quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SONETO DA ANGÚSTIA



Silêncio de Jonh Henry Fuseli (1799-1801), Óleo sobre tela, 63,2 X 51,5, Museu nacional de Zurique.



Pesa-me sobre os ombros meu silêncio,

penso no fogo – renascer de tudo –,

na carne que perdi entre os escombros

do desejo, dos sonhos, dos sentidos...

Pesa-me esta saudade de mim mesmo,

esta vontade de partir, de estar

em toda parte e em tudo quanto vejo,

de deixar para trás tudo o que importa...

( Nada importa. Tudo é ilusão e instantes.

Entretanto, desejo, em vão, a vida

e a doce voz que o coração escuta.

Nada importa, pois tudo é solidão

e agonia; pois tudo é noite e assombro. )

Mas, a alma se deslumbra em meio às cinzas.
















3 comentários:

Weslley M. Almeida disse...

Ave Fênix...
Parabéns, Silvério, pela poesia!
Abraço!

MaRiShKa disse...

'Alguns dias, a única coisa que permanece são cinzas...
Somente um sinal, que existiu vida,
Somente um pequeno ponto cinzento no mundo...
Hoje eu sou uma cinza, pássaro ferido...

Até cinzas anunciam que há vida,
Se há vida, o sorriso é somente uma questão de tempo...
Porque cinzas são sopradas longe pelo vento.'

João Henrique Kzm disse...

Sua escrita consegue realmente captar o caos do homem.