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sábado, 16 de janeiro de 2016

TOMA LÁ, DÁ CÁ...






SILVÉRIO DUQUE

(por Lourival Pereira Piligra Júnior)

Não sou Silvério, Silva, coisa e tal,
nem tenho o nome escrito sobre a areia,
em mim o verbo explode como o sal
da fria pele intacta da sereia!

Não sou Silvério, Silva, ou imortal,
nem sinto a luz que inflama e que clareia
o verso livre imerso em lama e cal
e cada seta, enfim, que me golpeia!

Não sou da Silva, nunca fui Silvério,
sou da Parreira a folha que não cai,
não guardo nada além de algum mistério
no que não chega e nunca vem ou sai!

 – se faço verso enquanto faço um truque
é por que sei que nunca chego a Duque!



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LOURIVAL PEREIRA PILIGRA JÚNIOR

(por Silvério Duque)

Se Lourival Pilligra Júnior eu fosse
pouco me importaria a rima e o verso
tão precisos, porque eu viveria imerso
na paz de um filho que ganhou um doce.

Pois certo estava Benedetto Croce
ao dizer que o artista é um ser diverso
a nos abrir as portas do universo
ou com um soneto, ou expressivo "ôxe"!?

A Lourival Pilligra pouco importa
o Prometeu acorrentado ou o cego
a cantar por uma esmola, tudo corta

tudo fere ao olhar de quem verseja
tudo vira poesia para o ego
que um dia disse: que Pilligra eu seja!!!



***




*Felicíssimo e muito honrado com esta homenagem de meu amigo Lourival Pereira Piligra Júnior, que, não tendo melhor maneira de agradecer-lhe, devolve-lhe a tentativa do mesmo abraço poético...

* O desenho da foto é de Gabriel Ferreira


terça-feira, 12 de março de 2013

BATE PAPO COM ESCRITORES ...











O Teatro Popular de Ilhéus, através da sua editora, a Mondrongo Livros, promove, neste mês de março, dias 13 e 27, na Casa dos Artistas, uma série de encontros do público com escritores sulbaianos.

Sob mediação de Gustavo Felicíssimo, o evento receberá dia 13, os escritores Heitor Brasileiro Filho e Rodrigo Melo. No dia 27, as atrações são Daniela Galdino e Piligra, sempre às 19 horas e com entrada é franca.

O encontro tem como objetivo difundir a obra de autores sulbaianos entre os leitores da região e promover um bate-papo informal entre público e escritores, que falarão a respeito do processo criativo, influências, seus livros, e sobre questões fundamentais que envolvem a criação, tudo com a participação ativa do público.

Bate papo com escritores
Dia 13 e 27 de março
(sempre às quartas-feiras, às 19 horas)
Casa dos Artistas - Ilhéus

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

DIÁLOGOS: 2ª EDIÇÃO... EU RECOMENDO...






Mais conhecida fora da Bahia por conta da obra de Jorge Amado e Adonias Filho, a região Grapiúna, cujas cidades pólo são Ilhéus e Itabuna, onde se desenvolveu o cultivo do cacau, também viu nascerem poetas de fundamental importância para a literatura baiana, como Sosígenes Costa, Adelmo Oliveira, Ildásio Tavares, Abel Pereira e Florisvaldo Mattos, apenas para citar alguns.


Calcados nessa forte tradição, uma nova geração de poetas grapiúnas foram apresentados em Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna (Ilhéus/Itabuna: Via Litterarum/Editus, 2009), obra organizada pelo poeta e ensaísta Gustavo Felicíssimo. Aos dez antologiados da primeira edição – Edson Cruz, Heitor Brasileiro Filho, Noélia Estrela, Piligra, George Pellegrini, Rita Santana, Fabrício Brandão, Daniela Galdino, Mither Amorim e Geraldo Lavigne – juntam-se, agora, em segunda edição, mais dois poetas – André Rosa e Marcus Vinícius Rodrigues – dessa vez com sete poemas cada um, contra cinco da primeira edição. São doze poetas (alguns deles bastante premiados) que já estão inseridos entre aqueles que produzem a melhor poesia baiana, quiçá brasileira, deste início de século. Como afirma o crítico de arte Henrique Wagner, “a segunda edição de um livro de poemas é acontecimento incomum, infelizmente, em nossos dias – e em verdade sempre o foi, mas tem sido cada vez mais incomum, a ponto da primeira edição já ser, ela mesma, uma raridade. Se tal acontece, é porque um milagre chegou perto de acontecer, se não aconteceu, de fato”.

A segunda edição, revista e ampliada, de Diálogos, será lançada no próximo dia 11 de dezembro, às 18 horas, na Academia de Letras de Ilhéus, oportunidade em que haverá um bate-papo com Jorge de Souza Araújo, prefaciador da obra, sobre a poesia baiana contemporânea.

Todos os poetas antologiados na 2ª Edição de Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna, com exceção de Edson Cruz, que reside em São Paulo, estarão presentes no lançamento para uma seção de autógrafos.


São eles: Heitor Brasileiro Filho, André Rosa, Noélia Estrela, Marcus Vinícius Rodrigues, Piligra, George Pellegrini, Rita Santana, Fabrício Brandão, Daniela Galdino, Mither Amorim e Geraldo Lavigne.

É imperdível!!!

sábado, 21 de novembro de 2009

DIÁLOGOS GRAPIÚNAS


Diálogos: panorama da nova poesia grapiúna (Ed. Editus/Via Litterarum, 2009).


O poeta, jornalista e pesquisador Gustavo Felicíssimo



Recebi, nesta última semana, um presente de meu amigo, e poeta, Gustavo Felicíssimo: seu livro Diálogos: panorama da nova poesia grapiúna (Ed. Editus/Via Litterarum, 2009), do qual ele é organizador. Primeiramente, o livro me chamou a atenção pela excelente qualidade gráfica, tanto da capa quanto de seu interior, ambas assinadas pelo poeta e artista gráfico George Pellegrini. Mas é o seu conteúdo que realmente me impressionou...

Gustavo, que tem um trabalho de divulgação das novas gerações da poesia baiana e brasileira de altíssima qualidade, reitera este ofício ao publicar texto de dez poetas que, segundo ele (e, também, pelo que qualquer bom leitor poderá constatar), formam o mais novo – e o mais qualificado – grupo da novíssima poesia baiana oriundo da Região Grapiúna. São eles: Edson Cruz, Heitor Brasileiro Filho, Noélia Estrela de Oliveira, Piligra (Lorival P. Piligra Júnior), George Hamilton Pellegrini Ferreira, Daniela Galdino, Mither Amorim Mendonça e Geraldo Lavigne de Lemos.

Esses nomes agregam – como haveria de ser num trabalho como este – uma grande diversidade temática e formal, todavia, igualam-se pela seriedade dos temas, pela busca de uma poesia pura e com o diálogo estabelecido com quase todas as tendências poéticas. Segundo Ildásio Tavares, que prefacia o livro – e o Ildásio sempre sabe o que diz –, há um ponto de coerência e afinidade quando esses poetas esmiúçam o conteúdo dos seres e das coisas; para Ildásio Tavares, lá estão os signos referenciados do passado e do presente; lá só não estão o pieguismo, a piada e a superficialidade. O trabalho de Gustavo Felicíssimo é sério e, por isso mesmo, em sua antologia, só há poetas sérios... Por favor, lembrem isto ao Marco Lucchesi.

Quem se aventurar nas páginas de Diálogos... encontrará a síntese perfeita entre imagem e palavra na econômica, porém dialética, poesia de Edson Cruz; o verso sincero e livre de Heitor Brasileiro; a delicada angústia de Noélia Estrela; os formais e coloquiais sonetos de Piligra; a enigmática literatura de George Pellegrini; o erotismo pujante e lírico de Rita Santana; o verso livre e apaixonado de Fabrício Brandão; o deslumbramento reflexivo de Daniela Galdino; os haicais (e falando em haicais já se diz tudo) de Mither Amorim; o esmiuçar emotivo de Geraldo Lavigne.

Além do mais, o leitor constatará uma coisa óbvia: o trabalho sério e impressionante do pesquisador e organizador Gustavo Felicíssimo, que entre critérios estéticos e políticos constrói uma obra de referência, onde novas vozes se misturam, em igual índole, a nomes referencias como Sosígenes Costa, Adelmo Oliveira e Cyro de Mattos e para onde não encontramos sinais de nenhum “verbalista” que, como bem acentuou, certa vez, o filósofo Olavo de Carvalho, são os ditos "poetas que saltam direto do estímulo verbal à reação emotiva, sem passar pelo trabalho de imaginação e muito menos pela triagem crítica das representações imaginativas e cuja sua tendência é buscar a comoção ante os simples jogos vocabulares que, bem examinados, não significam absolutamente nada e nem poderão suscitar emoção nenhuma a não ser no sucesso do movimento Concretista que se deveu a propagação do verbalismo no lugar do verdadeiro poeta..." Por favor, lembrem isto, também, ao Marco Lucchesi.

Ainda citando o Ildásio Tavares, o verdadeiro legado da civilização grapiúna são os seus escritores; e o Gustavo Felicíssimo acrescenta a este legado nomes que o tornarão uma herança ainda mais valiosa às gerações futuras.

Uma vez, neste mesmo Blogger, referindo-me à poesia e ao trabalho de pesquisa e de divulgação de Gustavo Felicíssimo, disse que ele merecia todos os elogios que, sem pudor, e com sinceridade e débito prestava a ele netas poucas e insuficientes palavras... e, agora, torno novamente a dizê-lo, pois ele merece.





Candeias, 19 de novembro (Dia da Bandeira Nacional) de 2009.