teu nome
na tarde azul tragada pela noite.

Beijo o teu rosto como se existisse
algum lugar pr’além do Precipício
e junto ao gosto de teu lábio esquivo

uma palavra sobrescrita em sangue
há-de adornar o verso em que eu me esqueço
e há-de extirpar, do amor, a fúria imensa.



quarta-feira, 16 de novembro de 2011

PEDRO VIANNA: POÈMES DE MOI...


A pele de Esaú de Gabriel Ferreira (2010):
 Acrílico e fios de algodão sobre tela – 250 x 250 cm
Coleção particular.  





JÁ TIVE A OPORTUNIDADE DE, AQUI, FALAR A RESPEITO DO TRABALHO DE PEDRO VIANNA. 

TRABALHO LOUVÁVEL, PRINCIPALMENTE PELA VALORIZAÇÃO DE MUITOS POETAS (NOVOS E VETERANOS) DE NOSSO QUERIDO BRASIL, PRINCIPALMENTE OS DA BAHIA, ALÉM DE POETAS PORTUGUESES, QUE ELE TÃO CAPRICHOSAMENTE CONSTRÓI EM SEU SITE.

PEDRO VIANNA, A QUEM EU COMHECI ATRAVÉS DA QUERIDÍSSIMA PESSOA DE MIGUEL ANTÔNIO CARNEIRO, MUITO ME HONRA AO SE APRESENTAR AQUI COMO TRADUTOR E CO-AUTOR – PORQUE TRADUZIR É TAMBÉM RE-CRIAR, TORNAR ALGO NOVO, NOVAMENTE... DESTE MEU POEMA, EXTRAÍDO DE MEU LIVRO A PELE DE ESAÚ.

***
QUEM QUISER CONHECER MELHOR O SEU TRABALHO E, CLARO, OUTROS POETAS QUE PEDRO VIANNA VEIO A TRADUZIR, ACESSE O SEU SITEhttp://poesiepourtous.free.fr 




Que sabes tu dos frutos, das sementes,
da dureza das flores contra o vento ?
A aurora vem tragar a noite espessa
de onde brotou, sem dores, o teu grito.

Se a afirmação do amor nos aborrece,
morrer é mera vocação dos vivos,
pois, no morrer de tudo, há um recomeço.
Não queiras mal ao tempo ou ao espanto ;

não queiras mal ao grão, à terra escura...
Que sabes tu das trevas ou da carne ?
Que sabes tu das noites, dos princípios ?

Hoje, é chegado o tempo dos retornos,
e toda forma espera o seu ofício
como o vaso existente em todo barro.
...................................................................................

Que sais-tu des fruits, des graines,
de la dureté des fleurs face au vent ?
L'aurore vient engloutir la nuit épaisse
d'où a jailli, sans douleurs, ton cri.

Si l'affirmation de l'amour nous contrarie,
mourir est une simple vocation des vivants,
puisque, dans tout mourir, il y a un recommencement.
N'en veux pas au temps ni à la frayeur ;

n'en veux pas au grain, à la terre sombre...
Que sais-tu des ténèbres ou de la chair ?
Que sais-tu des nuits, des principes ?

Aujourd'hui, est venu le temps des retours,
et toute forme attend sa fonction
comme le vase existant dans toute glaise.


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SONETO DA ANGÚSTIA



Silêncio de Jonh Henry Fuseli (1799-1801), Óleo sobre tela, 63,2 X 51,5, Museu nacional de Zurique.



Pesa-me sobre os ombros meu silêncio,

penso no fogo – renascer de tudo –,

na carne que perdi entre os escombros

do desejo, dos sonhos, dos sentidos...

Pesa-me esta saudade de mim mesmo,

esta vontade de partir, de estar

em toda parte e em tudo quanto vejo,

de deixar para trás tudo o que importa...

( Nada importa. Tudo é ilusão e instantes.

Entretanto, desejo, em vão, a vida

e a doce voz que o coração escuta.

Nada importa, pois tudo é solidão

e agonia; pois tudo é noite e assombro. )

Mas, a alma se deslumbra em meio às cinzas.